Amanhecer de uma Era

“No alvorecer de mais um dia, uma figura espantosa chama a atenção de milhares de mortais. Uma figura magnífica. Um homem alado é visto vindo do horizonte. A Terra treme sob sua sombra e o homem receia perante seu esplendor. E teme. Teme que finalmente tenham vindo quitar seus pecados.”

Jornais de todo o planeta tentam registrar o momento. Padres e cristãos choram em desespero. Jamais se viu algo que afetasse todo a Terra dessa forma. Hoje os pecadores, que há tanto buscavam consolo, não conseguem acreditar no que ouvem, no que vêem. Não conseguem acreditar que os céus finalmente enviaram seu carrasco.

A Terra jamais foi a mesma depois daquele dia. A visão de um ser sobrenatural por toda a população do mundo com certeza o muda para sempre. Alguns tentaram contestar o que parecia óbvio para todos. Diziam que essa entidade não era divina. Uns afirmavam se tratar de um humano com órgãos extra. Esses sempre entravam em conflito com os anatomistas. Outros diziam que, como um organismo aparentemente tão frágil quanto um humano, seriam seres como nós, porém de outro planeta. A igreja e muitos outros mais se digladiavam com os detentores dessa idéia.

Esse anjo logo mostrou-se mais real que um anjo de nossos sonhos. Não parecia ser imortal ou invencível. Outro detalhe muito importante: ele não sabia falar nenhum dos nossos idiomas, mas outro totalmente diferente e desconhecido dos maiores lingüísticos do mundo. Ao contrário de Gabriel que, segundo a Bíblia, comunicava-se sem problemas com os mortais a que aparecia. Um ponto para a teoria do extraterrestre.

Ele não teve dificuldades para aprender a se comunicar através do inglês, mas depois de aprender algumas palavras, uma nova revelação foi feita: ele tinha amnésia. Não sabia de onde veio nem aonde ia. Após isso o mundo formado a seu redor caiu. A esperança de saber como é o céu, de que houvesse justiça. Tudo foi por água abaixo. O mundo voltou ao seu funcionamento normal. Seguindo sempre cada um por si e deus por todos. E o pior, o caso logo foi esquecido pela população ou, pelo menos, fingiram tê-lo esquecido.

Em um complexo seguro e cercado por militares dos mais poderosos, aquele ser não sabia o que o destino lhe reservava. Nas salas de acesso restrito, possuidores da ciência se reuniam. Recebiam naquele momento uma missão. Uma missão de importância primordial: uma autópsia precisava ser feita. Eles, totalmente convicto de que o ser tratado era extraterrestre, precisavam saber como exatamente funcionava. Como podia ter asas. Como elas se ligavam. Precisavam saber disso, para o bem da humanidade, pensando em um futuro próspero.

Pelos corredores corriam boatos de que o anjo havia vindo à Terra em uma espécie de espaçonave. E que ela havia sido tomada pela NASA. Mas isso agora não importava. Além da amnésia, o anjo tinha os dias contados. Exatamente três dias após ocorreria seu assassinato e sua dissecação.

Impossibilitado de manter minha posição de impassividade, agi. Faltando dois dias para a execução do projeto, tentei sabotar todos os equipamentos. Claro que, como uma pessoa prudente, não podia deixar isso para a véspera. Mas mesmo agindo com antecedência, não consegui terminar meu trabalho. Uma última idéia me veio minutos antes da hora combinada. Como havia posto minhas mãos em tudo, poderia forçar uma passagem aérea e atordoar a equipe enquanto o anjo escapava. Não parecia um bom plano, mas foi o único que me surgiu de última hora com alguma chance de funcionar. Coloquei-o em ação. O anjo percebeu o que tramavam para ele quando a equipe chegou levando um equipamento pesado, com um olhar frio. Após libertá-lo e atordoar quase todo o grupo, o anjo finalmente conseguiu fugir.

Como em débito, resolveu me levar junto. E agora que saímos tudo simplificou. Se consegui vencer cientistas, por que não conseguirei lutar contra todas as forças armadas estadunidenses?

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