Escarlate III #37 - Alto Mar

Escarlate III #37 - Alto Mar

Em um dos barcos da marinha de Noak segue o grupo de Zand: Eve, Viex, Rauty e Erc, além do próprio Zand.

Com provisões para uma viagem que dure dias, eles seguem. O dormitório é ocupado por Eve e pelo casal de Awra. Os bardos cuidam da navegação.

- Como a gente chega em Ey Vudeon?

- Meus pais queriam que eu fosse marinheiro. Não conheço muito de marinha na prática, nem tive esse tipo de treinamento, mas acho que sei como devemos fazer.

- Que bom! Porque, Zand, eu não sei absolutamente nada sobre esses assuntos.

- Aqui tem um astrolábio, acho que dá pra gente se virar.

- Legal.

“Devia ter aproveitado melhor aqueles dias na DiaboM. Ter aprendido mais sobre os mares. Claro que dá pra me virar, mas não sou marinheiro.”

- Ei, Zand?

- Fala.

- Agora que estamos longe da costa de Awra, que não dá mais pra ver nem terra nem navios, não seria bom tirarmos essa bandeira?

Zand acompanha com os olhos a direção apontada por Viex, para ver suspensa a bandeira vermelha e arroxeada de Noak flamulando no alto do mastro.

- Talvez... Mas nunca se sabe o que podemos encontrar no caminho. Melhor esperarmos pelo menos até amanhã antes de tirarmos a bandeira e colocarmos outra.

- Outra?

- Sim, claro! Os barcos de guerra são muito próprios de cada país e não basta tirarmos a bandeira. Lá dentro eu vi uma toalha de mesa vermelha. Podemos transformá-la numa bandeira de Wimow.

- Boa ideia!

- Mas amanhã a gente faz a substituição.

- De qualquer forma, estou sem fazer nada agora, vou lá tentar fazer a bandeira pra adiantar.

- Tudo bem.

- Se precisar de ajuda me chama.

- Ok.

“Awra fica a noroeste de Ey Vudeon. O truque é tentar manter esse ritmo. Ainda bem que a lira está comigo, pois vai ser uma longa viagem... Por onde andará a Diabo M uma hora dessas?”


Alguns dias se passam e finalmente as terras se aproximam no horizonte.

- Estamos chegando! - Viex comemora. - Zand, você é mesmo um aventureiro de múltiplos talentos! Estou impressionado!

- Obrigado, mas só fico sossegado quando colocar os pés em terra firme.

- Chegamos em Wimow!? - É Erc quem sai do dormitório para falar com os dois.

- Ainda não, só avistamos a terra. Ali.

- Sim, estou vendo! Não pensei que essa viagem demorasse tanto assim.

- Como está Eve?

- Está bem, só que entediada. Dormiu agora há pouco. Sua ferida está fechando de bom jeito.

- Isso é ótimo.

- Ok, vou voltar lá pra dentro, não quero atrapalhar vocês.

- Ok.

Viex começa a tocar flauta. Como em boa parte da viagem, a música é quem mais preenche o ar.


- Viex...

- Fala, Zand.

- Aconteceu o que eu temia.

- O quê?

- Eu conheço aquela cidade e ela não é Ey Vudeon.

- Ah, não?

- Não. Estamos chegando em Ey Dlir.

- Onde!? Ey Dlir!? Não pode ser!

- Dá uma olhada!

Viex vai até Zand e pega a luneta. Observa franzindo a testa por algum tempo.

- Não conheço. Tem certeza de que é Ey Dlir? Ela não é bem ao sul da costa?

- Está vendo as praias? Consegue ver que tem uma cidade um tanto grande depois das praias? Um pouco afastada do mar?

- É, eu vi.

- Pois é Ey Dlir. Viemos muito para o sul.

Zand vai até o dormitório.

- Como estamos de suprimentos?

- Bem. Ainda dá pra aguentar acho que uma semana, por quê?

- Ótimo. Porque a viagem vai demorar mais do que prevíamos.

- Mas você não disse que estávamos chegando em Wimow?

- E estamos, mas na capital antiga. A nova capital fica ao norte e teremos ainda uma boa viagem contornando a costa.

- Hmmm...

Zand volta à cabine.

- Então teremos mais uma viagem. O que foi lá no dormitório?

- Fui checar se precisamos ir para a terra ou podemos prosseguir.

- E?

- Vamos prosseguir.

- Legal. Você viu Eve?

- Está descansando.

- Olha, queria tratar de um assunto.

- Diga.

- O que há exatamente entre vocês dois?

- O que quer dizer?

- É que, bem, você já teve sua chance com ela e ela é uma mulher especial. O que quero dizer é que eu estou afim dela e você me deve uma, Zand.

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