Escarlate #47 - Lembranças de Knova

Zand abre os olhos cansado. Diante deles vê um rosto lindo em meio a cabelos ruivos. No rosto que vê, um sorriso muito sutil, mas também terno. Um sorriso difícil de descrever, quase maternal e protetor, em um rosto decidido. E aquele olhar firme.

- Bom dia, Knova!

- Bom dia, Zand.

- Faz tempo que se acordou?

- Faz. Você se mexe muito dormindo, não dá pra dormir direito.

- Desculpa...

- Não se incomode.


 

Um dragão vermelho voa, levando Zand no dorso até o topo da montanha. Zand desce e logo se aproxima a ruiva e fica do seu lado, vendo o por do Sol.

- Não sabia que dragões eram tão românticos. - Zand deixa escapar num suspiro, olhando nos olhos de Knova.

- O que é ser romântico?

- Ah, essas coisas... Querer estar junto, ver a paisagem. Isso de ficarmos meio bestas por alguém.

- O que quer dizer com isso? - Sua expressão mostrava raiva.

- Calma, Knova. Não estou te criticando. Estou achando lindo esse lado seu.

- Seu bardo insolente! Escute aqui! Eu...

Zand se aproxima, mas Knova o joga nas pedras e continua, enquanto ele se senta, com os braços arranhados pelas pedras.

- Ninguém me chama de fraca. Ninguém, entendeu! Você agradeça aos deuses o apreço que te tenho. Não fosse isso, não tinha te jogado deste lado, mas daquele. - E aponta para o vale à frente.

- Calma, meu bem...

- Não me peça calma, Zand! - Ela se afasta dois passos e fica olhando as primeiras estrelas, com o rosto para o lado oposto ao lugar onde Zand está. - Não devia ter te trazido aqui.

Zand abaixa a cabeça. O Zand ainda jovem, ainda apenas bardo. Arrependido de ter falado aquilo. Não que houvesse qualquer problema com o que falara, mas por ter dali nascido um problema.

- “Quando a Lua sequer nasceu
E as estrelas brilham no céu
Eu vejo e não acredito
Seu rosto fica mais bonito!”

- Idiota! Estou de costas!

- “Me deixa te ver outra vez
Desfazer o mal que se fez
Me ame, me beije, não me mate
Oh minha rainha escarlate!”

Knova se vira para Zand, ainda com a cara fechada. Não se nota bem se ainda está com raiva, mas Zand sente que a raiva passou ao ver seus olhos.

- “Knova, por que que é assim?
Te quero e você, quer a mim?
Tão longe do meu proprio mundo
Só pra te ter perto um segundo”

Os lábios finos de Knova esboçam um sorriso discreto, enquanto ela se aproxima.

- “Rainha que vive tão só
Não teme mais nada ou ninguém
Tão linda, gigante, fatal
Será que aqui dentro tem
Espaço para mais alguém
Para um pobre humano normal
Esse pobre humano que é teu?”

Primeiro os dedos de Zand tocaram o peito de Knova enquanto ele cantava falando do “aqui”. Logo os dois se beijam à luz das estrelas de um céu limpo, claro e sem Lua...


 

Um ruído traz Zand de volta de suas lembranças. Um ruído na sala principal e seus dois companheiros lhe mandando ficar em alerta. Enquanto Willen cutucava seu braço, Zand percebia a voz de Eve, tentando lhe falar: “Atenção, aventureiro! Ela está chegando! Ela está chegando!”

Ele ouve os passos. É mesmo Knova que caminha pelo corredor principal, bem abaixo deles...

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