Socorro! Tem um Hacker na Minha Cabeça!

[ANT] Entrando na sala...

Foi exatamente assim que tudo começou. Ele era um profissional, caminhava sempre pelos mesmos lugares. E toda quinta-feira, às dez da noite, lá estava ele, sempre na mesma sala de chat. Todos que a freqüentavam já o conheciam. Ele se gabava de ser um perito em segurança e, toda vez que entrava naquela sala de discussão,

[ANT] Chegou o caçador de hacker. Alguém viu um por aí?

Quem via aquilo pela primeira vez achava que era uma brincadeira, uma fraqueza psicológica, mas os que já o conheciam não pensavam mais sobre isso. O que sabiam é que algumas vezes alguém localizava um site invadido de uma grande empresa. Dias depois tudo voltava ao normal, às vezes com a notícia de ter sido o responsável punido. Talvez fosse coincidência, talvez não, mas as informações que ele passava sobre negociações com as empresas prejudicadas sempre batiam com as divulgadas. A questão é que não havia como saber se era verdade, pois seu nome nunca era divulgado nem no chat nem nas notícias. Assim, eles preferiam não pensar mais nisso.

Ant era mesmo quem dizia e tinha capacidade para estragar a vida de outros crackers. Todo dia ele esperava calmamente uma resposta, mas nesse dia foi diferente. Sim, pois ele viu na lista de apelidos a palavra...

[ANT fala para HACKER] Você é mesmo um hacker?
[HACKER fala para ANT] por q? quer autografo?
[ANT fala para HACKER] Quero te ver apodrecer na cadeia.
[HACKER fala para ANT] sonho dificil
[ANT fala para HACKER] ...mas não impossível.
[HACKER fala para ANT] acha mesmo q pode?
[ANT fala para HACKER] Diga um site, qualquer lugar. Pode ser aí mesmo em Santos. escolha onde e eu te pegarei.
[HACKER fala para ANT] ... conhece uns truques. Bem, senhor Antônio Santos Silva, já que insiste tanto, que tal agora mesmo?
[HACKER fala para ANT] o que foi? algum problema? Já que não responde... hoje não vou invadir o computador de empresa, mas vc.
[ANT fala para HACKER] Impossível, mas por mim pode tentar. Meu computador é protegido e, mesmo que não fosse...
[HACKER fala para ANT] pois se prepare: vai comecar o show.

"Como o desgraçado sabe o meu nome!?!" Pensou o caçador. Era estranho. Todo seu acesso era seguro. Perfeitamente seguro. Ele próprio havia feito todas as correções possíveis e imagináveis para que um ataque fosse impossível. Não era possível identificar nem mesmo o nome do seu browser enquanto navegava... E, para completar, como poderia o cracker invadir seu computador? Nele não havia nenhuma porta dos fundos aberta, ele sabia disso, mas re-analisou, só por precaução.

"Meu nome é comum, o primeiro sobrenome é a cidade dele, e o segundo também é comum. Vai ver foi um belo chute..." Já mais calmo, voltou a clicar e, inesperadamente, tudo começou a ficar escuro. Ele se levantou, andou até o banheiro e se debruçou sobre a pia. Um pouco de água no rosto iria ajudar. A vista voltou ao normal. Ele enxuga o rosto na toalha e volta para o computador que estava em seu quarto, esperando ansioso por seu dono. Retorna ao browser. Não havia mais ninguém na sala além de ant e hacker. E o que havia acontecido era curioso. Os outros oito usuários que estavam conectados pareciam ter saído, todos eles, exatamente no mesmo segundo. Lá em cima havia:

[HACKER grita com todos] Fora! @#^_ %$. _

Antônio ficou pensando no que poderia ter acontecido, mas nada parecia fazer sentido. Ficou olhando para o monitor, vendo a barra vertical de texto aparecer e sumir e aparecer e sumir e... Havia desaparecido?! Uma frase vermelha aparece, em letras grandes, no centro horizontal/vertical do monitor: "estou aqui".

"Não é possível." Pensou Antônio. Abriu programas, moveu o mouse e a frase não desaparecia, parecia estar sobre o cursor e não o contrário, como é normal. Antônio desligou o monitor. Inacreditável! A frase continuava lá!?! Ele olhou para o teto branco do seu quarto: a frase o acompanhou até lá. Não era o computador que o cracker havia invadido, era sua mente.

Ainda sem acreditar, ligou o monitor em desespero e mexeu o mouse. De repente, os caracteres começaram a parecer árabes ou sabe-se lá o quê. Até seu teclado ele não entendia mais. Mas sabia o que tinha que fazer, e lembrava muito bem onde estava a tecla de cada letra que conhecia. Tudo começou a ficar escuro novamente.


Mark Abene se sentava diante de seu notebook. Acessa a conta de e-mail. Olha, olha com maior atenção. Estava escrito: "Helpme!Thres a hacker inisde myhead!", enviado por "hackerhunter".

Mark Abene, conhecido Philber Optik, deleta a mensagem enquanto balança a cabeça negativamente. Vê a próxima mensagem. Da IBM. Ele sorri, enquanto seu cérebro elimina qualquer vestígio da mensagem que acabara de ver.

Fim? Quem sabe...

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