Warning Zone #21 - Aceitamos Currículos

No episódio anterior, o grupo do mal SATAV invade as instalações da empresa Nuke³ Web Solutions, na intenção de sequestrar funcionários, mas seus planos são frustrados por não encontrarem absolutamente ninguém por lá.

Tungstênio: Vocês ouviram, não é? Estão zombando de nós! “seus planos foram frustrados por não encontrarem absolutamente ninguém”, ora! Como pudemos deixar isso acontecer?

Hilux: Chefia, a gente não teve escolha, né? Não tinha ninguém!

Montanha: Talvez alguém tenha dedurado a gente.

Seamonkey: E quem seria? O narrador?!

Tungstênio: O narrador... Sabe que pode muito bem ter sido ele?

Seamonkey, com raiva sai da sala e vai para o seu quarto.

Montanha: Melhor assim. Mulher só atrapalha mesmo.

Tungstênio: Vamos pensar. Quem sabe dos nossos planos?

Montanha: Hmmm... O narrador?

Tungstênio: Esquece o narrador! Eu lembro que não conversamos sobre esses planos diante dele.

Montanha: E quem então?

Hilux: Acho que tinha ninguém não, véi! Só se fosse um de nós, mas quem? E como, se a gente nem tem celular nem internet mais?

Tungstênio: Tem razão. Deve ter sido mera coincidência. Afinal de contas, é o preço do sucesso. Estamos ficando famosos e as pessoas estão com medo de se confrontar conosco.

Montanha: Então, mesmo parecendo o fracasso da missão, no fundo foi um sinal de sucesso. Estamos chamando atenção das pessoas!

Hilux: Ei, eu li uma vez que tem empresa que escraviza bolivianos. A gente podia dar um pulinho na Bolívia, né?

Tungstênio: Do que está falando?

Montanha: Cada ideia esse chifrudo tem...

Hilux: É sério, pô!

Tungstênio: Não quero saber de onde é o pessoal. Quero apenas alguém que mexa com computadores. Pouco importa a nacionalidade.

Montanha: É mesmo, chefe. Mas acho que a essa altura ninguém vai querer saber de trabalhar nessas empresas, com medo de nós.

Hilux: Se mão de obra fosse importada dos cantos, a gente bem que podia pegar uma encomenda. Assaltar o correio.

Tungstênio: Mas não é!

Hilux: Ia ser massa assaltar os correios! A gente ia pegar tanta coisa legal! Essas encomendas que vem da China, notebooks...

Montanha: Pra quê? Esqueceu que não conseguimos digitar? Sua memória é muito curta.

Hilux: Que nada, véi! Tou lembrado. Mas a gente podia assaltar um porto então! Com certeza teria mais encomendas da China do que nos correios. Já pensou se a gente pega um pacote de iPads?

Tungstênio: É isso!

Montanha: Chefe?

Tungstênio: Vamos assaltar o porto! Encontrei a solução para o nosso problema!

Hilux: Tá vendo? Eu digo! Esse negócio de mão de obra escrava... Aposto como mandam mesmo em navios e a gente podia pegar algum, né não?

Tungstênio: Vamos ao porto. Não todos. A maioria vai ao porto assaltar um carregamento. A gente rouba coisas legais que estiverem por lá. Mas um de nós ficará aqui em Stringtown. Com a notícia do assalto ao porto, os funcionários das empresas de tecnologia vão aparecer, nem que seja rapidamente, e aí aquele de nós que ficou para trás faz uma ronda nas empresas para sequestrar alguém.

Montanha: Chefe, isso é genial! Como vamos fazer?

Tungstênio: Hilux, você vai ficar por aqui. Nós vamos no Satãmóvel.

Hilux: Hahaha! No quẽ?

Tungstênio: Decidi mudarmos de SATAV para Satã. É um nome mais imponente.

Hilux: É mesmo, né, é mais do mal!

Tungstênio: Pois bem. Montanha e eu vamos ao porto. Seamonkey vai conosco porque precisamos de motorista. Como Montanha e eu somos mais fortes, vamos nós e, Hilux, você fica para procurar profissionais a recrutar aqui no polo tecnológico.

Hilux: Tudo bem.

Tungstênio: Pois está decidido! Vamos fazer isso! E você, narrador, nada de entregar nossos planos!

Hilux: Chefe?

Tungstênio: Diga.

Hilux: Já que a gente vai se chamar Satã e eu nem vou no Satãmóvel dessa vez, vou mudar de nome.

Tungstênio: Qual agora?

Hilux: Agora eu vou ser Diablo! Tá ligado? Aquele jogo de RPG...

P. S.: Publicado inicialmente na Revista Espírito Livre.

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