Viajante Transtemporal

O céu à sua volta. O Sol sobre sua cabeça. É essa a sensação de sair voando. O vento frio em seu rosto. Há muito pouco tempo descobriu que podia voar. Adivinha quem veio atrás... Acertou quem apostou nas equipes especiais das Forças Armadas. Foi quando saiu voando, tentando escapar deles. Agora não sabe onde está, nem aonde ir. Uma situação magnífica. Principalmente quando se sabe que é necessário tomar uma atitude o quanto antes.

É tarde quando ele avista uma pequena cidade logo adiante. Sente-se cansado. Não fisica, mas mentalmente. Não voa com asas, mas com a vontade. O anúncio de uma dor de cabeça lhe avisa que é chegada a hora de descer.

Aterrisa pouco antes da cidade, afinal não quer assustar ninguém. Vai andando até lá pensando em tudo o que aconteceu. Quantas perguntas sem respostas... Como se consegue fazer o que se faz? Onde está? Por que disso tudo? E... Não era uma ameaça o ruído brusco que ouviu. Um animal pasta ao longe. Então segue pela rua sem asfalto em passos lentos e pensativos. Suas perguntas não encontram respostas. Tudo o que encontra são as casas rústicas e estranhas do que por aqui chamam de cidade.

Totalmente deserta. É a primeira coisa que pensa antes de ver a seu redor umas poucas pessoas. Há alguém passando pela calçada... Quando ouve um grito:

- Parado aí, forasteiro!

Esse camarada deve andar assistindo muito a filmes de caubóis... Pensa pouco antes de se virar. E qual não é sua surpresa ao ver que... O indivíduo está totalmente vestido como um ator daqueles filmes de faroeste! E tem uma estrelinha dourada com o nome "Xerife" presa à camisa. "Onde diabos vim parar?" As casas estão naquele mesmo padrão antigo norte-americano. Seu lugar não é aqui. Isso não é novidade, mas a mudança é tão radical que ele se sente como se tivesse sido transportado através do tempo.

- Quem é você e o que faz aqui?

O jovem se apresenta e diz tudo o que poderia dizer: está perdido.

- Como assim, perdido? - o xerife parece ter se interessado por sua história.

Sabe muito bem que não pode dizer a verdade. Mas é sem pensar que diz que estava viajando quando se perdeu.

- E o seu grupo? Você não podia estar viajando sozinho.

- Mas estava. - Maldição, pensa ele, por que não engole logo de uma vez?!

O xerife torce o rosto um pouco em desafio, enquanto encara o recém-chegado.

- Tudo bem... Deixemos as coisas como estão por hoje... Mas não creia que acreditei: estou de olho em você. - e vai embora lentamente e desconfiado, mas firme, o xerife.

E o outro continua a andar, levando junto suas dúvidas sem solução.

As coisas estão estranhas. Mais ainda com isso. O que estaria acontecendo consigo? O que estaria acontecendo ao mundo? Como saber?! A úncia saída é começar a procurar abrigo, pois a noite ameaça vir gelada. Não há o que temer. Tem algum dinheiro e acredita que conseguirá um lugar pra dormir. Não há combustível melhor para movimentar o mundo que algumas boas notas.

Caminha em direção ao que parece ser uma estalagem. - As portas são daquele tipo, de saloon. - Entra e encontra uma velha sentada numa cadeira de balanço, bordando. Parece não ter notado sua presença. O jovem divaga pela sala pouco iluminada - apenas por um lampião -, e insiste: caminha até parar bem em frente a ela. Só então a senhora lhe dirige o olhar.

- O que quer aqui?

- Aqui é uma estalagem? Gostaria de um lugar para passar a noite.

- Sim, aqui é uma estalagem. Mas não temos lugar para pessoas como você.

- Como não? Eu posso pagar. - responde, apresentando algumas notas.

- O que é isso?

- Como assim, "o que é isso"? Não está vendo? É dinheiro!

- Não trabalho com papéis. Nem sei ler... Só passa a noite aqui se tiver ouro.

- Eu tenho que passar a noite aqui. Eu posso te pagar de alguma forma.

- Tudo bem, tudo bem... Pegue o segundo quarto do corredor.

Ela aponta para um corredor e o rapaz segue. Encontra uma cama imunda. Em sua mente quanta falta não faz o seu lar... Deita-se no duro colchão de penas e pensa em tudo o que aconteceu hoje. Será melhor amanhã, pensa, pois amanhã descobrirá que tudo não passou de um sonho. E dorme, sem mais o que fazer.


Amanhece o dia. Levanta-se o viajante quase que de madrugada. Esse colchão duro... Claro que o barulho infernal dos galos também ajudou. Mas nada mudou com isso. Não é um sonho, é pior. Ele deixa o quarto.

- Vai querer café?

- Sim, se não for incômodo.

Alimenta-se. A comida não é tão gostosa quanto a de seu lar, mas com a fome ela se tornou a coisa mais saborosa que já teve a oportunidade de provar.

- Pelo jeito você sabe ler. Parece também desempregado. Talvez você consiga um emprego de escrivão.

- Boa idéia, obrigado.

Servido, parte para a rua. Está como antes, embora melhor iluminada pelo Sol. As casas de madeira estão por toda parte dentro dos limites desta pequena cidade. Há muitas pessoas andando pela rua nesse momento. Seria muito estranho na sua cidade, mas nessa tal fato não causa espanto. Caminha um pouco por duas ou três das poucas ruas existentes, observando os prédios com distração, quando alguém fala.

- Sei o que está procurando, amigo.

Ao se virar, depara-se com um homem um pouco gordo e fumando um charuto. Traz um chapéu na cabeça, como quase todos os homens daqui. O forasteiro se aproxima mais para ver o que ele tem a oferecer.

- Você precisa conhecer as peças que tenho aqui. Venha, pode entrar.

E entra. "Peças"? Claro, seu traje deve ser ridículo para esse pessoal. Vale a pena olhar, mas...

- Sinto, senhor, mas eu não posso comprar nada: estou sem dinheiro.

- Oh! Sinto muito... És novo por aqui, não?

- É bem verdade que sou.

- Bem, se pretendes ficar por aqui, posso te arrumar algo barato. E se não puderes pagar, pagas quando puder.

- Agradeço, mas...

- Não, o senhor pode me acompanhar.

- Acontece que não sei se vou ficar por aqui.

- Mas... - o vendedor pára por alguns instantes. - Estás desempregado, não é?

- Sim...

- Está difícil um emprego nessa cidade. O único do qual ouvi falar, precisam de alguém alfabetizado. É, parece que não vai dar mesmo para o senhor ficar nesta cidade...

- Espere, eu sei ler. - "Já que não sei como voltar para casa, por que não me ajeitar?"

- Verdade? - O vendedor demonstra um incomum espanto. - Sendo assim, vista-te. Eu tenho aqui umas roupas. Não te preocupes em pagar hoje. Vista-te que depois eu te levo até o Cohl.

Depois de se vestir em um traje aparentemente caro, mas não muito confortável, parte seguindo o dono da loja. Chega ao salão desse tal de Cohl. Lá está um homem rodeado por papéis, aparentemente nervoso, como quem não sabe por onde começar.

- Cohl! - parece não ouvir o grito do vendedor. - COHL!

- Quem está aí? Phil?! Estou um pouco cheio de serviços, como deves ter notado. O que queres?

- Encontrei quem procuravas. Ele é novo na cidade e sabe ler e escrever.

- Quem?

- Ele. - O rapaz se apresenta. Claro que não totalmente. Diz apenas o primeiro nome.

- Meu amigo, ele é jovem. Não creio que tenha tanta experiência.

- Cabe a ti descobrir se tem.

- Tudo bem, vejamos. - anda até seu birô e traz um papel. - Leia.

Fácil. O papel é tomado entre as mãos e rapidamente se ouve seu conteúdo em voz alta. Embora a letra seja um pouco diferente, fazendo com que o texto se pareça mais com um criptograma.

- Não disse?

- Tudo bem. O emprego é teu.

Tudo bem então. Aceito o emprego, ficará vivendo na cidade, mas...

- Há um problema, senhor. Eu não tenho um lugar para morar.

- Não te preocupes. Eu tenho um quarto sobrando em casa. Claro que isso vai ser descontado de teu salário...

Ele aceita. O que fazer? Não há outra opção. Pelo menos não outra opção boa. Tudo acertado. Agradece ao vendedor, seu novo patrão faz o mesmo e ele parte para cuidar de sua própria vida.

Fica ali até o almoço. Seu chefe lhe ensina a trabalhar no ramo e ele começa seu novo trabalho. Nada mais é do que decifrar correspondências, encaminhá-las aos locais certos e responder algumas. Nada tão complicado. É como trabalhar em uma agência de correios subdesenvolvida, onde chegam poucas cartas, todas escritas a mão e sem endereço do remetente ou destinatário. Na verdade algumas têm endereço. Um nome de pessoa e outro de cidade. Muito fácil "adivinhar" pra quem é...

- Olha! Chegou uma carta para o xerife. Guarde. - Seu chefe lhe entrega uma carta de três páginas. - Você será o responsável pela entrega dessa correspondência. Entregue em mãos. E, caso o escriba não esteja na delegacia e o xerife assim deseje, leia para ele.

- Mas... Onde é a delegacia?

- Não se preocupe com isso. Você só precisa entregar na hora do almoço.

Difícil entender. Ele expressa isso involuntariamente.

- Oh! Desculpe-me pelo meu descaso. Eu não te disse ainda. A delegacia fica em frente à minha casa. Vamos passar por lá.

Sua confusão passa e continuam a trabalhar. Volta e meia aparece alguém perguntando se há alguma correspondência que lhe foi destinada. Normalmente eles não voltam satisfeitos, mas às vezes há uma correspondência lá no fim da sala para quem a procura. E essa correspondência quem lê é o recém-chegado viajante. Sabe como é... Seu chefe é o dono do lugar. Além de ser seu chefe e ter ciúme do material que é seu trabalho, ele tem mais experiência para lidar com esse tipo de cartas. Já para lidar com pessoas, é bem mais fácil. Por isso que o novato fica com o trabalho leve.

Finalmente, após muito trabalho, chega o meio-dia. O relógio de pêndulo no fundo da sala bate as horas. Alguns minutos depois e estão do lado de fora, fechando a loja e migrando em seguida para casa. Sem esquecerem, decerto, a carta do xerife. Portanto, após saber exatamente qual é a casa de seu patrão e identificar a delegacia, o jovem parte para lá. Ao chegar, encontra o xerife sentado na cadeira. É ele mesmo.

- Bom dia, xerife. Vim lhe trazer uma mensagem.

- Ora, ora! - diz ele, enquanto se arruma na cadeira. - Ora se não é o forasteiro desgarrado.

- Ja lhe disse que viajava sozinho.

- Oh, mas o que o traz aqui? Terei ouvido bem? Resolveu ficar por aqui mesmo?

- Sim, e estou trazendo uma mensagem que chegou há poucos dias. Seu escriba não está?

- Não, mas pode deixar aí que quando ele voltar, peço que a leia para mim.

- Tudo bem. - E se vira, prestes a abandonar o lugar, quando...

- Espere. - Ele fala. - Venha aqui.

O novato se aproxima do birô.

- Se quer ficar por aqui, lembre-se de que estou na sua cola. Não faça besteira. Se você não sabe, essa cidade é muito rigorosa. E eu o punirei sem piedade, está ouvindo? '''Cuidado''', é o aviso que costumo dar aos forasteiros que terminam querendo se estabelecer por aqui. Pode ir agora.

Que humor, hein? No início parecia bem feliz, depois muda bruscamente para isso. Bem, que fazer?! Vai para a casa então.

O almoço estava servido. Ele entra e conhece a esposa de seu chefe e um filho de dois anos. Lava as mãos em uma tijela de barro e come. Após a refeição, é levado ao quarto, onde fica bons momentos pensando na própria vida. Como parara aqui, em um lugar tão diferente de se país? Fica a se questionar se isso está realmente acontecendo. Logo o tempo passa e o dois têm que ir novamente ao trabalho.

A tarde é um tanto cansativa. E ninguém aparece. Só papéis, papéis, papéis...

- É sempre assim?

- O quê?

- O dia.

- Assim como?

- Tão parado.

- Ah... Como você queria que fosse? Lidar com papéis não é o mesmo que trabalhar num bar ou em uma loja de roupas.

E o dia passa. A mesma monotonia. A emoção de ler correspondências. Tão diferente de tudo. Um trabalho tão diferente dele próprio, de manhã, é o que se pensa. E realmente é assim que acontece. Eles chegam à metade da papelada e, faltando meia hora para acabar o expediente, as pessoas começam a aparecer. E é o novo funcionário, claro, que tem que ler as cartas...

Lendo as cartas para alguns e dizendo que não há correspondência para outros. A cada minuto mais pessoas vêm procurar recados. Chegam em progressão geométrica. Tanto que na hora de fechar o local, havia ainda oito pessoas a serem atendidas. Seu chefe abandona a outra parte do trabalho e lê algumas cartas. Logo, mas não tanto, acabam de resolver esses problemas. Migram para casa. Após o jantar, o hóspede sai um pouco. Sabe, para ficar olhando para o mundo...


A cidade está quase deserta a essa hora. Há apenas alguns farreadores pelas ruas e no saloom próximo. A madeira das casas ganha um aspecto sombrio com a noite. Aqui não tem lâmpadas a óleo para iluminar as ruas, muito menos luz elétrica. As estrelas são tão mais nítidas aqui... Dá vontade de voar, mas não! Não pode fazer isso em público. Se o vêem, pode ser perigoso.

Tem que se contentar com a lembrança daquela sensação de voar enquanto deslizava pelos céus antes de chegar aqui. Tenta imaginar como serão as casas vistas de cima, os telhados rústicos, mas de certo charme. Mas não haveria muito para ver aqui embaixo, se voasse. O céu e as estrelas são um quadro ainda mais belo.

Barulhos do saloom? Que importa? Brigas e álcool caminham juntos. É normal. Chato, mas normal.

O céu é mesmo tentador... Suas pernas nem percebem que estão furtivamente seguindo para os fundos de uma das casas. Logo, como por instinto mais que por planos, ele começa a levitar. Pouco a pouco. Aos poucos se distancia da terra. Sobe um pouco, mas sem deixar de avistar a cidade. O brilho da terra é peculiar e não parece haver outra cidade tão próxima... Como já esperava.

Volta, refeito. E entra na casa, e dorme. Nada mais será como antes. Depois de sumir de seu verdadeiro lar, nada poderá voltar ao normal.

Amanhece o dia. Seu primeiro dia de trabalho. Seu primeiro dia inteiro de trabalho. O café espera, com todos à mesa, e Cohl fala um pouco de política. Política estranha a desse lugar, mas que seja! Enfim chega o momento de partir. E eles partem. Partem com a promessa de um dia mais calmo e cheio: ainda há muitos papéis a pôr em dia.

A manhã segue com seus papéis e leituras e lembranças de um tempo distante. Tão distante que parece ter sido apenas um sonho da semana passada. Mas enfim o Sol chega ao seu ponto mais alto e anuncia a todos o momento de voltarem para suas casas. É hora do almoço.

- O que estás achando da nossa terra?

- Boa, quer dizer, é interessante.

- Ainda não nos disse como é a terra de onde vieste. Pelo visto, deve ser bem diferente da nossa.

- É sim, se me lembro bem.

- Não lembra como é sua terra?

- Não muito.

Mentira! Mas o que devia fazer? Dizer que sua cidade tem dez mil vezes mais moradores que aqui e falar de cinema, automóveis, físicos e celulares? Acho que não...

Também é curiosa a reação do calado Cohl. Mas não era anúncio de uma nova fase em seu comportamento padrão. Após essas resposta, Cohl voltou para si e continuou seu almoço a matutar mistérios.

À tarde voltam ao batente, como de manhã e como ontem. Nada mais muda muito. Mudam os textos e atores, mas a história se repete.

Oh, cidade monótona e vazia! Como se adaptar a um mundo tão estranho e primitivo? Saudades de seu tempo são apenas um dos motivos da tristeza que lhe toma ao dormir.


É noite e o caminho passa frente à igreja. Mas a igreja não costuma ser tão movimentada, não a rua. Há uma multidão na porta. Que seria? A junção de um dia de missa com portas fechadas?

Todos o olham com ar estranho, desconfiado. Como se estivessem lendo seus pensamentos. O chão está denso e nervoso. Como é isso?! Não dá pra explicar. É pra se sentir.

O trajeto até a igreja demora. Parece que a cada passo em direção à igreja, a distância aumenta. A tensão aumenta.

Finalmente a imagem se forma e se faz o foco. Uma criança, de uns 12 anos, está no topo da igreja. A igreja parece tão grande! Ela quer pular.

Angústia. Quer gritar, quer correr, mas é tão longe... As pessoas não se importam. Os mais próximos o fitam com jeito estranho. É normal?! Uma menina querer se matar pulando da igreja?!

Tudo acontece muito rápido. E já está voando com a menina nos braços, procurando um lugar sem público para deixá-la em segurança na cidade. Mas a cidade não deixa! Em todo canto há gente armada com foices e espingardas!


Ainda não amanheceu. Falta pouco. Que estranho sonho nessa terra estranha?! Senta-se ainda ofegante.

Mas ora! Revelar-se daquela forma e ter que fugir de novo pelo mundo sem destino? Não dá... Por outro lado, pra isso ter que deixar a criança morrer... Que sonho, hein?

O dia nasce e todos vão à mesa tomar o café da manhã. Assunto do dia? Futuro... Começam a divagar sobre como será daqui há alguns anos... Que todos só andarão em carros sobre estradas de ferro... Nada muito interessante que prenda a atenção do convidado.

- Vamos?

Sim, é chegada a hora de ir trabalhar. Estava tão distraído que nem percebeu. E partem os dois pela rua até que...

- O que diabos está havendo?!

Os dois desviam de seu caminho em direção à igreja. Já se agrupa uma pequena multidão.

- O que está havendo? - pergunta Cohl a alguém.

- Uma criança lá em cima. Quer se matar. - É a resposta que recebe.

Não pode ser... O sonho...

Olham para cima e podem ver uma criança. Doze anos lhe daria. A menina já está de pé no telhado. Sua mãe grita preocupada "Desce filha! Mamãe te ama!" enquanto seu pai olha emburrado, sem acreditar muito que sua filha vá pular.

Mas ela pula. O forasteiro estava preparado e já chegara a uma idéia de como ajudar sem se prejudicar. A criança não toca o chão. Não imediatamente. Fica flutuando por algum tempo, depois desce devagar, até finalmente tocar o solo. As pessoas se indagam sobre o que teria acontecido. Alguns o olham, mas não tinham como saber quem teria feito isto, pensa o forasteiro. Concluído o problema, os dois partem rumo ao trabalho.

Seguem para a sala apertada. A única companhia que os aguarda são os ácaros daquelas monstruosas pilhas de papel. Mas o dia não se alonga muito e já se ouve gritos da rua. Gritos de revolta, de fúria.

Olhando pela janela, pode-se ver várias pessoas da cidade organizadas do lado de fora. Trazem foices, enxadas e outras armas improvisadas. Algumas trazem armas de fogo. Certamente alguém viu sua concentração excessiva enquanto salvava a menina. Provavelmente o acusam de bruxaria. Em defesa própria, ele fala qualquer coisa. Eles não ouvem, nem querem. Pensando rápido, decide que só há uma coisa a fazer: sumir. Assim, não põe em risco a vida de Cohl, nem a de mais ninguém. Então voa pela janela em direção aos céus. A multidão pára espantada diante do que vê. Logo está nos céus, distante de tudo. E abraça o céu que o acolheu.

Avalie: 
Average: 5 (1 vote)

Comentar