Aldemir, o Pensador

Aldemir em menos de um ano de blog nos deixou alguns questionamentos. O principal deles, sem dúvida, é a dependência que a tecnologia causa em nós e como a tecnologia afeta a sociedade.

Em seu artigo O mal da tecnofilia, publicado em 11 de agosto de 2006, mostrava-se preocupado com o nível de dependência que percebia em si próprio, que chegou a chamar de “doença”. Dependência de tecnologia. Sentia, com pesar, que a tecnologia não vem cumprindo tanto seu papel de melhorar a vida de todos.

Em primeiro de setembro falava de tecnocracia, no artigo Tecnocratas – Precisamos mesmo deles?. Sobre como a tecnologia cega aqueles que ascendem no conhecimento, criticando quem chega a um patamar elevado em domínio de tecnologias (PhDs, por exemplo) e se esquecem do importante compromisso para com a Sociedade, passando a se preocupar unicamente com dinheiro.

Sua preocupação com a própria dependência tecnológica o levou a publicar em 19 de setembro um texto, Livros e Internet, reclamando como se afastou da leitura de livros nos últimos tempos, dado o tempo em que precisa estar on-line. Em seu A tecnologia e o fetiche do consumo, de primeiro de dezembro de 2006, tratando do mesmo tema, fala “A tecnologia é fascinante, mas não deve iludir. Já disse e repito: A tecnologia deve ser meio e não fim. Deve ser sempre para algo e não o algo.”.

A insistência no tema mostra a importância que tinha em sua vida e, talvez, um dilema barroco: adorar ler blogs, escrever blog, tecnologia em geral; e ao mesmo tempo temer que aquilo tudo não passe de um mundo ilusório que nos afasta, até certo ponto, das coisas que realmente importam. É desejar mais tempo para ler e participar por saber que há milhares de mentes criativas e interessantes com quem comunicar distribuídas pela imensa blogosfera e, ao mesmo tempo, sentir que está indo longe demais no tempo empregado. Sei bem como é isso...

Também nos trouxe alguns posicionamentos e conflitos mais imediatos, como em 3 de agosto, quando publicou Chega, não trabalho mais de graça, onde reclamava a valorização do conhecimento. O velho caso em que conhecidos chamam pra “fazer um serviço” ou acham que é uma boa idéia fazer consultoria numa festa.

O caso mais curioso, entretanto, foi a Proposta indecente, de 22 de agosto, quando o Aldemir ficou na dúvida se instalava ou não Windows pirata no computador de uma amiga, a pedido dela e com pagamento pelo serviço. O computador vinha com GNU/Linux, e foi adquirido com os benefícios do projeto Computador para Todos, do Governo Federal. Em 4 de setembro, vinha a público a decisão tomada pelo Aldemir, no artigo Proposta indecente – Parte 2, decisão esta que foi estrategicamente influenciada pelos comentários feitos ao primeiro post.

Mas apesar de ter cedido e efetuado a instalação no computador de sua amiga, Aldemir era usuário de GNU/Linux. Gostava do Ubuntu e publicou em 13 de setembro Usar Linux é uma questão de escolha, onde argumenta como o “Linux” é uma opção. Com direito a um vídeo da RedHat.

Sua preocupação social ainda se mostrou em pelo menos duas outras ocasiões: em 25 de setembro, quando falou do Dia Anti-DRM; e em 8 de novembro, apresentando uma Petição pela Internet sem Identificação. Esta última é uma longa história... Mas como tenho colocado diversos links para os artigos originais neste meu artigo – e não estou fazendo isso para o texto ficar “bonitinho” e mudando de cor -, você pode – e recomendo que o faça – clicar neles e ler os textos originais.

Avalie: 
Average: 1 (1 vote)

Comentar