Agenda Mundial #04 - No Ar

"Em caso de acidente na água, eu com certeza terei pego o voo errado."

Agenda Mundial #04 - No Ar

Milhões de coisas passam pela cabeça de Claudia. Gritar? Fingir que não é com ela? Sair correndo e procurar um segurança? Na dúvida sobre como agir num momento desses, ela simplesmente espera.

- Você tem que entregar isso pro Francis.

- Isso o quê? Que Francis!?

Uma pequena pasta em capa de couro aparece entre os quartos do banheiro. Menor que um tablet, maior que um smartphone.

- Ele vai achar você.

- Você é maluco ou o quê? Sabia que aqui é o banheiro feminino?

- Claro. Por favor, você tem que pegar isso aqui.

- Por que eu faria isso?

- Você já assistiu Matrix? Aquilo era verdade.

- O quê!?

- Não daquele jeito. Não tenho tempo para explicar. Algo terrível está para acontecer e vai afetar a vida de todos. Você tem que entregar isso pro Francis.

- Você é louco.

- Pegue. Vai ver que não.

- Vou gritar.

- Se fizer isso, vai destruir tudo o que fizemos e as consequências vão ser duras para todo o mundo.

Com medo, ela estende a mão até a estranha pasta e a pega.

Ainda com medo, abre-a como um livro.

- É um tablet...

Parece um tablet de cor escura, de poucas polegadas, mas muito fino e com um estranho símbolo discreto no topo: um globo e a sigla GWDHC.

- É chinês?

- Não temos tempo. Você tem que ir.

Claudia olha o relógio e confere: está quase atrasada para o voo.

- Não vou ficar com isso.

- Não, vai entregar ao Francis.

- Você é maluco.

Ela abre a porta e se assusta com o homem, diante dela, com um revólver na mão.

- Escute aqui. Eu não queria fazer isso com você, mas é preciso para a missão! Você tem que levar isso! Basta guardar. Francis a encontrará. Guarde na bolsa e vá.

Assustada e ainda sem saber exatamente o que fazer, Claudia guarda o tablet na bolsa e sai do banheiro apressada. Em uma olhada rápida, vê o portão de embarque já se esvaziando para o seu voo. Apressa o passo até ele.

Pensa mais uma vez em gritar mas, talvez por medo de ser atingida pelo louco, desiste.

Todos já foram até o avião: ela é a última passageira. Corre, passando por funcionários do aeroporto, que indicam o caminho e pedem urgência.

Quase cai ao ouvir um barulho estranho. Parece um disparo, distante. Mas continua pelos corredores apertados até entrar em um dos aviões, no avião do seu voo.

A aeromoça parece feliz em vê-la e fala a poltrona ao ler a passagem, como se Claudia não soubesse ler.

Logo ela está sentada novamente em uma poltrona, quase chorando ao lembrar do risco que correu enquanto ouve com medo renovado as instruções da aeromoça sobre máscaras de oxigênio e poltronas flutuantes.

 

Ainda com medo, sem saber o que fazer, Claudia discretamente pega o tablet mais uma vez. Aquele desenho de globo a inquieta. Seria a Terra? Parece a grade de graus de latitude e longitude que existe nos mapas-mundi globais. A cor do dispositivo é estranha, mudando conforme a o ângulo com que recebe luz. Parece ir do chumbo ao marrom. Ao lado do globo, a sigla GWDHC.

Ela para e olha atentamente o restante do avião. A aeromoça está entregando lanche nos primeiros assentos. O cardápio ainda está ali, mas Claudia não quis nada. Ela abaixa a cabeça.

Ainda não sabe exatamente porque aceitou o tablet. Curiosidade talvez? Ou foi mesmo medo? Ela encara pensativa o pequeno bloco de logo furtacor. A vontade é de ligá-lo para ver do que se trata.

Mas não. O mesmo medo a impede e ela guarda o tablet na bolsa. Olha pela janela e vê aquela vasta extensão de terra lá embaixo.

Fortaleza se aproxima enquanto ela busca suas respostas sem sucesso. Perguntas demais, respostas de menos. Finalmente os pneus do avião tocam o chão e de que forma vai chegar ao hotel toma, por um momento, o lugar prioritário em sua lista de preocupações.

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