Jasmim #35 - O Espadachim das Vampiras

- O que você faz aqui?

- Nada muito importante. Para onde você está indo?

- Estou em uma missão.

- Imaginei. De que tipo?

- Quero que o mundo volte ao normal. Esta é minha missão.

Azawagh para por um instante. Então continua...

- Uma missão das grandes.

- E você?

- Eu sou daqui mesmo. Mas sabe? Já estou me cansando desta cidade. Se você concordar, posso te acompanhar.

- Quer vir comigo?

- Claro, se não se importar. Você já tem aliados, mas quero estar por perto para te proteger.

- Você acha que eu preciso de...

Azawagh segura a mão de Jasmim e olha no fundo dos seus olhos.

- E se precisar? Não quero que nada de ruim aconteça com você.


 

- Vocês são irmãos mesmo?

- Claro, Leyla, por quê?

- Não são namorados?

- Ô, ei!

- Filha, não abra mais a boca.

- Mas pai! Tá, desculpa!

- Cala a boca! Enquanto forem minhas filhas não permito que conversem assim.

- Ah, mas o que tem?

- O que tem?! Não quero que minhas filhas se percam. A mulher nasceu para servir o homem.

- Não é bem assim...

- Não é assim? São demônios que não são assim. E o mundo está cheio de demônios, por Alá! Que minhas filhas não estejam entre eles!

- Está bem! Então aceitamos as duas como pagamento!

- Wi!?

- Calma, Yo, sei o que estou fazendo. - E fala baixo para Leyla. - Isso é pra libertar vocês, não se preocupe.

- Mas eu gosto de você.

- Ai, já vi que isso vai ser complicado.

- Complicado por quê? Vocês são namorados?

- Mas que coisa! Que cisma é essa sua!?

- Eu ouvi que na China casais só podem ter um filho.

- Não é bem assim. Podem ter mais, mas tem um preço.

- Me fale mais!

- Ah, não quero falar sobre isso.

- Tudo bem, meu marido.

- É, isso vai ser complicado...


 

Os irmãos Ceix precisaram parar pra descansar. Azawagh aproveitou o momento e se afastou do grupo para resolver alguns últimos assuntos antes de definitivamente deixar a cidade para trás.

É por uma daquelas ruas desertas que Jasmim corre. A escuridão completa transformada em clareza em tons azuis sob seus olhos. Foi pouco depois de Azawagh sair que ela se deu conta de que ele deve ter ido em busca do espadachim das vampiras para enfrentá-lo sozinho.

Não parou para pensar na imprudência de deixar seus aliados sozinhos feridos como estão. No fundo sempre agiu sozinha mesmo. Então corre pelas ruas abandonadas seguindo o rastro de Azawagh.

O sangue quente lhe faz se sentir um tanto melhor. Não vê a hora de voltar para o antiquário após deixar o mundo como era antigamente. Com sequelas, o que é inevitável, mas pelo menos de volta ao normal.

Pensa em quantas vampiras o espadachim ainda pode ter e no risco de Azawagh. De um grito, vira a esquina e vê. São dois homens abaixados na calçada. Aproximando-se, Jasmim reconhece os olhos de Azawagh e em seu rosto, de sua boca, as presas vampíricas.

Não há espaço para pensamentos ou explicações, em sua cabeça apenas uma palavra: traidor.

Golpes sucessivos da morningstar acertam seu antigo aliado. Pouco a pouco, seu corpo perde a forma. Cabeça, braços... Sob um rosto frio e repleto de raiva, a decepção dói. De seus olhos, uma única lágrima cai, que ela promete secretamente para si mesma: será a última.

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