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Nostalgia

É interessante vagar por aí em busca de um passado... E quem está na Internet há alguns anos, sempre criando coisas, freqüentemente tem muita história para contar.

Vejamos algumas páginas que coloquei no ar há longo tempo e que ainda podem ser acessadas (embora eu não as mantenha mais e sequer me lembre das senhas).

RPG

Tudo começou com Dark Songs, uma página de RPG que fiz há muuuito tempo, mas que não durou um mês: o servidor simplesmente a tirou do ar. Acho que por não ser em inglês.

Veio então a Abaskantto, que apresentava material próprio e exclusivo sobre RPG. E mudou de visual depois, usando JavaScript de um modo tosco que hoje não consigo mais navegar de maneira adequada. Pode ser acessada ainda em http://w3.to/abaskantto. Caramba! Tem até contos que eu não tinha mais! Transferirei esses contos para cá!

Seguindo a idéia de ter um sub-site para cada ambientação, criei o site de 2016, que não tem quase nada. Ele ainda está acessível em http://www.2016.tsx.org/.

O Sistema XR-II, que aparece em Abaskantto terminou evoluindo em conceito para um Padrão para Formalização de Personagens chamado ArbarKristalo Sistemo, idealmente em Esperanto. Este projeto, sim, foi um belo de um vaporware que até hoje não tem quase nada escrito. A página deste projeto pode ser acessada em http://aks.greatnow.com/.

Projetos de Software

Como membro ativo da Comunidade de Software Livre, claro que sempre tive projetos de software, embora modestos.

Cyber

O meu primeiro projeto de Software foi o <yber Edi+or, um editor de textos simples para MS Windows, feito em Delphi 1.0. Trazia um gerador de nomes aleatórios e um simulador de lance de dados embutidos. Também era fácil configurar outros programas para serem abertos a partir do Cyber (como um compilador ou editor).

Inicialmente não tinha muita coisa em especial, até que foi feito um sistema nele para internacionalizar, de modo que era fácil mudar o idioma do programa. E o mais interessante, as Substituições Sucessivas Cyber. O princípio era simples: coloca-se um arquivo .ssc com uma lista de substituições que deveriam ser efetuadas e, dentro de um texto qualquer, poder-se-ia pedir para que o editor aplicasse aquelas substituições. Bingo! E além das substituições poderia ser definido um padrão para início e fim de todas as linhas, além de linhas de cabeçalho e rodapé. Com esse sistema simples, era possível, por exemplo, converter facilmente texto para HTML e vice-versa.

Este editor chegou a sair numa edição especial Downloads da Revista Veja e terminei bolando o Projeto Simbionte, um editor ainda mais sofisticado, bem-projetado e multi-plataforma. Acabou não saindo do diagrama...

Não me lembro bem dessa página (do endereço - da página eu lembro), mas mais sobre o Cyber Editor pode ser visto, hoje, aqui: http://members.fortunecity.com/fingerboard2/cyber.html.

X-Lancelot

Em minhas primeiras experiências com Perl/Gtk, terminei criando um software simples para simular lances de dados. Sua página fica em: http://xlance.codigolivre.org.br/.

IaraJS

Depois de <yber Edi+or, o carro-chefe dos meus projetos pessoais passou a ser um sistema feito em JavaScript para automatizar a criação de sites.

Se você chegou a ver o Abaskantto por dentro (e entende de JavaScript) não é difícil perceber que a idéia do IaraJS nasceu dali. Um sistema responsável por toda a interface web, rodando no navegador, com suporte a temas e podendo ser usado também como um gerenciador de componentes para páginas normais. Esta grande idéia terminou virando meu Trabalho de Conclusão de Curso.

Hoje o projeto está parado, prestes a ser cancelado. Motivo? Tableless! Padrões web! Acessibilidade! É bem mais eficiente trabalhar assim do que com IaraJS. Mas estou preparando um gerenciador de componentes JavaScript para breve... Aguardem!

O IaraJS fica em http://iarajs.codigolivre.org.br.

Outros Projetos

São diversos projetos, mas hoje só se encontra ativo o projeto Enciclopédia Omega. A lista com vários desses projetos que pensei um dia pode ser encontrada no CódigoLivre ainda: http://codigolivre.org.br/users/andarilho/.

Andarilho

Há muitos e muitos meses sou conhecido como andarilho. Mas que grande mistério envolve tão estranha alcunha?

Ainda não é o momento para tal revelação, mas o primeiro passo/web do andarilho foi com um servidor chamado Catar. Assim nasceu Andarilho d'Catar, que se transformou posteriormente em Andarilho de Qatar, tornando-se assim personagem do meu terceiro romance, que comecei e não terminei de escrever (nem sei se vou terminar um dia).

Houve várias versões do site do andarilho, e vários servidores também. A última versão que encontro hoje disponível fica em http://andarilho.esmartweb.com/, usando IaraJS.

Andarilho foi o nick que antecedeu o Bardo, pelo menos em parte. Às vezes me parece que se um antecedeu o outro, não foi no tempo, mas de uma forma apenas conceitual, atemporal.

O primeiro site do Bardo foi http://www.bardo.com.br, mas devido a alguns desentendimentos, acabei abandonando o site por longos meses e, alguns meses atrás, voltando com http://bardo.cyaneus.net.

E aqui estamos nós! Não é uma longa história, nem é a história completa. Todo esse texto serve apenas para reafirmar o que digo: Quer saber quem é alguém? Pergunte ao oráculo.

Special: 

Mensagens Instantâneas (Jabber)

Já não é novidade o uso da Internet para comunicação entre pessoas quase em tempo real. Há anos os canais de bate-papo, seja via web ou IRC, faziam o maior sucesso. Mas outra forma de comunicação - que também não é nova - já é popular nos dias de hoje, e creio ainda mais que os canais de bate-papo: as mensagens instantâneas.

O princípio é simples. Cada pessoa tem um usuário com um nome único (como um telefone). E, quando quisermos, podemos falar diretamente com um dos outros usuários (como um telefone). As diferenças entre essa forma e o telefones são:

  • mensagens geralmente transmitidas como texto;
  • só funciona a comunicação se o seu contato estiver "on-line", ou seja, usando o computador e o sistema de mensagens (é óbvio);
  • você pode saber quem dos seus contatos está "on-line" a qualquer momento.

Não é difícil perceber a utilidade de um serviço desses que, para o dia-a-dia, se torna muito mais objetivo e prático que freqüentar salas de bate-papo em busca de uma pessoa específica.

Serviços Famosos

Hoje nós temos alguns serviços de Mensagens Instantâneas que estão entre os mais utilizados.

A começar pelo MSN Messenger da Microsoft. A empresa já foi processada pela Netscape por violar leis anti-monopólio ao incluir invariavelmente integrante o Internet Explorer como parte do seu Sistema Operacional e o que eles fazem agora? Icluem seu cliente de MSN Messenger como parte integrante do Windows XP, iniciando automaticamente na configuração padrão e sem permitir a desinstalação por usuários leigos.

Com isso, o que temos é um crescimento enorme no uso do MSN Messenger: um número enorme de pessoas utilizam essa rede. A maioria deles, usando o programa da própria Microsoft.

Com um número ainda grande usuários temos o antigo ICQ, que não tem crescido: a maioria dos usuários atuais são usuários antigos do ICQ que não querem mudar de serviço.

Outro pouco utilizado, mas um tanto conhecido, é o Yahoo! Messenger. Mensageiro do Yahoo!.

Vem o Jabber

Existe uma outra opção para quem deseja conversar direta e instantaneamente pela internet. Uma opção mais ao estilo Software Livre, bem elaborada e que vem progredindo. Esta opção se chama Jabber.

Uma coisa interessante é que Jabber é um padrão (as normas de funcionamento do Jabber - chamadas de protocolos - são tratadas pela Internet Engineering Task Force/IETF), não um serviço específico de um site. O que isso quer dizer é que existem vários sites de onde você pode ser "um usuário Jabber". E isso não é confusão: você pode se comunicar naturalmente com usuários jabber de outros sites.

O grupo responsável pelo Jabber, Jabber Software Foundation, desenvolveu padrões abertos para a comunicação por Mensagem Instantânea, usando a linguagem XML (se você não sabe o que é isso, basta dizer que possivelmente é a forma mais moderna de transmitir informações complexas pela internet). As vantagens de se usar um padrão aberto são inúmeras: é fácil desenvolvedores criarem novos softwares para isso.

Assim, existem diversos clientes (programas que você pode usar em casa pra se comunicar com outras pessoas) e servidores (que são utilizados nos sites da internet para que usuários se conectem a eles). E qualquer empresa ou comunidade que tenha uma máquina-servidor à disposição pode instalar um servidor jabber para seus usuários! Há clientes para Windows, GNU/Linux, Mac, Palm... Há softwares (tanto clientes como servidores) freeware, livres, proprietários... Ou seja, há opções para todos os gostos. E eles incentivam a criação de novas soluções nessa linha: há até um portal de programas, bibliotecas e componentes Jabber!

Por que usar Jabber?

A forma como Jabber é feito também faz com que seja fácil expandir seus recursos. Alguns servidores têm, por exemplo, agentes de comunicação que lhe permitem conversar com seus contatos MSN, ICQ e Yahoo! como se fossem contatos Jabber.

Há diversos clientes Jabber disponíveis e há até serviços de grife usando Jabber, como é o caso do provedor de Internet português Sapo (http://www.sapo.pt), que preferiu não reinventar a roda...

E um outro motivo, para quem gosta de teorias de conspiração, é que a descentralização dificulta o monitoramento das mensagens. Se tudo passa por um servidor só, quem garante que as mensagens não estão sendo "testadas" para que "advinhem o assunto a partir de palavras-chaves/usuários específicos" e "acompanhem conversas que interessem a eles?"

Há clientes Jabber que suportam também criptografia e aí é uma preocupação a menos para mentes com algum nível de paranóia. ;)

Como faço?

Basta, primeiro entrar no site http://www.jabber.org e procurar na lista de softwares clientes Jabber. Escolher um e fazer download. Recomendo o Gaim e o Gabber, este segundo sem versão para Windows.

Depois, lá no http://www.jabber.org mesmo veja a lista de servidores públicos. Escolha o que lhe parecer mais interessante e... pegue seu endereço! Não precisa entrar no site. Outra diferença de Jabber é que você pode se cadastrar do próprio programa, e rapidamente, sem aquelas telas e formulários no site do fabricante. Eu uso o 12jabber.com há cerca de 2 anos e tem funcionado muito bem (e o próprio jabber.org tem um servidor público com este endereço).

Sobre o Compartilhamento e a Arte

Introdução

Este documento foi escrito na nobre tentativa de explicar o que está havendo hoje no mundo no que diz respeito à briga entre a dita Propriedade Intelectual e o Compartilhamento do Conhecimento e suas relações com o campo artístico.

Nobre, porque talvez vã, dado o estado avançado em que se encontra o pensamento capitalista ocidental. Mas não custa tentar, não é mesmo?

Paradigmas Goela Abaixo

Durante a história da humanidade é comum vermos como massas são manipuladas através da desinformação. O que pouca gente percebe é que o despotismo esclarecido nunca esteve tão em alta como agora.

Vivemos em um mundo cheio de Verdades e que ninguém hoje sabe mais o sentido dessas verdades. A Ciência é a Vida de Perguntas, mas há quem queira que seja vista como Oráculo das Respostas Irrefutáveis... Poucos sabem que a Internet não é tão segura. Poucos sabem que grandes empresas pagam fortunas por baixo dos panos em processos judiciais porque têm contratos que passam por cima da lei. Poucos sabem que a festa de São João tem fogueiras porque foi a adaptação de uma festa pagã comemorando a chegada do verão, no hemisfério norte.

Estamos na Era da Informação. Será? Veja bem: quem paga as contas dos órgãos de imprensa? Propaganda! Mas quem paga o "algo mais" que o capitalismo e a fraca ética os forçam a pedir?

Por exemplo, toda uma cultura de O que vem de fora é melhor tem atormentado a vida dos que querem valorizar a Prata da Casa. E essa falácia que se encontra plantada no fundo da nossa atual sociedade não nos deixa ver que o brasileiro é criativo, persistente e brincalhão. E se você acredita mesmo que tal pensamento surgiu espontaneamente nos nossos antepassados (e até em alguns de nós), recomendo que pense um pouco no assunto. Veja a quem interessa que pensemos assim e olhe ao seu redor com mais atenção.

É poder! Não é mais informação. O compromisso não é mais este, mas o de direcionar aquilo em que as pessoas crêem. Esta não é só a Era da Informação, mas a Era do Controle da Informação, no sentido mais manipulativo da palavra.

Quanto mais o cinema fast-food substitui os livros, quanto mais o tempo obriga as pessoas a ouvirem a opinião de uma só mídia sobre as atualidades, quanto mais as vidas das pessoas focam suas prioridades de modo a considerarem cada vez mais coisas como banais... Quanto mais isso acontece, menos se questiona esses valores e essas verdades.

É fácil dizer que o índio era burro. É fácil dizer que o Sol é uma estrela. Mas creio que cada frase de efeito dessas tenha um motivo para ter sido criada. E esse motivo nem sempre é tão inocente ou nobre. Feliz quem vê isso.

Como já disse Humberto Gessinger, A história se repete, mas a força deixa a história mal contada. E a Força está ficando cada vez mais eficiente nisso.

A Propriedade Intelectual

Propriedade Intelectual é uma dessas verdades. Por que existe a Propriedade Intelectual? E o que é realmente Propriedade Intelectual, você sabe?

Propriedade Intelectual nada mais é do que um monopólio sobre idéias e pensamentos. Foi criada com um objetivo. Talvez tenha sido útil no cumprimento do seu objetivo à sua época, talvez não, mas isso não vem ao caso. O fato é que hoje não passa de uma anomalia que a muitos interessa alimentar.

A Propriedade Intelectual foi criada com o intuito de incentivar a produção. Assim foram criados, por exemplo, o copyright e a lei de patentes. Com isso, criadores de idéias e pensamentos poderiam garantir um retorno financeiro para o que criassem. Após esse período de monopólio, a obra cairia em domínio público.

Acontece que, com o tempo, as coisas passaram a funcionar de maneira um pouco diferente... Surgiram os Selos, com poder financeiro para fazerem tiragens enormes de uma obra, que passaria por uma espécie de moderação antes de ser aceita. Em troca, parte do lucro iria para o Selo. Assim, gravadoras e editoras se fortaleciam. E ao mesmo tempo em que se montavam redes sofisticadas de distribuição e divulgação, a porcentagem dos verdadeiros criadores das obras diminuia.

A Propriedade Intelectual passou a favorecer mais os intermediários que os criadores. E isso fica ainda mais evidente quando vemos o aumento do prazo de validade dos direitos autorais de tempos em tempos. Ora, se o objetivo era incentivar a produção artística, por que os direitos autorais têm que se extender até a quarta ou quinta geração dos seus criadores?

Sem Nexo, e Agora Falida

Quando as músicas eram impressas nos discos e os livros é que traziam as literaturas, até que essa idéia de Propriedade Intelectual tinha um pouco mais de força de convencimento, com o argumento de que, para produzir a obra, haviam sido gastos tempo e trabalho de uma fábrica. Mas não é argumento bastante, já que a expressão Propriedade Intelectual deveria se referir à criação artística e não industrial.

A queda do paradigma veio com a popularização dos CDs, dos gravadores e da Internet. A cada instante fica mais evidente que não faz sentido pagar dezenas de suados reais por algo que pode ser adquirido quase que instantaneamente, sem que seja necessário o ausentamento do lar.

Há todo um movimento tentando manter a Propriedade Intelectual, transformando-a em produto. Mas uma obra artística não é um produto: é uma idéia. Uma idéia pode ser falada. Grite uma frase em uma praça e várias pessoas a ouvirão sem custo. Você tem o direito de cobrar-lhes por lhe ouvirem?

O Calcanhar de Aquiles da Propriedade Intelectual é que uma idéia não é um bem. Se eu tenho um livro, posso emprestá-lo, mas aí fico temporariamente sem livro: é um bem. Se tenho uma obra literária em um arquivo de computador, posso copiar para um amigo e continuarei com minha cópia: consegue ver algum bem nesse processo? Não há privação nem deslocamento de recursos (obras) para nenhuma das duas partes.

Outro argumento é o de que O artista tem que receber pelo que faz. Mas sempre se esquece que o artista recebe um ínfimo perto do que lucra um Selo, muitas vezes não tendo como confirmar se aquilo corresponde realmente às vendas alegadas.

Há tempos que se fala que Ninguém vive de escrever livros e que O que dá lucro ao cantor são os shows. Ora, então por que persistimos com essa idéia de vender unidades de nossas obras, como se cada cópia tivesse requerido um esforço intelectual de nossa parte? Que saiba, isso funciona apenas em artes plásticas, devido à sua natureza mesmo...

A Reação dos Selos

Na luta contra a tal pirataria, não é difícil ver o quanto os Selos se esforçam para dar continuidade a algo que não é natural.

Muitos, ainda iludidos com a idéia de remunerar o autor através dos Selos até gostariam de pagar para acompanhar suas criações, mas os preços praticados pelos Selos são altamente proibitivos. O que resta a esses fãs? Recorrer aos genéricos.

Apesar da diferença gritante de preços entre a obra com Selo e a mesmo obra genérica, pouco vemos planos de redução dos preços finais como forma de combate à dita "Pirataria".

Ao invés de baixarem os preços, eles investem cada vez mais em formas de combate à pirataria. Muitas vezes aumentando os preços dos produtos para tal e tantas outra retirando direitos já consagrados de seus consumidores, parecendo partir do princípio de que todo mundo é pirata.

Um dos casos extremos dessa luta contra a dita pirataria foi quando invadiram uma casa nos Estados Unidos (onde se caminha mais nessa direção) em busca de uma adolescente de 12 anos que havia copiado músicas pela internet. Eles precisavam, obviamente, de um bode espiatório. Como não conseguem convencer por argumentos, tentam convencer por medo e maquinam leis mais e mais severas.

Uma Luz no Fim do Túnel

Mas há uma saída. Por volta dos anos oitenta, quando a Indústria de Software começou a distorcer as coisas, passando a vender não cópias de software, mas licenças de uso, Richard Stallman pensava diferente.

Stallman trabalhava no Instituto de Tecnologia de Massachusetts quando começaram a adquirir programas com licenças e o pediram pra assinar um termo de compromisso de conduta. Como isso contrariava seus ideais, ele pediu demissão e criou a Fundação do Software Livre (http://www.fsf.org). Desenvolveu licenças (contratos entre criadores e consumidores) para permitir o compartilhamento de programas de computador e seu trabalho de forma comunitária. Hoje, este movimento ganha proporções nunca imaginadas: empresas de peso como a IBM, a Sun e a Novell investem nessa idéia; muita gente está seguindo também por esse caminho e dois nomes de programas que seguem essa filosofia já são sucesso absoluto: Linux e Apache. Há muita coisa sendo feita graças a isso, principalmente no Brasil (procure na internet por Software Livre e confira).

O que isso tem a ver? Tudo! Na tentativa de controlar o incontrolável, os Selos começam a inventar licenças de uso para quem compra os produtos artísticos. Ou seja, a arte esá chegando precisamente ao ponto em que o software chegou em 80.

A boa notícia é que esse movimento que tenta reverter a forma como obras e autores são tratados não se resume ao movimento de Software Livre...

Seja Criativo!

O Creative Commons, por exemplo, desenvolveu, seguindo a idéia das licenças de Software Livre, licenças para obras artísticas. No site deles há licenças para trabalhos de áudio, vídeo, imagem, texto e interativos; bem como se pode escolher permitir ou não aos adquirentes das obras o uso comercial e a modificação, criando-se trabalhos derivados.

O princípio é que, se as leis se tornaram fortes ditadoras e começaram a complicar o compartilhamento de obras (sim, porque o © não é mais necessário para dizer que uma obra está "protegida" por lei de Copyright; então, como proceder?), cria-se uma forma de, por lei, permitir seu uso.

Assim, distribuir suas obras sob uma das licenças do Creative Commons funcionará como se você as estivesse colocando em domínio público, com a diferença de que você pode dizer o que exatamente permite que se faça com a obra, e ficará bem mais claro para o adquirente da obra o que você está permitindo.

Isso tudo já é bastante bom, imagine então com a permissão de trabalhos conjuntos, dependentes ou não do tempo.

Obras Colaborativas

Imagine poder fazer um livro e ser ajudado por pessoas que você nem conhece, mas que gostaram da sua história. Ter uma história refinada com o tempo, como fruto do trabalho de várias pessoas. Alguém tem uma idéia, outro a melhora.

Imagine gravar uma música com pessoas desconhecidas para você, sem que precisem todos se encontrar em um estúdio. Poder gravar voz e guitarra e permitir que outras pessoas façam o baixo, a bateria e o que mais desejarem.

Isso é trabalho colaborativo.

É o enriquecimento da cultura, afinal, cultura não se cria do nada. Cultura se faz, sim, de maneira incremental. Veja o exemplo das cantigas locais. Alguém faz um Côco de Roda. Vem um outro e o modifica, e outro o melhora, um quarto adiciona umas estrofes e no final o que temos? Cultura, simples e concentrada.

Mas não precisa se assustar com isso tudo, os princípios da ética prevalecem, exigindo que cada autor e modificador adicione uma nota em algum canto relacionado à obra, com o nome e dizendo o que fez, preservando os nomes de autores e modificadores anteriores.

Isso não funciona? Então deixe-me falar sobre wikiwiki...

Rápido! Rápido!

O gerenciamento de informações e conteúdo na internet sempre foi uma preocupação de diversos programadores. Primeiro, foram criados programas que facilitavam o acréscimo de notícias aos sites. Depois, com a necessidade de mais interatividade, foram criados mecanismos que permitissem aos visitantes comentarem as notícias e lerem todos comentários feitos. Mas precisávamos de mais interatividade ainda...

Wikiwiki significa Rápido no idioma havaiano. Este foi o nome adotado para um tipo de ferramenta de conteúdo para a Internet. Porém, uma ferramenta diferente dessas outras que citei. Uma ferramenta de texto colaborativo.

O que isso significa? Bem, significa que várias pessoas podem editar uma mesma página da Internet. Significa uma forma de colocar texto na Internet e convidar os internautas a escreverem também, corrigindo o texto e acrescentando o que acharem que faltou falar.

Sim! Isso funciona! Veja o caso da Wikipedia...

Wikipedia

Este projeto (http://pt.wikipedia.org) planeja fazer uma enciclopédia inteira, de maneira colaborativa e com uma licença como essas da Creative Commons. No momento em que escrevo este texto, a Wikipedia - versão em Português - conta com 9.359 artigos, todos editáveis pela Internet. Qualquer um pode colaborar. Não precisa se identificar se não quiser.

Em 07 de julho de 2004, a versão em inglês contava com mais de 300.000 artigos (apenas para referência, a altamente conceituada Enciclopédia Britânica tem 85.000 artigos). E em 2003 teve mais visitas que o site da Enciclopédia Britânica e isso é apenas o começo! Os responsáveis pela Wikipedia querem lançar, daqui a alguns anos, a versão impressa da enciclopédia livre, o que certamente causará um forte impacto no mundo dos Selos. Os livros serão impressos, mesmo podendo ser acessados e copiados livremente pela Internet. Aí você escolhe: pagar por uma versão encadernada ou consultar pela Internet (ou os dois!).

E este não é o único projeto desse pessoal. Eles têm também o Wikitionary (http://pt.wikitionary.org), que está começando a fazer um dicionário nessas regras; o Wikibooks (http://wikibooks.org), ainda sem versão em Português, que pretende reunir textos livres e colaborativos; o Wikiquote (http://wikiquote.org), também sem versão em Português, que está reunindo citações divididas por temas; e o Wikisources (http://sources.wikipedia.org), que está catalogando livros, em qualquer idioma, que sejam de domínio público.

O Que vai Acontecer Agora?

Pelo menos no campo do Software Livre o Brasil está na crista da onda, disparado com vários casos de sucesso, várias experiências positivas e um governo federal convencido de que este é o caminho (http://www.softwarelivre.gov.br).

Quanto à arte livre, por aqui isso está apenas começando, mas quando o Ministro da Cultura (o talentoso Gilberto Gil) apóia abertamente e abraça uma iniciativa como esta (http://creativecommons.org/projects/sampling e http://www.softwarelivre.org/news/2307), é um bom momento para repensar os conceitos que se vem carregando por anos...

Histórico do Documentos

  • 05/07/2004 - Criada a primeira versão, por Cárlisson Galdino;
  • 06/07/2004 - Primeira revisão: corrigidas algumas palavras e mudadas algumas poucas passagens, por CG;
  • 07/07/2004 - Adicionada nota sobre os 300.000 artigos da Wikipedia e mudado um pouco o estilo do documento, por CG.

As Pedras se Movem

A Microsoft não liga para o Linux. O Linux é uma pedra em seu sapato e, depois de tantos anos esmagando projetos concorrentes, ela aprendeu muito bem a lidar com pedras nos sapatos. É lógico que ela se preocupa com o Linux, pois a curto prazo tem crescido. Porém sua preocupação maior tem menos letras...

O modelo de desenvolvimento do Software Livre foi o que permitiu o fortalecimento do Linux e outros projetos. O OpenOffice e o Mozilla, o Apache que a faz acordar suada e ofegante no meio da noite. Ela não odeia o Linux. Se o Linux fosse um produto como o deles, ela saberia muito bem se livrar dessa pedra. Acontece que o Sistema Operacional não se chama só Linux e há três letras que ela gostaria que nunca houvessem existido: GNU.

A GPL pode ameaçar seus planos para o futuro e tem ameaçado de maneira enfática (apesar de tal ameaça poder ter passado despercebida por muitos). Isso a ameaça, mas essa empresa tem evoluído muito nesses anos em uma direção diferente das convencionais. Hoje eles têm uma forte inteligência. Inteligência de guerra, onde os fins justificam os meios: aprenderam a vencer a qualquer custo.

Eles acompanham bem os nossos movimentos, mesmo que não tenhamos notado. Eles viram o projeto Mozilla de um framework de aplicações não vingar (o navegador e o e-mail só agora começam a ser falados pela imprensa) e aproveitam para refazer esse framework a seu modo. Não duvidem: eles encontrarão erros do Mozilla XUL e o corrigirão para seu XAML, batendo forte nesses erros, que é onde vai doer.

Agora, por que a Microsoft faria questão de participar de evento de Software Livre? Não seria perigoso um palmeirense no meio de corinthianos (ou o contrário, tanto faz)? Seria se eles não tivessem uma inteligência de guerra. Vale lembrar que quando o termo "Open Source" se tornou popular, eles "abriram" o código de alguns programas para mostrar que estavam por dentro das mudanças no setor de informátia. Mas você conhece a licença que eles criaram para isso? Você pode ver o código, mas não alterar nem recompilar, além de estar sujeito a futuros processos caso chegue a criar códigos que lembrem o da tal empresa. Como você chamaria isso? Chamo de desinformação. São déspotas esclarecidos.

Voltando à questão: o que eles fariam em um evento de Software Livre? Pregariam o "software livre segundo o que entendem disso", que de livre nada tem. Assim, um evento onde os visitantes interessados deveriam receber informações confiáveis sobre o que é o movimento recebem informações distorcidas ou truncadas. Eles também podem utilizar de velhos tabus como o da segurança por obscuridade. Certamente não seria difícil a um visitante sem tanto conhecimento ser iludido por tais argumentos.

Além do mais, a presença da empresa em um evento de Software Livre passa a forte sensação de que eles têm tudo sob controle: melhora a imagem da empresa frente aos clientes tradicionais.

Uma das coisas mais incríveis do Software Livre é seu modo de "seleção natural", que geralmente permite que existam dois softwares fortes de cada área para competirem, além de outros menores. é assim com KDE e Gnome, Emacs e vi, Mozilla e Konqueror, Links e Lynx... Até mesmo em campos diferentes há essa benéfica ruptura de idéias: Open Source e Free Software, Perl e Python, múltiplas distribuições, GPL e BSD... O lado bom disso é que é algo perfeitamente saudável: há sempre uma concorrência à altura (ou quase) e as equipes se motivam em torno do que acham que vale a pena em disputas onde prevalece o espírito esportivo.

Partindo do princípio de que a comunidade tem uma tendência tão forte a se dividir em torno de opiniões, formando grupos de opiniões diferentes, é de se estranhar que muitos abominariam a participação da Microsoft em um evento de Software Livre enquanto outros seriam totalmente coniventes com isso, criticando os primeiros severamente? Olhando desse ângulo me parece que não. Assim, o que geralmente é uma vantagem entra em um ponto crítico onde pode se tornar uma fatal armadilha. Nós sabemos que as discussões e posicionamentos ideológicos têm muita importância e que, por falta de comunicação, alguns se exaltam e falam sem pensar, dos dois lados. Os velhos flames que se combate (e têm-se evitado) parece que podem voltar agora. Como fica a imagem da Comunidade de Software Livre Brasileira depois de uma ruptura dessas, onde uns fecham contratos de patrocínio da Microsoft para um evento enquanto e, em resposta, uns aplaudem e outros jogam tomates?

Não digo que se deva ser conivente com isso, ou abominar totalmente o ato. Só acho que foi uma jogada bem estudada e o que podemos tirar disso tudo é a certeza de que eles estão jogando. As peças já estão se movendo.

Sempre dissemos que nossa briga não é com a Microsoft, mas com o Software Proprietário. Pois bem, a deles não é com o Linux, mas com o Software Livre. Eles conseguem, participando de um evento de Software Livre e gerando tanta polêmica, assumir também a posição de arqui-rivais do movimento, o que sempre evitamos. As peças se movem no tabuleiro e quão mais cedo percebermos que o jogo já começou, maiores serão nossas chances de resposta.

Special: 

Pergunte ao Oráculo

Uma das razões de entrarmos na grande rede mundial, dita Internet, é o acesso a informações que nos sejam úteis, seja sobre um assunto da escola, um serviço que desejamos contratar ou um tipo de informação especial. Para encontrarmos resposta para isso, temos duas opções: tentar adivinhar endereços de sites (o que não é nada produtivo) ou recorrer aos sistemas de busca.

Desde muito tempo, quando a Internet começou a ficar realmente grande, descobriu-se a necessidade de sistemas que ajudassem os internautas a encontrar da Internet aquilo que procuravam. Chamados de Sistemas de Busca, estas páginas mágicas na Internet funcionavam como oráculos. Dizíamos palavras desejadas e elas retornavam endereços de páginas. Simples e eficiente, a fórmula é utilizada até hoje (apesar de permitirem usos mais sofisticados).

O buscador de sucesso mais antigo que lembro é o Yahoo!, famoso principalmente por suas páginas leves. Eles se preocupavam com o resultado das procuras e que as procuras fossem rápidas, para o usuário não precisar esperar tanto.

O tempo passou e o Yahoo! virou um diretório, ou seja, catálogo de sites, divididos por categorias.

No Brasil tivemos o Cadê?, que fez um enorme sucesso por aqui na década passada. Hoje parte do Yahoo!, o serviço continua funcionando.

Apesar desses e de diversos outros que existem por aí, hoje é inegável a força do Google, um serviço rápido e distribuído entre milhares de máquinas espalhadas pelo mundo.

Para fazer uma busca, você precisa de um endereço de buscador e de um assunto. Vamos trabalhar com o Google por ora. Seu endereço é http://www.google.com.br (versão em Português).

Vamos procurar um texto que diga as regras do xadrez chinês. Para isso abrimos o Google, digitamos (xadrez chinês) na área de texto e clicamos em procurar, sem os colchetes. Obtive mais de 4.500 resultados. Isso foi ótimo para dar uma dimensão de quanta informação o Google tem, mas não ajuda muito, o que começamos a notar lendo o resultado: Livro de receita.

Para melhorar, podemos colocar a expressão entre aspas. Assim, o Google só mostrará links onde as duas palavras forem achadas juntas. Vamos buscar por ("xadrez chinês"). Resultado: mais de 500 páginas (o filtro realmente diminuiu o resultado da procura), mas ainda falam de culinária.

Vamos adicionar então a palavra regras. A busca fica ("xadrez chinês" regras). Com esta fórmula, você certamente achará as regras em algum dos links retornados.

O importante aqui é perceber o que é possível fazer em um sistema de busca: dá pra encontrar muita coisa. Tudo se baseia em você: pensar no que procura, criar uma fórmula para isso (critérios de busca) e procurar com um site como o Google.

"Por que o Google?" Bem, é o mais utilizado atualmente: é rápido, tem muita informação, é leve e ganhou a simpatia de muitos grupos. Mas se você não gostou dele, pode tentar o Yahoo! - http://br.yahoo.com - ou o Altavista - http://www.altavista.com.br - ou até mesmo fazer uma procura por "Ferramenta de Busca" ou "Search Engine".

Escolha o seu oráculo e navegue com mais firmeza, com maiores chances de encontrar o que procura.

Internet Screen Saver

Um mundo completo de possibilidades ao alcance do mouse. Poder estudar, conversar, fazer compras, pagar suas contas sem sair de casa. Um mundo de facilitades e... Espera um pouco. Isso não está bonito demais para ser verdade?

É, há tempos que a Internet é vendida como um mundo cheio de facilidades, e a informática é vendida como algo fácil. Mas por trás da ilha tropical paradisíaca que as companhias apresentam se esconde uma outra realidade. As facilidades existem? Sim, existem. Mas as empresas sempre se esquecem de citar as notas de rodapé da Internet: há riscos.

Vejo a Internet como uma reprodução, de certo modo, do mundo real em que vivemos. É uma forma meio imprecisa de se ver a Internet, mas é uma forma. Muitas coisas mudam, mas a essência permanece: há pessoas, serviços, artigos, bibliotecas, lojas... Mas assim como se reproduzem algumas virtudes deste mundo real (e se somam outras), também se reproduzem os defeitos. E assim, na Internet há também gente mal-intencionada, malfeitores.

Chega a ser ingênuo imaginar que na Internet todos se tornarão pessoas íntegras, simplesmente pelo fato de estarem on-line. É isso o que se prega nas entrelinhas por aí. É nisso que as pessoas acabam acreditando, por terem visto uma imagem tão boazinha da Grande Rede Mundial.

Alheio a essa imagem, surgem cada vez mais fraudes digitais. E-mails que são enviados em nome de outras pessoas ou empresas... Sites de banco falsos que são postos no ar para pegar os dados dos clientes... Sites de lojas que não existem, mas "vendem" seus produtos a preços tentadores... Tudo isso tem acontecido ultimamente e muitas pessoas têm caído nos cada vez mais comuns "Contos do Vigário".

Não quero com isso dizer que a Internet não presta e devemos fugir dela: tento apenas alertá-lo dos perigos. Jamais acredite em um e-mail que peça informações, a menos que esteja esperando já pelo e-mail e a fonte pareça confiável. Verifique sempre o endereço das páginas onde entra. Preze por sua segurança e seja, acima de tudo, um pouco paranóico. Um pouco de paranóia não faz mal a ninguém.

O nosso mundo real tem muita gente mal-intencionada, mas como estamos nele desde pequenos, terminamos aprendendo a lidar com isso. Falta só que se perceba que as pessoas do mundo virtual são as mesmas do mundo real. Estar on-line não muda seus sonhos, suas virtudes, seus defeitos, nem seu caráter.

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