Agenda Mundial #12 - A Reforma

Cada parte da casa é um mundo...

Agenda Mundial #12 - A Reforma

Claudia e Herbert passam pelas cerâmicas, chegando ao restaurante que se esconde dentro da loja.

- Cadê ele?

- Não sei. Ele disse que estaria aqui.

- Já é uma e cinco.

- Eu sei... Bom, vamos nos sentar. Não sei quanto vai demorar essa reunião e a gente tem o que fazer ainda. Se ele não vier, paciência.

Os dois vão ao self-service e voltam para uma mesa, com os pratos feitos.

Logo que se sentam, veem um homem caminhar rápido por entre as prateleiras.

- É ele.

Caio os cumprimenta amigavelmente e vai fazer seu prato. Pouco depois, volta e se senta junto com os dois.

- Boa tarde. Desculpe-me pela demora. Quem é ele?

- Meu namorado.

- Entendo, e...

- É, ele está sabendo do...

- Tudo bem! Olha, quero que vocês vejam isso.

Ele estende para os dois um panfleto colorido, como se fossem propagandas de material de construção, mas há uma caixa de texto em fonte pequena no rodapé.

- O que é isso?

- Vejam! Leiam o panfleto todo. Achei interessante.

“Dicionário? Salvador: banheiro; Arapiraca: quarto; Brasília: jardim; Recife...”

- O que é isso?

Caio apenas gesticula para que continuemos a leitura.

- É, parece mesmo interessante, Claudia. - Herbert se anima. - Quer dizer que há risco de infiltração?

- Pois é... Falei com o pedreiro e ele disse que tem risco sim. Só no quarto que a infiltração não está aparecendo, mas a estrutura está toda comprometida.

- Hmmm...

- E é época de chuva. Na próxima chuva que tiver ele garantiu que já vão aparecer as manchas, se ninguém fizer nada.

- E o que a gente faz então?

- Ele disse que vocês tem que trocar o telhado.

“Trocar o telhado... Trocar o telhado... Entregar o aparelho!? Peraí!”

- Mas eu não vou trocar o telhado antes de saber qual o problema dele!

- Ora, senhorita... Talvez o telhado esteja gasto, ou talvez seja de um material arriscado de se ter em casa hoje em dia.

Claudia se aproxima de Caio e fala baixo:

- Não dá pra ser direto?

- A senhorita que preferiu um local público. - Caio responde, também falando baixo, logo voltando ao seu tom normal. - O pedreiro falou de um lugar que está com uma promoção ótima. Ele consegue tudo por mil reais.

Claudia balança a cabeça preocupada.

- Claudia, olha aqui! - Herbert fala baixo, apontando para o panfleto.

“Preço: x10. Gastar: receber. Parcelamento: multiplica.”

- Chega dessa palhaçada. O que você quer e o que é exatamente aquilo?

Caio aponta para a própria boca, mostrando que está mastigando e por isso não pode responder.

- Já que está tão preocupada com isso, por que não vamos lá na casa ver o telhado nós mesmos?

Claudia olha para Herbert preocupada.

- Temos compromisso agora.

- Entendo. Só quero que se lembre que a época de chuva está chegando e esse telhado é muito frágil. A casa vai inundar com qualquer chovisco. Por que não quer aproveitar a promoção? Estou aqui só pra resolver esse problema!

- Devíamos levar à polícia!

Caio toma um susto e a encara.

- Não vai ser preciso. Ela vai vir assim que chover e morrer alguém pelo desabamento.

Ele se aproxima dos dois.

- Olhe bem: o que você tem é perigoso e sem utilidade pra vocês. A nossa organização lutou muito para conseguí-lo. Ele atrai muita coisa indesejável. Polícia é apenas uma delas. Vocês definitivamente não estão seguros e assim como eu encontrei vocês aqui, eles estão na pista e vão chegar a qualquer momento.

Ele se endireita na cadeira e limpa a boca com um guardanapo.

- Vão querer sobremesa?

- Preciso de um tempo.

- Talvez vocês não tenham.

- Quero arriscar.

- Tudo bem. Amanhã a gente almoça aqui de novo e vocês me dizem se querem ou não trocar o telhado?

- Combinado.

Avalie: 
Average: 3.4 (143 votes)

Comentar