Escarlate II #47 - Gato e Rato

Um mergulho estranhamente ordenado para uma criatura tão grande e desengonçada. Foi um salto para tomar impulso e um mergulho com o bico. Num movimento de puro reflexo, Zand salta de lado, rolando no chão e terminando a pirueta acocorado. Para e olha o cenário com a atenção que o tempo lhe permite.

Não é muito. Após derrubar a parede daquela casa que Zand “visitara” há tão pouco, a mantícora alçou voo. E agora despenca como uma pedra sobre Zand.

Ele rola de novo no chão para se esquivar. Sua armadura de escamas vermelhas já não está tão vermelha quanto há algum tempo. Poeira e sujeira.

A criatura encara Zand. Ele olha para uma janela do lado e corre em direção a ela, sem tirar os olhos da criatura também.

Como planejara, chegam quase ao mesmo tempo. Zand chega antes só o suficiente para fazer o que acabara de planejar. Ele apoia o pé na janela e salta para o telhado e do telhado sobre a mantícora, montando-a. Ela perde um pouco o controle e termina derrubando mais um muro.

- Ora, ora! Isso está ficando interessante! - Rubi se senta na calçada do outro lado da rua, com um sorriso estampado no rosto.

“Droga, esse bicho é muito duro... Parece feito de tapete! E é largo demais pra ser enforcado! E eu sem arma...”

Zand aplica dois socos no pescoço da mantícora. É só o que consegue fazer. Um dos tentáculos gira e acerta em cheio seu peito, o arremessando no chão.

Zand mal tem tempo de se levantar enquanto o monstro se vira novamente para ele. E tem que saltar e rolar no chão mais uma vez para se esquivar do gigante branco.

“A Roph-Raph!”

Seus olhos brilham e ele fita as casas na esperança de recordar qual era a casa onde Rubi estava.

“Definitivamente não é o melhor momento para revirar um quarto em busca de algo, mas não me resta muita alternativa...”

- Aquela!

Zand pula, enquanto um dos tentáculos da mantícora passa cortando o ar por baixo dele. Seus pés tocam o chão novamente e ele se joga em um rolamento para fugir do bico, que já vinha complementar o ataque.

Do rolamento, ele segue à casa.

- O que você pensa!? Por que a alegria? Você não desiste, não é, Zandinho?

Barulho de asas. Zand pára e olha para trás. Para cima... Um rolamento de lado, rápido! Por muito pouco não é atingido em cheio.

- Ah, acho que sei o que você está pensando... Hahahaha! A lança! A lança não está lá, está na casa de Halkond. Felizmente você não sabe qual é... E, convenhamos, mesmo que soubesse. Até quando...

Uma das patas pisa prendendo a coxa esquerda de Zand ao chão. Ele cai ao barulho da lira no chão.

“Vou acabar destruindo nós dois.”

Zand olha para a lira. Uma das garras fincou na coxa direita e, não fosse a armadura, teria atravessado sua perna. Ainda assim, a dor é grande.

- Está vendo? O que eu ia dizendo... Ainda que soubesse. Acha mesmo que ia conseguir...

“Estou fazendo errado...”

Num insight, Zand pega a lira.

- ...pegar a lança, esqueça!

Seus dedos deslizam pelas cordas da lira de Knova. Quase em transe, Zand se distancia das dores de seu corpo. Toda sua concentração voltada para a lira. Começa uma melodia que não conhecia. Uma canção estranhamente suave para o momento tão frenético. Como uma trilha sonora capaz de alterar o andamento de uma história, tudo muda. Simplesmente, tudo muda.

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