setilhas

Castelo Gótico

Num reino muito longe, nonde nasce o dia
Onde vivos lamentam pela própria vida
Onde o dia no inverno quase não se nota
E no verão a noite vem despercebida
Em uma casa nem tão pobre, nem tão fina
Viviam dois amantes, e uma menina
Linda como o orvalho era concebida

Seus olhos eram claros num azul tão vivo
Que todo o azul do céu ficava envergonhado
De pele tão suave, cabelos em cachos
Como os de um anjo, de belo brilho dourado
Até quando chorava, sua voz tão pura
Soava tão bonita, com tanta ternura
Que caía a seus pés, todo o povo, encantado

O pai, homem do mar, pescador conhecido
De força e de prudência, em seu barco Dalila
A mãe, de uma família nobre e bem querida
Quem a conhece só elogios destila
E como um anjo lindo que desceu ao chão
Atraía de todos amor e atenção
Era a alegria mesmo, ela, de toda a vila

E assim, naquela vila, a criança Charlote
Deu seus primeiros passos sempre vigiada
Começou a falar as primeiras palavras
Sorria e brincava sem temer a nada
Mesmo com tantos mimos, se mantinha leve
Sempre se comportava bem como se deve
Sempre era ali na vila por todos amada

Era um tempo remoto, perdido no giro
Dos relógios que bravos atropelam horas
Charlote entra num mundo tão ruim e sofrido
Melhor talvez permanecesse estando fora
Pois nesse reino longe e sem instrução
Mais que rei, reinava maldade e ambição
E tudo o que não presta neste reino mora

E assim passou o tempo e Charlote cresceu
Aos nove anos de idade sempre bem querida
Por todos como antes, agora estudando
Bela e sonhadora, de mente sabida
Fazia a quarta série na Escola da Dinda
Trazia no sorriso a inocência linda
De quem ainda tem tanto a conhecer da vida

E todo mês saia ao menos uma vez
Com amigas da turma pra Rua Amarela
Sempre ia acompanhada da babá Larissa
Por mais que isso vergonha causasse a ela
Por mais que reclamasse de a babá a seguir
Sempre ia desse jeito pra se divertir
Tomar sorvete e conversar sobre novela

Sempre com mil amigas ao redor de si
Charlote adorava trabalhos de equipe
Ir à biblioteca, comprar cartolina
Criar um aparelho que só faz um bip
Tudo isso encantava essa criança doce
Adorava a escola, fosse como fosse
Ficava entediada quando tinha gripe

Todos professores gostavam de Charlote
Daquela menininha de olhar inquieto
Sempre feliz da vida e bem comportada
Estudiosa e sempre com alguém por perto
Levava estudo a sério, não faltava aula
Suas notas eram sempre as melhores da sala
Charlote era o orgulho de todos, decerto

Brincava de boneca, criava romances
Adorava as histórias de amor da TV
Começava a se achar controlada demais
Dizia que babás eram só pra bebês
Chorava em cada história, quando terminava
Nas cenas de romance sempre suspirava
Já sonhava com quando seria sua vez

Charlote foi crescendo e entrou na adolescência
As conversas com amigas já tinham outra cor
Falavam de possíveis pares que teriam
Falavam de possíveis histórias de amor
Foi Charlote notando nessa nova fase
Que na sua turma também tinha rapazes
E pouco a pouco tudo em seu mundo mudou

Bonecas trocadas por mais lindos vestidos
A nossa Charlote estava mais vaidosa
E mais bonita ainda, já adolescente
Cada vez mais bonita, mas alta e vistosa
Cuidava tanto da imagem, mas nem precisava
Pois vinha dela a beleza e ela se mostrava
Desde já o lindo broto de uma linda rosa

Mas mesmo com tanta mudança acontecendo
Essa mudança toda nunca afetou
Sua dedicação, responsabilidade
Na escola e nos estudos era um primor
Com um novo pensar, mesmo com isso tudo
Ela nunca ficou descuidada no estudo
Exceto quando viveu seu primeiro amor

Foi Amanda que certo dia aproximou
Ela de alguém lhe tirou todo o sossego
Ele lhe parecia encantador
Como era encantador aquele tal Diego!
Mas pouco foi o tempo pra poder notar
Que ele a traía, ela sem acreditar
Aprendeu como é cego esse tal do Amor

A dor da traição marcou a sua vida
Ela chorava um choro triste e abafado
Vieram outros rapazes mas, como Diego
Decepcionaram um pobre peito apaixonado
Mas no fundo ela continuava em paz
Pois mesmo com tudo de ruim que a vida faz
Sonhava ainda com o seu príncipe encantado

E foi aos vinte anos que apareceu
Na vila um nobre e elegante forasteiro
Filho de amigo da família dos seus pais
E o nobre por Charlote se encantou ligeiro
Charlote se encantou também por ele ao fim
E foi tão de repente, desse jeito assim
Que enfim teve início seu sonho derradeiro

Charlote ia se encantando mais e mais
Conrado era sempre nobre e educado
Aos pais da jovem pediu Charlote em namoro
De jeito tão cortês, tão nobre e refinado
E teve início um romance de tal jeito
Que Charlote sentia ser ele perfeito
Conrado seria seu príncipe encantado?

Sempre seguido pelos seus próprios vassalos
Iam com ele sempre para todo lado
Alguns armados, outros somente seguiam
Pois era sua guarda e grupo de empregados
Hospedado na casa de Dona Cleonice
Que não havia hotel ali que lhe servisse
Por isso ter a casa inteira alugado

E Charlote vivia desde então nas nuvens
Seu jovem coração estava apaixonado
Repleto de pureza e sonhos dos mais lindos
Que tinham só um nome, e o nome era Conrado
E sonhava dormindo, e sonhava acordada
Na vida ela já não se importava com nada
Só queria estar sempre e sempre ao seu lado

Era sob os olhos de vários empregados
Que se encontravam os dois quase todo dia
Na praça mais arborizada da cidade
No mesmo banco verde, a mesma alegria
Falavam sobre planos, tratavam dos dois
Ao fim Conrado lhe pegava a mão, depois
Sempre um beijo proibido acontecia

Que sonho, que delírio, que céu, que divino!
Charlote mal podia então acreditar
Naquele dia em que chegou o seu Conrado
E ao seu pai pediu Charlote para casar
Dos casamentos, seria este o mais belo
A festa ia ser no seu próprio castelo
À festa iria todo mundo convidar

No mês de agosto daquele soberbo ano
Foi que aconteceu o esperado casamento
A cerimônia foi assim indescritível
Charlote admirada com cada momento
Admirada com tudo, era seu direito
Sentia ser cada momento tão perfeito
Que todo o tempo ao seu redor passava lento

O castelo também era quase outro sonho
Antigas pedras, esse ar de monarquia
Charlote andava sozinha por cada canto
Encantada estava desde o primeiro dia
O salão principal com velhas armaduras
O jardim magestoso, tantas flores puras
Tudo era um lindo sonho, ou lhe parecia

Diante do altar enfim estavam os dois
Um casamento de tamanha produção
Foi feito na capela do próprio castelo
Estava cheia e era grande a emoção
E tudo era tão lindo, tudo tão perfeito
Que à tal pergunta que o padre tinha feito
Como é que podia Charlote dizer não?

Casaram-se então Conrado e Charlote
Foi até tarde a festa, todos no salão
À noite foram os dois para o novo quarto
Viveram uma noite de febre e paixão
Agora que Charlote já estava casada
Pela primeira vez na vida era explorada
Por um homem, conforme manda a tradição

Conrado se mostrava um nobre conhecido
Charlote doce e de beleza sem medida
E os dois seguiram juntos depois de casados
Como um casal enamorado na vida
Porém aos poucos algo incerto foi mudando
Alguns amigos do Conrado iam chegando
E mais e mais se via por ali bebida

E tudo começou assim bem devagar
No princípio Charlote não quis falar nada
Mas achou muito estranho na hora em que viu
No momento em que descia aquela escada
Seu marido e mais oito estavam no salão
Bebendo e se espalhando loucos pelo chão
Chorando, ela voltou ao quarto horrorizada

Mas esse era apenas o começo de tudo
Conrado parecia agora possuído
Na semana seguinte seus novos amigos
Eram amigas, era o álcool e a libido
Era a tragédia chegando de carruagem
De ver a cena, à Charlote faltou coragem
Chorava ao escutar cada louco gemido

O sonho de Charlote já estava invertido
Ela estava no teto antes, agora é piso
O casamento que parecia tão perfeito
Virou inferno o que antes era o paraíso
De dia, era solidão e sofrimento
As noites eram de pesadelo e tormento
"Que maldição me veio agora sem aviso!"

Um dia ela desceu pela escada ao salão
Sentada ali ficou quieta a assistir
Em soluços calados ela só olhava
O que sequer pensou que pudesse existir
Espalhados e nús estavam no salão
Sem pudor, eles faziam sexo pelo chão
A se lamberem loucos, a beber e rir

Conrado não ligava mais pro que devia
Somente as festas lhe ocupavam o pensamento
E cada vez mais loucas iam se tornando
E cada vez mais longe iam em seu intento
Aos poucos mais pessoas lá apareciam
Aos poucos se juntavam e se divertiam
E aos poucos foi ficando também violento

Charlote finalmente resolveu falar
"Conrado, o que há nesse nosso castelo?"
Conrado respondeu: "Ora, só me divirto!
É bom viver a vida, é bom, por ela zelo
Um dia todos vamos morrer de velhisse"
E Charlote chorando apenas lhe disse
"Pois preferia antes: era tudo belo"

"Quem foi que transformou o meu nobre marido?
Que era tão gentil, tão nobre e educado?"
Conrado deu um tapa no rosto da esposa
"Mulher, não estou fazendo é nada de errado!
Só vindo cá conosco é que vai entender
Portanto amanhã venho buscar você"
Chorando ela dizia "Não é o meu Conrado"

Conforme prometido, no dia seguinte
Conrado foi buscar sua bela senhora
E levou para todos no salão da orgia
Que dela aproveitavam enquanto ela só chora
"Que foi que mereci pra viver essa dor?
Que foi que aconteceu com o sonho e com o amor?
Nada mais vale a pena, só a morte agora"

"Ela não se diverte", dizia Conrado
"Não tem costume de ter com tantas pessoas"
Conrado que falava ou era o álcool?
"Mas logo verá que tudo são coisas boas
Vamos lá na cozinha buscar algo mais
Para excitar Charlote, que chora demais
E vai sentir prazer, verá que chora à toa"

Suada e ofegante, em lágrimas doídas
Charlote estremeceu ao ouvir o que ouvia
E todos gargalhavam qual bando de hienas
Famintos de prazer que tudo lhes daria
Já eram mais de vinte por aquela noite
Trouxeram colher, faca, temperos, açoite
Mas era tudo estranho, só dor e agonia

Uns sobre os outros como zumbis que vêem carne
Queriam que Charlote sentisse prazer
Pra se juntar a eles na noite profana
Mas só a assustavam, e ela a tremer
Até que correu sangue através do seu busto
Queriam lhe dar prazeres a qualquer custo
Enfim a dor e a febre, e Charlote a tremer

Conrado gargalhava abraçado com duas
"Vê com quem me casei, mas que mulher vadia!
Nem mesmo acompanha a gente numa noite!"
Conrado gargalhava e Charlote morria
E a noite prosseguiu em coito, afago e beijo
E a noite prosseguiu, pois não morreu o desejo
Da turma de Conrado, que se divertia

No enterro, no outro dia, Conrado de luto
Era mesmo só roupa, pois o seu estado
Era de indiferença ao que acontecia
Sorria ao receber cada seu convidado
Nem a noite do enterro ele respeitou
Ao castelo rumaram e a festa continuou
Charlote enterrada sem o seu Conrado

Onde está a menina que era pura e meiga?
Onde está a mulher de jeito delicado?
Onde estarão seus sonhos de vida perfeita?
Onde estarão seus sonhos? O que deu errado?
Já não caminha mais aquela moça bela
Morava no castelo, hoje só resta a ela
Seu caixão de tábua, no jardim enterrado

Peixe-Boi no Deserto

Já fui ao fundo do abismo
E quase sobrevivi
Já estive junto aos deuses
Lá era como é aqui
Já vi futuro e passado
Só no meu quarto sentado
Quase de tudo já vi

Já me perdi numa reta
Desentortei a estrada
Já fui senhor de um reinado
Já lutei só e sem nada
Já aplaquei dois rivais
Já ganhei Nobel da Paz
Já forjei mi'a própria espada

Já enfrentei pesadelos
Já tive noites tão boas
Já criei mundos imensos
Criei seres e pessoas
Já protegi navegantes
Com raiva, noutros instantes
Já destruí mil canoas

Já forjei versos sublimes
Fiz do comum, diferente
Já expliquei pra transeuntes
O que quase não se entende
Fiz dormir feras astrais
Já acalmei vendavais
Fiz revidar quem se rende

Mas de que vale o poder
De com uma simples canção
O Sol ao dia trazer
[O] que posso ou fiz é em vão
Sou peixe-boi no deserto
Se no mundo de concreto
Não estou no teu coração

Special: 

Espelho

Vá pra frente do seu espelho
Para o seu querido mundo
O que você sempre quis
O que sempre te orgulhou
Ao olhar para este vidro
Não era apenas você
Tua imagem sempre fui eu

Vá pra frente do seu espelho
Do outro lado eu também vi
Os meus sonhos mais perfeitos
O que sempre procurei
Meus castelos colossais
Pensando ser eu, mas sei
Que o que eu via era você

Vá pra frente do seu espelho
Onde dois mundos se juntam
Nele há um novo rosto
Não o mesmo de quem olha
Nas diferenças, tão poucas
Somos de mundos iguais
Somos a imagem um do outro

Special: 

Cordel do BrOffice

Há nem tanto tempo assim
Poucas décadas atrás
Quem trabalhava em banco
Escritórios e outros mais
Sempre tinha precisão
De não escrever a mão
Documentos oficiais

É por isso que usavam
Quando o trabalho pedia
Uma máquina adequada
Para a Datilografia
Sempre grande e pesada
Numa mesa, preparada
Em todo canto uma havia

Assim, quando precisavam
Um documento fazer
Iam pra ela prontamente
Pra máquina de escrever
Como foi também chamada
Era a forma consagrada
A forma de proceder

Mas apesar do seu uso
Ela não era perfeita
Exigia atenção
Pois nem tudo se endireita
Se uma carta fosse escrita
Com um erro na bendita
Teria que ser refeita

Cada letra do alfabeto
Tinha sempre o mesmo espaço
O "m" era encolhidinho
O "i" era muito largo
Nem anão, nem colossal
O tamanho é sempre igual
Letra, número ou traço

Foi por isso que o povo
Com uma grande alegria
Recebeu aquele novo
Editor que aparecia
Isso não foi tão recente
Eu nem estava presente
Mas foi feliz esse dia

O que estava se usando
Esse tal de "editor"
Era só mais um programa
Pro tal de "computador"
Pra mesma necessidade
Mas com muita novidade
Para qualquer escritor

Agora já era possível
Escrever de todo jeito
Com letra de toda forma
Num trabalho tão bem-feito!
E se errasse no alvoroço
Nem precisava um esforço
Pro texto ficar direito

Foi tanta revolução
Que até foto entrou no meio
Ficando junto com o texto
Pra ele ficar menos feio
Seja desenho ou imagem
Ou barras de porcentagem
Texto então tinha recheio

Mas havia um problema
Pra carta ficar bonita
Com figuras e desenhos
Toda coisa que foi dita
Toda a diagramação
Era feita sem perdão
Numa língua esquisita

Como isso era chato
A mudança foi em frente
Pra algum dia ser possível
Escrever exatamente
Tudo o que a gente queria
Como a gente gostaria
Tudo fácil para a gente

Veio então um editor
Que tornava isso possível
Fazer o texto na tela
De um jeito tão incrível
Que imprimindo o que se via
Como uma fotografia
Seria igual, infalível

Esse editor de texto
Dessa nova geração
Finalmente ficou pronto
Pra alegria da nação
Logo foi reproduzido
E por outros foi seguido
Em uma competição

Cada editor desse tipo
Vem com alguns aliados
Um programa de slide
De apresentação no quadro
Em tecnologia de ponta
Uma planilha de conta
Pra trabalhos tabelados

Esse conjunto completo
Ficou então conhecido
Por "pacote de escritório"
Não era um programa tido
Mas sim programas diversos
Para trabalhos impressos
Dos mais variados tipos

Acontece que, c'o tempo
O pacote que ficou
Desses para escritório
Que então se consagrou
Não foi bem o mais perfeito
Mas o que arrumou um jeito
De sem opção se impor

Foi o MS Office
O pacote de programas
Pra se usar em escritório
Que mais forte teve a fama
Logo em quase todo lado
Estava ele instalado
De Tóquio a Copacabana

Mas nem todo instalado
- E até hoje está igual -
Foi comprado direitinho
Como uma cópia legal
Já que custa mais de mil
Muita gente preferiu
Economizar Real

Mas o dilema é difícil
Sem ter nenhuma opção
O povo ou pirateia
Com o risco de prisão
Ou então tem que fazer
Mil reais aparecer
Pra pagar a aplicação

E hoje em dia esses programas
São real necessidade
Pra trabalhos de escola
Ou pra contabilidade
De programas dessa espécie
Todo mundo hoje carece
Por isso a dificuldade

Eis que o Software Livre
Que falei uma outra vez
Nos mostrou uma resposta
E o dilema se desfez
Pois tem em seu repertório
Um pacote de escritório
Para mim e pra vocês

Aberto por uma empresa
A Sun, empresa estrangeira
OpenOffice.org
É a forma mais certeira
De economizar dinheiro
E ter um pacote inteiro
De aplicações de primeira

Mas esse pacote livre
No Brasil se renomeia
Por causa de confusão
De algum cabra de peia
"Open" por "BR" troque
BrOffice.org
Desse jeito aqui se leia

Tudo aquilo que foi dito
Esse pacote nos traz
Tem um editor de texto
Contas em planilha faz
Também apresentações
Banco de dado', edições
De desenhos vetoriais

Além de essa escolha ser
De gastos a mais isenta
E de tanto oferecer
Na vantagem que experimenta
Sendo um Software Livre
Além de tudo, inclusive
Mais vantagens apresenta

A equipe brasileira
É um grupo voluntário
Que dedicado trabalha
Pelo Brasil espalhado
Traduzir já traduzia,
Hoje ainda faz melhorias
Nos programas trabalhados

Aumentam o dicionário
De verbetes conhecidos
Catalogam os modelos
De texto, os mais pedidos
Criam tanto manual!
E um corr'tor gramatical
Foi feito e oferecido

BrOffice.org
Você tem que visitar
Também tem lista de e-mail
Preparada pra tirar
Dúvidas de iniciantes
Dar dicas interessantes
O tempo todo no ar

Como se isso fosse pouco
Ainda há outra razão
Pra usar BrOffice
Como sua opção
Tem a ver com os formatos
Como arquivos são guardados
Pois seguem sim um padrão

O padrão utilizado
É aprovado no ISO
Por ser bom e aplicável
(Nenhum lobby foi preciso)
Foi feito conforme a norma
Open Document Format
É o nome concebido

Esse formato tão bom
É bastante apoiado
Governos de todo o mundo
Já o têm tido adotado
Empresas de nome e bem
Se colocaram também
Em apoio ao formato

E pra provar que ODF
É mesmo padrão de fato
Ele já está sendo usado
Bem nesse momento exato
Pelo editor do Google
E tem outros, te asseguro
Já usando este formato

Hoje eu apresentei
Um conjunto diferente
De programas excelentes
Com a liberdade em mente
E uma equipe que faz
E o melhora ainda mais
Pra ser mais útil à gente

Espero que o BrOffice
Faça a você diferença
Não é só na economia
- Embora ela seja imensa -
É bem mais, na realidade
Pelo que é, por qualidade
Que é bem maior que se pensa

E assim, mais uma vez
Tendo dado meu recado
Como em tudo que começa
O final é, pois, chegado
E a todo cidadão
Que dedicou atenção
Meu adeus e obrigado!

Special: 
Gênero: 

Cordel do Software Livre

Cordel do Software Livre

Caro amigo que acompanha
Essas linhas que ora escrevo
Sobre um assunto importante
Que até pode causar medo
Mas não é tão complicado
Você vai ficar espantado
Não ter entendido mais cedo

Aqui falo de uma luta
Da mais justa que se viu
Por democratização
Nesse espaço tão hostil
Que é dos computadores
Falo dos novos valores
Que estão tomando o Brasil

Apresento um movimento
De uma luta deste instante
Que mexe com muita gente
Por isso não se espante
Se noutro canto encontrar
Alguém a disso falar
Mal e de modo alarmante

Faço apelo à Inteligência
Se encontrar quem diga: "é não!"
Não tome nem um, nem outro
Por verdadeira versão
Leia os dois, mas com cautela
Que a verdade pura e bela
Surgirá à sua visão

Pois eu trago nesses versos
Quem buscar pode encontrar
A verdade, puros fatos
Que podem se sustentar
Já é dito em muitos cantos
Mas como já falei tanto
Vamos logo começar

Computador e internet
Vivem no nosso Presente
Mesmo sendo tão ligados
Cada um é diferente
Mas toda coisa criada
Não serviria pra nada
Se não fosse para gente

Como uma calculadora
Um bocado mais sabida
Nasceu o computador
Pra fazer conta e medida
Mas foi se modernizando
Seu poder acrescentando
E o "programa" ganhou vida

O computador não pensa
Precisa alguém dizer
O "programa" é o passo-a-passo
Diz como é pra fazer
Cada passo do roteiro
O computador, ligeiro
Faz logo acontecer

Cada programa é escrito
Por um sábio escritor
Que escreve o passo-a-passo
Como quem está a compor
E escreve totalmente
Como só ele entende
Esse é o programador

O programa assim escrito
Nessa forma diferente
Não é logo percebido
Pela máquina da gente
Um tal de "compilador"
Traduz pro computador
Numa versão que ele entende

E é assim que um programa
Tem duas formas sagradas
Uma pro programador
Outra que à máquina agrada
Sempre que alguém solicita
É a primeira que se edita
E a segunda é recriada

Isso parece confuso
Mas não é confuso não!
É como ter um projeto
Pra ter a realização
É como a gente precisa
Tela pra pintar camisa
Como planta e construção

A primeira forma tida
"Código-fonte" se chama
E o programador entende
Essa forma do programa
Mas só é aproveitável
Só no modo "executável"
Computador não reclama

Para o programador
O código é usado
Para o computador
O programa é transformado
O "executável" é feito
Traduzindo, e desse jeito
Temos o segundo estado

E por muito tempo foi
Que todo programador
Toda vez que precisava
De algo que outro já criou
Esse outro prontamente
Passava logo pra frente
O programa salvador

O código aproveitado
Poupava trabalho e tempo
O amigo aproveitava
E se estava falho e lento
O programa original
Era mudado, e afinal
Funcionava como o vento

E o programador primeiro
Como forma de "Obrigado!"
Recebia essa versão
Corrigida do outro lado
Graças ao que foi cedido
Com a mudança de um amigo
Dois programas, melhorados

Veja, amigo leitor
Como tudo funcionava
Por que ter que criar de novo
Se isso feito já estava?
Em uma grande amizade
Viveu tal comunidade
Enquanto a Vida deixava

O mundo programador
Nessa vida se seguia
Mas tudo se complicou
Quando em um certo dia
Um programador brigão
Quis arrumar confusão
"Copiar não mais podia"

Esse tal programador
Uma empresa havia criado
Queria vender caixinhas
Com um programa lacrado
Cada caixa adorável
Apenas o executável
Trazia ali guardado

E o pior é que a caixinha
Não dava nem permissão
De instalar em outro canto
O programa em questão
Mesmo pagando a quantia
A caixinha só servia
Para uma instalação

Assim veja, meu amigo
Cada programa comprado
Não traz código consigo
Só o que será executado
Não dá mais para alterar
Nem mexer, nem estudar
Esse programa comprado

Veja bem que, além disso
Apresenta restrição
O programa não permite
Uma outra instalação
"Se há outro computador,
Outra caixa, por favor"
É o que eles lhe dirão

Desse jeito que tem sido
Nesse mundo digital
Os programas mais famosos
Funcionam tal e qual
Agora lhe foi mostrado
São os "programas fechados"
Como Windows, Word ou Draw

Outra coisa que acontece
Com os programas fechados
É que quem for fazer outro
Terá todo o retrabalho
Haja quinhentos já feitos
Fará de novo, que jeito?
Pois o código é negado

E quem já tem algo pronto
Mais e mais se fortalece
Quem começa hoje sem nada
Não tem chance e já padece
Com poucos fortes então
Há bem pouca inovação
Só o monopólio cresce

Foi desse jeito que um mundo
Tão saudável e integrado
Foi trocado por um outro
Egoísta e isolado
Que lucra um absurdo
E esmaga quase tudo
Que se oponha a seu reinado

Todos estávamos tristes
Com nosso triste Presente
Um mundo de egoísmo
Era esperado, somente
Um mundo de ferro e açoite
Mas depois da fria noite
O Sol nasceu novamente

Contra esse mundo cruel
Que tudo quer acabar
Pra dinheiro a qualquer preço
Fazer tudo pra ganhar
Apareceu boa alma
Era o Richard Stallman
Que vinha tudo mudar

Aos poucos foi se formando
Uma grande multidão
De grandes programadores
Para ao mundo dar lição
E aos mais céticos mostrar
Que vale mais cooperar
Que a dura competição

Começaram a escrever
Programas de um novo jeito
E aquele código-fonte
De novo é nosso direito
Permitindo qualquer uso
E toda forma de estudo
Tudo que queira ser feito

Mais e mais programadores
Essa idéia apoiaram
E o resultado disso
É maior do que esperavam
Tantos programas perfeitos
São por tanta gente feitos
De todo canto ajudaram

Programas feitos assim
Que nos deixam os mudar
Se chamam Softwares Livres
Mas há algo a acrescentar
Eles deixam ter mudança
Mas exigem por herança
Tais direitos repassar

Assim se eu uso um programa
Que me é interessante
Posso copiar pra você
Eles deixam, não se espante!
Eu posso modificar
E você, se desejar.
Podemos passar adiante

Pra nossa felicidade,
Há tanto programa assim
Que nem dá pra ver direito
Onde é o começo e o fim
Da lista de Softwares Livres
E há muita gente que vive
Com Software Livre sim

É Firefox, é Linux
É OpenOffice, é Apache
Pra programação, pra rede
Pra o que se procure, ache
Pra desenho, escritório
Para jogos, relatório
Pro que for, há um que se encaixe

E você, se não conhece
Não sabe o que tá perdendo
A chance de viver livre
Ouça o que estou lhe dizendo
Software Livre é forte
No Brasil, já é um Norte
Basta olhar, já estamos vendo

Maior evento do mundo
Desse tema é no Brasil
NASA, MEC, Banrisul
Caixa, Banco do Brasil
Em Sergipe, em João Pessoa
Em Arapiraca e POA
Software Livre roda a mil

E se a imprensa não fala
É porque tem propaganda
De quem não quer ver o mundo
Ir para onde livre anda
E nada contra a corrente
No Brasil, infelizmente
Na mídia o dinheiro manda

Se você quer saber mais
Disso tudo que hoje eu teço
Procure na Internet
Veja agora uns endereços
softwarelivre.org
br-linux.org
E a atenção agradeço

Páginas