Para o Bem da nossa Educação

Era uma vez, numa terra distante, de maus governantes, preconceito e opressão, um conjunto de deputados que elaborou e votou uma lei para impor “tradição”. Desde aquele dia, professores não poderiam mais falar sobre temas polêmicos em sala de aula. Nada que desagrade certos grupos políticos, certos preconceituosos e certas religiões. E assim era aula a partir de então...

Na aula de hoje
De Biologia
Veremos que um dia
Muito tempo atrás

Homens naturais
Nenhum existia
Na terra se via
Só seus ancestrais

Quaisquer animais
(Pois nada igual fica
Genética explica)
Sofrem evolução

- Não pode não! Isso é doutrinação!
- Cale o professor pro bem da nação!
- Os deputados já disseram: não!
- Tudo pro bem da nossa educação!

O aluno Odair
Não gostou do tema
Mas não tem problema
Vamos pra outra agora

Na aula de História
Vamos ver de fato
Em 64
Como foi o enredo

O mundo com medo
Do tal Comunismo
Assim num abismo
Saltou o Brasil

O exército, vil
Resolveu bater
Tomando o poder
Num golpe de estado

- Não pode não! Isso é doutrinação!
- Cale o professor pro bem da nação!
- Os deputados já disseram: não!
- Tudo pro bem da nossa educação!

Desculpa, Sofia
Que besteira, gente
Seu pai é tenente
Esqueça isso, então

Vai ter revisão
Pra não ter intriga
Lá pra Grécia antiga
Da Filosofia

Cês sabem que havia
Em Atenas o ensino
Com mestre e menino
Sendo o aprendiz

Mas o que se diz
Do ensino informal
É que era normal
A pederastia

E mesmo se havia
Devemos aos gregos
Cultura e segredos
Escola e ciência

- Não pode não! Isso é doutrinação!
- Cale o professor pro bem da nação!
- Os deputados já disseram: não!
- Tudo pro bem da nossa educação!

Kássia, sua família
É do culto e prega
Que a vida gay leva
Sempre à perdição?

Desculpe-me então
Avanço a História
E vamos pra hora
Das grandes cruzadas

A Igreja em jornadas
Pelo exterior
Depois foi pior
Com a Inquisição

Com morte, opressão
Parece loucura
Ter tanta tortura
Em nome de Deus

- Não pode não! Isso é doutrinação!
- Cale o professor pro bem da nação!
- Os deputados já disseram: não!
- Tudo pro bem da nossa educação!

Wando, isso é mentira?
Tortura não teve?
E paga quem deve?
Morreu quem devia?

Vou pra Geografia
História mais não
Abram na sessão
Sobre a Inglaterra

Um tanto de terra
No mar recolhido
Forma o Reino Unido...
Oi, Riko? Pois não!

Bacana a questão!
Ainda hoje em dia
Há a Monarquia
Que hoje tem lá

E é parlamentar
Vejam na tabela
Pois mostra bem nela
O gasto e progresso

Cada país, peço
Pra comparar bem
Dizendo se tem
República ou rei

Trabalho que eu dei
Deem opinião
Qual melhor gestão
Pra nos governar

- Não pode não! Isso é doutrinação!
- Cale o professor pro bem da nação!
- Os deputados já disseram: não!
- Tudo pro bem da nossa educação!

Esqueça o trabalho
De Geografia
Pra Biologia
Volto com certeza

Pois na Natureza
Existe harmonia
Em tudo… Sofia?
Cê quer perguntar?

Se entre bichos há
Gays como os humanos?
Pois então, vejamos
Você e os demais

Entre os animais
Tem poucos, mas tem
Entre eles também
Sei que é natural

- Não pode não! Isso é doutrinação!
- Cale o professor pro bem da nação!
- Os deputados já disseram: não!
- Tudo pro bem da nossa educação!

Ô Kássia, de novo
Eu falei “besteira”
Por favor não queira
Ter raiva hoje não

Mudando de mão
Vamos pra cultura
Pra Literatura
Que mal eu não fico

Olha só! O Chico!
Vamos ler então
O “Chama Ladrão”
E interpretar

- Não pode não! Isso é doutrinação!
- Cale o professor pro bem da nação!
- Os deputados já disseram: não!
- Tudo pro bem da nossa educação!

Sofia, está bem
Foi só dessa vez
Vou pro Português
Não falo mais disso

Hoje o compromisso
Para este momento
É de tratamento
Que gênero usar

Uriel, quer falar?
Se é masculino
Ou se é feminino
Que se deve usar

Quando precisar
Falar com José
Que virou mulher
Como proceder?

O que sei dizer
Questão de respeito
É chamar do jeito
Que o outro quiser!

- Não pode não! Isso é doutrinação!
- Cale o professor pro bem da nação!
- Os deputados já disseram: não!
- Tudo pro bem da nossa educação!

Turma, me perdoe
Não dá pra ensinar
Eu vou me mandar
Vou ser camelô

A lei que chegou
Não dá mais espaço
Não sei o que faço
Pra ensinar direito

Já vou, não tem jeito
Desejo boa sorte
A quem se comporte
Qual fosse um robô

Sei que assim não sou
Mas no nosso estado
Quer um deputado
Uma escola plena

Que é grande e pequena
Um sonho divino
De terem ensino
Sem ter professor

-- Cárlisson Galdino

Gênero: 

Do Golpe de 16 ao Autoritarismo

O golpe se concretizou. Utilizando argumentos forçados (ouça o Lexcast e a fala mais recente do desembargador Tutmés Airan no Agreste à Esquerda – spinoff do Politicast – se ainda tiver dúvidas quanto a isso), defesas que fugiam do assunto tanto na Câmara (pela família, por Deus e pelos criminosos do outro golpe) quanto no Senado (contra o desemprego, pela mudança…), o golpe aconteceu.

A princípio não me parecia um golpe tão semelhante ao militar de 64, mesmo porque militares não foram utilizados. Era um golpe branco, como anunciava/denunciava ainda em 2014 o neto de João Goulart. Quase dois anos depois, terminou acontecendo. Alguns sinais de intenção autoritária já começam a preocupar.

Primeiro, a opressão de revoltosos. Ainda não aconteceu, mas será inevitável. As medidas ultraneoliberais do presidente interino e seus amigos vão levar vários setores da sociedade às ruas, é inevitável. Acontece que quem for às ruas encontrará a Lei Anti-terrorismo (aprovada pela Dilma) e o Ministério da Justiça nas mãos de Alexandre de Moraes. Para quem não lembra, era até poucos dias atrás o Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Aquele que botou a polícia para bater nos estudantes, que protestavam contra o fechamento de suas escolas (e ainda bota). O mesmo que bota a polícia para bater em manifestantes e jornalistas que cobrem uma manifestação. O mesmo que, depois da ação truculenta da polícia sob seu comando, não se constrangeu com as críticas e disse que a população apoiava seus atos. Pois é, junte esse Alexandre com a referida lei e bingo! Você reinventou a pólvora!

E o outro aspecto marcante de autoritarismos: a censura sobre a informação. Os maiores veículos de comunicação do país, como é sabido, pertencem a poucas famílias, que são também algumas das mais ricas. Como também é sabido, esse golpe branco já nasceu com amplo apoio desses grupos midiáticos. Eram poucos os que contrariavam a narrativa deles, baseada em um só lado da história, calando o debate e cultivando o ódio. Na TV comercial, não soube de alguém que quebrasse esse discurso. Quem são as emissoras comerciais afinal? Aquelas pertencentes às tais famílias mais ricas, com programação diversificada, e aquelas várias que vendem sua programação quase inteira para publicidade e programas religiosos. Quem sobra para fazer contraponto? A TV pública! Temos dois grandes veículos neste sentido: a TV Cultura e a TV Brasil. A primeira está totalmente sob controle do Governo de São Paulo, chegando a ter até mesmo programa conduzido pela Folha, sem contar que o famoso Roda Viva hoje está nas mãos de um colunista da Veja. Resta só uma. Somente a TV Brasil (e a rede a ela afiliada) têm coberto protestos dos dois lados, tem discutido com analistas políticos todo o processo de impeachment, inclusive com falas esclarecedoras, abrindo espaço para petistas, medebistas e tucanos. Nos últimos lances, inclusive, denunciando claramente os sinais de golpe (sem discurso único, com convidados discordando deste ponto de vista, outros concordando).

A TV Brasil, para quem não sabe, é mantida pela Empresa Brasil de Comunicação, que se pretende independente de interesses comerciais, político-partidários… (a favor da Sociedade, enfim, uma TV pública) tem um presidente de mandato fixo e um conselho curador com representantes da sociedade participando ativamente das decisões. Pois bem, começaram a veicular na imprensa suposições sobre um novo nome para a presidência da EBC. Pasmem! Mal se concretizou o golpe, querem tornar a TV pública em TV governamental! E assim, acabar com esta ameaça à narrativa global sobre o impeachment. O tema foi tratado ontem à noite no programa Ver TV (será reprisado de quarta para quinta).

Dias sombrios virão. Precisamos de muita força e posicionamentos claros, muita luta, para que esse golpe não se consolide ao cabo dos 180 dias.

Imagem do post: Wikipédia.

Oposição sindical

Este ano fui convidado a participar de uma chapa a participar da disputa pela Direção do Sindicato do Técnicos-Administrativos da UFAL. Ficarei com a Coordenação Regional, uma coordenação que não existia até o congresso de 2015, tendo como principal missão aproximar os campi, pólos, unidades acadêmicas, enfim, tudo o que é UFAL e não está na capital.

Nossa chapa, de nome "Reconstruindo o Sintufal: A Luta é pela Base" terá o número 4 e se coloca, desde o início, como única chapa de oposição, considerando que é a única onde nenhum membro participou da gestão atual.

Bem, é isso. Teremos aproximadamente um mês de campanha. Temos muitas ideias e planos para melhorar ação do nosso sindicato, com mais transparência (a diretoria atual completou 3 anos sem prestação de contas de nenhum ano, que deveriam ser submetidas e aprovadas anualmente), divulgação e formação sindical, com mais democracia (o indispensável conselho político, hoje, só existe no estatuto).

É isso! Vamos à luta! Quem quiser acompanhar nossas ações e posições, temos o blog e a página de facebook da chapa.

50 tons de liberdade de software

Há exatamente um mês, 14 de novembro, Arapiraca teve um evento de tecnologia, o CATIC (Congresso Arapiraquense de Tecnologia da Informação e Comunicação). É a primeira edição da iniciativa, que trouxe um grupo muito bom de palestrantes. Na ocasião, apresentei a palestra "50 tons de liberdade de software", cujos slides publico hoje aqui.

"Existem muitas classificações possíveis entre o Software Livre e o Software Privativo. Há o software totalmente livre, o software livre que depende de software proprietário, software livre que estimula serviços não-livres... A ideia desta palestra é tentar traçar o espectro do software livre e mostrar que o mundo não é apenas o preto e o branco."

Espero que o evento prossiga com sucesso em novas edições, ao passo que parabenizo Glevson e Jadson (que já conheço há um bom tempo), além dos seus parceiros de empreitada Adilson e Lucas.

Veja os slides no anexo do post.

Patentes de Marca, Mozilla e Debian

Allan Viega estava questionando, através do GNU Social, sobre patentes, marcas, Firefox e Iceweasel. Como a minha resposta ficaria muito grande para um microblog, resolvir responder por aqui.

A Mozilla não permite usar a marca em versões modificadas dos seus produtos como forma de proteção. Inclusive antigamente os grupos voluntários que traduziam os produtos para seu idioma eram o responsáveis por gerar os instaladores da versão localizada. Até que surgiu uma versão dessas trazendo um malware que coletava dados. Foi quando a Mozilla resolveu tratar com mais seriedade sua política referente a marcas

Primeiro, que o Debian precisa modificar o código dos produtos Mozilla. A razão é simples: a Mozilla abandona versões antigas. Se o Firefox novo é o 42.0 e aparece uma vulnerabilidade que afete desde o 35, digamos, a Mozilla corrige só a versão mais nova, criando um 42.1. O Debian, por outro lado, tem uma política de não fazer atualizações de "número grande de versão" em suas distribuições marcadas como estáveis. Ou seja, se algum Debian estável ainda mantido estiver com um Firefox 35.5, é preciso que a falha de segurança seja corrigida sem forçar a atualização para a versão 42. A solução: criar um patch que altere a 35, gerando um 35.6.

A Mozilla até abriu uma exceção para o Debian poder usar o kit-marca Mozilla, mas esbarrou no código social do Debian, que diz que se o Debian tiver algum direito legal (marca, copyright...) concedido exclusivamente, que não possa ser repassado para os seus usuários, esse direito tem que ser desconsiderado.

Special: 

Vossa Excelência

Por mais que esteja o mundo tão moderno
Com essa vasta tecnologia
E que a vida urbana tenha mudado
Os poderes permanecem iguais

O povo é massacrado mais e mais
Pela justiça, mídia, pelo Estado
Desenganado co'a democracia
E todos os poderosos de terno

São ricos que só pensam em ter aumento
Políticos disputando o poder
Corruptos que matam por cobiça

Juízes que não sabem o que é justiça
Seguindo assim, nós vamos por fim ver
"Vossa excelência" virar xingamento

-- Cárlisson Galdino

Special: 

Arapiraca na TV Brasil

Esta semana a TV Brasil mudou sua grade de programação. Os programas de debates foram todos pra 23h, o que achei péssimo, mas vieram algumas mudanças legais:

  • A Volta de Windeck: a novela angolana voltou a ser exibida, só que agora às 20:30.
  • Para compensar a redução do tempo do jornal noturno, o Repórter Brasil, eles criaram o Fique Ligado, um programa informativo com um jeito mais de entretenimento

E houve novas estreias. Dentre elas, uma série sobre o Brega chamada Vou rifar meu coração. Pelo menos parte dela foi gravada aqui em Arapiraca. Apareceram por lá, por exemplo, Alves Correia e Cheiroso, duas personalidades arapiraquenses (evitadas pelos "chique", mas conhecidas por todos daqui). Foi lançado inicialmente como um documentário, mas terminou sendo transformada em série para a Televisão.

Confiram por lá!

Marionetes do Ódio

Me angustia perceber como temos um congresso conservador e que joga contra os direitos do seu povo. Que o Estatuto da Família, sob pretexto de proteger, vem para humilhar todos os arranjos familiares com os quais certo grupo religioso não concorde. Que a reforma política nascida lá pretende tirar ainda mais poder do povo e fortalecer partidos fisiológicos. Que um projeto de lei pretende exigir que todo internauta brasileiro se cadastre para poder navegar e, ao mesmo tempo, que toda corrupção de políticos seja esquecida da Internet. Me angustia ver como Senado e Câmara jogam contra o Brasil e fazem de tudo para enfraquecer cada vez mais o Planalto, para impor seus programas nefastos.

Me angustia quando a Corrupção é institucionalizada e quando eu percebo que os provavelmente mais corruptos são os que mais a usam como arma para atacar os outros, com todo apoio da imprensa para esconderem suas sujeiras. Que quem tem teto de vidro é quem mais atira pedras, pois tem o apoio das famílias mais ricas e influentes do Brasil, com a certeza da impunidade.

Me angustia essa certeza de impunidade ser personificada na tentativa de proibir acesso público a documentos relacionados a um caso de corrupção relacionado ao Metrô de São Paulo, por 25 anos. E termos um presidente da Câmara, sob acusações fortíssimas, que clara e descaradamente mentiu diante de uma CPI, sendo investigado por crimes de colarinho branco até na Suíça, mas que é blindado por partidos e projetos de oposição, tornando-se, mesmo assim, quase intocável.

E o que dizer de termos um partido que foi financiado por empresas investigadas pela Lava Jato, uma grande investigação sobre corruptos e corruptores, tentando tirar do poder outro partido por ter sido financiado pelas mesmas empresas, em escala muito parecida de investimentos? Me angustia a hipocrisia reinante.

E quando até mesmo um juiz do Supremo escancara seu partidarismo, com um discurso de ódio a um partido político? Juizes que deveriam zelar pela isenção, mas evitam, como podem cumprir bem seu importante papel em nossa sociedade? Se não eles, quem cumprirá?

E o ódio... Esse ódio também traz muita angústia. É saber que as famílias mais ricas do país ainda detém os mais influentes veículos de informação. E que, talvez por acordos com um partido de oposição mais comparsa da Elite, talvez por medo de regras que limitem sua influência (prometido pela presidenta em campanha), talvez por outro motivo, talvez mesmo por pura safadeza, eles manipulam o povo. Como não podem inventar notícias (exceto por casos como a bolinha de papel jogada contra um presidenciável em 2010, que na mão dos Marinho virou quase um tijolo), eles simplesmente omitem boas notícias (que sim, existem) e, principalmente, enviezam discursos. Nunca promovem debates (exceto os exigidos pelo TSE), mas apenas a pregação da opinião que eles querem que seja a aceita, informando o povo como um professor a dar aula na 5ª série, de uma matéria pretendida como verdade absoluta.

Me angustia saber que a campanha eleitoral da oposição ainda não acabou, mesmo após quase um ano do período eleitoral. Ao invés disso, ela se transformou em uma campanha para conquistar o poder. Conquistar no sentido mais medieval possível, à força se for preciso. E que essa campanha, junto com a postura parcial da mídia tem manipulado tanto nosso povo. Me angustia o grande número de marionetes, controladas com talento pelos fios do ódio.

Pode parecer exagero, mas esse ódio está se tornando cada vez mais perigoso para a nossa vida civilizada. Hoje todos entendem como foi horrível os nazistas matarem tantos judeus; como é horrível o Estado Islâmico aniquilar vilas e cidades; como obrigar refugiados de guerra a voltar para o seu país sem assistência alguma é condenar famílias inteiras à morte; como a força militar oprimia estudantes e condenava suspeitos sem investigar (a não ser que torturas incapacitantes possam ser consideradas como investigação). Os frutos do ódio são fáceis de perceber quando olhados com distanciamento, mas muitos não o notam olhando de perto. Quando um homem não pode visitar parente em hospital sem que eufóricos tumultuem o ambiente, ou quando uma família tem que se deparar com manifestações de ódio durante um enterro de um ente querido, ou quando alguém é agredido na rua simplesmente por ter um posicionamento político diferente, temos alguma coisa muito errada acontecendo.

E esse ódio serve a um interesse: o projeto de tomada de poder um partido que foi derrotado nas urnas. Me angustia quando até juizes estão contaminados por esse ódio. Quando pretendem "fazer justiça" em nome desse ódio ao invés de julgar.

Sabe o que mais? Estão avançando aos poucos. Talvez amanhã não tenhamos mais a presidenta atual e é triste ver que as marionetes não percebem para onde o país está sendo levado.

Imagine um congresso com presidente igualmente conservador. E com que cara iremos para a Associação dos Países Golpistas Anônimos? Ao invés de dizermos "Estamos há 30 anos em democracia" vamos ter que aceitar uma recaída. Isso pode parecer "besteira", mas não é. Você pode chamar esse movimento pelo impeachment do que quiser, mas quando poderes são manipulados para forçar a saída de um presidente eleito, quando o acusador tem todas as características de indício que ele aponta no acusado, quando o projeto de impeachment nasce 1 ano antes de a causa ser definida ("Ela tem que ser presa, depois a gente inventa pelo quê"), temos sim um golpe em andamento.

Como em qualquer grupo de recuperação de dependentes sabe, quando temos uma recaída é difícil sair, é preciso muita força de vontade. Se esse projeto de tomada do poder for bem-sucedido, teremos algumas décadas de presidentes em risco de serem botados para fora caso não atendam aos interesses dos poderosos. Você acredita que o grau de investimento do país melhora em um cenário assim?

Sabe outra coisa que me angustia também? Termos tantos motivos para criticar a presidenta e ver que esses motivos não são vistos pelas marionetes do ódio, nem pela grande mídia, nem pela oposição. Sabe por quê? Porque parte desses motivos foram impostos a ela na tentativa de "garantir governabilidade" e são apoiados por esses grandes grupos. Me angustia olhar para a frente: tenho medo de ver o abismo que foi construído para nós.

-- Cárlisson  Galdino

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