Agenda Mundial #11 - Depois da Aula

Depois de certas coisas, a vida não volta mais ao normal.

Agenda Mundial #11 - Depois da Aula

Tudo começou com um estranho incidente em uma viagem a Fortaleza. Justo na escala em Salvador, Claudia Muniz fora abordada por um estranho sujeito no banheiro feminino, que exigiu dela um favor incomum: ficar de posse de um tablet e procurar um tal de Francis para lhe entregar. A viagem prosseguiu normalmente e Claudia voltou para casa. O tablet veio junto.

Sábado, ao chegar, Claudia e o namorado, movidos por curiosidade, terminaram descobrindo a senha do tablet. Isso foi há dois dias.

 

Mais um dia de aula. Claudia gosta de ser professora, apesar de toda a correria.

A aula termina e os alunos juntam o material para sair.

“Sem perguntas. Eles não estão estudando. E parece que nem prestam atenção na aula.”

Ela pega suas coisas e sai da sala.

“Ou sou eu que não estou conseguindo me concentrar direito?”

Parada à porta da sala, observa as árvores no pátio. A cidade está muito quente, principalmente perto do meio-dia.

- Professora? Está tudo bem?

- Está sim, Ingride, obrigada.

- Então tá.

- Até quarta.

- Até.

São pouco mais de onze horas e Claudia caminha para a saída. Antes mesmo de chegar ao portão da escola, ouve uma voz.

- Senhorita Muniz?

Ela se vira procurando a origem da voz e encontra um homem já de certa idade, com muitos cabelos brancos. A roupa é social leve, com uma camisa listrada azul e branca.

- Pois não?

- Gostaria de conversar, se puder me conceder cinco minutos do seu tempo.

- Diga.

- Para não atrasá-la, poderíamos ir andando.

Claudia suspira.

- Vamos voltar? A gente conversa na sala de professores.

O homem balança a cabeça pensativo.

- Tenho razões para preferir que essa conversa não seja... diante de seus colegas de trabalho ou de seus alunos.

Claudia o encara surpresa, com uma certa inquietação e desconforto.

- Perdão, senhorita. Ainda não me apresentei. Sou Caio.

Agora é Claudia quem balança a cabeça pensativa.

- Caio de quê? Qual o assunto que você quer tratar?

- Sinto pelo seu desconforto. Me acompanha ao menos até próximo ao portão?

“E se houver mais comparsas dele me esperando.”

- Não. Que assunto você quer tratar?

Ele olha para os lados calmamente e fala baixo.

- Não posso falar assim, onde outros possam ouvir. Garanto-lhe que é assunto de seu interesse. E do meu também, claro. E de Francis.

Claudia se esforça para conter a surpresa daquele nome.

- Vejo que estava certo. Parte das perguntas não precisam mais ser feitas. A parte que lhe interessa tem a ver com o risco que a senhorita corre agora, neste momento.

- Risco?

- Sim, e o que eu quero é te ajudar.

- Que risco? E que assunto!?

- Você sabe do que estou falando.

- O tablet...

- Por favor...

A expressão calma de Caio muda e ele olha com desconfiança ao redor, antes de falar novamente.

- Não faça isso. Você não faz ideia do risco que corre.

“Risco... Risco...”

- Cansei dessa história, senhor... Caio. O que quer afinal?

- Você me entrega o que eu quero, nós ficamos todos bem e você se livra desse problema.

“Ele quer o tablet!?”

- Não sei se seria prudente.

- Tudo bem, como podemos fazer então?

- Não sei...

- Tenho uma sugestão: por que não almoçamos juntos e eu conversamos com mais calma, de preferência em algum lugar mais reservado?

- Não, obrigada!

- Olha, senhorita, eu garanto que não estou te enganando: há mais pessoas à sua procura e elas talvez não sejam tão corteses quanto eu. Um almoço?

- Tudo bem. - Responde Claudia, relutante – Mas não agora. Uma da tarde.

- Pode ser. Então uma hora no restaurante da Carajás.

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