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Vampiro no Poder

Ai meu Deus
Um vampiro está no poder
Ele quer arrancar nosso sangue
Ele quer nos deixar na pior
E eu não posso deixar essa gangue
fazer o que quer nos pisando sem dó


Nessa conversa de crise
Já congelaram a saúde e educação
Mas sobrou muito dinheiro pra propaganda
E pros lanchinhos dessa gangue no avião

[refrão]

[O] Ministro da Lava Jato
Perto da homologação
Morreu num acidente aéreo
Que ninguém sabe direito se foi acidente ou não

[refrão]

Com uma pá de reformas
Quem vai pagar o pato é a população
Vão acabar com a Aposentadoria
E rasgar a Lei Áurea pra voltar a Escravidão

[refrão]

O vampiro não tá só
Tem uma gangue para lhe dar proteção
São empresários, políticos e os donos
De jornais, revistas e canais de televisão
 

-- Cárlisson Galdino

Special: 

Festa Nova

Serpentinas bailarinas vão dançando pelo ar
E os confetes têm pileques: giram doidos de te olhar

Se está tão suja
De confete e serpentina
É porque, minha menina,
Quem não sonha em te tocar?

O carnaval chegou - como antigamente
Nesta tarde quente, com frevo e fervor
Vamos, meu amor, veste a fantasia
Até o fim do dia, depois tem cantor

E os caretas
Como uns bobos da côrte
Falando com voz suada
Macaqueiam pelo chão

Esses caretas
Que de bobos não têm nada
Te cortejando na baixa
Ah, mas vai ter confusão

O carnaval chegou - como antigamente
Nesta tarde quente, com frevo e fervor
Vamos, meu amor, veste a fantasia
Até o fim do dia, depois tem cantor

Mas já que não
Quer botar a fantasia
Talvez você não precise
Ouça só que brande idéia

Se perguntarem
Onde está a fantasia
Diga que está de princesa
Fantasiada de plebéia

O carnaval chegou - como antigamente
Nesta tarde quente, com frevo e fervor
Vamos, meu amor, veste a fantasia
Até o fim do dia, depois tem cantor

Depois desfile
Pelas ruas da cidade
Vai ser lá no fim da tarde
Vou te levar lá pra ver

Depois, quem sabe
Quando ninguém olhar pra nós
A gente se manda e a sós
De tudo pode acontecer

O carnaval chegou - como antigamente
Nesta tarde quente, com frevo e fervor
Vamos, meu amor, veste a fantasia
Até o fim do dia, depois tem cantor

Se está tão suja
De confete e serpentina
É porque, minha menina,
Quem não sonha em te tocar?

Pois vem, me suja
Me beija e vamos pra folia
Pois carnaval são só uns dias
Nós temos mais que aproveitar

-- Cárlisson Galdino

Gênero: 

Noturno

Placas laminosas, de luzes florescentes
Ferem os meus olhos
E os olhos, e os olhos
E os olhos de tanta gente

À noite preciso me encontrar
Então me perco nessas ruas sem luar
Passo à noite enquanto a noite passa
Acuado entre o asfalto e a fumaça

Tão escuro no céu, claro na Terra
Tão falsas luzes, falsidade que aterra
De um colorido cruel, mas fantástico
Um afiado leque cromático

Neon no alto de um bar
Outros gases nobres preenchem o lugar
Lugares nobres para tantos réus
Luzes em boates, cassinos e motéis

Nas placas, lugares inflamantes
Prometem: nada será como antes
Promessas falsas, farsas, fantasias
A boemia é o prêmio do noturno

-- Cárlisson Galdino

Gênero: 

Serra do Mar

Ela acordou de manhã
Ainda não era dia
Andou até a varanda
Que imensa calmaria

O vento que vinha
Do mar tão profundo
Beijar o seu rosto
Depois de girar o mundo
Nesse dia não veio

São sete e trinta e três
No velho despertador
Mas luz nenhuma se fez
Tristezas, sombras e dor

O Sol, astro rei
Que sempre se erguia
Lhe tirava um sorriso
Pra que se fizesse dia
Também ele não veio

A dor batendo em seu seio
E lá do meio do mar
A azul gaivota não veio
Seus segredos contar

Embaixo do monte
Por lá ninguém anda
Se põe de joelhos
A moça da varanda
Ela não acordou

-- Cárlisson Galdino

Gênero: 

Depressão

Angelicalmente sozinho
Se lá fora chove ou faz sol
Ele se pergunta: e daí?

Tão estranhamente tristonho
Calmamente claro ou escuro
Cercado de cores e sons

Pateticamente irritado
Deitado no chão agradável
Nem tão frio, nem tão gelado

Demoniacamente insano
A televisão vai ao chão
E todos os móveis se movem

Inumanamente furioso
Começa a socar a parede
Blasfema e pragueja em silêncio

Monarquicamente sozinho
Agradece a vida agradável
Co'a arma sob o travesseiro

-- Cárlisson Galdino

Gênero: 

Linhas Tortas

No que nos falam de sonhos
Era pra ser mais real
Nos obrigam a querer sempre mais
E nos cobram à vista

No que nos falam de Amor
E sentimentos tão puros
Apontando pras prateleiras
Transformam Amor em produtos

As drogas lícitas
As guerras santas
O motor da História
Queimando vidas
Pra chegar nesse estranho lugar
Que eles insistem em chamar de Futuro

Eles se assustam com o crime
Bancando a corrupção
Depois defendem a Pena de Morte
E se dizem cristãos

No que falam de Democracia
De sociedade mais justa
Mas apoiam golpes militares
E idolatram a censura

As drogas lícitas
As guerras santas
Eles destroem a cidade
E reconstroem depois
Tudo por uns trocados a mais
E amanhã sairão nos jornais como heróis

-- Cárlisson Galdino

Gênero: 
Special: 

Orfeu

Eu que fui na frente
Pra abrir caminho
Pra você
Te conduzir por um lugar seguro

Com tantos perigos
Me senti sozinho
Mas era por você
Por você! Por você!!!

Sou capaz de viajar
Até o infinito só
Pra te trazer
De volta ao mundo onde tudo é azul

Onde toda tarde
Há só nós dois
E o mar, é...
E o mar, é perfeito

Olhei pra trás...
O que aconteceu? Não estava mais ali!
Na madrugada! Onde - te - perdi?

Hoje naquela cidade
Por onde passamos
Não há nada, não!
Não há perigos, nem salvação

Sem teus olhos
Sem teu corpo
Sinto o mundo me esmagar
Fui teus olhos
E o meu corpo
É vazio e tudo é nada sem você

Foi por inveja! Foi por inveja!
Que os deuses nos separaram
Foi por inveja! Foi pura inveja
E agora o que vou fazer?

-- Cárlisson Galdino

Gênero: 

Felicidade Cenográfica

Felicidade Cenográfica - maquete

A cada dia o Sol te arranca um sorriso
E quem olha pra você vê toda a paz do paraíso
Durante o dia no trabalho, à noite é bebida
E você sempre sorrindo, tão feliz da vida
Tira do bolso um sorriso em cada esquina
Escondendo que que por dentro só declina

E assim a vida segue em frente mais um dia
Para o nosso mundo inteiro, seu mundo é de alegria
No seu rosto, nas palavras, no aperto de mão
Escondendo as lágrimas sob o colchão
Ninguém mais sabe que de forma apática
Essa felicidade é cenográfica

Então vá! Distribua seu cartão de visita
Então vá! Sua cara satisfeita me irrita
Porque dentro do seu coração
Sob cartazes coloridos, só destruição

Tanta gente todo ano você deixa pra trás
Ex-amantes, ex-amigos, inimigos e quem mais?!
Sem tantos amigos como tinha antes
Mas a produção pagou um monte de figurantes
Vai a bares toda noite em busca de prazer
É que precisa se drogar para esquecer

Chega das férias botando as fotos na rede
Tem que divulgar pro mundo quão feliz esteve
No seu mundo ser feliz é dever de cidadão
E a felicidade vira uma competição
E a sua vaidade é que rega a prática
Dessa felicidade cenográfica

E não percebe!
Que tudo isso é uma prisão
Você não sabe!
Que é só pra dar satisfação
À sociedade!
Que te quer sob controle
Longe do que possa importar...

-- Cárlisson Galdino

P. S.: Foto utilizada para a imagem do post: 3º ano - maquete I, de Fabio Panico

Gênero: 
Special: 

Certo e Errado

Letra escrita em abril de 1999.


Eu não sei mais o que é certo e o que é errado
Quem está do nosso lado só pra dar uma de esperto

Eu não sei mais se eu corro ou se eu fico
Em cada segundo que passa, se eu vivo ou se eu morro

``Navegar é preciso, viver não é preciso''
Preciso de alguém que diga com precisão
Quem sou, quem somos, tenho urgência
Minha paciência é tão frágil quanto as nuvens

Preciso saber de que são feitas as estrelas
De sonhos, de coragem ou de força de vontade
Preciso saber quantas ondas tem o mar
Aposto: não são tantas quanto as minhas tristezas

Não gosto de agosto, tudo parece tão calmo
Se a calmaria é bem pior que a tempestade
A calmaria é o anúncio do tornado e furacão
E a solidão ainda é a pior tortura

Pra quê que eu quero quatro estações
Trezentas e sessenta e cinco não reduziriam minha dor
Seus olhos são pedras preciosas que refletem o céu
Mas a preciosidade não é nada no vazio

O frio bate à minha porta, onde foi parar o Sol?
Nada funciona como eu quero
Tudo parece normal

Mas o frio insiste, eu abro a porta
A neblina me cega, mas o branco traz a paz

Se o mundo gira em torno do Sol
E o Sol gira em torno de Vega
Onde esse carrossel maluco vai parar?

Não importa, até lá o vento continua a bater à minha porta
Trazendo calor ou frio quando eu não preciso
Mas prefiro assim

Os ventos calmos que espantam as tempestades
Não são os mesmos que atraem furacões
Mas é melhor assim

Estou só, no meio da floresta
Só resta um pedaço de pão
João e Maria já tentaram: não deu certo
E eu não pretendo cometer o mesmo erro
    De contar meus passos

Melhor guardar o pão pra quando precisar
E continuar buscando uma saída
Minha vida é um carrossel maluco
Não sei quando vai parar

Mas até lá tento sair dessa floresta
E tentar esquecer o passado
E quem sabe, um dia aprenda de novo
O que é certo e o que é errado

-- Cárlisson Galdino

Gênero: 

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