Agricultura e Software Livres

Quando escolhi ver esta palestra ( FISL6), pensei que fossem falar de projetos de Software Livre para agricultura, como é o caso do agroLivre. Fiquei surpreso com o assunto tratado na palestra, mas não decepcionado. A palestra seguiu com propriedade e coerência, sobre o Movimento do Software Livre e o Movimento Sem Terra.

Que o MST é um movimento social de peso, todo mundo sabe. Que sua idéia inicial é justa, também. Eu tinha uma visão que, nos últimos anos, o projeto havia se desvirtuado e se tornado incoerente e hostil. Parece que essa é mais uma obra da imprensa e seu poder de transformar verdades em loucura...

O MST tem assentamentos organizados, em 23 estados brasilis. Cerca de 350 mil famílias assentadas. Eles se organizam e se preocupam com a sustentabilidade dos assentados. Assim, organizam, por exemplo, cooperativas. São:

  • 70 de agricultura;
  • 32 de prestação de serviços;
  • 12 regionais (o que isso significa, não sei);
  • 2 de crédito;
  • 96 pequenas e médias de agro indústria.

Eles têm escolas. São mais de mil escolas com 100 mil crianças estudando. Têm até mesmo um curso superior, com o apoio do MEC, em Agricultura.

Eles têm canal de informações. Um jornal com tiragem de 20.000 exemplares e uma revista com 10.000. Além do site http://www.mst.org.br, boletim por e-mail e programas de rádio nas rádios comunitárias.

Eles têm Inclusão Digital

Após mudanças e atualizações em seus parques computacionais, o Banco do Brasil doou ao Movimento 2.300 máquinas, das quais 1.100 foram utilizadas para a criação de Telecentros. E o que eles usam? Software livre!

A partir da distribuição Sacix eles criaram sua própria distribuição, adaptada às necessidades que tinham: a MSTIX. Seus telecentros usam a tecnologia LTSP, e alguns deles não têm ainda acesso à Internet.

No que diz respeito a treinamentos, eles têm dois modelos. Um para logo que um telecentro seja criado, ensinando o básico (focando conceitos em detrimento à mera manipulação de ferramentas). O outro modelo é centralizado e instrui tanto sobre a distribuição adotada quanto sobre a gestão dos telecentros.

Ou seja, há um compromisso real com inclusão sócio-digital. Eles incentivam também a produção de conteúdo para que seus aprendizes expressem a forma como vêem o mundo.

Falou-se de patentes agrícolas também. Que a seleção de sementes é utilizada há tempos pela humanidade em busca de sementes melhores. As pessoas se esquecem disso. Hoje empresas querem se apropriar do resultado de séculos de aplicação de técnicas agrícolas. E falou-se, com o que só tenho que concordar, que a biotecnologia não está aí para resolver o problema da fome, mas como forma de gerar muita riquesa para poucas pessoas.

Como bem disse o palestrante Pascal Angst, Nenhum país pode pensar em soberania se não produz seus próprios alimentos.

Pascal também falou que líderes indígenas demonstram interesse em utilizar software livre para promoverem inclusão digital. E a grande moral da história foi: como movimentos sociais, podemos nos ajudar.

E eu fico pensando. Quanto poder não tem a imprensa...

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