Bem-vinda, Raposa de Fogo

Firefox OS

Quando começou a onda de smartphones, a coisa estava muito obscura (entenda: "fechada"). Eu me lembro de a Microsoft vir tentando há muito tempo emplacar um Windows nos celulares. Quem realmente revolucionou tudo foi a Apple, a mais fechada das gigantes. Uma luz no fim do túnel veio com a Google em seu Android.

Android, o Sistema Operacional livre! Fabricantes começando a adotá-lo e ele crescendo pouco a pouco. Mas espere: alguma coisa estava errado. Código dos fabricantes de hardware e operadoras não era aberto. Nem mesmo todo o código do Google era aberto. O clímax desse mal estar veio com o Android 3, que os criadores se negaram a liberar o código-fonte (e pode?). Pois é, havia algo errado.

Mas há uma saída. Na verdade, várias propostas de saída. As principais até pouco tempo atrás eram o CyangenMod e o Replicant (este último fazendo com o Android mais ou menos o que o Trisquel faz com o Ubuntu). Outras opções estão chegando.

Em 1º de abril de 2011, plantei uma notícia falsa (na onda do Dia da Mentira) sobre a Canonical lançar um Sistema Operacional para competir com o Android. Seria Humanoid. O engraçado é que, apesar de o nome não ser esse, a iniciativa terminou acontecendo. Hoje estamos prestes a receber no mercado (talvez leve algumas semanas ou meses) o Ubuntu Phone.

De outro lado, Sailfish e Tizen estão sendo desenvolvidos. Mas não é disso que venho falar hoje: é do Firefox OS.

Desde que anunciou o projeto, Boot2Gecko (que eu só quero chamar de Gecko2Go), a proposta já era interessante: usar padrões web como linguagem para criação dos aplicativos móveis. Não que isso não viesse sendo feito. A grande diferença é que no Boot2Gecko (hoje Firefox OS), esse é o caminho.

Sabe? Isso me lembra o início de tudo, do Mozilla Suite. Quando a Netscape abriu o código do seu pacote de Internet (que vinha com o Navigator, Composer, Mail...), a turma olhou o código, pensou um pouco e disse: que merda! Resolveram fazer de novo. E como? Eles investiram em padrões web! Criaram uma lingaugem de definição de interface baseada em XML (o XUL), um novo motor (o Gecko) e outras coisinhas mais. Assim nascia o Mozilla Suite, de onde vieram depois o Firefox, Thunderbird e outros birds por aí.

O curioso disso tudo é que ainda no milênio passado, eles investiram em padrões web desse jeito tão intenso. O Mozilla (e o Firefox, por consequência) é apenas um conjunto de bibliotecas em torno do motor Gecko, com a interface toda feita em XML+CSS+JavaScript. Sim, a janela é toda composta desse jeito, as funções básicas também. Para você entender o poder disso tudo, o Chatzilla mesmo é feito inteiramente em XML+CSS+JavaScript, tem precisar de bibliotecas próprias compiladas.

Dito isto, não é tão novidade assim o conceito do Firefox OS. Mas não deixa de ser uma grande ideia. O uso de HTML5 como a linguagem do Firefox OS tem como objetivo incentivar ainda mais o uso de HTML 5 para aplicações mobile. Aplicativos escritos assim são mais facilmente utilizáveis em outros celulares, não ficando necessariamente presos à plataforma da Mozilla. Ah, e para quem está por fora do HTML5, ele suporta cache, armazenamento local e outros truques, ou seja, não é necessário estar conectado para utilizar um aplicativo (depende do aplicativo, claro).

Bem, vamos em frente. Lembra dessa turma toda que eu falei? Segundo tabela comparativa da Wikipedia, o Firefox OS é o único que não tem componentes proprietários. Mais um ponto para ele.

Por que estou falando disso? Bom, com a chegada do Firefox OS no Brasil, graças à Vivo, voltei a me interessar por programar (por diversão mesmo). É divertido escrever programas móveis em HTML5. Agora que tenho finalmente minha própria raposa de fogo, tentarei arrumar tempo para falar dela. Tanto de desenvolvimento, quanto dicas em geral.

Até mais!

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Comentários

imagem de Pensador Louco

Gostei muito da postagem, aumentou minha já enorme vontade de ter um smartphone rodando Firefox. Grande abraço. 8)

imagem de bardo

Que bom que gostou! O Firefox OS tem seus problemas, mas a meu ver tem bastantes pontos positivos. Grande abraço! :-)

imagem de Eduardo Barbosa

Muito bacana o post.

Fiquei com vontade de comprar um aparelho também.

 

Sou usuário Android, mas não consigo o ver com bons olhos. Nos primórdios, quando noticiaram "roda com um kernel linux", fiquei muito feliz. Mas me sinto inseguro utilizando Android, justamente como me sentia usando Windows (4 anos de felicidade no GNU/Linux :D).

E como sempre fui um fã do Firefox, vou comprar o aparelho.

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