Agenda Mundial #05 - Quarto de Hotel

“Pra combinar com uma terra estranha, coisas estranhas tem que acontecer.”

Agenda Mundial #05 - Quarto de Hotel

Até que não foi tão difícil encontrar o hotel. Quarta à tarde, no Centro de Fortaleza, Claudia finalmente entra em seu quarto, larga a mala do lado, joga a bolsa e despenca na cama.

Seu braço bate em algum objeto estranho; a cabeça em outro, porém menor.

Sentando-se, ela identifica do que se tratam: o controle remoto e um sabonete pequeno, ainda na embalagem, sobre uma toalha dobrada.

- Legal. Um banho até que iria bem. Droga!

“Falta ligar pro Herbert! E nem almocei ainda...”

Decidida, ela liga a televisão – apenas pelo som ambiente -, pega toalha e sabonete e vai ao banheiro.

O celular toca pouco depois e ela volta, com o corpo parcialmente envolto na toalha. Na TV, propaganda local: ela a desliga.

- Oi.

- Até que enfim! Já estava ficando preocupado! Tudo bem por aí?

- Tudo! Acabei de chegar no hotel.

- Já almoçou?

- Ainda não, estava indo agora.

- Ok... Então de noite eu ligo. Beijo.

- Beijo.

Ela desliga o celular e se senta na cama. Traz a mala mais para perto e a abre à procura do que vestir. Abre a bolsa e coloca a mão para pegar... Surpresa: seus dedos tocam o tablet e ela se lembra da cena recente em Salvador.

Seu estômago reclama e Claudia deixa o tablet para lá. Vai se vestir e terminar de se arrumar para sair do hotel.

 

“Um dia fomos um” é a mensagem escrita na camisa de Claudia. Em cima da mensagem, o globo terrestre na época da Pangeia.

Ela caminha devagar e levemente impressionada com a cidade. Já passa das quatro horas e não deve haver muitas opções de almoço real.

Uma padaria na esquina e ela entra.

- Vocês tem o que pra comer?

O homem do outro lado do balcão sorri com certa malícia e entrega um cardápio, virando-se para os outros clientes.

- Ainda estão falando disso?

- É sacanagem mudar o nome do campeonato por causa de patrocinador! Cearense Chevrolet!? Não tem sentido! E nem tá tendo tanto carrinho assim nos jogos.

- É verdade... Mas vá se acostumando que é coisa da vida moderna. Enquanto tiverem mudando nome de campeonato, tudo bem. Ruim vai ser quando mudarem nome dos times. - Ele se vira de novo para Claudia. - E aí? Escolheu?

- Um hamburguer e um suco, por favor.

 

Claudia entra no quarto de hotel. Já é noite. Andou pelo Centro e visitou várias lojas. Joga a bolsa de compras de lado, liga a TV e se deita.

- “...acusado de assassinar o famoso político.”

Claudia não ouve mais nada, boquiaberta. A imagem, que ela viu por uma fração de segundo, parece familiar demais. Ela se levanta, desliga a TV e sai novamente do quarto.

Volta para guardar as compras alimentícias na geladeira, então sai mais uma vez.

 

Em uma lan house, ela pesquisa por notícias de Salvador. Não é difícil descobrir a notícia do assassinato tão recente.

Ex-governador da Bahia assassinado por terrorista: eis a manchete.

“Antônio... Hmmm... E o assassino é mesmo ele. Foi abordado pela polícia lá em Salvador, morto em troca de tiros!”

Um frio percorre sua espinha ao perceber o risco que correu. Mais assustador ainda é perceber que ainda corre muito risco.

- Francis...

Ela pesquisa no Google por Francis e Salvador.

- Interessante...

“Francis Salvador foi um revolucionário... Tá, mas não é isso. Próximo!”

“Francis Assis... Vereador do PSDB, mesmo partido. Mas não tem muito sentido querer matar alguém do mesmo partido para pegar um tablet, tem?”

“Francis Sampaio, jornalista do Correio da Bahia... Será que é esse? Vamos ver: Correio da Bahia”.

“Quê mais... Rede Bahia de Televisão... Será? É do ACM. Não sei se há muito sentido nisso.”

Cansada, ela deixa a lan house e volta ao hotel para dormir. Quem sabe amanhã...

Avalie: 
Average: 5 (1 vote)

Comentar