O Poeta da Colina

Era um poeta que morava no topo de uma colina. Thadeu Wanddle. Era uma casa simples, com uma chaminé na sala, um sofá, uma escrivaninha e uma poltrona marrom.

Thadeu Wanddle escrevia todas as manhãs um soneto para Beatrice, uma jovem loira de jeito delicado e sensual. Pele suave como veludo, perfume de rosas e olhos azuis como o mar numa manhã ensolarada e quente. Thadeu já a comparou com o mar, o céu, as rosas e com tudo o que podia imaginar, mas ela não existe mais neste mundo. Embora tenha existido algum dia, hoje não faz mais parte da vida de Thadeu.

A campainha toca. É o carteiro para trazer as encomendas e correspondências de Thadeu. Nada de novo, como sempre. Ele caminha até a janela e avista a paisagem.

- Ah, doce Beatrice... Por onde andas? O que tens feito na vida? Conseguiste, será, encontrar a tal da Felicidade? Este sentimento vil que nos atormenta e quer que partamos alucinados à sua procura... Ah Beatrice... Como andarás?

"Oh, Beatrice, como é doce o querer-te
Te quero hoje como dez anos atrás
Como queria uma vez de novo ver-te
Oh, Beatrice, linda musa dos meus ais

Oh, Beatrice, por mais que essa Vida aperte
Cá estou eu a te esperar, sei que virás
Ainda que encontre não Thadeu, mas um inerte
Cadáver, morto de Amor que não acaba mais

Te esperarei a cada dia de minha vida
Como a noite sempre espera o nascer do Sol
Como quem vive e espera a hora da partida

Te esperarei, oh Beatrice, aqui tão só
E valerá cada tristeza aqui sentida"

- O que coloco no último verso... Poderia falar que fui fisgado por seu anzol...

Thadeu coça a barba do queixo. Aos trinta anos parece ter quarenta. Os anos o maltratam, mas ele não desiste da sua Beatrice. Continua a escrever. Ele olha mais uma vez o horizonte.

- "Oh Beatrice, és meu único farol" Não, já usei a metáfora da embarcação em outro soneto... O que resta então...

- E que tal "Que venha antes que eu enfim me torne pó"?

Thadeu procura surpreso a voz feminina que falou. Logo a encontra ali, aproximando-se da casa. Para sua tristeza, seus cabelos eram castanhos escuros e curtos; seus olhos e sobrancelhas não tinham o mesmo desenho que ele esperava encontrar. De óculos, ela o encarava enquanto vinha para a casa.

- Quem é você?

- Iolanda, e você?

- Thadeu Wanddle, mas o que faz aqui?

- Ah, estou de férias, vim te fazer uma visita.

- Eu conheço você? - Thadeu pergunta, sem jeito, após uma pausa.

Uma gargalhada gostosa de Iolanda é a resposta. Ela o encara com ar misterioso, então complementa.

- Não, seu besta! Eu apenas soube que no alto da colina havia um poeta e vim visitar.

- Queria saber como é um poeta, é? Pois veja: eis aqui um farrapo de gente! Eu vivo os meus dias a escrever e ninguém se importa. Nem Beatrice. Mas já que já viu como é um poeta, poderia me deixar em paz com meus pensamentos e minha arte?

- Não. - Ela responde, já adentrando a casa.

- Como assim?

- Você está errado. Só está certo numa coisa: é um farrapo de gente. Se eu fosse essa Beatrice, ia querer mesmo não nada com você.

Thadeu não tem palavras para reagir. Como uma pessoa desconhecida entra em sua casa, fala mal da sua aparência e...

- Onde está indo?

- Estou com sede. - Iolanda responde, dirigindo-se à cozinha logo após ter deixado a bolsa sobre o sofá.

- Quem disse que...

- Ora, vamos, um pouco de companhia não faz mal a ninguém. Ainda mais quando se vive uma eternidade sozinho.

- Como sabe há quanto tempo estou aqui?

- Hahahaha! Meu filho, pra ter se tornado esse farrapo de gente que é hoje, deve estar aqui há pelo menos cinco anos. Ninguém fica do jeito que você está de uma hora pra outra não.

Iolanda chega à sala com um copo de água na mão. Thadeu permanece sentado na poltrona, próximo à janela. Iolanda se senta no sofá ao lado da bolsa, com a perna dobrada sobre o outro lugar do acento, para poder olhar para Thadeu, que está atrás dela. O sofá fica de frente para a lareira e de costas para o birô. Encontra a expressão pensativa e ainda surpresa do poeta.

- Você é jornalista, é isso?

- Errado.

- Uma estudante de letras?

- Não.

- Uma leitora dos meus livros é que não é, suponho...

- Finalmente acertou!

- Você é...

- Não! Eu também não sou uma leitora dos seus livros. A propósito, me mostraram seu trabalho lá na cidade. Francamente, todos os livros falando da mesma mulher as mesmas coisas... Ninguém merece, eu não compraria um livro desses não.

- Como...

- Que foi? Ficou com raiva? Ninguém nunca te disse isso não? Desculpe, meu filho, estou apenas sendo sincera. A verdade pode ser dura, mas é melhor que qualquer enrolação. Quem é essa Beatrice afinal?

- Beatrice... É a luz que ilumina minha vida todas as manhãs, ela é...

- Tá, tá... Tou falando da outra Beatrice!

- Outra?

- Claro! Da Beatrice de carne e osso! Ou vai dizer que você se apaixonou por um vaga-lume?

- A Beatrice... É uma linda moça que conheci na adolescência. Era minha vizinha, até que um dia ela teve que ir embora pra longe.

- Entendo... Isso faz tempo, né?

- Faz...

- E você gosta mesmo dela?

- É claro! Por que acha que eu vivo meus dias falando dela.

- Não sei... Acho que não gosta tanto assim dela.

- Como ousa duvidar do meu imenso amor?

- Ora, penso que se gostasse realmente dela tinha ido à sua procura e não ficado aqui escrevendo um monte de sonetos bregas.

- Você é louca... - Thadeu franze a testa, voltando a olhar através da janela.

- Diga-me uma coisa que eu não saiba. ... Sabe de uma coisa? Você tem que superar isso. Já faz mais de dez anos! Ela já deve ter se casado, virado freira, batido as botas, sei lá! Muita coisa pode ter acontecido nesse tempo todo, não acha? Olha, quando eu me apaixonei pela primeira vez eu fui lá e me declarei. Levei um belo de um fora e continuei minha vida. Simples assim.

- Mas é impossível que eu esqueça a Beatrice, ela é tudo na minha vida.

- É nada! Você já desistiu dela faz mais de dez anos! Quando resolveu ficar aqui você desistia dela e cada poesia não passa de uma farsa do seu lado covarde, que engana a si próprio fingindo que ainda luta. Mas você já entregou os pontos. O jogo acabou e faz é tempo!

- Quem é você afinal?

- Me chame de Iolanda que está de bom grado.

- Você sabe que não foi isso o que eu quis dizer...

- Você nunca sabe o que quer dizer, por isso repete sempre as mesmas coisas.

- E você? Veio aqui só me azucrinar, foi?

- Adivinhou! Bom, o papo está legal mas tenho que ir. Fiquei de visitar a capela, que eu não conheci ainda. Até outro dia!


As águas se espalham sobre a areia. O mar é mesmo lindo e imenso. Thadeu vê o mar lá longe, da janela de sua casa na colina. No papel à sua frente, o mesmo soneto inacabado. Desta vez, só no papel. Na sua mente, ecoam as palavras de Iolanda. Desde ontem.

Que maldição! Toda sua vida é por Beatrice e aparece essa mulher do nada para tentar destruir seu castelo de cartas. Será que ela está certa? E se estiver certa, ao menos um pouquinho que seja? E se..

- Não! Besteira!

"Ainda lembro: os teus olhos têm a luz
Que ilumina o meu dia e meu viver
É dentro desses teus olhos azuis
Que o que não era possível passa a ser

Nos loiros fios, nos gestos, me seduz
Nos lábios, em tudo o que há em você
Jamais a tal beleza farei jus
Mas tal beleza sonho em merecer

Sonho um dia virá, sei que virá
E nada importará, só tu e eu
Seremos só nós dois a nos amar

Sonho, ainda um dia, oh sonho meu!
Todos dizerem ao te ver passar"

- "Essa era Beatrice? Então fodeu..." - É a mesma voz de Iolanda, que interrompe o pobre poeta

- Faz tempo que está aí?

- Cheguei agora.

- Este soneto já estava escrito, não é novidade. O último verso é "Ali vai Beatrice de Thadeu".

- Hmmmm... Prefiro o meu final.

- E o soneto se chama Beatrice de Thadeu.

- É, sonhar é bom às vezes, né?

- O que quer dizer com isso?

- Ora, "Beatrice de Thadeu"... Faça-me o favor! Uma mulher que você nem tem notícias há uns dez anos! Um dia eu vi um violino lindo!

- Como é?

- É, um violino perfeito, de som maravilhoso!

- E o que tem a ver? Você está doida?

- Foi na adolescência. Estava à venda numa cidade grande. Eu queria muito aquele violino, mas não puderam comprá-lo para mim.

- Que pena...

- Que louca que não tem juízo seria eu se até hoje estivesse falando desse violino como se fosse meu e só escrevesse sobre ele?

- Sei onde quer chegar, mas não tem nada a ver...

- Claro que tem, poeta! Beatrice é seu violino da adolescência! Quem sabe sequer se ainda existe?

- Você toca violino?

- E você? Toca as mulheres? - Ela responde com olhar sarcástico. Então continua caminhando passando pela casa.

- Ei! Já vai? Não vai tomar água hoje?

- Não, poeta. Vou ver o que há além dessa sua colina.

- Hmmm...

- Quer vir comigo? Pode vir.

Seria masoquismo o que movia Thadeu? Em pouco tempo, ele deixa os papéis sob um peso na mesa e vai junto com Iolanda, deixando sua casa aberta.

- Deixe-me adivinhar... Você nunca caminhou muito além da sua casa!

- Não, eu andei um bocado nos primeiros anos. Caminhar é uma boa terapia.

- Terapia... Não tem terapia que resolva seu problema, poeta, se você não quer que o problema seja resolvido.

- Amor não é exatamente um problema.

- Não, não é... Mas nem sempre o que pensamos que é amor é de fato amor.

- O que você quer dizer? Acha que sou louco por amar Beatrice?

- Ninguém é louco por amar outra pessoa, mas amor exige entrega. Quando a gente ama, faz de tudo pela pessoa que a gente ama. Vai atrás. Faz loucuras. Não fica num quarto trancado isolado do mundo escrevendo poemas.

- Sabe, cansei dessa conversa. Por que não paramos de falar de mim e Beatrice e falamos de você? O que faz na vida?

- Sou advogada.

- Hahahahaha! Sério? Não brinca!

- Sério. Por que a graça?

- Por isso você argumenta tão bem tentando me fazer acreditar no que quer que eu acredite.

- E no que quero que acredite?

- Que estou perdendo meu tempo.

- Não, poeta, não faz a menor diferença pra mim se acredita ou não. Mas se vejo um problema, é meu dever apontá-lo. Se vai acreditar ou não, fazer alguma coisa a respeito ou não, já não é mais problema meu.

- Você é estranha.

- E quem não é estranho neste mundo?

Eles caminham entre pedras e pouca vegetação. Alguns animais se espalham na paisagem sob o céu azul. Enfim, uma cerca branca.

- Quantas poesias você fez pra essa Beatrice?

- Não sei... Geralmente faço uma por dia... Mas tem dias que não tenho inspiração. Em compensação, há dias em que faço até cinco.

- Em uns dez anos, isso deve dar... Nossa! Mais de três mil!

- Não sei... Pode até ser, sabe?

- Patético...

Ela se vira e começa o caminho de volta, balançando a cabeça em negação.

- Por que patético?

- Porque ela não existe mais pra você. Tudo isso foi em memória de alguns momentos de adolescência entre os dois? Patético, simplesmente. Não conheço ninguém que tenha feito cem poemas para uma mesma pessoa. Chega um tempo em que a convivência basta. Poemas como provas de amor deixam de ser necessários, porque não são mais necessárias provas de amor. Sem contar que na maioria dos casos simplesmente o romance termina de hora pra outra, sufocado pelo dia a dia.

Iolanda pára e se vira para trás, e vê Thadeu cabisbaixo e pensativo.

- Que foi agora, poeta?

- Estou pensando na vida.

- Na sua Beatrice? Se você a encontrasse hoje ela seria outra. Não teria os mesmos lábios que você beijou, nem os mesmo assuntos. Afinal, dez anos são muito tempo! Vamos voltar? Agora estou com sede.

Eles caminham de volta para a cabana. Iolanda sem cerimônia vai até a cozinha mais uma vez pegar um copo de água e se senta no sofá. Thadeu se senta na poltrona. Calado e mudo, perdido em pensamentos angustiantes, olha o chão em busca de alguma resposta entre a poeira da casa.

Duas mãos deslizam por seu rosto. É Iolanda que o beija de surpresa.

- Você é um homem bonito. Acorde pra vida! Não perca seus dias por alguém que se foi. Como tanto dizem, quem vive de passado é museu.

Ela se ergue, pega a bolsa sobre a mesa e sai de volta à cidade.


Thadeu está sentado à escrivaninha, pensando na vida, com o mesmo poema inacabado.

- Até que Iolanda é um nome bonito... Tem sete letras, meu nome tem seis. Dá pra fazer um soneto com os versos começando com Thadeu e Iolanda! Deixa ver como ficaria...

"Toda manhã acordo e é igual
Hoje, porém, mudou minha rotina
Apareceu alguém especial
De uma beleza estranha, rude e fina

E todos os brilhos que eu tinha e tal
Um a um se quebraram, triste sina!
Essa mulher estranha e fatal
Iolanda se chama essa menina

Ontem demos a volta no terreno
Lá onde costumava percorrer
Até aquela fazenda do Breno

Não sei o que entre nós veio nascer
Diria eu ser grande? Ser pequeno?
Ainda não sei ao certo o que há de ser"

- É, acho que não tem o menor sentido uma poesia pra Iolanda. Ela só veio aqui e o que quer é só me aborrecer! Além do mais, ela é doida mesmo, não deve ter nenhum interesse por mim.

"Oh, Beatrice, a vida que eu pedia
Era somente tendo-te ao meu lado
Não importava ser, pois, noite ou dia
Sol escaldante ou inferno gelado

Oh, Beatrice, toda a alegria"

- "Seria te deixar no meu passado. Que praga és, Beatrice, quem diria! És praga e eu, o pobre condenado!"

- Iolanda?

- Bom dia!

Thadeu vê boquiaberto Iolanda entrar na casa e ir se sentar no sofá.

- Como fez isso?

- Isso o quê?

- Completou essa estrofe assim! Na hora?!

- Eu sou poetisa também, meu bem.

- Eu levo mais de hora pra fazer um soneto!

- Não tenho culpa se você se acostumou ao raciocínio lento. Porque escrever mais de três mil sonetos e não saber fazer na hora, sinceramente... - Ela se levanta e caminha até ele. Segura sua mão. - Agora deixa as palavras de lado, há poesias muito mais belas a se fazer e não precisamos de palavras pra essas.

Ela o conduz até o sofá e o beija com ardor. Mãos deslizam por seu corpo e em pouco tempo estão os dois envolvidos e nús naquele sofá de dois lugares...

- Thadeu... Thadeu... Agora me diga: vale a pena deixar a vida passar por causa da sua Beatrice?

- Eu... Não sei... - Ele se levanta, veste as calças e caminha até a janela.

- Pobre poeta... - Iolanda o abraça pelas costas e olha a janela também. - Não te disse tudo o que disse para te prejudicar, só quero o seu bem. Viva a vida, esqueça Beatrice.

- Eu não sei...


- Iolanda?

Desta vez é Thadeu quem a surpreende. Não conseguira dormir por toda a noite, pensando no que aconteceu e nos sentimentos conflitantes que preenchem seu coração. Foi deste jeito que desde antes de o Sol despertar para o novo dia, lá estava Thadeu sentado à entrada de sua casa.

- Bom dia, poeta!

- Bom dia, Iolanda! Olha, estive pensando em tudo o que você falou. Sobre esquecer Beatrice... Sim, talvez você tenha razão. Sabe de uma coisa? Eu esqueço sim Beatrice! Por você eu esqueço!

- Ah, não acredito... - Iolanda abaixa a cabeça. - Thadeu, não era de mim que eu falava esse tempo todo. Era de você! Você tem que viver! Independente de qualquer Beatrice ou Iolanda!

- Mas eu pensei que...

- Olha, sabe o que mais? Eu vim aqui me despedir.

Só então Thadeu percebe na mão de Iolanda um papel.

- Foi um imenso prazer conhecê-lo, poeta. Mas estou voltando hoje mesmo pra minha terra. E como sei que você dá muito valor a essas coisas, escrevi uma poesia de despedida. Aqui está, vou indo. Boa sorte na vida! E claro que não quero que me esqueça, mas por favor não me transforme numa nova Beatrice, tá legal? Isso não é... confortável.

- Você vai mesmo? Mas...

- Vou, poeta. É a vida. A minha vida. E você tem que cuidar mais da sua própria, sem se importar com quem não pode ver. Adeus!

E assim partia Iolanda, com chapéu branco ia embora descendo a colina para a cidade, e Thadeu nunca mais a veria. Entre as lágrimas, quando Iolanda já não era mais visível ao longe, ele abre o papel que recebera e lê:

"O Poeta da Colina

No topo da colina há um poeta
Que todo dia sonhava com sua musa
Uma Beatrice que já faz dez anos
Sequer notícias suas ele tinha

No topo da colina o vento vinha
Toda manhã chamando-o para a vida
Mas ele preso à musa tão querida
Não percebia esse lindo chamado

No topo da colina acorrentado
Estava aquele pobre poetinha
Nas dores de um tosco cotidiano
Por alguém que nem sabe que ele existe

No topo da colina estava triste
E eu pude comprovar que vida havia
No peito do poeta e nos seus lábios
Escondida sob esse sofrimento

No topo da colina, o sentimento
Poeta, viva a vida como deve!
Invista quando sabe que recebe
Não jogue tudo num poço sem fundo

O topo da colina é o seu mundo
Liberte-se pra vida enquanto é tempo
Na vida, conheci muitas Beatrices
Nenhuma delas vale esse tormento

Iolanda Twillow"

Cordel Pokémon

Cordel Pokemon

No mundo dos videogames
Mimimi é bem normal
Pessoas com preconceitos
Sem conhecer a real
Pegam um jogo qualquer
Sem jogar uma vez sequer
Se apressam em falar mal

Há quem fale mal de esporte
Quem não curta RPG
Ou dos jogos “infantis”
Ou de jogos pra PC
Pois esse campo é de jeito
Que um besta preconceito
É fácil de aparecer

Hoje vou falar de um jogo
Na verdade, uma franquia
Segunda maior do mundo
Desde sempre, quem diria
Só o Mario está na frente
Mas nem é tão diferente
É a Nintendo quem cria!

Nossa história então começa
No ano de 96
O Gameboy ia mal
Ia afundar de vez
A Nintendo a ter chilique
Veio uma tal Game Freak
E uma solução se fez

Ninguém conhecia o jogo
Mas a empresa tinha o dom
Vendeu pouco no início
Quem comprou viu que era bom
E rápido divulgou
Pouco a pouco se espalhou
Era a febre Pokémon

No universo desse jogo
Há um mundo sossegado
Como um Japão bem antigo
Só com vila e povoado
Pouca gente ali vivia
Mas com tecnologia
Não era tão atrasado

Nele existem criaturas
Como um reino animal
Mas é difícil dizer
O que eles são afinal
Há quem pareça inseto
Planta, gente, objeto
Nesse mundo é natural

São chamados pokémon
São os monstrinhos de bolso
Eles são parte do mundo
Sei que é estranho, seu moço
Mas nesse mundo especial
São a peça principal
Causam maior alvoroço

Não se pode andar sozinho
Longe de cada cidade
Sem proteção de um bichinho
Com quem se tenha amizade
Pois sempre, a qualquer momento
Surge um pokémon sedento
Por briga só por maldade

Os pokémon fazem mal
Mas porque são animais
Não sabem certo ou errado
E os humanos vão atrás
De um deles capturar
Se proteger e ensinar
É o que um treinador faz

Treinadores são pessoas
Com pokémon mundo afora
E pra levá-los pros cantos
Não ia prestar sacola
Criaram então certo dia
Sagaz tecnologia
A famosa pokébola

Como uma bola pequena
Capaz de um bicho conter
A pokébola é incrível
Só mesmo vendo pra crer
O pokémon fica preso
Seja veloz ou de peso,
Tamanho ou muito poder

Assim segue pelo mundo
Cada jovem treinador
Os pokémon vão caçando
Co'ar de colecionador
Mas só podem levar seis
Os outros vão de uma vez
Parar num computador

Além de treinar os monstros
Para melhor proteção
Treinadores colecionam
De pouco em pouco, um montão
Como se eles fossem selos
Andando com os mais maneiros
Para cumprir sua missão

Que é enfrentar mais treinadores
Em uma competição
E nos ginásios encontram
Os melhores da nação
Tem que vencer as batalhas
Juntar todas as medalhas
Pra se tornar campeão

Nos jogos de Pokémon
Existem tantos monstrinhos
Que não se acabam mais
Se quiser contar todinhos
E nos jogos só aumenta!
Já eram cento e cinquenta
Já no primeiro, sozinho

Quem acompanha a franquia
Precisa ficar atento
Se quiser conhecer todos
Ô trabalho desgracento
Pois já aumentou a quantia
Eles já são hoje em dia
Passando de setecentos!

Cada um com seu estilo
Seu tipo e comportamento
Seus golpes por aprender
E o seu próprio som fazendo
Quem cria essas criaturas
Acho que beira a loucura
Sempre em certo momento!

Mas de todos esses bichos
Diminuem a seleção
Se lembrarmos que alguns
Deles um mesmo é que são
Pois tem formas diferentes
De uma a três geralmente
Mudando na evolução

Larva vira um casulo
E depois uma borboleta
Assim é com pokémon
Que habitam nesse planeta
Mudam a forma na jornada
E nem sempre a avançada
É de todos predileta

Chegando devagarinho
Sem nenhuma pretensão
Os pokémon se tornaram
Uma grande sensação
Se espalhando bem ligeiro
Do nosso mundão inteiro
Chamaram a atenção

Muita coisa apareceu
Além do jogo falado
Apareceram brinquedos
Boneco pra todo lado
Baralhos, jogos diversos
Além do grande sucesso
Que era o desenho animado

O desenho era infantil
Com um traço oriental
A história era bem simples
Luta, humor e coisa e tal
Mas carisma não faltava
Na turma que aventurava
O sucesso foi total

Assim ficou popular
Virando celebridade
Aquele rato amarelo
Que tem eletricidade
Pikachu, que se revolta
Sem querer a pokébola
Segue Ash pela cidade

Até aqui no Brasil
Ele veio aprontar
O desenho animado
Se tornou tão popular
O sucesso foi tão bom
Que se via pokemón
Vindo até no Guaraná

Os jogos para portáteis
- A primeira criação -
Da Nintendo sempre foram
Importantes e ainda são
Mas a turma tem empenho
Há muito mais que desenho
Pra ver na televisão

Há revistas em quadrinhos
Conhecidas por mangá
Tem jogo só de batalha,
De masmorras a explorar
Adesivos, tatuagens
E cartas colecionáveis
Para a Nintendo enricar

E foi que recentemente
Veio um novo produto
Feito para celulares
Em um projeto astuto
Assim qual quem não quer nada
Com realidade aumentada
Chegou dominando tudo

Essa grande novidade
É o tal Pokemon Go
Pra jogar no celular
E virar um treinador
Mas toda essa maravilha
Esconde uma armadilha
Que pouca gente notou

Pra jogar Pokemon Go
E cumprir suas missões
Você dá todo o acesso
A suas configurações
Permitindo espionagem
(Olha só que sacanagem!)
Completa, sem restrições

A câmera tira fotos
Quando você está jogando
GPS dá o lugar
E tudo vai se juntando
Pra juntar informação
Dessa grande multidão
Alheia ao que está passando

Mas não foi a Game Freak
Que teve essa obra feita
Nem foi a própria Nintendo
Mas uma empresa suspeita
Niantic, de ex-funcionário
Do Google, império lendário
Agora você diz: “Eita!?”

O Google já mapeou
Ruas de nações, estados
Quem joga Pokémon Go
É espião infiltrado
Sem querer e sem notar
Ajudando a mapear
Dentro de prédios privados

Pokémon é muito bom!
Tem carisma, tem história
Mas o jogo que chegou
É um perigo, não rola
Cuidado pra não virar
Um zumbi de celular
Cabeça de poké-bola

-- Cárlisson Galdino

P. S.: publicado em audio no Politicast /Arte/

Gênero: 

DWD12 - Regras e Eliana

Duas novidades no wiki do Diceware D12: um PDF com as regras básicas, e o novo tomo Eliana.

O tomo Eliana foi montado a partir de palavras que aparecem nas músicas da cantora voltada ao público infantil, acrescido de algumas palavras encontradas em sua biografia (Wikipédia).

Você pode se perguntar: "O que diabos Eliana está fazendo ao lado de Machado de Assis e Eça de Queirós?". Bem, as palavras que aparecem em suas músicas são muito simples (afinal, são para crianças), mas por serem infantis são um tanto inesperadas para participar de uma senha.

Com isso, vamos à marca de 6 (seis) tomos públicos, sendo 4 comuns e 2 sofisticados. Um dia quem sabe chegamos a 12 tomos!

Special: 

Senhas seguras e fáceis de memorizar com Diceware D12

Já faz alguns meses, tive contato com a técnica de geração de senhas seguras conhecida como Diceware. O princípio na verdade é bem simples: pegue uma lista de 6^5 palavras (7.776 para ser exato), um dado comum de seis faces e pronto! Você tem todos os ingredientes para gerar uma senha segura! Basta sortear umas 4 palavras pelo menos, sendo que cada palavra exige a rolagem do dado 5 vezes. A vantagem do dado é que a aleatoriedade fica garantida. Se quiser saber mais sobre o Diceware, recomendo o artigo no The Intercept tratando do assunto.

Olhando isso, eu pensei: bom, essa técnica é divertida! E acho que dá pra fazer ficar ainda mais interessante! Assim nasceu o Diceware D12.

O princípio do Diceware D12 é o mesmo do Diceware tradicional, com algumas mudanças importantes:

  1. Ao invés do dado de 6 lados, utilizamos um dado de 12 lados.
  2. Ao invés de uma lista de 7.000+ palavras, utilizamos tomos, que são agrupamentos menores, porém mais organizados, de palavras. Cada tomo contém 1.728 palavras, mas não é só isso: elas estão agrupadas em 12 páginas de 12 sessões, cada sessão com 12 palavras.
  3. Ao invés de uma lista só de palavras, você vai escolher que tomos utilizar e recomendo que adote um "tomo secreto" para tornar a senha ainda mais difícil de ser quebrada.
  4. Como nem todo sistema suporta senhas gigantescas, o Diceware D12 oferece um método alternativo para quando precisamos de senhas mais curtas (e ainda assim, um pouco sofisticadas e fáceis de lembrar)

O Diceware D12 está sendo publicado no Wiki Cordéis. Lá você pode ver as regras e tomos já existentes. Os tomos estão apresentados em 2 grupos: tomos comuns (de palavras fáceis) e tomos sofisticados (de palavras mais difíceis e incomuns). A proposta é que você utilize um tomo sofisticado (à sua escolha) como se fosse seu tomo secreto, caso não tenha um realmente secreto e exclusivo. Até o momento, você verá 3 tomos públicos comuns e 2 tomos públicos sofisticados. Usando 4 tomos, você já será capaz de criar senhas que se aproximam da segurança do Diceware tradicional.

Tá, e como funciona na prática? Vejamos: pegue os 3 tomos públicos e escolha um tomo sofisticado (vamos usar o Asteroides). Você precisará colocá-los em uma ordem desejada. Por exemplo:

  1. Tomo Machado
  2. Tomo Pimentel
  3. Tomo Queirós
  4. Tomo Asteroides

Vamos criar uma senha de 4 palavras, ok? Rolamos o dado e saiu 3. De acordo com a tabela no wiki, isso significa que usaremos o primeiro tomo, o Machado. Agora, rolamos 3 vezes o dado: 4, 7, 4. A palavra inicial será "sai".

Segura aí e vamos repetir o procedimento. Rolando, deu 2, ou seja, o mesmo tomo novamente. Rolando 3 vezes deu 3, 1, 6. A palavra é "vá".

Continuando as rolagens, agora sai um 12. Vamos usar o tomo Asteroides. Rolando 3 dados, temos 1, 6 e 2. A palavra é "Erato".

Como o tomo especial já apareceu, vamos tirá-lo da jogada agora para evitar que a senha tenha mais de uma palavra "sofisticada". Assim, sobram os 3 tomos na ordem em que já estavam. Rolando novamente, sai um 5. Pela tabela (agora vendo a coluna com 3 tomos), o tomo  será o Pimentel. A rolagem de 3 dados deu 4, 10, 10. A palavra será então "prédio".

A senha que criamos foi "sai vá Erato prédio". Não transforme em frase tipo "sai, Erato, vá pro prédio". Parte da riqueza desse tipo de senha está no fato de a junção de palavras não fazer sentido, o que torna a senha mais forte. Como você pode ver,. é ainda uma senha relativamente fácil de ser memorizada.

Vamos criar uma usando o método alternativo? Então tá, considere os tomos na mesma posição em que estavam antes.

Rolando o dado saiu 7, o que nos leva ao Tomo Queirós. Sorteando palavras veio 10, 8, 8. A palavra é "proveito". Como ela tem 8 caracteres (mais que 4 e menos que 10, portanto), ela serve como está.

Vamos à primeira transformação. Rolando dois dados saiu 1, 7. Seguindo o método alternativo, devemos apagar a penúltima letra. A senha provisória é "proveio".

Para a segunda mudança a rolagem resultou em 5, 3. Devemos tornar maiúscula a terceira letra. Senha provisória: "prOveio".

A rolagem da terceira mudança: 8, 6. Alteração: trocar a quarta letra de traz para a frente com a antepenúltima. Senha: "prOevio".

A senha gerada foi "prOevio". É uma senha razoável. Como se vê, não apareceu caractere especial ou número (o método proposto às vezes os insere). Se achá-la fraca, você pode sortear mais alterações ou até alterar você mesmo. Por exemplo, transformando-a em "prOe^1o".

O método alternativo serve, inclusive, para tornar as senhas gigantes ainda mais difíceis. Nada impede que sua senha seja, por exemplo, "sai vá Erato prédio prOevio".

Este é o método sendo aplicado de forma pretensamente didática! Veja mais sobre o Diceware D12 no wiki! Espero que seja útil!

Ah, você pode estar pensando: "que louco isso! Mas eu não tenho um dado desses." Esses dados são vendidos em qualquer loja de RPG. E as regras trazem formas variantes de aplicação, ensinando você a emular um D12 com dados de 6 lados, cartas de baralho ou mesmo uma moeda! Dá uma olhada lá! E boas senhas! :-)

P. S.: Imagem do post.

João Ribeiro Lima

Na Academia Arapiraquense de Letras e Artes, ocupo a cadeira de número 37, que tem como patrono João Ribeiro Lima. Resgatei a minibiografia do meu patrono, que aqui publico. Fonte: livro Acala - História e Vida.


João Ribeiro Lima nasceu em Arapiraca, no dia 15 de julho do ano de 1889. Filho de Manoel Jacinto da Silva e de Antônia Maria do Espírito Santo. Irmão de João Jacinto da Silva, Afrígio Jacinto da Silva e Maria Jacinta da Silva.

Casou-se com Elvira Magalhães, com quem teve cinco filhos. Com o falecimento da esposa, teve o segundo matrimônio com Tereza Umbelina da Silva, do qual nasceram mais cinco filhos.

Sendo um homem trabalhador com visão futurista, foi um dos organizadores na criação no município de Arapiraca, ajudando a criar as primeiras leis municipais. Foi escolhido para ser o primeiro tabelião do município, quando criou o primeiro Cartório do primeiro Ofício em 30 de outubro de 1924, na ocasião da Emancipação Política do Município.

Participou do cenário político municipal. Foi eleito prefeito por duas vezes, de 1928 a 1930 e de 1945 a 1947. Por seus ideais sempre voltados para o progresso de Arapiraca, acima de tudo, do bem-comum. Dotado de uma ampla visão, objetivando sempre o crescimento e desenvolvimento do município. Apesar de ter tido uma trajetória política conturbada, foi brilhante no seu desempenho.

Exercendo a função de tabelião, trabalhou no Cartório até sua aposentadoria, quando seu lugar passou a ser ocupado por sua esposa, Tereza, que também dirigiu os trabalhos até a aposentadoria. Desta vez, foi sua filha Cyra Ribeiro que assumiu a função, administrando com competência o cartório, pois desde criança acompanhava o trabalho de seus pais. Até hoje continua liderando os trabalhos do conhecido Cartório do primeiro Ofício, situado no mesmo local Rua Lúcio Roberto no centro da cidade.

Em 28 de janeiro de 1933, o Cartório passou a ser de Registro Imobiliário de Arapiraca.

Entre as obras realizadas em sua gestão, transferiu o cemitério do Centro, onde hoje está construída a Concatedral Nossa Senhora do Bom Conselho, para o atual local, o Cemitério Pio XII.; abriu as ruas Dr. Domingos Correia, Dr. Pedro Correia, Monsenhor Macedo e a Rua Estudante José de Oliveira Leite, na época Expedicionários Brasileiros, cuja mudança de nome foi solicitada após a morte de um estudante do Colégio Bom Conselho nas praias de Maceió por afogamento, por colegas e amigos, como uma homenagem. João Ribeiro aceitou trocar o nome, mesmo contrariado, pois o nome “Expedicionários Brasileiros” para a rua central lhe trazia grande satisfação. Desta maneira, ocorreu a mudança do nome Expedicionários Brasileiros para Estudante José de Oliveira Leite. Expedicionários Brasileiros passou a ser o nome da rua do Cemitério Pio XII.

Aos 70 anos, morre o João Ribeiro Lima, deixando assim seu nome gravado nas páginas da História do Município de Arapiraca.

Round Quantum

Encontrei esse artigo no meu arquivo antigo. Espero que seja útil para quem busca melhorar sua organização pessoal. É baseada em Pomodoro.


Chamamos de quantum uma unidade de tempo de cerca de 1 hora (com margem de 15 minutos para mais ou para menos). Para utilizar esta forma de organização, você precisará de um cronômetro (pode ser de relógio, um cronômetro de cozinha ou um software), além de duas listas de tarefas que precisará manter (mantenha da forma que for mais eficiente para você).

A primeira delas é a lista Hard, que tem as tarefas que realmente tem deadline e precisam ser concluídas em pouco tempo. As tarefas desta lista devem ser pontuais (cada tarefa por ser executada apenas uma vez. Ao ser executada, será removida da lista) e devem estar dispostas em ordem de prioridade: a mais urgente primeiro.

A segunda lista é a Soft, com tarefas importantes mas não urgentes, que tem flexibilidade no prazo de execução. Estas podem ser tarefas recorrentes (por exemplo “publicar artigo no blog”) ou não, e não precisam estar em ordem de prioridade. Recomendo que esta lista tenha no máximo 12 itens.

Comece o dia com 15 minutos dedicados a leitura de e-mail e notícias (ou entretenimento). Se não der para ver tudo, não se preocupe, ao fim de cada tarefa você terá mais 15 minutos.

A primeira tarefa do seu dia deverá ser uma tarefa da lista Hard. Pegue a primeira tarefa da lista, marque o cronômetro para trinta minutos e a execute. Ao término dos 30 minutos, você poderá estender o tempo para no máximo 30 minutos (e só uma vez). Após o tempo gasto na tarefa, pare. Se a tarefa foi concluída, risque da lista. Se não foi, verifique sua prioridade. Caso tenha adiantado bastante seu desenvolvimento e seja possível fazer isso, troque-a de lugar com outra da lista Hard (provavelmente você trocará de lugar com a segunda ou com a terceira).

Agora você pode empregar 15 minutos em contato com o mundo: ler notícias, ler e-mails, ver algum vídeo... De preferência, algo que seja prazeroso e que não explore as capacidades que já são exploradas pelas tarefas. Por exemplo, se você está trabalhando sempre escrevendo, gaste os 15 minutos em algo que não exija escrita de nada.

Para a próxima tarefa, verifique se há urgência na Hard List. Como você já concluiu (espera-se) alguma tarefa dessa lista, pode ser que haja margem para alguma tarefa da Soft List. Se você dispõe de muitos quantuns por dia para gastar nas tarefas, pode pensar em trabalhar de modo alternado: 1 quantum hard, um quantum soft, um quantum hard, um quantum soft... Se o próximo quantum será hard, repita o procedimento acima, como se fosse iniciar a primeira tarefa do dia.

Para o Quantum Soft, sorteie uma das tarefas da Soft List. Se você tem 12 tarefas, pode utilizar um dado de 12 lados (o mesmo para 4, 6, 8, 10, 20 ou 100 tarefas, para as quais existem dados). Para 13, você pode utilizar um baralho comum. É interessante que o último número do seu sorteio não seja uma tarefa, mas uma opção tipo “Hard List”, de modo que a Hard List tenha sempre uma chance de ser atendida novamente. Se não quiser usar dados, você pode usar softwares como o rolldice (GNU/Linux) e o Lancelot (Firefox OS) ou um site como o Random.org.

Com a tarefa sorteada, empregue 30 minutos em seu desenvolvimento. Da mesma forma que acontece com a Hard List, após esses 30 minutos você pode prolongar seu tempo (apenas uma vez) para mais 30 minutos. Se a tarefa for concluída e ela não era uma tarefa recorrente, então risque-a da Soft List. Se ela foi deixada pela metade, reavalie seu grau de importância. Pode ser interessante promovê-la à Hard List.

Por fim, mais 15 minutos a serem dedicados a outro tipo de atividade (informação ou diversão).

Reserve 15 minutos ao final do dia ou período para atividades de fechamento: registro do que foi feito em um diário de bordo, revisão das tarefas para o dia/período seguinte, etc.

Tarefas – especialmente da lista Soft – podem agrupar subtarefas. Se o número de subtarefas crescer muito, coloque-o em uma nova lista.

Para organizar as listas, você pode utilizar um arquivo de texto da sua ferramenta de escritório favorita; um caderno; arquivos de texto plano em uma pasta própria; ou um sistema de wiki pessoal. O bom deste último é que torna fácil o uso de listas adicionais, de modo a tornar as tarefas da lista Soft em meta-tarefas ou agrupamentos de tarefas.

-- Cárlisson Galdino

Imagem do Post: Clear glass with red sand grainer.

Inauguração da Ufal Arapiraca

Arrumando papéis antigos, encontrei este convite para a inauguração do Campus Arapiraca da Ufal. Achei que seria interessante compartilhar, já que se trata de um evento de certa importância na História da cidade. Foi em 2006, há mais de 10 anos já.

Principalmente neste cenário em que não sabemos o quanto vai durar como universidade pública...

Special: 

A Décima Arte

Sete é o número mágico das listagens clássicas. São os sete mares, as sete maravilhas do mundo... A arte mais famosa é por sua posição na lista de artes é o Cinema, que praticamente todos sabem ser a sétima. Mas há outras artes além dessas sete iniciais.

Preparei uns slides ano passado para apresentar na Academia Arapiraquense de Letras e Artes a Décima Arte, no intuito de informar algo que, se a turma mais nova muitas vezes desconhece, imagina um grupo que é composto majoritariamente por membros mais vividos.

A tal lista de artes apareceu no Manifesto das Sete Artes, de Ricciotto Canudo, de 1923. Com o tempo, foram acrescentadas outras artes e hoje são 11. São elas:

  1. Música (som)
  2. Artes cênicas (movimento)
  3. Pintura (cor)
  4. Escultura (volume)
  5. Arquitetura (espaço)
  6. Literatura (palavra)
  7. Cinema (fusão das anteriores)
  8. Fotografia (imagem)
  9. História em quadrinhos (fusão de cor, palavra e imagem)
  10. Vídeogames (interação)
  11. Arte Digital (artes gráficas 2D, 3D e via programação)

É isso: a décima arte são os videogamse. "Mas videogame não é arte, é comércio!" Será? Cinema não seria comércio também? E a literatura de best-sellers? Pois é, gosto desta lista e acredito que tenha sentido, mas assim como o reconhecimento de uma determinada música como arte depende de vários fatores objetivos e subjetivos, o mesmo deve valer para videogame. O fato de estar nesta lista não significa que toda produção desse tipo vai ter valor artístico e cultural. O ruim é que esse valor é muito difícil de mensurar, especialmente sobre a produção do tempo em que vivemos.

Quem classificaria Pac-Man como arte na época do seu auge? Pois é, ele hoje está lá no Museu de Arte Moderna de Nova York.

Special: 

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