Escarlate #11 - Almoço com Rubi

Rubi e Nazavo sentados no bar da Hotelaria Raposa da Lua. Logo chegam os pratos pedidos.

- E Rubi? Está a passeio?

- Que nada! Se estivesse a passeio não escolheria uma cidade tão sem graça. Aqui só tem aventureiro! Esse bando de guerreiros rudes e... Desculpe... Nazavo é guerreiro também? Se for, desculpa Rubi, não quis te ofender.

- Não, Nazavo não é aventureiro.

- Tem certeza? Que bom... Mas só pra nós: aqui é chato! Se eu pudesse, estava em Ey Vudeon... Mas fazer o quê, tenho que fazer cobranças!

- Cobranças?

- É! Meu pai aluga umas casas aqui e sobra pra mim vir receber o aluguel, pode?

- E você vem só?

- Ah, já estou crescidinha, não acha?

- Claro, mas não tem medo de assalto?

- Não... Não levo muita coisa... - Responde, quase num suspiro, com olhar firme em Nazavo. - Você é bonito, sabia? Assim, sei que é mais velho do que eu, mas... Sabe que adorei essa tatuagem no seu rosto? É comum fazerem isso lá na sua terra?

- Depende da família... A minha tem em todos os homens.

- Só os homens?

- É, só os homens.

- Se, por um acaso, eu me casasse com um homem da sua família, não poderia ter um losango assim?

- Só se Rubi quisesse ser chamada de homem.

- Como vocês são!

- Mas podia ter muitos filhos com essa tatuagem no rosto.

- Ah, mas assim não tem graça. - Rubi fala com um ar de raiva sem pouca importância, o que ela logo transforma num sorriso. - Sua sobrinha deve ter achado estranho.

- O quê?

- Na minha terra, ninguém anda com tatuagem no rosto.

- Pode ser, mas Quarfá deve ter se acostumado.

- Vai fazer alguma coisa hoje à tarde? Podia vir comigo fazer as cobranças...

- Nazavo adoraria, mas tem que visitar alguns lugares.

- Que pena... Mas Nazavo não vai partir hoje, vai?

- Não.

- Então podemos nos ver à noite! Nazavo pode?

- Sim, pode!

- Que bom!

A essa altura já terminaram de comer e se preparam para deixar o bar.

- Nazavo gostou do peixe.

- Sabia que ia gostar! Então à noite nos vemos aqui de novo?

- Certamente. Nazavo virá!

- Até mais tarde então, Nazavo!

- Até, Rubi!

Zand deixa o bar com a cabeça fervilhando. Esperava resolver o mistério, mas sua mente traz agora ainda mais dúvidas do que antes. No fundo sabe que está encantado com Rubi, mas ao mesmo tempo algo lhe fala de perigo e lhe diz que deveria ter muito cuidado. No fundo, depois de anos, Zand se sente como se estivesse dividido e é isso o que o incomoda mais.

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