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Do Golpe de 16 ao Autoritarismo

O golpe se concretizou. Utilizando argumentos forçados (ouça o Lexcast e a fala mais recente do desembargador Tutmés Airan no Agreste à Esquerda – spinoff do Politicast – se ainda tiver dúvidas quanto a isso), defesas que fugiam do assunto tanto na Câmara (pela família, por Deus e pelos criminosos do outro golpe) quanto no Senado (contra o desemprego, pela mudança…), o golpe aconteceu.

A princípio não me parecia um golpe tão semelhante ao militar de 64, mesmo porque militares não foram utilizados. Era um golpe branco, como anunciava/denunciava ainda em 2014 o neto de João Goulart. Quase dois anos depois, terminou acontecendo. Alguns sinais de intenção autoritária já começam a preocupar.

Primeiro, a opressão de revoltosos. Ainda não aconteceu, mas será inevitável. As medidas ultraneoliberais do presidente interino e seus amigos vão levar vários setores da sociedade às ruas, é inevitável. Acontece que quem for às ruas encontrará a Lei Anti-terrorismo (aprovada pela Dilma) e o Ministério da Justiça nas mãos de Alexandre de Moraes. Para quem não lembra, era até poucos dias atrás o Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Aquele que botou a polícia para bater nos estudantes, que protestavam contra o fechamento de suas escolas (e ainda bota). O mesmo que bota a polícia para bater em manifestantes e jornalistas que cobrem uma manifestação. O mesmo que, depois da ação truculenta da polícia sob seu comando, não se constrangeu com as críticas e disse que a população apoiava seus atos. Pois é, junte esse Alexandre com a referida lei e bingo! Você reinventou a pólvora!

E o outro aspecto marcante de autoritarismos: a censura sobre a informação. Os maiores veículos de comunicação do país, como é sabido, pertencem a poucas famílias, que são também algumas das mais ricas. Como também é sabido, esse golpe branco já nasceu com amplo apoio desses grupos midiáticos. Eram poucos os que contrariavam a narrativa deles, baseada em um só lado da história, calando o debate e cultivando o ódio. Na TV comercial, não soube de alguém que quebrasse esse discurso. Quem são as emissoras comerciais afinal? Aquelas pertencentes às tais famílias mais ricas, com programação diversificada, e aquelas várias que vendem sua programação quase inteira para publicidade e programas religiosos. Quem sobra para fazer contraponto? A TV pública! Temos dois grandes veículos neste sentido: a TV Cultura e a TV Brasil. A primeira está totalmente sob controle do Governo de São Paulo, chegando a ter até mesmo programa conduzido pela Folha, sem contar que o famoso Roda Viva hoje está nas mãos de um colunista da Veja. Resta só uma. Somente a TV Brasil (e a rede a ela afiliada) têm coberto protestos dos dois lados, tem discutido com analistas políticos todo o processo de impeachment, inclusive com falas esclarecedoras, abrindo espaço para petistas, medebistas e tucanos. Nos últimos lances, inclusive, denunciando claramente os sinais de golpe (sem discurso único, com convidados discordando deste ponto de vista, outros concordando).

A TV Brasil, para quem não sabe, é mantida pela Empresa Brasil de Comunicação, que se pretende independente de interesses comerciais, político-partidários… (a favor da Sociedade, enfim, uma TV pública) tem um presidente de mandato fixo e um conselho curador com representantes da sociedade participando ativamente das decisões. Pois bem, começaram a veicular na imprensa suposições sobre um novo nome para a presidência da EBC. Pasmem! Mal se concretizou o golpe, querem tornar a TV pública em TV governamental! E assim, acabar com esta ameaça à narrativa global sobre o impeachment. O tema foi tratado ontem à noite no programa Ver TV (será reprisado de quarta para quinta).

Dias sombrios virão. Precisamos de muita força e posicionamentos claros, muita luta, para que esse golpe não se consolide ao cabo dos 180 dias.

Imagem do post: Wikipédia.

Arapiraca na TV Brasil

Esta semana a TV Brasil mudou sua grade de programação. Os programas de debates foram todos pra 23h, o que achei péssimo, mas vieram algumas mudanças legais:

  • A Volta de Windeck: a novela angolana voltou a ser exibida, só que agora às 20:30.
  • Para compensar a redução do tempo do jornal noturno, o Repórter Brasil, eles criaram o Fique Ligado, um programa informativo com um jeito mais de entretenimento

E houve novas estreias. Dentre elas, uma série sobre o Brega chamada Vou rifar meu coração. Pelo menos parte dela foi gravada aqui em Arapiraca. Apareceram por lá, por exemplo, Alves Correia e Cheiroso, duas personalidades arapiraquenses (evitadas pelos "chique", mas conhecidas por todos daqui). Foi lançado inicialmente como um documentário, mas terminou sendo transformada em série para a Televisão.

Confiram por lá!

Meu Top10 da TV Brasil

 

Para quem não conhece, a TV Brasil é uma emissora pública, criada em 2007, quando foi criada a Empresa Brasil de Comunicação. Ela é, de certa forma, uma continuação da antiga TV Educativa.

Mesmo sendo mantida pelo Governo, a TV Brasil não é uma TV governamental, mas sim pública. Seu conselho curador, de poder deliberativo, é formado por representantes de vários grupos sociais.

Quando você começa a assistir a programas de debate da TV Brasil (da TV Cultura, TV Senado...) é que vê o quanto falta programas desse tipo na TV aberta comercial. A grande mídia, no Brasil, costuma discutir temas sempre de forma a privilegiar um só lado, o lado escolhido pela emissora/revista/etc. E a programação da TV Brasil tem muita qualidade informativa. Sinceramente, consigo viver bem com o combo TV Brasil + Netflix.

Aqui está um Top 10 de programas. Como os outros, expressa a minha opinião em particular. nem sempre assisto a todos os programas, porque tempo é um bicho arisco... Mas recomendo todos eles! E é um canal altamente acessível. Transmitido por parabólica, também está nas TVs por assinatura, com retransmissão, creio eu, nas capitais e algumas cidades adicionais. Mas o interessante é que, além disso, você pode assistir no próprio site da emissora, pela Internet, via streaming. E grande parte dos episódios de sua programação está disponível também no site, para ser assistida a qualquer momento.

  1. Repórter Brasil - jornal de 1h de duração. Para se informar com conteúdo, sem estar misturado com a "opinião" dos grandes veículos. Oferece espaço para participação.
  2. Espaço Público - Paulo Moreira Leite e Florestan Fernandes Júnior recebem personalidades para debater.
  3. Observatório da Imprensa - conduzido pelo jornalista Alberto Dines, o programa discute e comenta o posicionamento da imprensa sobre os mais variados temas. Com os dois anteriores, fazem o combo que torna a noite de terça-feira o melhor horário da emissora para mim.
  4. Café Filosófico - palestras que acontecem em um "café". Temas atuais são tratados por especialistas da medicina, filosofia e outras áreas.
  5. Entre o Céu e a Terra - há muito preconceito religioso Brasil afora. A melhor forma de combater qualquer tipo de preconceito é com conhecimento e informação. Este programa toma temas de espiritualidade e deixa representantes de cada religião falar a opinião da sua fé sobre aquele tema. Católicos, espíritas, evangélicos, umbandistas, wiccanos, budistas, ateus... Cada um fala sua posição sobre temas como riqueza, casamento e vida após a morte. A pluralidade de posicionamentos é a grande riqueza do programa.
  6. Provocações - embora Antonio Abujamra tenha falecido este ano, seu excelente trabalho neste peculiar programa de entrevistas continua sendo transmitido.
  7. Brasilianas.org - Luís Nassif fala, com convidados, sobre políticas públicas.
  8. Caminhos da Reportagem - para quem gosta de documentários. Cada episódio é uma matéria completa sobre determinado tema (o de Raul, por exemplo, foi muito bom!).
  9. Janela Janelinha - uma pena que a parte que acho mais legal do programa seja tão curta: a contadora de histórias Suzana Nascimento utiliza sonoplastia ao vivo, instrumentos musicais, gestuais e o que pode para narrar pequenas histórias para crianças. Depois, vem sempre um "documentário para crianças".
  10. Igarapé Mágico - outro programa infantil. Criaturinhas do rio conversam e se envolvem em aventuras. Exceto pela Iara, interpretada pela atriz Roberta Estrela D'Alva, todas as criaturas são bonecos, mas com um manuseio muito expressivo e competente.
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