cordel

Regime Temeroso #01

Semana passada o Brasil iniciou uma nova era, a Era da Temeridade, segundo Bemvindo Siqueira em seu canal do YouTube (vale a pena ver). Também criei uma nova categoria aqui no site: Golpe de 16. Nela, você encontrará tudo o que escrevi e publiquei (por enquanto, muito pouco) por aqui sobre o golpe ocorrido este ano.

Pois bem, o Regime Temeroso é uma nova série de Cordéis.com. Desta vez, uma série em cordel! Não tem periodicidade certa (por enquanto), mas confira aí! Espero que goste!


No dia 12 de maio
Em 2016
De repente, como um raio
A madrugada se fez
E não se sabe dizer
Quando é que o Sol vai nascer
Para haver dia outra vez

Foi uma conspiração
De elite, banco e revista
Rancor da oposição
Um congresso oportunista
Ambição, ódio e dinheiro
Daqui e do estrangeiro
Um sentimento fascista

Pra não ter corrupção
Pois era esse seu lema
Surgiu uma multidão
Sem entender o sistema
Gritando e fazendo pose
Sob efeito de hipnose
Pra "resolver o problema"

Terminaram conseguindo
O que essa corja queria
Após cada estágio findo
Se aproximava esse dia
"Combater corrupção
Dando o poder a ladrão"?
Piada, golpe, enfim, fria

Foi pela força da imprensa
Manipulando inocente
Que veio a triste sentença
Botando assim, de repente
Na Câmara e no Senado
O vice autovazado
Traidor pra presidente

-- Cárlisson Galdino

Cordéis modernos na Cultura do Rio

Cordéis Modernos

A jornalista Marianna Salles Falcão entrou em contato comigo há alguns dias, através de email, pedindo uma entrevista sobre cordel e contemporaneidade. Ontem foi publicada a matéria escrita por ela tratando do tema (e reunindo opiniões de vários cordelistas). Está bem bacana, para quem quiser ver. Foi publicada no site da Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro. Uma outra coisa legal é que o conteúdo do site da secretaria está disponível sob licença Creative Commons! \o/

Special: 

O Cordel de Antônio Francisco

Antônio Francisco

Não conheço tantos cordelistas assim, mas dentre os que conheço o que mais admiro é o mossoroense Antônio Francisco.

Tive o prazer de conhecê-lo em um encontro de cordelistas no Ceará há alguns anos (o único encontro de cordelistas que fui) e, em outra ocasião, o visitei lá em sua terra. Além de artista genial, Antônio Francisco é uma excelente pessoa, daquelas que não tem como não admirar.

Olha o que a Wikipedia tem a dizer sobre ele:

É filho de Francisco Petronilo de Melo e Pêdra Teixeira de Melo.

Graduado em História pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Poeta popular, cordelista, xilógrafo e compositor, ainda confecciona placas.

Aos 46 anos, muito tardiamente, começou sua carreira literária, já que era dedicado ao esporte, fazia muitas viagens de bicicleta pelo Nordeste e não tinha tempo para outras atividades. Muitos de seus poemas já são alvo de estudo de vários compositores do Rio Grande do Norte e de outros estados brasileiros, interessados na grande musicalidade que possuem.

Em 15 de Maio de 2006, tomou posse na Academia Brasileira de Literatura de Cordel, na cadeira de número 15, cujo patrono é o saudoso poeta cearense Patativa do Assaré. A partir daí, já vem sendo chamado de o “novo Patativa do Assaré”, devido à cadeira que ocupa e à qualidade de seus versos.

Seus cordéis são geniais em todos os aspectos. Sua escrita é fluida e rítmica, em forma perfeita; os temas são muito bem trabalhados; e os seus cordéis têm alma, são aqueles que dão gosto de ler, que conseguem nos emocionar. Como se não bastasse, ele também adora causas sociais. Ecologia e humanidade são os temas mais fortes em sua produção.

Pode-se ver alguns cordéis dele pela Internet. Eu localizei uns que adoro:

Veja aqui A Casa que a Fome Mora e diga se não é genial:

Eu de tanto ouvir falar
Dos danos que a fome faz,
Um dia eu sai atrás
Da casa que ela mora.
Passei mais de uma hora
Rodando numa favela
Por gueto, beco e viela,
Mas voltei desanimado,
Aborrecido e cansado.
Sem ter visto o rosto dela.

Vi a cara da miséria
Zombando da humildade,
Vi a mão da caridade
Num gesto de um mendigo
Que dividiu o abrigo,
A cama e o travesseiro,
Com um velho companheiro
Que estava desempregado,
Vi da fome o resultado,
Mas dela nem o roteiro.

Vi o orgulho ferido
Nos braços da ilusão
Vi pedaços de perdão
Pelos iníquos quebrados,
Vi sonhos despedaçados
Partidos antes da hora,
Vi o amor indo embora,
Vi o tridente da dor,
Mas nem de longe via a cor
Da casa que a fome mora.

Vi num barraco de lona
Um fio de esperança,
Nos olhos de uma criança,
De um pai abandonado,
Primo carnal do pecado,
Irmão dos raios da lua,
Com as costas seminuas
Tatuadas de caliça,
Pedindo um pão de justiça
Do outro lado da rua.

Vi a gula pendurada
No peito da precisão,
Vi a preguiça no chão
Sem ter força de vontade,
Vi o caldo da verdade
Fervendo numa panela
Dizendo: aqui ninguém come!
Ouvi os gritos da fome,
Mas não vi a boca dela.

Passei a noite acordado
Sem saber o que fazer,
Louco, louco pra saber
Onde a fome residia
E por que naquele dia
Ela não foi na favela
E qual o segredo dela,
Quando queria pisava,
Amolecia e Matava
E ninguém matava ela?

No outro dia eu saio
De novo a procura dela,
Mas não naquela favela,
Fui procurar num sobrado
Que tinha do outro lado
Onde morava um sultão.
Quando eu pulei o portão
Eu vi a fome deitada
Em uma rede estirada
No alpendre da mansão.

Eu pensava que a fome
Fosse magricela e feia,
Mas era uma sereia
De corpo espetacular
E quem iria culpar
Aquela linda princesa
De tirar o pão da mesa
Dos subúrbios da cidade
Ou pisar sem piedade
Numa criança indefesa?

Engoli três vezes nada
E perguntei o seu nome
Respondeu-me: sou a fome
Que assola a humanidade,
Ataco vila e cidade,
Deixo o campo moribundo,
Eu não descanso um segundo
Atrofiando e matando,
Me escondendo e zombando
Dos governantes do mundo.

Me alimento das obras
Que são superfaturadas,
Das verbas que são guiadas
Pro bolsos dos marajás
E me escondo por trás
Da fumaça do canhão,
Dos supérfluos da mansão,
Da soma dos desperdícios,
Da queima dos artifícios
Que cega a população

Tenho pavor da justiça
E medo da igualdade,
Me banho na vaidade
Da modelo desnutrida
Da renda mal dividida
Na mão do cheque sem fundo,
Sou pesadelo profundo
Do sonho do bóia fria
E almoço todo dia
Nos cinco estrelas do mundo.

Se vocês continuarem
Me caçando nas favelas,
Nos lamaçais das vielas,
Nunca vão me encontar,
Eu vou continuar
Usando o terno Xadrez,
Metendo a bola da vez,
Atrofiando e matando,
Me escondendo e zombando
Da Burrice de vocês.

Special: 

Manual de Informática em Cordel - Em desenvolvimento

Estou trabalhando em um manual de Informática em cordel. O manual servirá de materia para cursos de treinamento em informática, sendo constituído basicamente por cordéis e imagens auxiliares (como infogramas).

Conteúdo:

CapítuloCordelEstado
Software LivreCordel do Software LivreConcluído
Licensas de Uso de SoftwareDo Livre e do GrátisConcluído
Introdução ao Sistema Operacional GNU/LinuxCordel do GNU/LinuxConcluído
Ambiente de Trabalho GNOMECordel do GNOMEConcluído
Acessando AplicativosCordel dos AplicativosConcluído
Recursos de um Ambiente  
Gerenciamento de Arquivos e Pastas  
Permissões de Acesso  
Noções de Segurança  
Compactação de Arquivos  
Gravação de CDs e DVDs  
Navegação na Internet  
Ferramentas para Desenho  
Ferramentas de Produtividade  
Ferramentas para Entretenimento e Multimídia  
Gerenciamento de Pacotes  

Como vocês podem ver, ainda falta muita coisa, mas a ideia está, aos poucos, evoluindo. Quem tiver infográficos e imagens verticais em geral que possam ajudar a ensinar informática (e puderem ser distribuídas sob licenças livres), me mandem!

Lançamento do Cordel da Pirataria

Cordel da Pirataria

Em meio aos acontecimentos mais recentes, que visam de certa forma a sufocar nossas liberdades (Vide Lei do Senador Azeredo e Caso Pirate Bay), no III Encontro Nordestino de Software Livre & IV Festival de Software Livre da Bahia, será lançado o Cordel da Pirataria por Cárlisson Galdino. Aos visitantes, no espírito pirata clássico, será concedida a oportunidade de fazer escambo, ou seja, trocar mídias (CD ou DVD virgem) por exemplares do cordel.

Um protesto sob o título “Mares abertos à informação” fará referência ao projeto de lei do Senador Azevedo. E reforçará a importância de compartilharmos não apenas código fonte, mas outros tipos de informação e cultura, para o benefício da própria humanidade.

Obs.: A ilustração foi feita pelo meu xará Karlisson Bezerra especialmente para o cordel.

O Cordel no Jornal

O Cordel no Jornal

Saiu no jornal alagoano O Jornal, em seu caderno de Tecnologia, um texto de Luciano Vanderley sobre o Cordel do Software Livre.

A gente conversou por telefone dias antes e o que a matéria mostra é o que me motivou a escrever o cordel, além de tratar um pouco do Software Livre como movimento social. (assunto que ainda devo tratar por aqui de novo qualquer dia desses...)

Special: