Cordel da Burguesia

Cê sabe o que é Burguesia?
Sente que vou te explicar
Sabe um sujeito bem rico
Que juntou tanta quantia
Que luxa e viaja o mundo
Sem trabalhar um segundo
Esta é a tal burguesia
Com sua ganância fria

São os donos da indústria
Que fabrica o seu feijão
Donos de aviões, navios
Da terra e o que lá se cria
São os que lucram um zilhão
Com a tal corrupção
Esta é a tal burguesia
Com sua ganância fria

São os donos do Jornal
Revista e televisão
Mandam em qualquer juiz
Zoam a Democracia
Vereador ou presidente
Lhe obedece alegremente
Esta é a tal burguesia
Com sua ganância fria

Nem sabem o que é trabalho
Morrem de nojo do povo
Desde pequenos, criados
Com a maior mordomia
Pra conseguir mais dinheiro
Mandam matar um ligeiro
Esta é a tal Burguesia
Com sua ganância fria

O povo às vezes se ilude
Com o mundo da riqueza
Quando alguém fica ricaço
Se orgulha com alegria
Sem parar para pensar
Em como ele chegou lá
Só se torna Burguesia
Alguém de alma vazia

Se um sujeito abre uma empresa
Com uma ideia legal
E começa a se dar bem
Assim da noite pro dia
Chama a atenção por demais
De investidores chacais
Só se torna Burguesia
Alguém de alma vazia

Você pode ficar rico
Com trabalho e viver bem
Mas não consegue ir além
Sem pisar quem te servia
A riqueza do burguês
É o sangue do camponês
Só se torna Burguesia
Alguém de alma vazia

Se ainda assim o empresário
Quer tratar bem sua equipe
Não enrola seu cliente
Sem caixa 2, nota fria…
Fica pra trás de repente
No primeiro concorrente
Só se torna Burguesia
Alguém de alma vazia

Não existe bom burguês
Bilhões em gente que sofre
De doença e fome para
Cada burguês que se cria
Fortuna de um infeliz
Seriam pão pra um país
Só se torna Burguesia
Alguém de alma vazia

Quando existia um rei
Que foi contra a escravidão
Os burgueses reclamavam
Do prejuízo que viria
Armaram para trocar
Um rei por um militar
Os golpes da Burguesia
Já são um vício ou mania

Outro dia um presidente
Falou de reforma agrária
A burguesia surtou
E tudo se repetia
Um golpe na cara dura
Que virou a Ditadura
Os golpes da Burguesia
Já são um vício ou mania

Assim que sempre acontece
Quando sentem ameaça
Ou veem oportunidade
Às vezes por tirania
Em prejuízo pro povo
Nasce outro golpe de novo
Os golpes da Burguesia
Já são um vício ou mania

A burguesia é formada
Por bem pouquíssima gente
Mas sua voz chega longe
Iludindo a maioria
Que ao ouvir a voz que vem
Acha que é a sua também
A pequena burguesia
É pobre com fantasia

Burguês não é empresário
Dono de supermercado
Não é o advogado
Que juntou boa quantia
O médico também não
Burguês não tem profissão
A pequena burguesia
É pobre com fantasia

Burguês tem muito dinheiro
Não precisa trabalhar
Investe em título, ações
No mundo faz moradia
Se quebra alguma empresa
Não vai perder sua riqueza
A pequena burguesia
É pobre com fantasia

Se o povo inteiro padece
Doente, desempregado
O pequeno burguês sofre
Sem os clientes que havia
A burguesia verdadeira
Lucra de outra maneira
A pequena burguesia
É pobre com fantasia

A Burguesia detesta
Redistribuição de renda
Não quer escola gratuita
Nem saúde ou moradia
A tudo estão dispostos
Pra não pagarem os impostos
A luta da Burguesia
É contra a Democracia

Educação até vale,
Na cabeça do burguês,
Se for pra formar peões
Que trampe por mixaria
Quer a educação mudar
Pobre não pode pensar
A luta da Burguesia
É contra a Democracia

A Burguesia no Brasil
Nunca foi nacionalista
Veste de verde e amarelo,
E contra a soberania,
Entrega nossas riquezas
Pros States, suas empresas
A luta da Burguesia
É contra a Democracia

A Burguesia controla
Todo o sistema político
É quem manda no país
Com propina em demasia
Mas sua televisão
Cala essa corrupção
A luta da Burguesia
É contra a Democracia

O que eles querem no fim
Matar o povo de fome
Enquanto ganham dindim
Em cada vez mais quantia
Sem peso no coração
Mesmo com sangue nas mãos
Enquanto houver Burguesia
Não vai haver Poesia

A Burguesia é a Direita
Ela só olha pra si
A Burguesia é a Guerra
Como Cazuza dizia
Pro burguês ser feliz não
Existe conciliação
Enquanto houver Burguesia
Não vai haver Poesia

A falta do pão pro pobre
É que enriquece o burguês
Que rouba vidas e sonhos
Com tamanha covardia
Que usa jornais pra esconder
E tão legais parecer
Enquanto houver Burguesia
Não vai haver Poesia

Por isso digo: não muda
Se depender da Imprensa
Se depender dos Poderes
Só pra pior mudaria
A mudança é minha e sua
Só muda indo pra rua
Enquanto houver Burguesia
Não vai haver Poesia

– Cárlisson Galdino

Warning Zone #45 - Para o Outro Estado

No hospital, com Pandora internada após ter sido atingida no tiroteio entre o exército e o Grupo Satã, o casal vê na televisão a notícia de que o grupo sequestrou o prefeito de Stringtown, Steve Silva. Indo ao antigo endereço da SysAtom Technology, Pandora e Darrell encontra o local interditado e cheio de repórteres, curiosos e investigadores. Eles visitam uma lanchonete lá perto e voltam para o apartamento em Floatibá.

Num restaurante, uma misteriosa mulher de vestido conversa com um diretor de cinema quando a televisão mostra um pronunciamento da Presidenta da República. Nele, a presidenta procura tranquilizar a população sobre os últimos acontecimentos em Stringtown, garantindo que os supercriminosos – que ela acredita serem terroristas – estão na mais alta prioridade do exército no momento.

No episódio anterior, enquanto Pandora e Darrell conversavam no apartamento, Júnior finalmente reaparece trazendo novidades: um site desenvolvido por ele para filtrar tweets e tentar localizar o Grupo Satã. Analisando o resultado da filtragem, eles encontram um forte indício de que a equipe de Oliver está em São Raimundo Nonato, no Piauí.

Ainda é cedo da manhã quando Júnior estaciona em frente ao prédio onde estão hospedados Pandora e Darrell. Mesmo sendo cedo, eles já estão prontos para partir, na recepção. Saem do prédio e entram no Corsa verde.

xFencer: Descobriram mais alguma coisa?

Pandora: Nadinha, e você?

xFencer: Também nada. Só sabemos que eles estão em São Raimundo Nonato.

Pandora: É o que sabemos.

xFencer: E como vamos achar eles lá?

Darrell: São Raimundo Nonato é uma cidade pequena. Não deve ser muito difícil encontrá-los lá.

xFencer: Será?

Pandora: É sim! A gente pesquisou. Você não?

xFencer: De São Raimundo Nonato só pesquisei mesmo é como chegar.

(Nota do Autor: estou repetindo demais o nome da cidade. Parando com isso.)

xFencer: O difícil é que o trajeto é muito longo. Só vamos chegar lá de tarde. Talvez só no final da tarde.

Pandora: É, isso vai ser chato. Tá levando em conta que a gente tem que parar nos cantos pra comer?

xFencer: Estou sim. Por isso pode ser que a gente chegue só perto de anoitecer. Ainda bem que hoje é sábado, assim eu perco poucas aulas na segunda.

Darrell: E você aguenta dirigir o dia todo?

xFencer: Fazer o quê? Motorista de ônibus não faz isso?

Darrell: Mas em jornada muito longa os ônibus vão com dois motoristas pra revezarem.

xFencer: Boa ideia! Você dirige um pouco também.

Darrell: Calma aí. Não conte comigo para isso. Pandora?

Pandora: Oi, amor!

Darrell: Você ficou a noite toda acordada, devia dormir. É importante ter alguém acordado para fazer companhia ao Júnior pra ele não ficar com sono. Eu fico acordado agora.

Pandora: Tá...

 

O carro para em um restaurante. São duas horas da tarde. Os três descem e Júnior vai até a mala. Volta de lá com um notebook.

Pandora: Por que você não usou no caminho? Tem 3G?

xFencer: Tenho. Não sei se funciona aqui.

Pandora: Falar nisso, aqui é onde mesmo?

Darrell: Remanso.

Pandora: Bom almoçar perto do rio, né?

Darrell: Seria, se fosse uma viagem a passeio.

xFencer: A gente não usou o notebook antes por causa da bateria. Eu e o Cigano decidimos que era melhor só usar o note na bateria quando entrarmos em São Raimundo, porque vamos precisar ver no Big Boss Tracker se tem alguma novidade.

Pandora: Ah... E falta muito?

xFencer: Pelo que me lembro, coisa de uma hora.

 

xFencer: Chegamos.

Ele encosta o carro e desce. Darrell abre a porta.

Darrell: Você viu alguma coisa suspeita?

xFencer: Não, não! É que eu tenho que vestir meu uniforme.

Pandora: Uniforme!?

xFencer: É! De esgrima!

Pandora: Ah, bacana! Que pena que não deu tempo de fazer um logotipo pro Big Boss Tracker, que a gente podia ter um uniforme dele, né?

Darrell fecha a porta e respira fundo. Logo Júnior volta.

xFencer: Toma!

Ele entrega o notebook e o capacete de rede a Darrell, que repassa só o capacete para Pandora, no banco de trás.

O Corsa volta a se mover, mas devagar. E vai andando pelas ruas da cidade, enquanto Pandora e Darrell olham concentrados para os relatórios do site.

Darrell: Achei! Acabaram de ver o Valdid passando na rua!

xFencer: Como?

Darrell: “#pqp eu vi o boi aqui perto de casa! #br4fan”.

Pandora: E onde é a casa dele?

Darrell: Deixa ver... @leitorREL onde é sua casa. Esperar pra ver...

Pandora: Ai ai ai...

Darrell: “pra quê quer saber?!” Estamos caçando o #br4fan. Já estamos nessa cidade aqui.

xFencer: E aí?

Darrell: Ele não quer dizer.

Pandora: Que cara cismado!

Darrell: Pera! Mandou DM: “Rua Ascendino Pinto”.

xFencer: Esse cara tá de sacanagem, né?

Darrell: Pera... Deixa eu... Outra DM! “Perto da Lagoa do Mato!”

Pandora: Agora temos uma pista!

xFencer: E onde é isso?

Pandora: A gente para e pergunta, ué!

Warning Zone #44 - Big Boss Tracker

No episódio anterior, enquanto um casal discutia um futuro filme baseado nos acontecimentos de Stringtown, a Presidenta fazia um pronunciamento a respeito de toda a confusão. Após relatar o sequestro do prefeito da cidade bahiana, ela tentou tranquilizar os investidores, garantindo que o Exército está cuidando da questão.

No apartamento, Pandora e Darrell também puderam ver a presidenta no ar.

Pandora: Bem? Ô meu lindo, não acha que devíamos deixar isso tudo pra lá não? O exército já está tomando conta.

Darrell: Talvez... Mas mesmo eles já foram derrotados pelo grupo.

Pandora: Nem seja por isso! Nós também, ué!

Darrell: É verdade.

Pandora: ...mas você não quer, né? Dá pra ver sua carinha triste.

Darrell: Isso tudo é também responsabilidade nossa, Pandora! Nós trabalhamos no projeto Ationvir!

Pandora: Ah, eu não, eu estava no setor de publicidade!

Darrell: …

Pandora: Ô Bem, não é culpa nossa não. Nós também sofremos com o acidente, lembra? Olha minha voz!

Darrell se levanta do sofá.

Pandora: Vai onde?

Darrell: Beber água.

Pandora: Traz um pouco pra mim?

Darrell: Tá.

Ele entra na cozinha, pega um copo na estante e ouve o interfone tocar ali do lado.

Darrell: Quem é? … Calma, fale devagar. … Tá, tá legal, suba!

Pandora: Quem é?

Darrell: Adivinha.

Pandora: Júnior?

Darrell: Han-ran!

Pandora: E o que que ele quer?

Darrell: Está empolgado com alguma coisa que ele criou. Aqui sua água.

Campainha: Din-don!

Darrell: Entra.

xFencer: Cigano! Stormdancer! Funcionou!

Pandora: O quê que funcionou, Júnior?

xFencer: Eu fiz um programa pra achar o grupo que tive que divulgar no Twitter, mas sabe? Usando o Google Maps ele guarda num banco de dados pra depois...

Darrell: Calma, cara! Senta aí. Quer água?

xFencer: Não, não. Deixa eu mostrar.

Ele abre o notebook, que já estava ligado e com o Firefox aberto em uma página estranha.

Darrell: Que é isso? Um mapa?

xFencer: É! E aqui do lado estão os relatos recentes filtrados pelo Twitter!

Darrell: Tá, o que é isso afinal?

Pandora: Big Boss Tracker ponto com? Você que fez isso?

xFencer: Foi!

Pandora: Ah, depois me passa que eu endireito o design!

Darrell: Tá legal, mas me diz de uma vez: o que é isso?

xFencer respira fundo e tenta explicar mais uma vez.

xFencer: Olha só. Eu notei que as pessoas estavam falando muito do grupo do Oliver no Twitter, então resolvi analisar a tag #br4fan.

Darrell: E que tag é essa?

xFencer: É a que o pessoal tá usando pra se referir ao grupo do Oliver!

Pandora: Mas “for fan”?! Essa tag significa outra coisa.

xFencer: Não tão chamando de Quarteto Fantástico Brasileiro?! Foi um grupo de humor que começou a usar #br4fan. CQC, Pânico, algum desses, e terminou pegando. Todo mundo tá usando essa tag e já tá nos trend topics internacionais há muito tempo.

Darrell: Tudo bem. Essa parte eu entendi. E esse site?

xFencer: Tá, calma. Bom, fiz um script que fica monitorando essa tag no Twitter, coloca no banco de dados e verifica um padrão. Se quem twitou usar verbo “ver”, por exemplo, o script procura a cidade de onde a pessoa é e mostra aqui no mapa.

Pandora: Mas a pessoa pode ter visto na Televisão, ué!

xFencer: Sim, pode! Aí eu entro como administrador e marco o tweet como “alarme falso”!

Darrell: Hmmm... Interessante! Usou expressões regulares?

xFencer: Não, tá só em PHP e MySQL mesmo.

Pandora: Quer dizer que tem como descobrir onde o Oliver está?!

xFencer: Talvez sim! E eu acho que descobri!

Darrell: Onde? No Piauí?!

xFencer: Tá vendo quantos tweets tem lá?

Pandora: E você já validou isso? E se esse povo todinho tiver visto só na televisão?

xFencer: É, ainda não validei, mas vou fazer isso mais tarde. Vim aqui por outra razão.

Darrell: Qual?

xFencer: Eu preciso de um logo.

Darrell: Um logo?!

xFencer: É! Um logotipo pro site!

Pandora: Eita deixa que eu faço! Nunca mais fiz nada dessas coisas!

xFencer: Sabe, escolhi esse nome por causa dos videogames. O chefão final das fases era o Big Boss, né? Por isso Big Boss Tracker!

Pandora: Legal. Podia ser uma pessoa andando com aqueles palitinhos de metal que usam pra achar água.

xFencer: Não... É muito esotérico isso... Eu pensei em um sinalizador, daqueles que usam em desenho, que jogam pra grudar no carro do inimigo pra depois rastrearem.

Pandora: Sei... Mas como que representa isso num logotipo?!

xFencer: Sei lá! Podia ter um carro com uma luzinha do sinalizador colada embaixo.

Pandora: Podia ser tipo um radar!

xFencer: Um radar?!

Pandora: É! Um radar num relógio de pulso! O logotipo era o disco do relógio de pulso, mas dentro, no lugar de ponteiros com as horas, deria um radar com uma bolinha já sendo rastreada!

xFencer: Não sei... Será que fica bom?

Pandora: E a bolinha podia ter formato de monstro! Com dois chifres e dentes talvez, mas seria só a silhueta...

xFencer: Legal! Quero ver isso!

Pandora: Tá, vou fazer ó! Mas se ficar muito pequena a bolinha, a gente usa uma bolinha normal. Amor? Posso usar o note do Júnior?

Darrell: Espera...

Pandora: Tem Inkscape aí, não tem?

Darrell: Olhem isso.

Pandora: O quê?!

Darrell: Enquanto vocês conversavam... temos muitos tweets de uma cidade chamada São Raimundo Nonato, no Piauí. Estava olhando os tweets... Tem um que tem “Mermão não acreditam no que eu vi OO #br4fan”.

xFencer: E daí?

Darrell: Tem o link do twitpic. Olhem o que ele viu!

Pandora e xFencer: Nossa!

Warning Zone #43 - Pronunciamento da Excelentíssima Senhora Presidenta da República

No episódio anterior, Pandora e Darrell vão à base do Grupo Satã em uma moto normal, movida a gasolina. Lá encontram o local tomado por investigadores, repórteres e curiosos. Vão à lanchonete e bolam um novo plano: ir à residência de Oliver. Ao descobrirem o condomínio onde ele morava, são informados de que há dias ele não aparece e que tudo está em paz por lá. De volta à estaca zero.

É cedo da noite e um homem careca de óculos conversa em um restaurante humilde com uma jovem de olhos cor de mel. Ele, com uma camisa branca, de botões, e óculos de armação redonda. Ela, com um vestido púrpura e uma boina cinza em estilo francês.

A conversa é interrompida quando o garçom, atendendo ao pedido exaltado de alguns fregueses, aumenta o volume da televisão. Lá, todos veem – inclusive o casal que conversava discretamente – a presidenta Dilma Rousseff em pronunciamento.

Presidenta: ...na cidade de Stringtown, na Bahia. O que temos visto nos coloca em foco diante de toda a imprensa internacional. Os atos do grupo de supercriminosos culminaram no sequestro do prefeito de Stringtown Steve Silva. Quero informar que tudo isso são casos isolados e que se limitam ao universo daquela cidade. Os investidores não precisam temer nada, pois todos os índices de crescimento do país continuam.

Presidenta: A particularidade do caso de Stringtown, que segundo informantes têm ligação com o terrorismo internacional, está sendo tratado e tem no momento toda a prioridade das forças armadas. Peço aos cidadãos de Stringtown que se tranquilizem e que entrem em contato com o Exército se tiverem qualquer informação que possa levar a esses supercriminosos.

Presidenta: Peço a todos vocês, que estão agora em suas casas, ou trabalhando, que não se preocupem, pois a crise de Stringtown está sendo tratada e não demorará para que possamos dizer que tudo voltou à normalidade, para que possamos continuar fazendo o Brasil crescer. Uma boa noite!

Apresentador: As forças armadas já começaram a agir e ao que parece não obtiveram muito sucesso. Há rumores de que o Ministro da Defesa deixará o cargo ainda esta semana. Nem a Presidência, nem o Ministério da Defesa ou a Prefeitura de Stringtown quis comentar o ocorrido.

Apresentadora: Parece que estamos nos modernizando! Quem diria que depois de os norteamericanos tanto explorarem histórias assim na Televisão, elas viriam acontecer de fato aqui no Brasil?

Apresentador: É, só que ao que parece na vida real a coisa é um tanto diferente da ficção; ao invés de super-heróis vestindo bandeiras nós temos criminosos sequestrando prefeitos. Aguardamos que toda essa confusão que se tornou Stringtown tenha logo um final. Se possível, feliz.

Apresentador: Hoje estreou o novo filme dirigido por Quentin Tarantino e ambientado no Timor Leste. O filme, cujo nome é formado por um simples sinal de cerquilha, faz referência ao universo dos agentes secretos. A crítica...

O volume é reduzido. O homem distraidamente lê o Close Caption sobre bilheteria e aceitação.

Mulher de vestido: E então?

Homem: Hmmm...

Mulher de vestido: É disso que estou falando: uma história com esses caras vai fazer muito sucesso no cinema! Aposto como a gente bate o Tarantino.

Homem: Precisamos de muito dinheiro para fazer efeitos especiais à altura.

Mulher de vestido: MinC.

Homem: E de um roteiro...

Mulher de vestido: Olha, cara, só procurei você porque já trabalhamos num filme e você dirige muito bem Ação. Meu irmão já está escrevendo um roteiro e, garanto a você, vai ter uma correria entre os cineastas pra retratar essa história!

Homem: Hmmm... Isso é verdade. Precisaríamos sair na frente e...

Mulher de vestido: Não precisaríamos: precisamos! Já escrevi com meu irmão um projeto pra mandar para o MinC. Tudo que eu te peço é que você me coloque como uma das protagonistas. Hoje eu só preciso da sua assinatura.

Warning Zone #42 - Uma Nova Visita

No episódio anterior, Pandora e Darrell conversavam no hospital. Pandora estava internada após ter sido atingida na disputa entre o Grupo Satã e o exército.

Uma moto Apache vermelha vaga pelas ruas do pólo industrial de Stringtown. Aproxima-se do lugar onde já funcionou a SysAtom Technology e estaciona. Seus tripulantes descem: Darrell e Pandora.

Pandora: Que loucura! Tá cheio de gente!

Darrell: É, não esperava por essa.

Pandora: Jornalista que só!

Não apenas jornalistas. Há muitas pessoas curiosas também. O prédio improvisado do Grupo Satã está isolado por faixas amarelas e, lá dentro, parece haver alguns investigadores.

Alguns veículos do exército continuam na rua, destruídos. Muros foram derrubados e há marcas de explosões pelo chão.

Darrell: Foi uma guerra mesmo isso aqui.

Pandora: Foi sim. E parece que a gente perdeu eles.

Darrell: É o que eu temia. Enquanto eles tinham uma base certa, estavam a nosso alcance. Agora não sabemos mais onde eles estão.

Pandora: Será? Será que eles não voltam?

Darrell: E o prefeito? Se eles tivessem se afastado para voltar depois eles teriam deixado alguém com o prefeito. Eles não vão voltar para cá.

Pandora: Faz sentido.

Os dois se sentam na calçada pensativos, apenas observando o movimento.

Pandora: A gente podia ter vindo nas nossas motos mesmo.

Darrell: Não, assim foi melhor. Não vamos discutir. Ideal era termos vindo de carro, mas não consegui falar com o Júnior.

Pandora: É, mas a gente não tem moto?

Darrell: Você andar de moto depois do que passou já é perigoso o bastante. Tínhamos que vir numa moto normal. Você tinha que vir como passageira.

Pandora: Mas eu estou melhor, Bem!

Darrell: Que bom! Mas nada das elétricas por enquanto.

Pandora: Tá...

Darrell: É, acho que não temos muito o que fazer por aqui. Vamos naquela lanchonete de sempre?

Pandora: Ai, bora! Nunca mais que a gente foi lá!

Eles voltam para a moto e deixam a confusão para trás. São poucas ruas até que encontrem aquela pequena lanchonete de parede azul. Está aberta. Eles estacionam e entram.

Atendente: Ora, ora! Quem chegou! Por onde vocês tem andado hein?

Pandora: Ah, por aí...

Atendente: Nunca mais vi ninguém lá da empresa de vocês. Pensei que todo mundo tivesse morrido. O que houve com a sua voz?

Pandora: Hã? Ah, nada não.

Atendente: Sei... Tenha vergonha não, filha. Hoje em dia a gente às vezes precisa mesmo fazer uma cirurgia ou outra. Ainda bem que a medicina tem implantes, pior era antigamente, não acha? Bom, vão querer o quê?

Pandora: Só uma pizza brotinho de frango.

Darrell: Faz um americano.

Atendente: Certo... Me diz uma coisa: o que foi que houve por lá hein? Teve o exército aqui e tudo! Seus colegas estão bem?

Darrell: Não sei o que dizer. Estão vivos.

Atendente: Que bom! Ainda bem que não foram sequestrados?

Darrell: Sequestrados?

Atendente: É, pelos ETs! Você não viu na TV ontem?

Darrell: Sim, claro, os ETs...

Atendente: Ei, esse seu implante na garganta não foi coisa de ET não, né?

Pandora: Hã? Não!

Atendente: Tem certeza? Morro de medo dessas coisas...

Pandora: Haha! Foi não.

Atendente: Que bom. Não sei o que esse povo de Marte vem fazer aqui em Stringtown. Já faz um tempão que não abro a lanchonete mais. Também o povo todo daqui do pólo industrial fugiu dos ETs! O bom dessa confusão de agora é que de vez em quando vem alguém aqui. Algum jornalista ou estudante... Pelo menos dá pra vender alguma coisa. E pra beber?

Pandora: Café com leite.

Atendente: E você? Suco, né?

Darrell: Tem de tangerina?

Atendente: Tem.

Darrell: Onde a gente pode encontrar o Oliver?

Pandora: Podíamos ir na casa dele!

Darrell: Verdade... Talvez haja alguma pista. Sabe onde ele mora?

Pandora: Não... É aqui em Stringtown mesmo. Se não me engano é num condomínio fechado. Não sei se o Mar Egeu ou o Jardin Ensoleillé.

Darrell: Quem poderá saber?

Pandora: O Arsen deve saber.

Darrell: Isso não ajuda muito.

Pandora: É, nem ajuda.

O casal lancha e deixa o lugar. Do orelhão a algumas ruas dali...

Darrell: Isso, é esse mesmo o nome dele. Somos amigos dele e estamos preocupados. Nunca mais tivemos notícias suas. Sabe dizer se ele tem aparecido? … Tudo bem. E está tudo em paz por aí? … É, com essas coisas de sequestro do prefeito... … Ok, então. Muito obrigado.

Pandora: É no Jardin, né bem? Ele está lá?

Darrell: Ele não está lá, não aparece há semanas. E o atendente disse que está tudo em paz. É, acho que voltamos mesmo à estaca zero.

Biblioteca OPDS

Livros OPDS

OPDS vem de Open Publication Distribution System. Trata-se de um catálogo de livros (ou publicações em geral). O bacana é que não é um catálogo para usuários, diretamente, mas sim para programas.

Muitos leitores de livros digitais (ebook readers, principalmente para smartphones) permitem adicionar catálogos e, uma vez com eles adicionados, permitem navegação, buscas, leituras de sinopse e download dos livros lá constantes. Isso é legal!

Já faz um tempo que pretendo botar no ar um catálogo desses, mas ainda não tinha encontrado uma forma legal e prática. Até agora.

Já está no ar a Biblioteca Cordéis.com. Por enquanto tem quase nada lá, mas aos poucos eu pretendo colocar os livros que tenho aqui no site para lá (aproveitando e disponibilizando tanto em PDF como em ePub). Para entrar nessa biblioteca basta adicionar o endereço livros.cordeis.com/feed.php no seu leitor de livros digitais. Se você entrar diretamente em livros.cordeis.com pelo navegador, poderá navegar e baixar livros por lá também, de forma direta.

É isso aí! Para quem gostou dessa ideia e pretende fazer uma também, segue a dica: estou usando LibreOffice, Calibre e COPS.

MC Marechal

"Rodrigo Vieira (Niterói, 22/09/1981), mais conhecido pelo nome artístico MC Marechal é um rapper, compositor, produtor, apresentador e ativista brasileiro." É assim que o artigo MC Marechal na Wikipédia começa.

Adepto da ideologia "Um só caminho" (que traz inclusive tatuado no braço), desenvolve projetos sociais interessantes, como a Batalha de Conhecimento e o Projeto Livrar.

Como rapper, participou do trabalho de vários rappers e tem suas próprias músicas (sem album lançado ainda, apesar de estar na estrada há vários anos), sempre trazendo versos pra pensar e cantados com muita energia. Sem contar os floods gigantescos. Alguns versos bacanas do Marechal:

Sem querer ser o melhor, longe dos papo de vaidade
Quer ser o melhor vai ser o melhor pra tua comunidade

Tapa na cara de quem segue só pelo ego.

Independente! Demora pra lançar, pra fazer
Demora pra tu perceber que tamo junto é só você.

E pra terminar, ouve É a Guerra Neguin:

Na calada, somos rato, rap é o eco dos bueiros
Geração nos ouviram e os que não podiam ter rádio, leram
Os que não sabem ler me viram, distinguiram o coração
Mensagem clara de que a tropa precisa ta em formação
Precisa da informação, mais precisa pra que no fim
Possa provar que as bala vindo não estão tão perdidas assim

As Ironias do Cristianismo

Pode até ser uma percepção equivocada da minha parte, mas vejo duas grandes ironias na História do Cristianismo.

Primeira ironia. Havia uma instituição religiosa que definia o que pode ser feito, que punia os pecadores, etc e tal. Era uma "elite espiritual" acima de todos. Então Jesus aparece e diz "Calma aí! Não precisa nada disso! O que vale é o sentimento de cada um, sem essa de instituição mandando em você, é só ser bom!" Aí passa um tempo, ele morre (como preso político, com envolvimento desses religiosos, diga-se de passagem) e depois de uns cem anos criam uma nova instituição religiosa e burocrática de uma nova "elite espiritual" usando o nome dele.

Segunda ironia. Lutero se revoltou com o que a Igreja Católica estava fazendo na sua época. Principalmente a venda de um lugar no céu. Os ricos poderiam pagar em dinheiro e bens para terem seus pecados perdoados e seus lugares no céu garantidos. Revoltante mesmo. Assim, Lutero encabeçou a Reforma Protestante. Hoje, parte das instituições religiosas que se denomina protestantes vendem milagres e lugar no céu...

Posso estar errado, mas é como eu percebo as coisas. Você pensa igual? Diferente? Comenta aí! :-)

Special: 

Bardo no OpenClipart

Se você não conhece, o projeto OpenClipart reune uma infinidade de desenhos prontos para serem reutilizados em trabalhos escolares, cartazes, etc. Tudo distribuído sob licença aberta.

O projeto é antigo e já faz anos que está nos repositórios Debian e Ubuntu, inclusive em versão integrada com o LibreOffice (a Galeria interna do LibreOffice podendo ficar bem cheia de opções do OpenClipart).

Pois bem, há pouco mais de um ano comecei a publicar coisas por lá também, sejam trabalhos inteiramente meus, seja derivações de trabalhos de outros. Hoje conto com 37 uploads, sendo que 2 deles já tem mais de 1.000 downloads.

Se você quiser ver o que botei por lá é só ir por este link. Lembrando também: tudo o que está no OpenClipart está em formato SVG, facilmente adaptável com o Inkscape!

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