Warning Zone #32 - Uma Nova Visita

Warning Zone #32

No episódio anterior, após uma conversa sobre motos e super-heróis, Pandora e Darrel decidem ir à base do Grupo Satã, o que antigamente era a SysAtom Technology.

Sem acreditar no que suspeita, Tungstênio se levanta e sai da base, seguido pelos outros três, para ver quem está chegando. As motos já estão paradas. Os dois motoqueiros descem e sacam suas bugigangas.

Tungstênio: Eu não acredito! Vocês dois!? Mas você estava morto, Cigano maldito!

Darrel: Voltei pra te levar comigo.

Enxofre: Vai deixar, Stormdancer? Ui! Uma cantada dessa!

Tungstênio: Cale-se, imbecil! Calem-se os dois! Vamos dar um jeito nisso de uma vez por todas! Vocês três: peguem o Cigano! Eu cuido da Stormdancer.

Tungstênio então se volta para Pandora, sorrindo a passos lentos.

Pandora: Fica longe de mim, coisa feia!

Tungstênio: Ora, isso é preconceito! Poderia processar você por preconceito contra mutantes. Hoje são a menor minoria do Brasil, certamente.

Ela joga um cacetete que trouxera consigo, mas o objeto nem ao menos acerta o gigante de metal.

Pandora: Eu tou falando sério!

Tungstênio: Ora, tenha calma. Só quero dar cabo de vocês dois pra poder ter paz. Depois de te matar prometo que deixo você ir.

Os olhos de Pandora começam a faiscar.

Tungstênio: Você não devia ter ficado contra mim. Eu tenho uma vaga sobrando para designer e ela seria sua, se você não tivesse se rebelado com seu namoradinho.

Ele dá dois passos largos no mesmo instante em que Pandora dispara, de suas próprias mãos, um raio contra ele. Em um fração de segundos, ele está imobilizando a heroína dos trovões, com a mão em seu pescoço.

Tungstênio: Isso faz um pouco de cócegas, é divertido. Você é divertida, sabia? Talvez possamos entrar em um acordo. Como disse, estamos precisando de um designer.

Pandora se contorce, tentando se desvencilhar do antigo patrão, mas sem qualquer sucesso.

Tungstênio: É engraçado ter super-poderes, sabia? Agora mesmo, estou me esforçando um bocado para não esmagar você. Você não imagina o quanto.

Pandora: Hmmm hmmm…

Tungstênio: Ah, você quer falar?

Pandora: Hoje mesmo eu estava falando com Darrel sobre isso. A gente tem que ficar se controlando e se controlando...

Tungstênio: Pois é! Espero que eu me acostume logo com isso. Vamos ver como vão os três patetas com seu namoradinho...

Montanha e Enxofre estão tentando acertar Darrel, mas ele simplesmente some numa visão turva.

Montanha: Fique quieto!

Enxofre: Fío da peste!

Tungstênio: Onde está Seamonkey? Está vendo? Mulheres só atrapalham em certas horas.

Pandora: Ei! Eu tou aqui, ó!

Tungstênio: Eu sei.

Pandora: ???

Montanha: Encurralamos! Agora!

Enxofre: Ué! Pra onde ele foi?

Uma pancada forte, seguida de um grito, do outro lado da rua. Darrel cai no chão. Perto dele está a quarta integrante do Grupo Satã, com um pedaço de madeira na mão, a madeira já escurecida pela umidade, afinal ela tem um corpo gelatinoso agora.

Montanha: Como você fez isso? Pensei que tivesse fugido.

Seamonkey joga o pedaço de madeira de lado e pega uma corda no chão para começar a amarrar Darrel.

Tungstênio: Parabéns, Seamonkey! Você agora pensou! Conseguimos capturar os dois.

Ela tira o capacete de Darrel, que mostra expressão de dor. Está praticamente sem ação, sendo imobilizado.

Pandora: Darrel!

Tungstênio: É bom amarrar essa daqui também. E tirar o capacete dela.

Pandora: Não! De novo não!

Enxofre coloca os dois heróis, imobilizados e sem capacete em seus ombros e os carrega para dentro da base.


 

Os heróis desmaiados num canto, e o Grupo Satã se reune.

Enxofre: Véio, que sorte! Como é que foi isso que até agora não entendi!

Seamonkey: Me escondi no outro lado da rua, pois sabia que ele ia passar por ali em algum momento.

Montanha: Como sabia disso? Você é bruxa por acaso?

Seamonkey: Basta observar como ele age.

Montanha: Confesse: foi chute.

Tungstênio: Isso não importa. O importante é que os dois estão ali.

Montanha: Por que não nos livramos logo deles?

Tungstênio: Era o plano, eu sei. A Seamonkey terminou imobilizando os dois e talvez seja melhor assim. Pensávamos que o Cigano estivesse morto, mas não estava. Talvez seja melhor pensarmos numa forma mais eficiente de, digamos, nos livrarmos dele.

Enxofre: Faz sentido... E a mulé?

Tungstênio: Ela será nossa refém. Faremos com que crie nosso logotipo e nosso site. Além do mais, ela é inofensiva.

Seamonkey: Devíamos usar o Cigano para experimentos.

Montanha: Experimentos?

Seamonkey: Claro! Precisamos entender como o AtionVir age dentro de nós. E se isso nos coloca em algum tipo de risco, sei lá... Vai que esteja nos causando uma doença.

Montanha: Doença!? Eu estou muito bem, obrigado! Não tem...

Tungstênio: Ela está certa.

Montanha: Mas chefe...

Tungstênio: Está certa, mas é muito perigoso manter o Cigano aqui. Já vimos como ele é furtivo e como ele escapa...

Tungstênio olha rapidamente na direção dos dois heróis: não estão mais lá.

Tungstênio: Maldito! Como ele faz isso!? Que raiva!!

Seamonkey se levanta e vai para o seu “quarto”, balançando a cabeça, enquanto os outros três permanecem na “sala”, sem palavras.

P. S.: Publicado inicialmente na Revista Espírito Livre de novembro (edição 32).

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