Netscape - Honra ao Lado Negro da Força

Interessante como a America On-Line escolheu o dia 19 deste mês para lançar o novo Netscape. Justamente o dia da estréia internacional do terceiro filme da trilogia Star Wars. O dia em que Anakin se rendia totalmente ao lado negro da força. Coincidência?

À metade de julho de 2003, a América On-Line, que havia adquirido a Netscape, simplesmente demitiu a maior parte dos funcionários que trabalhavam com o projeto. Seria este um indício de tempos sombrios para a empresa que outrora, em disputa com a monopolista MS, iniciou o Projeto Mozilla? Talvez.

Foi lançado o Netscape 8, com um estilo Firefox, porém com alguns recursos novos, como um sistema de segurança, a implementação de um sistema de MultiBar (provavelmente com inspiração na barra de ferramentas de contexto do OpenOffice.org 1.x) que oferece: bandeja (systray), RSS e outros recursos. Mas além dessas novidades interessantes, uma outra não muito animadora nos é chegada. O Netscape não é mais o mesmo...

Hoje temos um novo navegador lançado por uma Netscape que parece pensar diferente. Quem antes brigava pela obediência aos padrões web oferece um recurso de segurança que, caso o site seja confiável, utilizará o IE para uma compatibilidade máxima (??). Uma empresa que sempre trabalhou em várias plataformas lança a nova versão do lendário Netscape apenas para Windows. O fim de uma lenda? Hoje é o dia de lançamento do Episódio 3 de Star Wars. A Netscape parece querer representar o papel de Anakin. Infelizmente o resto da história já está escrito...

Indícios de uma nova era

"O filósofo da tecnologia L. Winner escreveu, no final do século passado, que os artefatos tecnológicos refletem decisões políticas e sociais. Qualquer cidadão interessado em democracia extremada deve lutar pelo maior espalhamento possível de conhecimento e acesso. Tudo isso está sintetizado no ideário do software livre, que, guardadas as proporções, tornou-se a mais nova palavra de ordem dos chamados hackers do capitalismo."

Software livre refere-se a liberdade de os usuários executarem, copiarem, distribuírem, estudarem, modificarem e aperfeiçoarem um certo programa de computador. Está calcado em quatro tipos de liberdades: a liberdade de executar o programa; a liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades; a liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo; a liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie. Estes conceitos estão, cada vez mais, penetrando nas decisões da sociedade da informação. É uma tendência inexorável.

Veja o restante do ótimo artigo Livre como um pinguim, publicado em http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2014&cd_materia=1281.

Adeus IaraJS

Chega um momento em que nos damos conta de que estamos andando na direção errada. Não que nossos pés mudaram a direção de uma hora para outra, mas nada é imutável. O cenário muda, e nós mudamos também. E quando nos tornamos prisioneiros de antigos costumes e projetos, o primeiro passo para nos libertarmos deles é percebermos sua real relevância.

IaraJS (http://iarajs.codigolivre.org.br) foi um projeto muito importante. Rendeu-me um Trabalho de Conclusão de Curso e uma boa experiência com JavaScript (como linguagem mesmo, não como fogos de artifício) e sobre webdesign e projeto. Mas o que no passado poderia ser uma idéia interessante hoje não é mais.

IaraJS era um projeto com personalidade. Não havia visto nenhum projeto parecido. Era como um sistema de criação de sites (quase um "CMS de nerd") inteiramente em JavaScript, baseado em componentes e com suporte a temas. Suas vantagens eram ótimas: layout padrão mais facilmente obtido, páginas enxutas (o que resulta em sites mais rápidos de serem carregados). O problema é que hoje essas vantagens são alcançadas com uso dos padrões web.

Claro, há diferenças... Se por um lado sites IaraJS não podem ser vistos em navegadores sem suporte a JavaScript, por outro a inclusão de elementos dinâmicos na página estava começando a ficar interessante, de modo que os elementos dinâmicos do layout seriam definidos no tema; o que não dá mesmo pra fazer com CSS... Mas é uma vantagem que não compensa.

Assim, IaraJS está oficialmente encerrado e no site do projeto coloquei um manifesto explicando os motivos. Outros projetos terminam hoje também:

  • IaraPHP - bindings IaraJS para PHP. Com eles era possível escrever páginas do IaraJS sem saber JavaScript, usando um conjunto de classes em PHP;
  • Platform for Iara - framework que pouco evoluiu da fase vaporware...
  • AngelBook - linguagem de formatação simples de usar e processar. Por que acabou? O simples de processar acaba limitando o simples de usar e hoje o que se procura são linguagens wiki-style...
  • QatarPP - portal pessoal que agregaria resumos RSS e apresentaria conteúdo feito em AngelBook.

Bom, estão mesmo encerrados. Agora os projetos de que participo (pelo menos nesses meses) são os três aí do lado (Power Box). Comentários?

A Luta por um Currículo Livre

Você já parou para pensar o quanto empresas cada vez mais tentam aprisionar profissionais em suas tecnologias, mesmo quando esses profissionais nem ao menos chegaram ao mercado de trabalho e são ainda estudantes universitários?

Dessa forma se formam profissionais que só sabem utilizar ferramentas e tecnologias de uma empresa X. Temos um currículo escravizado.

O Currículo Livre é uma luta travada pela ENEC, mas é uma luta que deve ser considerada por qualquer profissional em ensino ou formação dos dias de hoje.

Bem, estou de volta à web!

OVNI

Veja: já se foi a viga de ApoloLágrima Lunar
Não é dela a luz que nos chega ao solo
É agora a Luna que tem o direito
Dessa luz nos dar, bela desse jeito

Quem mais brilha nesse período noturno
Não será Apolo: já acabou seu turno
Brilham muito pardas estrelas no céu
E jamais iriam mudar seu papel

De quem será, pois, essa luz tão linda
Que aqui nessa Terra não se vira ainda
Nesses tantos anos nada a isso igual

Será que teria Apolo enlouquecido?
Ou é uma estrela que tenha descido
Outra carruagem de um arqui-rival?

-- Cárlisson Galdino

Special: 

Internet Screen Saver

Um mundo completo de possibilidades ao alcance do mouse. Poder estudar, conversar, fazer compras, pagar suas contas sem sair de casa. Um mundo de facilitades e... Espera um pouco. Isso não está bonito demais para ser verdade?

É, há tempos que a Internet é vendida como um mundo cheio de facilidades, e a informática é vendida como algo fácil. Mas por trás da ilha tropical paradisíaca que as companhias apresentam se esconde uma outra realidade. As facilidades existem? Sim, existem. Mas as empresas sempre se esquecem de citar as notas de rodapé da Internet: há riscos.

Vejo a Internet como uma reprodução, de certo modo, do mundo real em que vivemos. É uma forma meio imprecisa de se ver a Internet, mas é uma forma. Muitas coisas mudam, mas a essência permanece: há pessoas, serviços, artigos, bibliotecas, lojas... Mas assim como se reproduzem algumas virtudes deste mundo real (e se somam outras), também se reproduzem os defeitos. E assim, na Internet há também gente mal-intencionada, malfeitores.

Chega a ser ingênuo imaginar que na Internet todos se tornarão pessoas íntegras, simplesmente pelo fato de estarem on-line. É isso o que se prega nas entrelinhas por aí. É nisso que as pessoas acabam acreditando, por terem visto uma imagem tão boazinha da Grande Rede Mundial.

Alheio a essa imagem, surgem cada vez mais fraudes digitais. E-mails que são enviados em nome de outras pessoas ou empresas... Sites de banco falsos que são postos no ar para pegar os dados dos clientes... Sites de lojas que não existem, mas "vendem" seus produtos a preços tentadores... Tudo isso tem acontecido ultimamente e muitas pessoas têm caído nos cada vez mais comuns "Contos do Vigário".

Não quero com isso dizer que a Internet não presta e devemos fugir dela: tento apenas alertá-lo dos perigos. Jamais acredite em um e-mail que peça informações, a menos que esteja esperando já pelo e-mail e a fonte pareça confiável. Verifique sempre o endereço das páginas onde entra. Preze por sua segurança e seja, acima de tudo, um pouco paranóico. Um pouco de paranóia não faz mal a ninguém.

O nosso mundo real tem muita gente mal-intencionada, mas como estamos nele desde pequenos, terminamos aprendendo a lidar com isso. Falta só que se perceba que as pessoas do mundo virtual são as mesmas do mundo real. Estar on-line não muda seus sonhos, suas virtudes, seus defeitos, nem seu caráter.

Special: 

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