Referendo: Vitória da Publicidade

Mais uma vez, lamentavelmente, vemos uma decisão importante para o futuro do Brasil sendo decidida pela performance de publicitários. Não me incomodaria se o Não ganhasse por argumentos, com as pessoas entendendo realmente o que está acontecendo. O que me incomoda é que decisões importantes caiam na arena do marketing, o que termina fazendo com que o lado mais rico (capaz de contratar um bom marketeiro) vença.

A opção do Sim ou do Não neste referendo, assim como candidatos, não são marcas de sabão em pó. O que está em jogo é o nosso futuro, e eu já cansei de ver como brincam com isso.

No caso específico deste último referendo, o que houve foi que a bancada do Não contratou um grande publicitário (no sentido apelativo da palavra): Chico Santa Rita. Desde o início ele arquitetou as propagandas do Não. Só um detalhe: ele foi o responsável pela publicidade na reta final da campanha de... Fernando Collor.

Falácias e palavras de ordem, com a evocação do medo de os bandidos invadirem nossas casas. Esse pacote foi o que garantiu a vitória. E o que João Moreira Salles havia dito na gênese da campanha acabou se concretizando: "Quem souber lidar com a questão do medo vai ganhar".

Eu fico pensando o quanto a população é fraca em entendimento de discurso (eu me incluo um pouco aí, já que meu estudo nessa área apenas começou). E como seria este referendo se ao invés da briga das propagandas coloridas contra os documentários assustadores tivéssemos tido debates e opiniões de sociólogos e outros estudiosos relevantes...

E assim se encerra esse capítulo da nossa Democracia. O povo é chamado a decidir, mas não acha bom. E pelo Sim ou pelo Não, que vença o mais apelão.

Tagmar - RPG Livre

Tagmar, para quem não sabe, foi o primeiro RPG brasileiro. Não desses RPGs eletrônicos. RPG de mesa e papéis! Ambientado em um mundo de fantasia medieval (ao estilo Tolkien), mas com foco nas regras, como era comum no seu tempo. Ainda hoje tem seus fãs, mesmo quando quase que só se fala de D20...

E o que tem de novo?

Não é bem novo, já que faz mais de um ano, mas eu simplesmente não sabia. :-P Foi iniciado um projeto para atualizar o Tagmar em 09/09/2004. A idéia, que conta com o apoio da equipe original (Tagmar 1), é simples: modificar o mínimo possível das regras apenas para atualizar o sistema e remover pesos, e completar o cenário com informações que não constam no Tagmar 1. Porém o mais legal é como isso tudo está sendo feito: de maneira colaborativa! E será distribuído (na verdade, já está sendo) sob licença Creative Commons - Atribuição-Compartilhamento pela mesma licença-Não comercial.

Banrisul: cansado de andar pra frente

Há alguns dias circulou a entristecedora notícia de uma licitação do Banrisul que, além de ilegal, aparentemente visava a destruir sua maior conquista na área informática: a liberdade e independência tecnológica.

Pioneiro na adoção de Software Livre (conduzida no início desta década), o Banco economizou milhões de reais, e estava até então quase totalmente livre da obrigatoriedade de gastos com renovação de licenças e equipamentos (apenas para suportar novas versões de softwares proprietários): havia ainda algumas máquinas não migradas, por serem muito antigas. A expectativa era que a migração se concluísse quando fossem adquiridas novas máquinas. Mas não foi assim que ocorreu.

Quem acompanha informações da área (Software Livre) sabe bem que a PROCERGS, na gestão anterior, desenvolveu uma ferramenta integrada para trabalhos em grupo: o Direto. Deve-se saber também que esta ferramenta foi liberada como Software Livre. E que uma das primeiras atitudes do novo Governador do RS foi tentar impedir a continuidade do projeto como Software Livre, alegando "evasão de recursos" (??).

Então, hoje temos uma licitação correndo para o Banrisul. E esta pretende adquirir computadores com licenças de MS Windows. Todos eles. Um gasto atualmente não apenas desnecessário (a migração deles para GNU Linux já é um sucesso), mas que também trará outros gastos futuros (novas versões das ferramentas MS, claro, exigirão inve$timento).

E justo hoje, quando Banco do Brasil e Caixa já usam Software Livre, e outros como o HSBC e o Bradesco seguem o mesmo caminho, aquele que foi pioneiro "muda de idéia".

Parece que se cansaram da carreira de sucesso recente do Banrisul. E depois de tantos passos calculados para a frente, querem que o banco dê um passo rápido e cego para trás...

Mais informações a respeito no artigo de Mario Teza:

Hélio Costa e a falácia aprendida

O novo ministro das Comunicações está com uma pulga atrás da orelha quando o assunto é Software Livre. Sua preocupação é, em suas próprias palavras: "Não adianta nada receber um instrumento gratuito e que depois, na manutenção, eu vou gastar mais".

Mas isso é ainda mais falho que dizer que Software Livre é menos seguro porque vemos o código-fonte.

Por quê? Bem, Software Livre significa, na maioria dos casos, software cujo código será sempre disponível para todos. Assim sendo, muito me estranha a idéia de que um software assim exija gastos com manutenção.

O que ocorre em prática (confirmando o que ocorre em teoria) é exatamente o contrário do que teme Hélio Costa: softwares livres tendem a oferecer meios semi-automáticos de atualização e dispor atualizações com uma freqüência bastante alta, sem custos.

Versões de (GNU/) Linux como o Debian oferecem há anos uma ferramenta de atualização automática (no caso do Debian é o apt-get, que é também utilizado pelo Kurumin). E essa atualização automática vai muito além do que sonha qualquer atualização automática dos softwares em Windows. Isso porque é uma atualização automática para todos os softwares instalados, dos serviços mais indispensáveis da máquina à suíte de escritório, passando por ferramentas web, jogos: tudo!.

Se você não conhece software livre tão de perto pode achar que isso é um tanto estranho, ou bom demais pra ser verdade + gratuito, mas a verdade é que é assim mesmo. Conheço o Debian há muitos anos e esse recurso foi, por muito tempo, um dos seus principais diferenciais frente a outras versôes de (GNU/) Linux. Hoje quase qualquer outra distribuição de (GNU/) Linux tem um recurso parecido: a famosa RedHat, a Mandriva, a Conectiva, o Gentoo...

O que aconteceu para que o ministro ficasse com medo em relação a um aspecto tão infundado? A resposta que me parece mais plausível é a do Sergio Amadeu: o novo ministro está sendo persuadido por representantes de empresas do velho modelo. E daí viriam esses argumentos, tentando confundir na cabeça do ministro as idéias de Software Livre com as de um mero Freeware.

Desde que Hélio Costa assumiu o Ministério das Comunicações, Sérgio Amadeu (então presidente do ITI) tenta agendar uma reunião para discutir Software Livre e esclarecer dúvidas. Até o momento, sem sucesso.

-- Cárlisson Galdino

Batutas e Canções

Recebi batuta do Elcio por dizer que usava o Rhythmbox. Bem, vamos às estatísticas e alguma coisa mais...

É, é aquele negócio de tou ouvindo isso e coisa e tal.

Quantos Gigabytes tem de música: pouco mais que 2.

Último CD que comprei: Falconer - Chapters From a Vale Forlorn

Música tocando no momento: Mists of Time - 4T Thieves

Cinco músicas que tenho escutado bastante:

1. Falconer :: Enter the Glade
2. Shaaman :: For Tomorrow
3. Shaaman :: Ritual
4. Magic Mushrooms :: Open Source
5. Catastrófico empate generalizado

Cinco pessoas para quem estou passando a batuta (com botão de auto-destruição, se quiserem destruí-la antes ou depois do concerto ;-):

1. Fábio Costa
2. Lord Ed Crypt
3. Hítalo Rodrigo
4. Ataliba Teixeira - primeiro comentário
5. Quem comentar agora ganha a última batuta


Como se pode ver (ou não!), meu índice de músicas livres está aquém do desejado. Só tenho uma na lista top5: "Open Source", que recomendo. Há várias músicas livres que tenho ouvido, e devo aumentar seu número nesses dias vindouros...

Por que ninguém se habilita a criar um "Portal de Música Livre"? Criticando os lançamentos que sigam licenças OpenMusic ou Creative Commons? Seria uma boa. Se alguém quiser fazer isso me avisa depois, pois já terá um visitante certo ;-)

Special: 

À Metade do FISL 6

Já vai na metade a sexta edição do Fórum Internacional de Software Livre. Já houve o dia de pré-evento e o primeiro dia de palestras. Aqui vai um resumo do que está havendo para quem está totalmente por fora (embora este ano eu não tenha ido).

Como é possível falar do evento sem ter ido? A época de FISL tem uma energia toda especial. Pode-se sentir essa força facilmente. Há a cada ano mais informações sobre o que está acontecendo. Utilizarei dessas fontes de informações para montar um resumo prático de consulta rápida.

BR-Linux.org

Como já é tradição, Augusto Campos está no evento e organizando uma forma de transmitir cada detalhe do evento. Já temos, entretanto, notícias desde antes da abertura:

Palestras do Primeiro Dia

Estes são os relatos de algumas das palestras do primeiro dia:

Acompanhe!

Ano que vem devo comparecer à sétima edição. Realmente vale a pena ir. Mas se você também não foi esse ano, calma! O evento ainda não acabou! Temos mais dois dias! Acompanhe por vídeo ou pelas notícias!

Não pense em cerveja grátis

Stallman sempre diz para não pensar em Software Livre como em Free Beer (cerveja grátis). Não sei se foi só pra complicar a vida do RS, mas alguém acabou pensando em Free Beer como em Freedom. E agora, Stallman?

Texto publicado em Notícias Linux:

Um grupo de estudantes universitários dinamarqueses criou a primeira cerveja open-source, chamada "Vores Øl" (que significa "Nossa cerveja" em dinamarquês).

É basicamente uma cerveja tradicional com um toque de guaraná (pelo ganho energético).

A licença da receita está sob Creative Commons ;)

RPG e Criminalidade: e a Verdade?

Mais um caso de assassinato envolvendo RPG. É o segundo que aparece na imprensa brasileira. Dessa vez, diz-se que o RPG é realmente o responsável pelos transtornos psíquicos. E que invariavelmente termina em morte. Um jogo que existe no Brasil há mais de uma década e já teve material lançado pela Abril e pela Grow. Com livros vendidos em bancas de revistas há vários anos. Para um jogo que inevitavelmente termina em morte, dois casos não é um número pequeno demais?

Há uma suspeita, porém, que esse caso não passe de um truque utilizado por um advogado de assassinos frios para livrar seus clientes de um crime hediondo (afinal, se a culpa foi do RPG, tadinhos deles né?).

O mais engraçado é que por trás desta sigla intrigante e misteriosa para a maioria da população, quase todo mundo já jogou RPG na infância. Afinal, RPG pode ser resumido em duas coisas obrigatórias e uma opcional (porém comum).

As obrigatórias:

  • Narra-se uma história. Alguém narra uma história que não foi planejada totalmente, de modo que os participantes interferem no caminhar da história.
  • Representa-se um personagem. Não no sentido teatral. Na verdade o mais preciso seria controla-se um personagem. Assim, cada jogador tem um personagem para imitar suas falas e tomar decisões como se fosse ele. E assim que eles mudam a história que está sendo narrada.

A opcional, porém muito utilizada é:

  • Utiliza-se um conjunto de regras. Para medir força, inteligência e conhecimentos dos personagens, entre outras representações numéricas do mundo real para o mundo de fantasia.

Parece familiar? Barbie, Comandos em Ação, Polícia-e-Ladrão... Tudo isso poderia ser classificado como RPGs!

Bom, agora estamos vivendo um risco. O risco de uma diversão sadia, que desenvolve o relacionamento social, o raciocínio e a criatividade, ser proibida por causa de uma mídia sensacionalista e assassinos que nem ao menos sabem o que é RPG...

Conheça as diversas versões desta história:

Special: 

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