redondilhas maiores

As Asas da Evolução

Um ser um dia qualquer
Encontrou perdido um sonho
E como um sonho requer
Entregou-se todo ao sonho

E esse ser descobriu
As asas de suas mãos
Mudou, assim, quando viu
Estava em evolução

E viu as asas da guerra
E as usou como quis
Mas um certo dia encerra
Sua sede de fuzis

E ganhou asas do vento
E pelas asas do tempo
Voou num tão calmo e lento
Voo tecno-virtual

E os homens vão em manadas
Pelas estradas seguidas
Enquanto mudam de asas
Como se muda da vida

-- Cárlisson Galdino

À Nova Vampira

Vermelho é o sangue que corre
Nos olhos, espelhos d'alma
No braço, o pulso, tua palma
A Vida vem do que morre

E a nova vida começa
Após o último suspiro
Após a dor, o delírio
Após o golpe, a promessa

Perceberá que tem sorte
De ter sido a escolhida
Para viver nova vida
É doce enganar a morte

Se a noite é uma criança
Somos eternas babás
O dia não mais verás
Nem onde sua luz alcança

E os dons que agora te dou
De ver além do aparente
Dominar corpos e mentes
São o que você virou

E nesta noite, menina
À luz de um belo luar
Roubo tua vida vulgar
Te dou uma que não termina

"Monstros" muitos chamarão
Mantenha o charme e a leveza
Talvez no fundo até seja
Mas não lhes dê atenção

E desde o teu despertar
Sou teu senhor e soldado
Me terá sempre ao teu lado
O tempo que precisar

É meu o sangue que levas
Sai pra primeira caçada
Que um novo mundo te aguarda
Minha menina das trevas

-- Cárlisson Galdino

A Chuva

A nuvem vem do horizonte
De longe uma chuva vem
Vem de trás daquele monte
Vem por onde lhe convém

Vem a chuva ao nosso chão
Vem a essas terras molhadas
Vem à terra à multidão
Molhando as secas calçadas

A chuva molha os poemas
Ao frio se faz união
Só restam agora problemas

Só resta a televisão
O frio se torna em algemas
O lar se torna prisão

-- Cárlisson Galdino

O Fantasma da Opera

O Fantasma da Opera

Falo hoje, camaradas
De uma história assombrosa
De uma bela donzela
Jovem, linda como a rosa
E um monstro como a peste
Aconteceu no agreste
O causo da nossa prosa

A história aconteceu
Só lembra o povo mais velho
Foi lá no nosso teatro
Do lado do Bom Conselho
Quando ainda funcionava
Muita coisa se escutava
Até dentro do colégio

Lá faziam muita peça
De teatro musical
Que o gringo chama de ópera
Aqui era mais normal
Cantavam em português
Vamos pra 93
Quando existiu esse mal

Cristina, a moça donzela
Que era de Coité do Nóia
Vivia nesse teatro
Falava com a Lindóia
"Que bom anjo, amiga, há
Que me ensina a cantar!
Me diga se isso não é jóia!"

E ela dizia: "Ô amiga
Mas que maluquice é esta?
Gente que mente merece
É um cascudo na testa!
Apague isso da mente!
Anjo que fala com gente...
Tá pensando que eu sou besta!?"

"Mas amiga, é verdade!
Ouço sua voz de explendor
Ainda digo mais: que o anjo
Foi o meu pai que mandou!"
"Cristina, ele morreu
Ai que susto ocê me deu!
Valei-me Nosso Senhor!"

Logo mais era o ensaio
Enquanto calçava a bota
Cristina viu que entrava
Sem sequer bater na porta
Sua amiga Lindóia
Gritando: "Vem, fía, óia!
Caiu um troço em Carlota!"

"Como assim caiu um troço?"
Carlota era a grande estrela
Cristina saiu correndo
Com a amiga para vê-la
Carlota gritava irada
"Eu não vou ensaiar nada!"
Ninguém pôde convencê-la

"Isso é coisa do fantasma!
Aquele espírito ruim!
O teatro é assombrado!
Vocês sabem que é assim!
Valei-me Nossa Senhora
Pois eu vou é dar o fora
Isso aqui já deu pra mim!"

Enquanto ela ia embora
Se sentava o diretor
Arrancando os cabelos
Dizendo: "mas que horror!"
O dono desse lugar
Chega então pra perguntar
"O que se desenrolou?"

"Caiu a tábua na diva
E ela gritou de dor
Caçamos por todo lado
E nada ninguém achou
Carlota se foi virada
Diz que a tábua foi jogada
E que o fantasma jogou"

"Com fantasma ou sem fantasma
A peça tem que ocorrer
Já vendemos os ingressos
Até o prefeito vem ver!
Trate de suar camisa
Faça tudo o que precisa
Pra essa peça acontecer!"

E foi virado na gota
E o diretor lá chorando
Lindóia deu um sorriso
E disse se aproximando
"Substitua a menina!
Por que não bota a Cristina?
Ela canta que é um espanto!"

E ele se espantou "É mesmo?
Pois quero ver a cantiga
Você já conhece a letra?"
E ela disse envaidecida
"Conheço sim, meu senhor"
E quando ela começou
A história foi resolvida

Cristina iria cantar
Já que não ia a Carlota
Foi todo mundo pra lá
Seu Manoel o seu Mota
Foi povo jovem e idoso
E o diretor bem nervoso
"Se der sorte, ninguém nota"

Mas todos viraram fãs
Quando a menina deu fé
Cristina foi aplaudida
Por todo mundo de pé
E na platéia avistou
Alguém com quem já brincou
Quando era de Coité

E saiu pro camarim
Perseguindo a atriz
Mas nem pôde olhar pra ela
A perdeu, que infeliz!
É que ela corre e some!
E era Raul o seu nome,
Da Fazenda São Luis

Como sumiu pelo mundo
Ele não viu outro jeito
"Parecia minha amiga
Mas se está feito, está feito
Já que a persegui em vão
Aproveito a ocasião
Vou conversar com o prefeito"

Cristina estava espantada
Mal conseguia respirar
Trancada no camarim
Começou a escutar
Uma voz que lhe chamava
Uma voz bem afinada
E se pôs a conversar

"Cristina, você foi 10
E não tem pra mais ninguém
Você aprendeu direito
Viu como eu ensinei bem?"
E ela resolveu dizer
"Mas eu nunca pude ver
Meu anjo que é do além"

Ele a chamou para o espelho
Ela olhava e ele dizia
"Eu sempre estive aqui
Te observo todo dia"
O espelho então girou
E ligeiro ele a levou
Para onde ele se escondia

No esconderijo ele mostra
Um violão bem antigo
Toca chorinho e bossa
No arranjo mais bonito
Ela olha bem ligeiro
Era quase um mundo inteiro
Sabiamente escondido

Cristina vendo o seu rosto
Com uma máscara branca
Num momento indefeso
Com uma mão ela arranca
Pra ver o que tinha atrás
Mas ao ver diz: "Satanás!"
Pois ligeiro ela se espanta!

E ele diz: "Você é louca?
Não repita isso, está bem?
Eu te trato com carinho
E é assim que você vem!?
Pois então vou te prender
Só deixo ir se prometer
Não gostar de mais ninguém!"

Ela concorda e se vai
Com o coração pulando
Mas lá fora ainda nervosa
Por tudo o que está passando
Ela encontra um aliado
Que a abraça emocionado
Era o Raul esperando

E eles conversam por horas
Sobre os tempos de criança
Logo ela se apaixona
Por seu amigo de infância
E conversam todo o dia
E Cristina, quem diria
Nele encontra uma esperança

Então Cristina e Raul
Falam e fica combinado
Vão fugir e se casar
No lugar mais afastado
Vão fugir depois da peça
É essa mesma a promessa
Do casal apaixonado

E começa a encenação
Na história divertida
Ela, o mulher do padeiro
No Auto da Compadecida
Mas quando vem o major
Acontece o pior
É uma figura escondida

Que fala: "minha querida
Até agora peguei leve
Mas você é uma safada
Tanto o padeiro me deve
Que se não pode pagar
É você quem vou levar
Se não paga, você serve!"

A plateia se animava
Ria até não poder mais
Da mudança inusitada
Na peça que lá se faz
Nisso o fantasma fugia
Mas a real Raul via
E foi perseguindo atrás

Debaixo desse teatro
Sem ninguém desconfiar
O mascarado fugia
Com a Cristina a gritar
Pelo caminho secreto
Mas Raul soube o trajeto
Só de parar e escutar

Perto de uma fogueira
O fantasma gargalhava
Quando Raul lá chegou
Com sua cara mais brava
Mas logo notou que a trilha
Levava pra uma armadilha
Logo preso ele estava

Raul preso numa corda
E o fantasma bem feliz
Com a Cristina do lado
Olha para ela e diz:
"A vida desse bundão
Agora está na sua mão
Ele veio porque quis"

"Ou você casa comigo
E vai morar na Alemanha
Ou eu enforco esse cabra
Para ele deixar de manha
Decida como vai ser
E não vá se arrepender
Vida ou morte ele ganha?"

Cristina pensou bastante
E disse "ó mascarado
Já gostei tanto de ti
E hoje veja esse estado
Hoje és um monstro rude
Mas por causa da atitude
Não pelo rosto estragado"

"Você é um infeliz
Seu coração só tem gelo
Viver casado contigo
Seria um pesadelo
Mas Raul tem que viver
Mesmo triste, que fazer?
Se é preciso, vou fazê-lo"

O fantasma então gargalha
"Pois você tá libertado!"
Enquanto Raul se solta
Rola um fato inusitado
O fantasma escorrega
Que peça o destino prega!
Cai na fogueira o danado

Cai já cortando a cabeça
Cristina grita de horror
Raul corre até ela
"Parece que ele dançou
Olha o sangue pelo chão
Foi fazer tal confusão
Que prêmio que ele ganhou?"

Voltando para o teatro
Eles ouvem gargalhadas
Olham pro lado assustados
Só que não enxergam nada
Não foi o primeiro dia
Depois disso quem diria
A casa estava assombrada

Foi assim que nunca mais
O teatro funcionou
Dizem que o fantasma vive
Em fantasma se tornou
Pra assombrar qualquer vivente
Que ande inconsequente
Na terra que ele pisou

Quando o fantasma sumir
Nem tudo pra sempre dura
Talvez o teatro reabra
Tem gente que diz e jura
Que isso é lenda, isso só!
Pois um fantasma pior
É não querer ter cultura

-- Cárlisson Galdino

Special: 

Cordel dos Aplicativos

Cordel dos Aplicativos

Quem usa computador
Ou seja, um tantão de gente,
Sabe que o que o transforma
Nesse bicho inteligente
É esse tal de programa
Mas existe uma gama
De programas diferentes

Tem programa que funciona
Sem você atinar nisso
Ele não mostra a cara
Mas cumpre seu compromisso
Daemon é o nome em inglês
Mas aqui em português
Se conhece por serviço

Outro tipo de programa
É como uma forrageira
Para uma ação instantânea
Que só faz seguir roteiro
É uma ordem singular
Se pede pra executar
Executa e sai ligeiro

São assim vários programas
Como todos tradutores
Que convertem os arquivos
Para ter novos sabores
Como os que convertem vídeo
E são desse mesmo estilo
Os tais dos compiladores

Mas hoje nós falaremos
De programas de outro tipo
Aqueles que a gente usa
Olhando com olho vivo
Programas de interagir
Que mostram a cara ali
São eles aplicativos

Quando foram aparecendo
Aplicativos na praça
Eles eram primitivos
Com uma cara sem graça
E até a interação
Só por teclas de função
Pro usuário era uma desgraça

Para editar um texto
Não era moleza não
Não tinha fonte nem cor
Nenhuma formatação
Imagina só que treta
Era uma tela preta
A interface de edição

Imagine a presepada
Imagine o desastre
Se de vídeo ou de desenho
Ou de foto precisasse
Até tinha uma maneira:
Letras pela tela inteira
Desenhando em ASCII Art

Era negócio de doido
Uma vida como aquela
Se tu voltasse no tempo
Não acostumava com ela
Tela preta noite e dia
Nem o mouse existia
Pra movimentar na tela

Quando veio a evolução
E o mouse desembarcou
Trazendo pro aparelho
A fuga praquela dor
Trouxe também as janelas
E as coisas eram mais belas
Na tela do monitor

No início, em tons de cinza
De pouquinho ganhou cor
E com essas novidades
Muita coisa se criou
Pouco a pouco o equipamento
Virou o que nesse momento
Chamam de computador

Desse tipo de programa
É que nós vamos falar
Aplicativo em janela
Para a gente utilizar
Com seus menus e botões
Amados por multidões
De quase todo lugar

São programas bem diversos
Programa para ler livro
Calcular, saber se chove
De internet, texto e video
De jogos à medicina
Tem que tu nem imagina
O que há de aplicativo

Era um monte de programa
Cada vez mais se produz
Como ajeitar a bagunça?
Procuravam uma luz
Atalhos foram criados
Em ordem e agrupados
Organizando menus

Um atalho era somente
Um arquivo bem nanico
Dizendo qual o programa
Com um ícone bonito
E assim quando eu desejar
Esse programa chamar
Procuro o atalho e clico

Atalhos são colocados
Pela área de trabalho
Ou na barra de tarefas
Só os mais utilizados
Mas os menus que falei
Sei que são até onde sei
O lugar mai adequado

No GNOME os menus
Se arrumam com maestria
Agrupando os programas
Sempre por categoria
De Internet, de Escritório
Ciência, Jogos, Acessórios...
Facilitando o seu dia

Desse jeito fica fácil
Cada programa encontrar
Pense no que você quer
Só estará num lugar
E o danado do GNOME
Ainda altera os nomes
Pra ainda mais facilitar

O que seria Firefox
Vira “Navegador Web”
O nome é substituído
Pela descrição, que serve
De guia mais que perfeito
Para o usuário leigo
Ser feliz como se deve

Falamos de aplicativos
Você não deve ter medo
O GNOME é bom de usar
Não há não qualquer segredo
Basta então você deixar
Ele vai te acompanhar
Será seu novo brinquedo

-- Cárlisson Galdino

Special: 

A Saga de um Encanador

A Saga de um Encanador

Se você pensa que é fácil
A vida de encanador
É melhor pensar de novo
Pra ver se dá mais valor
Os canos trazem perigos
Desafios e inimigos
Pro corajoso transpor

Veja o exemplo do Mario
Bigodudo sem esmero
Que enfrentou desafios
Andou por quantos castelos?
Foi com coragem e presteza
Procurando a princesa
Do Reino dos Cogumelos

Hoje vamos conhecer
Uma grande aventura
Na qual Mario se envolveu
Pra ver como a vida é dura
Sem preconceito, vê bem
Encanador também tem
Lugar na Literatura

Andando pela floresta
Um cogumelo lhe aumenta
Entrando num cano verde
(Sem cano azul ou magenta)
Há moedas lá embaixo
E após a escada que acho
Uma bandeira se sustenta

Depois pelo subsolo
De novo entrando no cano
Há tartarugas e blocos
Um mundo escuro e profano
Mas tem que ficar esperto
A vida corre no teto
Sem blocos, fácil a pegamos

No alto verde das montanhas
O perigo só aumenta
Quando as tábuas vão e vem
Queda é morte violenta
Mario não para por nada
Nem tartarugas aladas
(É pouco o que não se inventa)

Saltando pelas montanhas
O castelo é encontrado
De lava e fogo que gira
O Kopa cai com o machado
"Agora sim, com certeza!
Vou encontrar minha princesa!"
Mas não encontra, o coitado

A busca então continua
Nova floresta à frente
O céu azul lá em cima
Nada muito diferente
No cano há plantas plantadas
Com dentes, sempre enfezadas
Mas o Mario é persistente

E o nosso herói vai pro mar
Perigo aumenta ainda mais
Tem peixe cinza e vermelho
Tem lula que vai atrás
Difícil locomoção
Contida a respiração
E vai sem olhar pra trás

Depois do rio uma ponte
Enorme é o lucro encontrado
Além do risco da queda
Tem peixes pra todo lado
Peixes vermelhos saltando
Piranhas loucas em bando
No rio que não dá pra nado

Depois da ponte infinita
O herói encontra afinal
Um novo mundo sombrio
Novo castelo do mal
Com pressa corre, e firmeza,
Querendo achar sua princesa
Mas não está no final

Tudo continua escuro
É noite naquela terra
As tartarugas e plantas
Quanto perigo o espera!
E há tartarugas - mistério -
Que estão jogando martelos!
Que bichos que não dão trégua!

E o mundo segue no escuro
E nosso herói vai na luta
Por sua princesa querida
Pula num casco e chuta
Cuidado: depois tem cano!
Se o casco volta: que dano!
Sua vida bem logo encurta

E eis que aquelas montanhas
Altas de grama no topo
Com criaturas nocivas
Também existem de noite
De novo lá, quem diria?
E como é grande a alegria
Quando se escapa por pouco!

E o herói chega de novo
De coração tão singelo
Buscando sua princesa
Encontrando um cogumelo
Que diz: desculpa, beleza?
Mas é que nossa princesa
Está em outro castelo

E vê que vida de cão!
O encanador se refez
E continua a procura
E nem que termine o mês
Seguirá mesmo sozinho
Mesmo ouvindo do baixinho
Aquilo a terceira vez

Saindo em nova floresta
O encanador sem igual
Logo depois de uma planta
Tem que correr pro final
Ele chega ao fim por sorte
Maldita nuvem-transporte
Que lança ouriço infernal

No submundo de lá
O Mario vive os apuros
Uma flor lhe dá poderes
Mas mesmo isso não é seguro
As bolas de fogo batem
E nenhum dano elas fazem
Nos bichos de casco escuro

Para que servem roldanas?
Para atrapalhar a vida!
Elevador ou gangorra?
É o que nesse céu se abriga
Se pula em um lado e espera
O outro lado se eleva
Que construção esquisita!

Ficará preso pra sempre
Mesmo sem bicho e sem casco
Pois esse quarto castelo
É amaldiçoado, eu acho
Primeiro passe por cima
Depois de mudar o clima
Deve passar lá por baixo

Tudo pra quê, se a princesa
Não espera aflita, nem dorme
Não está ali de novo
E de novo à floresta corre
E tem que enfrentar perigos
E além dos tais inimigos
Fugir de balas enormes

Mais balas e desafios
E agora um trampolim
Ajuda Mário a saltar
Que perigoso jardim!
Um cano leva pro mar
E ele vai lá por pensar
Que será mais fácil assim

E preso num Dejavu
De novo pelas montanhas
As antigas plataformas
São pequenas, tão estranhas
Balas rasgando o ar
Vamos deixar o lugar
Senão a morte nos ganha!

Novo castelo parece
Um desafio passado
Língua de fogo gigante
E chamas pra todo lado
É que tornam diferente
Depois do chefe lá em frente
Um cogumelo é encontrado

De noite é tudo sombrio
Mais outra nuvem, que droga!
Jogando tantos ouriços
Essa nuvem não dá folga
Com sacrifício, derruba
A nuvem, mas na sua fuga
Vem outra nuvem que joga...

Ainda é noite e agora
É uma plantação de canos
Tem cano pra todo lado
E plantas tem outros tantos
Plantas bem cheias de dente
Daquelas que comem gente
Mas não o Mario, garanto!

E agora a terra da neve
Como ele escapará ileso?
No céu, escuro e deserto
Como se sente indefeso!
Difícil achar um lugar
Há poucos onde ficar
E alguns não suportam o peso

Outro castelo pequeno
Esconde o monstro horroroso
Pois mesmo sendo pequeno
Não é menos perigoso
O Kopa desse reinado
Joga milhões de machados
Depois das línguas de fogo

Depois é dia de novo
(Já tava sentindo falta)
E as balas são disparadas
De todo canto na mata
Mas falta pouco e ele vai
Da sua princesa vai atrás
E corre e se abaixa e salta

E cai de novo no mar
É tudo bem parecido
Mas a festa já tá boa
O mar tá cheio, entupido
De peixes e lulas brancas
Ó cano verde, onde andas?
Vê se aparece, maldito!

Enfim o cano o carrega
À ponte imensa de antes
Com piranhas saltitantes
E milhares de passantes
Tartarugas bem sortidas
Se o Mário atento não fica
Se acaba tudo num instante

E nesse novo castelo
Um labirinto bem quente
Dividido em dois momentos
Preste atenção no repente
Por baixo, meio e por cima
Por cima, meio e por cima
E o Kopa espera lá em frente

Já foram sete castelos
Só cogumelos, que jeito?
De novo pela floresta
Como se nada foi feito
Ele chega ao fim por sorte
Aos saltos perto da morte
Nesses lugares estreitos

E na floresta prossegue
Nosso herói encanador
Entre balas e criaturas
De todo tipo e de cor
O risco já é sem noção
Ai que saudades de chão
Mas logo acaba essa dor

Já está do lado de fora
De um gigantesco castelo
Deve estar lá a princesa
Pelo menos é o que espero
Mario dispara por lá
Ele tem que se virar,
Desviar de bala e martelo

E no castelo final
É mesmo o último castelo?
Mario consegue chegar
Quando acaba o pesadelo?
O Mario já está cansado
Buscar princesa, que fardo,
E só achar cogumelo!

Um labirinto de canos
Até por água passou
O Mário e no fim, o Kopa
Joga martelos e fogo
Mas enfim, ó que beleza
Mario resgata a princesa
Que diz: sua busca acabou!

-- Cárlisson Galdino

Special: 

A Lua

No subsolo lunarLágrima Lunar
No submundo vulgar
Extraterrestres trabalham
Como formigas terrestres

Com brilho artificial
A luz não lhe é natural
Se não fosse pelo Sol
Seria só uma pedra

Mas não é já que da Terra
O homem já se rendeu
À majestade da Lua

Lua de queijo suíço
Lua de prata ou cristal
Mas jamais Lua de pedra

-- Cárlisson Galdino

Special: 

Palito Amigo de Freud

Palito Amigo de Freud

O meu nome não importa
Pois me chamam de Palito
Essa terrinha danada
Desde que eu nasci habito
Sou surfista dessa praia
Surfo até que a noite caia
Nesse pôr de Sol bonito

Tá ligado na parada
Lá da praia do Francês?
Você anda assim de jipe
Mais duas horas ou três
Com a praia acompanhando
E vai terminar achando
A praia do Pequinês

Perto da velha cidade
Chamada Nova Nemeia
Não está em nenhum mapa
Pode esquecer essa ideia
Tou falando, eu sou daqui!
Na praia eu sempre vivi
É uma praia bem véia

Sou surfista de pequeno
Não sei se cê tá ligado
Mas a praia é frequentada
Tenho um monte de chegado
Que nas ondas se exercita
Que você não acredita
É um povo procurado!

Aqui não tem telefone
A gente fala na cara
Carta só pra quem tá longe
Linha mesmo só na vara
Da turma que vai pescar
Mas é show esse lugar
E tem uma turma mara

Mas vou confessar um troço
Eu me amarro nisso aqui
A praia do Pequinês
É o canto onde eu nasci
Às vezes lá por abril
É que me dá um vazio
Dá vontade de partir

Nessa vida de interior
Na parada da Natura
A gente se sente náufrago
Longe da verdade dura
Desse povo do dinheiro
Que esmaga o mundo inteiro
Na ganância, na secura

Claro que é melhor estar longe
Desse comboio de esperto
Longe chegam as consequências
Imagina estando perto!
Por isso que eu saio pouco
Gosto daqui, não sou louco
Mesmo quando está deserto

Quando a praia tá sem gente
E vem as ondas chegando
Elas vem de muito longe
Há tempo que estão andando
Então surfo mais ainda
Para dar as boas vindas
Pras águas que andam em bando

Mas pra falar a verdade
Quase nunca eu tou sozinho
Tou sempre trocando ideia
C'os cabeças, meus vizinhos
E sempre na molecada
Tem um que é mais camarada
Vou falar dele um pouquinho

Ele é mais velho que eu
Tá ligado? Mas é broth'
Sempre tem uns zé roelas
Que dizem que é debiloide
Não entendem o que ele fala...
Ele é gente fina, cara
O nome do bicho é Freud

Passa a semana falando
O povo vem pegar ideia
E ele vive é só disso
Num ponto em Nova Nemeia
Pagam uma fortuna imensa
Só porque o povo não pensa
As cabeças de geleia!

Freud até me convidou
Pra ajudar lá na cidade
Atendendo alguns clientes
Mas não dá, pô, de verdade
Só dele contar dos casos
Dá agonia o nível raso
Eu digo: eu não, amizade!

"Atender essa galera
Resolvendo seus problemas
É pra quem é paciente
Eu não dou pra esse esquema
Prefiro falar com mar
E a turma desse lugar
Não me encaixo no sistema"

Mas Freud é mesmo o cara
Paciência tem de sobra
Diz que está tendo umas ideias
Vai escrever uma obra
Mas se vem surfar com a gente
Fica zen, e a sua mente
Só se liga nas manobras

Ele tá com umas pesquisas
Pra entender nossa mente
Dividindo o indivíduo
Em três partes diferentes
E escreve, pra publicar
Já disse: se for lançar
Tem que convidar a gente!

Diz ele que todo mundo
Tem no centro do seu ser
Uma peça que é essência
Que ele chama de ID
Voz do desejo imediato
Como um bicho do mato
Que quer se satisfazer

Por viver em sociedade
Que se aprende o que é certo
Essa parada todinha
Fica no tal superego
Ele conflita com o ID
Pro conflito resolver
É que existe o tal de ego

Ego guarda as lembranças
Da vida de um vivente
Aprendizado, experiência
O Freud diz simplesmente:
"O ego é a camisa
Que esconde a cara lisa
Pra se expor a toda gente!"

Eu nem falei para ele
Mas tenho uma impressão
Que o brother bolou a história
Quando eu falei de Platão
Que também na sua vez
Dividiu a mente em três:
Homem, monstro e leão

Ele diz que na cidade
Numa zona como aquela
Ele diz que o problema
Quase sempre se revela
Por um ego já cansado
Que já ficou dominado
Lá na sua clientela

Quase sempre o problema
Que ele estuda no final
Tem a ver alguma coisa
Com o lado sexual
Superego e ID são brabos
É o tema mais complicado
Pro ego julgar legal

Pois é, véio, cê vai ver
Freud é um cara da hora
As paradas que ele estuda
Manda bem, e vai embora
Sei que vai ficar famoso
Pois essa vida é um osso
Pra tanta gente lá fora!

E agora cê dá licença
Que o Sol já está deitando
Vou ali na saideira
Da onda que vem chegando
Um abraço do Palito
Desse galego bonito
Até outro dia, mano

-- Cárlisson Galdino

Special: 

A Menina das Estrelas

Sempre que ela adormeciaLágrima Lunar
Ela buscava as estrelas
Nos sonhos, na fantasia
É onde queria estar

E a vida era poesia
Olhos fechados, sorriso
Mas enfim amanhecia
Não tinha como evitar

E a vida de correria
De olhos abertos que era
Problemas do dia a dia
Tão ruins de solucionar

Na lembrança ela só via
Estrelas, Lua e cometas
Do momento em que dormia
Saudades desse lugar!

O mundo só contraria
Quis lhe tirar a esperança
Mas ela não desistia
De sonho, estrela e luar

Acordada ou se dormia
Gostava tanto de estrelas
Eram a sua alegria
As estrelas a brilhar

Tanto ir ao espaço queria
Visitá-las acordada
E já que ir não podia
Quem sabe venham pra cá

Quem sabe num belo dia
Chegando perto do espaço
Sorrindo estrelas colhia
Para fazer um colar

-- Cárlisson Galdino

Special: 

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