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Lançamento do Cordel da Pirataria

Cordel da Pirataria

Em meio aos acontecimentos mais recentes, que visam de certa forma a sufocar nossas liberdades (Vide Lei do Senador Azeredo e Caso Pirate Bay), no III Encontro Nordestino de Software Livre & IV Festival de Software Livre da Bahia, será lançado o Cordel da Pirataria por Cárlisson Galdino. Aos visitantes, no espírito pirata clássico, será concedida a oportunidade de fazer escambo, ou seja, trocar mídias (CD ou DVD virgem) por exemplares do cordel.

Um protesto sob o título “Mares abertos à informação” fará referência ao projeto de lei do Senador Azevedo. E reforçará a importância de compartilharmos não apenas código fonte, mas outros tipos de informação e cultura, para o benefício da própria humanidade.

Obs.: A ilustração foi feita pelo meu xará Karlisson Bezerra especialmente para o cordel.

Paulo Coelho e Pirataria

Estou concluindo o Cordel da Pirataria para ser lançado em maio no ENSL/Festival lá em Salvador.

Hoje saiu a notícia que o Paulo Coelho apoia o Pirate Bay. Ainda este mês veio a de que Hermeto Pascoal, grande compositor alagoano, pretende liberar toda a sua produção musical. Santos Dumont não registrou patente alguma para suas invenções, por escolha pessoal. Por que é tão difícil compartilhar? Por que tem tanta gente que pensa pequeno olhando pro seu próprio umbigo apenas? Quem pensa pequeno não cresce!

Ainda não publiquei aqui os cordéis novos que já estão por aí pelo mundo. É que a sessão de livros aqui do Bardo está ficando muito grande e vou criar uma pra cordéis e não consigo tempo.

Às vezes queria que tudo parasse um pouquinho pra gente tomar fôlego, estar perto de quem a gente gosta, descansar fazendo nada, só por descansar. Mas isso não acontece. Como dizia meu bisavô (não a mim, já que não tive oportunidade de conhecê-lo, ilustre e culto igreja-novense), "Cochilou, o cachimbo cai". Se a gente para, o mundo continua. E no dia seguinte o que não fizemos hoje estará lá nos esperando, junto com o que já teríamos de fazer amanhã. Um dia ainda deixo tudo pra trás e vou viver uma vida nova em qualquer canto, com menos stress ou algo do tipo.

Estou devendo tanto... Ainda nem parei pra publicar os banners do FISL deste ano, do ENSL, etc, etc, etc... E dia 25 será lançado o Cordel do GNU/Linux...

Enfim, o Cordel da Pirataria vai ser lançado e vendido no evento, mas estará disponível sob licença livre.

Termino com uma citação interessante do Hermeto: "Quem quiser piratear os meus discos, pode ficar à vontade. Pirateiem os meus discos... Sabe o que Deus falou? ‘Crescei e multiplicai-vos’. Muita gente pensa que isso é só para transar. Devemos crescer na maneira de ser e multiplicar o que tem de bom. Sem barreiras."

A Loteria do Copyright

Como prejudicar toda a sociedade, ganhando muito dinheiro e tendo o apoio da própria sociedade. Sabe como? Aplicando os conceitos atuais de Copyright.

O copyright na forma como é hoje trabalhado funciona como uma loteria:

  1. A regra é que nenhum dos contribuintes ganha, só perdem;
  2. A exceção é que alguns pouquíssimos vão ser contemplados.

Como conseqüência direta:

  1. Os que ganham recebem apenas parte do prêmio. Uma parte bastante grande se comparado à participação. Um prêmio virtuoso. Mas uma parte pequena se comparado com todo o arrecadado;
  2. Os que participam continuam investindo e apoiando a idéia, prejudicando-se e adorando o modelo porque sonham um dia ganhar também;
  3. Quem realmente ganha com isso são os organizadores das loterias.

É assim que acontece na indústria da propriedade intelectual. Quantos artistas ganham realmente com produção desse tipo? Para ganhar realmente, e bem, são poucos os felizardos. Mas existem os sonhos! Ah, os sonhos... Todos os infinitos artistas que não ganham fortunas e que têm uma vida difícil e direitos limitados sonham um dia ganhar muito dinheiro com Propriedade Intelectual. E enquanto isso, os Selos estão muito felizes.

Mas há uma diferença que torna a Loteria do Copyright ainda mais agravante que a Loteria Financeira: quem aposta dinheiro perde o próprio dinheiro e pode estragar apenas a própria vida e a de pessoas bem próximas, mas quem entra na Loteria do Copyright afeta a Cultura como um todo.

Como assim? Cada artista que entra na Loteria do Copyright ajuda uma cultura de atravessadores opressora, que cada vez mais deseja tirar direitos de seus consumidores. Não? E aquele caso dos CDs com proteção que sequer podiam ser ouvidos no computador? Isso para citar apenas um caso...

Outro ponto é uma velha história, mas que aqui vai mais uma vez: a cultura não nasce espontaneamente. Cultura nasce de cultura. São processos de refinamentos, melhorias, releituras e recriações que ajudam a construir uma Identidade Cultural. Seja de um grupo, uma cidade ou uma nação. Ao fechar as portas para esse intercâmbio, cada um desses artistas empobrece um pouquinho nossa Cultura como um todo.

Sejamos cooperativos! A Sociedade agradece.