redondilhas maiores

A Nova Ordem

Dentre os humanos surgiramAs Asas da Águia
Dentro de alguns poucos anos
Como humanos nunca viram
Como os achavam insanos

Mas as águias ascenderam
Acendendo uma esperança
No mundo em que os homens eram
Causa e meio de vingança

Mas quando essa fúria cessa
Começa a nova verdade
Em restaurações sem pressa

Ergue-se nova cidade
Mas trazendo uma promessa
Para todos, liberdade

-- Cárlisson Galdino

Caçadores Amadores

Mais um falcão perseguidoAs Asas da Águia
Injustamente por eles
Caçadores amadores
Cai em momento de ódio

Seguem derrubando todos
Tentando chegar ao pódio
Dos que abatem voadores
Dos causadores de dores

Tudo por simples status
Covardes homens armados
Ratos, não homens, de fato

Mas ratos que vão vencendo
Derrotando, mesmo ratos
Mostrando: que mundo ingrato

-- Cárlisson Galdino

Guerra nos Ares

Flutuando suavementeAs Asas da Águia
Uma pena vai ao chão
Alheia a tudo o que sente
Seu ex-dono, um falcão

Um falcão que luta e grita
Desde que foi abordado
Em uma guerra maldita
Contra um ser desesperado

Há muito tempo que berra
De cada um, dos dois lados
Nos ares, longe da terra

São só dois seres alados
De uma estúpida guerra
Na qual só há derrotados

-- Cárlisson Galdino

Cordel do Software Livre

Cordel do Software Livre

Caro amigo que acompanha
Essas linhas que ora escrevo
Sobre um assunto importante
Que até pode causar medo
Mas não é tão complicado
Você vai ficar espantado
Não ter entendido mais cedo

Aqui falo de uma luta
Da mais justa que se viu
Por democratização
Nesse espaço tão hostil
Que é dos computadores
Falo dos novos valores
Que estão tomando o Brasil

Apresento um movimento
De uma luta deste instante
Que mexe com muita gente
Por isso não se espante
Se noutro canto encontrar
Alguém a disso falar
Mal e de modo alarmante

Faço apelo à Inteligência
Se encontrar quem diga: "é não!"
Não tome nem um, nem outro
Por verdadeira versão
Leia os dois, mas com cautela
Que a verdade pura e bela
Surgirá à sua visão

Pois eu trago nesses versos
Quem buscar pode encontrar
A verdade, puros fatos
Que podem se sustentar
Já é dito em muitos cantos
Mas como já falei tanto
Vamos logo começar

Computador e internet
Vivem no nosso Presente
Mesmo sendo tão ligados
Cada um é diferente
Mas toda coisa criada
Não serviria pra nada
Se não fosse para gente

Como uma calculadora
Um bocado mais sabida
Nasceu o computador
Pra fazer conta e medida
Mas foi se modernizando
Seu poder acrescentando
E o "programa" ganhou vida

O computador não pensa
Precisa alguém dizer
O "programa" é o passo-a-passo
Diz como é pra fazer
Cada passo do roteiro
O computador, ligeiro
Faz logo acontecer

Cada programa é escrito
Por um sábio escritor
Que escreve o passo-a-passo
Como quem está a compor
E escreve totalmente
Como só ele entende
Esse é o programador

O programa assim escrito
Nessa forma diferente
Não é logo percebido
Pela máquina da gente
Um tal de "compilador"
Traduz pro computador
Numa versão que ele entende

E é assim que um programa
Tem duas formas sagradas
Uma pro programador
Outra que à máquina agrada
Sempre que alguém solicita
É a primeira que se edita
E a segunda é recriada

Isso parece confuso
Mas não é confuso não!
É como ter um projeto
Pra ter a realização
É como a gente precisa
Tela pra pintar camisa
Como planta e construção

A primeira forma tida
"Código-fonte" se chama
E o programador entende
Essa forma do programa
Mas só é aproveitável
Só no modo "executável"
Computador não reclama

Para o programador
O código é usado
Para o computador
O programa é transformado
O "executável" é feito
Traduzindo, e desse jeito
Temos o segundo estado

E por muito tempo foi
Que todo programador
Toda vez que precisava
De algo que outro já criou
Esse outro prontamente
Passava logo pra frente
O programa salvador

O código aproveitado
Poupava trabalho e tempo
O amigo aproveitava
E se estava falho e lento
O programa original
Era mudado, e afinal
Funcionava como o vento

E o programador primeiro
Como forma de "Obrigado!"
Recebia essa versão
Corrigida do outro lado
Graças ao que foi cedido
Com a mudança de um amigo
Dois programas, melhorados

Veja, amigo leitor
Como tudo funcionava
Por que ter que criar de novo
Se isso feito já estava?
Em uma grande amizade
Viveu tal comunidade
Enquanto a Vida deixava

O mundo programador
Nessa vida se seguia
Mas tudo se complicou
Quando em um certo dia
Um programador brigão
Quis arrumar confusão
"Copiar não mais podia"

Esse tal programador
Uma empresa havia criado
Queria vender caixinhas
Com um programa lacrado
Cada caixa adorável
Apenas o executável
Trazia ali guardado

E o pior é que a caixinha
Não dava nem permissão
De instalar em outro canto
O programa em questão
Mesmo pagando a quantia
A caixinha só servia
Para uma instalação

Assim veja, meu amigo
Cada programa comprado
Não traz código consigo
Só o que será executado
Não dá mais para alterar
Nem mexer, nem estudar
Esse programa comprado

Veja bem que, além disso
Apresenta restrição
O programa não permite
Uma outra instalação
"Se há outro computador,
Outra caixa, por favor"
É o que eles lhe dirão

Desse jeito que tem sido
Nesse mundo digital
Os programas mais famosos
Funcionam tal e qual
Agora lhe foi mostrado
São os "programas fechados"
Como Windows, Word ou Draw

Outra coisa que acontece
Com os programas fechados
É que quem for fazer outro
Terá todo o retrabalho
Haja quinhentos já feitos
Fará de novo, que jeito?
Pois o código é negado

E quem já tem algo pronto
Mais e mais se fortalece
Quem começa hoje sem nada
Não tem chance e já padece
Com poucos fortes então
Há bem pouca inovação
Só o monopólio cresce

Foi desse jeito que um mundo
Tão saudável e integrado
Foi trocado por um outro
Egoísta e isolado
Que lucra um absurdo
E esmaga quase tudo
Que se oponha a seu reinado

Todos estávamos tristes
Com nosso triste Presente
Um mundo de egoísmo
Era esperado, somente
Um mundo de ferro e açoite
Mas depois da fria noite
O Sol nasceu novamente

Contra esse mundo cruel
Que tudo quer acabar
Pra dinheiro a qualquer preço
Fazer tudo pra ganhar
Apareceu boa alma
Era o Richard Stallman
Que vinha tudo mudar

Aos poucos foi se formando
Uma grande multidão
De grandes programadores
Para ao mundo dar lição
E aos mais céticos mostrar
Que vale mais cooperar
Que a dura competição

Começaram a escrever
Programas de um novo jeito
E aquele código-fonte
De novo é nosso direito
Permitindo qualquer uso
E toda forma de estudo
Tudo que queira ser feito

Mais e mais programadores
Essa idéia apoiaram
E o resultado disso
É maior do que esperavam
Tantos programas perfeitos
São por tanta gente feitos
De todo canto ajudaram

Programas feitos assim
Que nos deixam os mudar
Se chamam Softwares Livres
Mas há algo a acrescentar
Eles deixam ter mudança
Mas exigem por herança
Tais direitos repassar

Assim se eu uso um programa
Que me é interessante
Posso copiar pra você
Eles deixam, não se espante!
Eu posso modificar
E você, se desejar.
Podemos passar adiante

Pra nossa felicidade,
Há tanto programa assim
Que nem dá pra ver direito
Onde é o começo e o fim
Da lista de Softwares Livres
E há muita gente que vive
Com Software Livre sim

É Firefox, é Linux
É OpenOffice, é Apache
Pra programação, pra rede
Pra o que se procure, ache
Pra desenho, escritório
Para jogos, relatório
Pro que for, há um que se encaixe

E você, se não conhece
Não sabe o que tá perdendo
A chance de viver livre
Ouça o que estou lhe dizendo
Software Livre é forte
No Brasil, já é um Norte
Basta olhar, já estamos vendo

Maior evento do mundo
Desse tema é no Brasil
NASA, MEC, Banrisul
Caixa, Banco do Brasil
Em Sergipe, em João Pessoa
Em Arapiraca e POA
Software Livre roda a mil

E se a imprensa não fala
É porque tem propaganda
De quem não quer ver o mundo
Ir para onde livre anda
E nada contra a corrente
No Brasil, infelizmente
Na mídia o dinheiro manda

Se você quer saber mais
Disso tudo que hoje eu teço
Procure na Internet
Veja agora uns endereços
softwarelivre.org
br-linux.org
E a atenção agradeço

Em vão

Se as nuvens cobrem o céu
Que importa se é noite ou dia?
Se a chuva vem com o frio
E você não?

Se aqui irradia pastel
E a paz brilha pela via
À canção de Ninguém viu
Sombra de ti

Mas a paz é perdição
Nada funciona direito
Quando não estás presente

Sem ti o tempo é em vão
Desde que entraste em meu peito
Furtivamente

Inegável Poesia

Quem não sente o Sol pulsar
Mais forte pelo verão
Quando emana pelo ar
Uma mágica canção?

E as nuvens do céu se vão
Ao brado do rei solar
Que escuta com atenção
O som à beira do mar

Por mais que os outros espante
Torna o frio dia em quente
A inegável poesia

Pois se Natura aprecia
Não apenas o consente
Como canta ressonante

Estrangeiro Nato

Estrangeiro Nato

Ele se acorda bem cedo
Toma banho e café
Veste a roupa, escova os dentes
Sai de casa: vai a pé

Preferia ir a cavalo
Mas hoje não pode ser
Seu rei mandou uma ordem
Todos devem obedecer

Segue ao centro a passeio
Pois tem férias neste mês
Não tem nada pra fazer
Só o tédio outra vez

Porém tem uma surpresa
Não compreendeu direito
Por que droga de motivo
Todos falam de outro jeito

Nada faz qualquer sentido
Nessa terra ele nasceu
Essa terra não é disso
Todos falam como eu

Mas que cena tão estranha
Que terá acontecido?
Será que é só um sonho?
Se for, vai ser divertido

E seguiu pela cidade
Em profunda alegria
As pessoas estranhavam
Quando falava Bom Dia

Mas mesmo assim foi em frente
Não tinha nada a temer
Afinal era um sonho
O que teria a perder?

Finalmente viu a praça
Toda cheia de barracas
Lá o comércio seguia
Roupas, frascos, pêras, jacas

E por toda a cidade
Se notava já agora
Outra língua se falava
Não a mesma de outrora

Foi então que decidiu
Visitar seus conhecidos
Começou pelos feirantes
Pareciam possuídos

Começou a caminhar
Em direção a alguém
E então como é que tá?
Quanto aos negócios, vão bem?

A resposta tão maluca
Nem sequer se pôde ouvir
Mal saiam as palavras
Se lançou no chão a rir

E o feirante, em resposta
Ao desprezo recebido
Resmungou, virou o rosto
E à feira seus ouvidos

Ao notar que ri sozinho
Do chão ele, já sem graça
Se levanta e limpa a roupa
Então atravessa a praça

Tudo bem, infelizmente
Ele está de mau humor
Ontem era outra pessoa
Ria até perder a cor

Ora, mas o que que eu digo?
Isso aqui não é real
Pode ser bem diferente
Não precisa ser igual

Segue na sua jornada
Não resiste a uma risada
Quando ouve o seu povo
E não pode entender nada

Uma mulher vende roupas
Ele segue até ela
E levanta uma camisa
Está por quanto, donzela?

Porém ela não entende
O que o cavalheiro pede
Em um sorriso amarelo
Se desculpa e se despede

- Tudo bem, pois não faz mal
Ela não vai entender
Mas que custa ser gentil
Isso é fácil perceber

Um menino viu a cena
E segue o pobre coitado
Que olha todas as placas
Com ar de tão espantado

O alcança finalmente
Pergunta se tem dinheiro
Sabe por exeperiência
O nato que é estrangeiro

Tantos já vieram assim
Impossível que esqueça
Lhe responde simplesmente
Faz que não com a cabeça

O pivete, inconformado
A rir começa a gritar
Um menino malcriado
Não ganhou, pois vai xingar

Todos olham curiosos
Como tantas outras cenas
E não riem nem bronqueiam
São curiosos apenas

Ignorando o menino
Toma o rumo que seguia
Sem notar por um instante
O que o pivete vigia

Quem um pedinte se fez
Se mostra agora um ladrão
Num golpe de rapidez
Na carteira passa a mão

Tentando se defender
Do golpe de supetão
Se virando bruscamente
O assaltado vai ao chão

Mas que raio de pivete!
Como estamos hoje em dia!
Se não damos o que pedem
Nos tomam toda a quantia

E essa droga de cidade!
Tanto imposto nós pagamos
E por onde anda a guarda
Quando dela precisamos?

Mas que droga de pivete!
Olha só que arranhão!
Além de ter o dinheiro
Me arremessou contra o chão

Mas tudo isso é importante
Pois cheguei à conclusão
De que nem por um instante
Isso aqui foi sonho não

Se levanta da calçada
Do meio da tal cidade
Sua cabeça está pesada
Por tão pesada verdade

Mas algo ficou pendente
Só agora ele está vendo
A importância da pergunta
O que está acontecendo?

Se isso nunca foi sonho
Como agora descobri
Por que todos falam estranho
Como nunca ouvi e vi

Co'a pergunta sem resposta
Se dirige à capela
Chegou lá, ficou na escada
Ao Divino ele apela

Céus, o que está havendo?
Na cidade co'a minha gente
Qual o segredo horrendo
Que a fez tão diferente?

Para espanto do apelante
A resposta é alcançada
Vem de alguém não tão distante
Nenhuma beleza alada

Um mendigo, vejam só
Que da lembrança recobre
De quem sempre tinha dó
E deixava algum cobre

Se aproxima o pedinte
De quem pede explicação
E lhe traz da própria cinza
A chama à escuridão

- Meu amigo, o que houve
Co'esse povo de meu Pai?
Por que hoje só se ouve
Frases mortas, explicai!

- Sou um pobre, bem o sabes
Sou pedinte, todo dia
Às incríveis belas aves
Deixo o vôo, a fantasia

- Que felicidade a minha
Ainda fala como eu
Mas a dúvida que tinha
Você não esclareceu

- Pois às aves a voar
Deixo a sabedoria
Mas eu posso relatar
Que foi da noite pro dia

- Meu amigo, obrigado
Isso quebra o meu galho
Só não lhe deixo um trocado
Por conta de um pirralho

- Mas espera, amigo, um pouco
Disse "Da noite pro dia"?
Estarão, portanto, loucos
Ou foi obra de magia?

- Ou ainda, bem não sei
Foi durante um certo banho
Que fez esta lei o rei
Sempre o vejo tão estranho...

- Calma homem, se acautele
O rei nada tem com isso
Nem tampouco a magia
Concluiu este serviço

- A invenção é do povo
Desde a invenção da roda
Falar desse jeito novo
Simplesmente virou moda.

Implosão

A gelada arma de fogo
E um tiro à queima-roupa
Um estouro: cai um corpo
Verte sangue de sua boca

O revólver cai na areia
A Lua já deixa o mar
O que deixa sua veia
Na areia tem novo lar

Mas as ondas vão levar
Como cegas faxineiras
O seu corpo e enterrar

E amanhã, segunda-feira,
Se se foi - se saberá? -
Por poder ou por besteira

A Eterna Luta do Lobo e do Dragão

A espada de um lobo gira
Cortando sem pena o vento
Tão perto da estranha pira
Gira em arco violento

Mais potente que um trovão
A espada de um lobo gira
Com fúria e precisão
Qual nenhuma outra se vira

Num grito que traz tormento
Mais potente que um trovão
Àquele golpe sangrento
O inimigo vai ao chão

Logo ao chão ele se atira
Num grito que traz tormento
Na luta pela safira
Que brilha nesse momento

O quase morto dragão
Logo ao chão ele se atira
Pra fazer a armação
Ou jogo, caso prefira

Cortando sem pena o vento
O quase morto dragão
Co'as garras está sedento
Mas o escudo é proteção

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