poesia

Cretense Dissecada

Se você quer conhecer os bastidores da poesia Cretense, aqui está. Explicando passagens da poesia e também a estrutura de ritmo, métrica e rima. Tentei fazer o mais didático possível.

Quem vir, comente depois dizendo o que achou, tá?

Vo

é

o

pa

ra

fu

so

que

cor

roi

as

mi

nhas

cha

ves

Vo

é

u

ma

lem

bran

ça

que

de

vo

ra o

meu

ju

i

zo

Vo

é

Pan

do

ra

lou

ca,

sol

ta o

mal

num

gran

de

ri

so

Vo

é

o es

cor

pi

ão

que

per

sis

te em

me

fer

ro

ar

 

Vo

é

foi

ce en

con

tra

da

no

chão

em

bri

ga

de

bar

 

Vo

é

u

ma

bi

gor

na

um

pi

a

no ou

u

ma es

pa

da

Que

me a

cer

ta

a

ca

be

ça

quan

do

des

ço

to

da es

ca

da

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vo

é

o

la

bi

rin

to

com

seu

bri

lho e

seu

pe

ri

go

Vo

é

a

bor

bo

le

ta

que

en

tra

pe

la

ja

ne

la

Pe

la

por

ta

vai

em

bo

ra

sem

que eu

mal

o

lhe

pra

e

la

Vo

é

a

bi

os

fe

ra

den

tro

do

meu

guar

da

rou

pa

Vo

é

a

mos

ca

ver

de

dan

çan

do

na

mi

nha

so

pa

Vo

é

jus

ti

ça

ce

ga

e

sem

na

da

de au

di

ção

 

Sem

pre

vem

me im

por

cas

ti

gos

sem

que eu

sia

ba a

cu

sa

ção

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vo

é

a

voz

tão

do

ce

que

me a

ni

ma e

me

des

troi

 

Vo

é

ga

to

dor

min

do on

de

tro

pe

ço

sem

que

rer

 

Vo

é

a

hi

pi

no

se

que

me

con

ge

la ao

te

ver

 

Vo

é

um

li

vro a

ber

to

mas

es

cri

to

em

la

tim

 

Vo

é

ro

sa

de es

pi

nhos

que

se en

gra

ça

ram

por

mim

 

Vo

é

a

triz

cen

tra

da

en

ce

nan

do a

des

pe

di

da

Pro

ta

go

ni

zan

do a

tra

gi

co

dia

da

mi

nha

vi

da

Acima você vê a poesia Cretense (de Cárlisson Galdino) dissecada.

O ritmo é dado pelas sílabas poéticas em fundo amarelo (e uma cor diferente, conforme a rima, na décima quinta sílaba).

Separação de sílabas poéticas difere da separação de sílabas convencional.

As sílabas poéticas são unidades sonoras, ou seja, muito dependentes da forma de declamar.

A estrutura tem 3 estrofes de 7 versos cada, com rima XAABBCC.

As sílabas em cinza escuro são “mudas”, não contam na métrica.

As sílabas em cinza claro servem para mostrar que esta métrica pode ser entendida como a fusão de dois

versos em redondilhas menores (sete sílabas poéticas) em um só verso, com ritmo pa-pa-PA-pa-pa-pa-PA.

Cada verso tem exatamente 15 sílabas poéticas. São classificados como versos bárbaros.

Special: 

Martelo Alagoano

O Martelo é uma construção peculiar da poética nordestina: é composto por estrofes de dez versos decassílabos, com estrutura de rima e ritmo bem amarrada. É, lembra um pouco Os Lusíadas, mas no caso de Os Lusíadas há sextetos (seis versos) e a estrutura de rima muda um bocado. Os martelos também têm um mote, um verso que se repete ao final de cada estrofe.

O Martelo Alagoano, por sua vez, é um martelo cujo verso final de cada estrofe termina com martelo alagoas.

Acabei de publicar um martelo alagoano de minha autoria, composto por três estrofes, para apreciação dos que gostam de cultura nordestina. :-)

O exemplo mais acessível de martelo alagoano talvez seja a música cantada por Alceu Valença chamda justamente Martelo Alagoano.

Special: