redondilhas maiores

Florestiotas

Pela floresta se ouviu
“Vamos todos para o lago!”
Era o grito da Arara
Voando por todo lado
Chamando pra reunião
“Vamos todos! Vamos logo!”

Os bichos foram chegando
Buscando acento no chão
Quando a Arara pousou
“Foi feita a convocação
A todos nossos amigos
Que comece a reunião”

O jabuti começou
Falando meio arrastado
“Muitos de nós hoje andam
Com razão, bem preocupados
Com a presença dos homens
No nosso chão adorado”

“Os índios vivem há tempos
Caçando nossos colegas
Mas tem outros que estão vindo
Estranhos, com fúria cega
Destruindo quase tudo
A própria vida nos nega”

O Tatu-bola pediu
Para comentar também
E disse: “Pra mim nenhum
Homem é bicho de bem
Não aceito índio aqui
Nem lenhador, nem ninguém!”

Houve um barulho de apoio
O mico ergueu a mão
E disse: “eu vou além!
Eu vi o que os homens são!
Tem parques muito bonitos
E um monte de construção”

“Se eles derrubam as plantas
É pra botar no lugar
Cidades bem divertidas
Boas de humano morar
Fazem um tal zoológico
Pra gente ficar por lá!”

“Se tem humano ruim
É esse povo atrasado
Que além de matar o bichos
Nada faz pra nós de agrado
Eu gosto do bicho homem
Quando ele é civilizado”

A Jiboia se espantou
E disse: “para com isso!
Nunca ouvi tanta besteira!
Lançaram em tu um feitiço?
Trocar a nossa floresta
Por canto assim, tá difícil!”

O Pato falou também
“O mico está muito certo!
Não é atacar floresta
Mas sim ser bem mais esperto
Melhorando nosso mundo
Antes que vire um deserto”

O Tatu falou de novo
“É pensando bem que eu digo
Quem não concorda com o Mico
É da floresta inimigo
Por isso digo: vocês?
São contra ou estão comigo?”

Bicaram muito a Jiboia
E o Jabuti com maldade
Foram pra aldeia dos índios
Mataram sem piedade
Só por amor à Floresta
Sonhavam em ser cidade

-- Cárlisson Galdino

Cordel Pokémon

Cordel Pokemon

No mundo dos videogames
Mimimi é bem normal
Pessoas com preconceitos
Sem conhecer a real
Pegam um jogo qualquer
Sem jogar uma vez sequer
Se apressam em falar mal

Há quem fale mal de esporte
Quem não curta RPG
Ou dos jogos “infantis”
Ou de jogos pra PC
Pois esse campo é de jeito
Que um besta preconceito
É fácil de aparecer

Hoje vou falar de um jogo
Na verdade, uma franquia
Segunda maior do mundo
Desde sempre, quem diria
Só o Mario está na frente
Mas nem é tão diferente
É a Nintendo quem cria!

Nossa história então começa
No ano de 96
O Gameboy ia mal
Ia afundar de vez
A Nintendo a ter chilique
Veio uma tal Game Freak
E uma solução se fez

Ninguém conhecia o jogo
Mas a empresa tinha o dom
Vendeu pouco no início
Quem comprou viu que era bom
E rápido divulgou
Pouco a pouco se espalhou
Era a febre Pokémon

No universo desse jogo
Há um mundo sossegado
Como um Japão bem antigo
Só com vila e povoado
Pouca gente ali vivia
Mas com tecnologia
Não era tão atrasado

Nele existem criaturas
Como um reino animal
Mas é difícil dizer
O que eles são afinal
Há quem pareça inseto
Planta, gente, objeto
Nesse mundo é natural

São chamados pokémon
São os monstrinhos de bolso
Eles são parte do mundo
Sei que é estranho, seu moço
Mas nesse mundo especial
São a peça principal
Causam maior alvoroço

Não se pode andar sozinho
Longe de cada cidade
Sem proteção de um bichinho
Com quem se tenha amizade
Pois sempre, a qualquer momento
Surge um pokémon sedento
Por briga só por maldade

Os pokémon fazem mal
Mas porque são animais
Não sabem certo ou errado
E os humanos vão atrás
De um deles capturar
Se proteger e ensinar
É o que um treinador faz

Treinadores são pessoas
Com pokémon mundo afora
E pra levá-los pros cantos
Não ia prestar sacola
Criaram então certo dia
Sagaz tecnologia
A famosa pokébola

Como uma bola pequena
Capaz de um bicho conter
A pokébola é incrível
Só mesmo vendo pra crer
O pokémon fica preso
Seja veloz ou de peso,
Tamanho ou muito poder

Assim segue pelo mundo
Cada jovem treinador
Os pokémon vão caçando
Co'ar de colecionador
Mas só podem levar seis
Os outros vão de uma vez
Parar num computador

Além de treinar os monstros
Para melhor proteção
Treinadores colecionam
De pouco em pouco, um montão
Como se eles fossem selos
Andando com os mais maneiros
Para cumprir sua missão

Que é enfrentar mais treinadores
Em uma competição
E nos ginásios encontram
Os melhores da nação
Tem que vencer as batalhas
Juntar todas as medalhas
Pra se tornar campeão

Nos jogos de Pokémon
Existem tantos monstrinhos
Que não se acabam mais
Se quiser contar todinhos
E nos jogos só aumenta!
Já eram cento e cinquenta
Já no primeiro, sozinho

Quem acompanha a franquia
Precisa ficar atento
Se quiser conhecer todos
Ô trabalho desgracento
Pois já aumentou a quantia
Eles já são hoje em dia
Passando de setecentos!

Cada um com seu estilo
Seu tipo e comportamento
Seus golpes por aprender
E o seu próprio som fazendo
Quem cria essas criaturas
Acho que beira a loucura
Sempre em certo momento!

Mas de todos esses bichos
Diminuem a seleção
Se lembrarmos que alguns
Deles um mesmo é que são
Pois tem formas diferentes
De uma a três geralmente
Mudando na evolução

Larva vira um casulo
E depois uma borboleta
Assim é com pokémon
Que habitam nesse planeta
Mudam a forma na jornada
E nem sempre a avançada
É de todos predileta

Chegando devagarinho
Sem nenhuma pretensão
Os pokémon se tornaram
Uma grande sensação
Se espalhando bem ligeiro
Do nosso mundão inteiro
Chamaram a atenção

Muita coisa apareceu
Além do jogo falado
Apareceram brinquedos
Boneco pra todo lado
Baralhos, jogos diversos
Além do grande sucesso
Que era o desenho animado

O desenho era infantil
Com um traço oriental
A história era bem simples
Luta, humor e coisa e tal
Mas carisma não faltava
Na turma que aventurava
O sucesso foi total

Assim ficou popular
Virando celebridade
Aquele rato amarelo
Que tem eletricidade
Pikachu, que se revolta
Sem querer a pokébola
Segue Ash pela cidade

Até aqui no Brasil
Ele veio aprontar
O desenho animado
Se tornou tão popular
O sucesso foi tão bom
Que se via pokemón
Vindo até no Guaraná

Os jogos para portáteis
- A primeira criação -
Da Nintendo sempre foram
Importantes e ainda são
Mas a turma tem empenho
Há muito mais que desenho
Pra ver na televisão

Há revistas em quadrinhos
Conhecidas por mangá
Tem jogo só de batalha,
De masmorras a explorar
Adesivos, tatuagens
E cartas colecionáveis
Para a Nintendo enricar

E foi que recentemente
Veio um novo produto
Feito para celulares
Em um projeto astuto
Assim qual quem não quer nada
Com realidade aumentada
Chegou dominando tudo

Essa grande novidade
É o tal Pokemon Go
Pra jogar no celular
E virar um treinador
Mas toda essa maravilha
Esconde uma armadilha
Que pouca gente notou

Pra jogar Pokemon Go
E cumprir suas missões
Você dá todo o acesso
A suas configurações
Permitindo espionagem
(Olha só que sacanagem!)
Completa, sem restrições

A câmera tira fotos
Quando você está jogando
GPS dá o lugar
E tudo vai se juntando
Pra juntar informação
Dessa grande multidão
Alheia ao que está passando

Mas não foi a Game Freak
Que teve essa obra feita
Nem foi a própria Nintendo
Mas uma empresa suspeita
Niantic, de ex-funcionário
Do Google, império lendário
Agora você diz: “Eita!?”

O Google já mapeou
Ruas de nações, estados
Quem joga Pokémon Go
É espião infiltrado
Sem querer e sem notar
Ajudando a mapear
Dentro de prédios privados

Pokémon é muito bom!
Tem carisma, tem história
Mas o jogo que chegou
É um perigo, não rola
Cuidado pra não virar
Um zumbi de celular
Cabeça de poké-bola

-- Cárlisson Galdino

P. S.: publicado em audio no Politicast /Arte/

Gênero: 

O Elixir

Um pingo de luz desliza
Por seu corpo indescritível
Ao som de divina banda
Tocando um metal-canção

Sabes que em meu coração
Teu olhar manda e desmanda
Com comandos de alto nível
Nem mesmo falar precisa

Desse Sol nos vem a brisa
Faz seu corpo transparente
Mas no toque sei te ver

Deixa o tempo transcorrer
Se entregue a mim totalmente
Que o Amor imortaliza

-- Cárlisson Galdino

Despolítica Futebol Clube

Despolítica Futebol Clube

Era uma vez um país
Que, vários anos atrás
Sob a lei de militares
Muito terríveis, brutais
Quis ver no povo Esperança
Só que não havia mais

Claro, com tantos massacres
Morte, censura, opressão
Como ia ser diferente?
Mas veio uma solução
Pro povo ter alegria
Orgulho de sua nação

Era uma Copa do Mundo
E uma grande seleção
Primeira vez a passar
Jogos na televisão
Era a chance mais perfeita
Para homens de visão

Duas copas antes dessa
As duas de um Brasil só
Com muita publicidade
Forjaram de gol em gol
Um novo patriotismo
O “país do futebol”

Vários anos se passaram
A Ditadura acabou
Novos governos e copas
Muito jogo se travou
Mas o gosto pelo esporte
Esse sim continuou

Hoje temos muitos clubes
De futebol no país
Que disputam em 3 classes
Ou séries, como se diz
Pelo Futebol o povo
Seguiu torcendo feliz

Foi então que certo ano
No auge da alegria
A Copa do Mundo em casa
Esse povo recebia
Sem esperar a surpresa
Guardada pro último dia

Brasil chegou na Final
Afinal veio a pancada
Enfrentando a Alemanha
Numa cena inesperada
Perdeu foi de 7 a 1
Que tão grande goleada!

Veio assim, desilusão
E tristeza, ódio e dor
Torcer pelo que agora?
Foi assim que se tomou
Eleições daquele ano
Como o “novo futebol”

Como fosse em Maceió
CSA, CRB
Torcidas foram às ruas
Pra seus times defender
PSDB de Aécio
E a Dilma com o PT

Não foi tranquila a mudança
De jogo, de arquibancada
A torcida se agitava
Todo dia inflamada
Não era “gente família”
Mas torcida organizada

Quando enfim termina o jogo
Quem perdeu a eleição
Sem aceitar a derrota
Continuou na missão
De se não ganhou no campo
Insistir no tapetão

Quem ganhou ficou feliz
Com a vitória alcançada
Mas o clube está estranho
E ninguém entendeu nada
Parece até que o poder
Tá com uma Dilma trocada

Enquanto os azuis praguejam
Vão às ruas com firmeza
Os vermelhos ficam em casa
Em estado de surpresa
Sem entender o Governo
Sem ter nenhuma certeza

A torcida organizada
Tal qual as de antigamente
Quer que seu time triunfe
Nada importa realmente
Atropelando as leis
E quem estiver na frente

Se seu time cava a falta
Que dê falta simplesmente
Que solte cartões vermelhos
Para os vermelhos somente
Querem que juízes julguem
Só com pesos diferentes

E vai pra rua dizendo
Enfrentar corrupção
Mas se um azul se corrompe
A torcida não vê não
E segue a gritar vestindo
Camisas da seleção

Essa torcida azulada
Se transforma em agressão
Se um pensa diferente
É xingado de ladrão
Isso quando não é pego
E espancado sem razão

É bonito ver o povo
Nesse tipo de serviço
Lutar por seus ideais
Ir à rua em compromisso
Político, o problema:
Política não é isso

Nem tampouco é “o povo”
A torcida organizada
É uma turma com raiva
Por ter sido derrotada
Que quer mudar o placar
Nem que seja na porrada

Nesse jogo temos leis
Que nos dão civilidade
Não se muda um presidente
Somente pela vontade
Só porque não gosta dele
Sem um crime de verdade

A Política é bonita
Quando bem compreendida
Não está só em Brasília
Ela faz parte da vida
E você só entende um pouco
Quando ela é debatida

Ela não é Futebol
Quem a trata desse jeito
Nunca entendeu o que é
A Política direito
Ela exige o debate
E mais ainda: respeito

Não se age com justiça
Dando status de certeza
A um lado da conversa
Só de um canto da mesa
Sem ouvir o outro lado
Sem direito de defesa

Esse ódio à diferença
É uma imbecilidade
A riqueza dos debates
Está na diversidade
De opiniões e posturas
De toda a sociedade

Custou muito suor e sangue
A nossa Democracia
O que mais a ameaça
E ameaça todo dia
É a turma insatisfeita
Intolerante em gritaria

Sei que ela não é perfeita
Mas a nossa é muito nova
Sem ela, será pior
Duvida? É fácil a prova!
Procure por Ditadura
Em qualquer livro de História

É preciso mais debate
É preciso mais respeito
E ter mais informação
Pois somente desse jeito
Teremos Democracia
E um Estado de Direito

-- Cárlisson Galdino

P. S.: Também está no Issuu. Declamada no Politicast #22.

Special: 
Gênero: 

Presidentes e a Memória do Povo

Presidentes e a Memória do PovoBaixe a versão em PDF

Já é fato conhecido
Uma lenda e se reforça
Que a História se repete
Daí ocorre uma joça
Pois o tempo e a correria
Atrapalham e certo dia
A gente esquece da nossa

Em ano eleitoral
É um circo de ilusão
Na TV os candidatos
Vão salvar nossa nação
Ora heróis, santos de ouro
Ora fofocando do outro
Falando de corrupção

Neste ano foram onze
Candidatos que chegaram
Pra debates foram sete
Que os programas convidaram
Pra TV, só tinham três
Mas tratemos dessa vez
Sobre os dois que lá restaram

São só dois os candidatos
No final das eleições
Mas não são só dois partidos
E sim duas coligações
Com um bando de partidos
Aliados, reunidos
Com esperanças e ambições

Mas quem lidera os dois grupos
Você já deve saber
O vermelho e o azul
PT e PSDB
Brigando na nossa tela
Pela faixa verde-am'rela
Sua glória e seu poder

Faz doze anos, você lembra?
Saía o PSDB
Deixando um gosto amargo
No que conseguiu fazer
Com muita corrupção
Como a da reeleição
Feita por FHC

O PT nos prometia
Mudar tudo quando eleito
Mas se corrompeu também
Mostrando o mesmo defeito
Petrobras é o mais recente
Que é mostrado pra gente
Seguiram do mesmo jeito

E fora da presidência
Não foram tão diferente
Como o aeroporto tucano
Do que quer ser presidente
Totalmente irregular
Pra parentes ajudar
Com o dinheiro da gente

O que eu quero mostrar
E não são só impressões
Pesquise bem na História
Ou lembre, nos beliscões
É que há enrolada nos dois
Discutamos então, pois
Suas propostas e intenções
Para entender o cenário
Acho que é fundamental
Explicar direita e esquerda
No contexto eleitoral
Pois temos centro-esquerda
E direita neo-liberal

A Esquerda é pelo povo
Por programas sociais
Gosta da democracia
Preza direitos iguais
Quer combater a pobreza
E todo o mal que ela traz

A Direita é para poucos
Ricos e conservadores
Dá mais valor ao Mercado
E à Bolsa de Valores
É a voz de toda a Elite
Dos que se acham melhores

A Esquerda quer espaço
Pra ONGs e associações
A Direita quer os bancos
E grandes corporações
A Esquerda é dos pobres
A Direita é dos patrões

O PT era de Esquerda
Hoje é menos do que antes
PSDB é Direita
Nisso os dois são bem distantes
E esse é um bom critério
Pra escolher seus governantes

Além de ser de Direita
Eles são neo-liberais
Privatizam o que tocam
Vê FHC lá atrás
Já falaram de um "radar"
Do que querem privatizar
Mas não dizem o que ele traz

Esquerda quer dar direitos
Para todos, em igual
Direita quer privilégios
Para a Elite social
Tanto é que é desse jeito
Que hoje há tanto preconceito
Na Direita radical

Nesses anos de governo
A classe pobre subiu
Quem antes não tinha nada
Hoje não é mais servil
Isso tudo incomoda
A elite, que faz moda
De odiar o Brasil

Pois o muito criticado
Bolsa família cresceu
É uma ajuda muito pouca
Mas cumpre um papel só seu
De levar dignidade
A parte da sociedade
Que nunca antes recebeu

Hoje as universidades
Estão em todo lugar
Com cursos e investimento
Que ninguém ia imaginar
Na época de FHC
Volta e meia eu lia que
Ele ia privatizar
A verdade é que há 12 anos
A direita se afastou
E a fome de poder deles
A tal ponto já chegou
Que eles querem a todo custo
Tomar o poder no susto
Com a Elite a seu favor

Uma coisa diferente
Vista nessas eleições
São as redes sociais
Onde perfis apelões
Feitos por publicitários
Convencem os usuários
Sobre suas posições

Pessoas que não existem
Mas parecem de verdade
Falam mal de um candidato
Ou mostram sua qualidade
Manipulando você
Bem melhor do que a TV
Pra guiar sua vontade

Só se engana quem evita
Pesquisar, ter consciência
A escolha do Governo
É a nossa incumbência
Se você é enganado
Vai no fim votar errado
E sofrer as consequências

Por exemplo, a Economia
Dos dois é bem diferente
O Ministro da Fazenda
Atual recentemente
Falou junto com o proposto
Do tucano, se o posto
For seu, de ser presidente

A crise que o Brasil passa
Vem sendo sim combatida
Mas respeitando o mais pobre
Sem gente ser demitida
Tendo gente pra comprar
Mercado não vai parar
É a expectativa

A proposta do tucano
É mais fria e radical
Ele disse que o salário
Cresceu demais e isso é mal
(Vejam só que ousadia)
E que para a Economia
Ter desemprego é legal

Não votei nem num, nem noutro
Quem queria mudar tudo
Tinha melhor opção
Quando era primeiro turno
Mas só chega em primeiro
Quem investe mais dinheiro
Por isso, esse apuro

Há um boato antigo
Sobre anular eleição
Se muitos votarem nulo
Mas isso é uma ilusão
O TSE não dá valor
Nulo, branco, "não votou"
Tem igual situação

Por favor, não vote nulo
Por essa razão mostrada
Claro, você não precisa
Acreditar mesmo em nada
Do que hoje eu lhe falei
Pois a rede, hoje, sei
Já está muito bagunçada

Mas eu peço, por favor
Encare a grande missão
De pesquisar sobre tudo
E veja quem tem razão
Escolha o menos ruim
Pra cada vez mais, assim,
Sermos uma grande nação

-- Cárlisson Galdino

Special: 

As Asas da Evolução

Um ser um dia qualquer
Encontrou perdido um sonho
E como um sonho requer
Entregou-se todo ao sonho

E esse ser descobriu
As asas de suas mãos
Mudou, assim, quando viu
Estava em evolução

E viu as asas da guerra
E as usou como quis
Mas um certo dia encerra
Sua sede de fuzis

E ganhou asas do vento
E pelas asas do tempo
Voou num tão calmo e lento
Voo tecno-virtual

E os homens vão em manadas
Pelas estradas seguidas
Enquanto mudam de asas
Como se muda da vida

-- Cárlisson Galdino

À Nova Vampira

Vermelho é o sangue que corre
Nos olhos, espelhos d'alma
No braço, o pulso, tua palma
A Vida vem do que morre

E a nova vida começa
Após o último suspiro
Após a dor, o delírio
Após o golpe, a promessa

Perceberá que tem sorte
De ter sido a escolhida
Para viver nova vida
É doce enganar a morte

Se a noite é uma criança
Somos eternas babás
O dia não mais verás
Nem onde sua luz alcança

E os dons que agora te dou
De ver além do aparente
Dominar corpos e mentes
São o que você virou

E nesta noite, menina
À luz de um belo luar
Roubo tua vida vulgar
Te dou uma que não termina

"Monstros" muitos chamarão
Mantenha o charme e a leveza
Talvez no fundo até seja
Mas não lhes dê atenção

E desde o teu despertar
Sou teu senhor e soldado
Me terá sempre ao teu lado
O tempo que precisar

É meu o sangue que levas
Sai pra primeira caçada
Que um novo mundo te aguarda
Minha menina das trevas

-- Cárlisson Galdino

A Chuva

A nuvem vem do horizonte
De longe uma chuva vem
Vem de trás daquele monte
Vem por onde lhe convém

Vem a chuva ao nosso chão
Vem a essas terras molhadas
Vem à terra à multidão
Molhando as secas calçadas

A chuva molha os poemas
Ao frio se faz união
Só restam agora problemas

Só resta a televisão
O frio se torna em algemas
O lar se torna prisão

-- Cárlisson Galdino

O Fantasma da Opera

O Fantasma da Opera

Falo hoje, camaradas
De uma história assombrosa
De uma bela donzela
Jovem, linda como a rosa
E um monstro como a peste
Aconteceu no agreste
O causo da nossa prosa

A história aconteceu
Só lembra o povo mais velho
Foi lá no nosso teatro
Do lado do Bom Conselho
Quando ainda funcionava
Muita coisa se escutava
Até dentro do colégio

Lá faziam muita peça
De teatro musical
Que o gringo chama de ópera
Aqui era mais normal
Cantavam em português
Vamos pra 93
Quando existiu esse mal

Cristina, a moça donzela
Que era de Coité do Nóia
Vivia nesse teatro
Falava com a Lindóia
"Que bom anjo, amiga, há
Que me ensina a cantar!
Me diga se isso não é jóia!"

E ela dizia: "Ô amiga
Mas que maluquice é esta?
Gente que mente merece
É um cascudo na testa!
Apague isso da mente!
Anjo que fala com gente...
Tá pensando que eu sou besta!?"

"Mas amiga, é verdade!
Ouço sua voz de explendor
Ainda digo mais: que o anjo
Foi o meu pai que mandou!"
"Cristina, ele morreu
Ai que susto ocê me deu!
Valei-me Nosso Senhor!"

Logo mais era o ensaio
Enquanto calçava a bota
Cristina viu que entrava
Sem sequer bater na porta
Sua amiga Lindóia
Gritando: "Vem, fía, óia!
Caiu um troço em Carlota!"

"Como assim caiu um troço?"
Carlota era a grande estrela
Cristina saiu correndo
Com a amiga para vê-la
Carlota gritava irada
"Eu não vou ensaiar nada!"
Ninguém pôde convencê-la

"Isso é coisa do fantasma!
Aquele espírito ruim!
O teatro é assombrado!
Vocês sabem que é assim!
Valei-me Nossa Senhora
Pois eu vou é dar o fora
Isso aqui já deu pra mim!"

Enquanto ela ia embora
Se sentava o diretor
Arrancando os cabelos
Dizendo: "mas que horror!"
O dono desse lugar
Chega então pra perguntar
"O que se desenrolou?"

"Caiu a tábua na diva
E ela gritou de dor
Caçamos por todo lado
E nada ninguém achou
Carlota se foi virada
Diz que a tábua foi jogada
E que o fantasma jogou"

"Com fantasma ou sem fantasma
A peça tem que ocorrer
Já vendemos os ingressos
Até o prefeito vem ver!
Trate de suar camisa
Faça tudo o que precisa
Pra essa peça acontecer!"

E foi virado na gota
E o diretor lá chorando
Lindóia deu um sorriso
E disse se aproximando
"Substitua a menina!
Por que não bota a Cristina?
Ela canta que é um espanto!"

E ele se espantou "É mesmo?
Pois quero ver a cantiga
Você já conhece a letra?"
E ela disse envaidecida
"Conheço sim, meu senhor"
E quando ela começou
A história foi resolvida

Cristina iria cantar
Já que não ia a Carlota
Foi todo mundo pra lá
Seu Manoel o seu Mota
Foi povo jovem e idoso
E o diretor bem nervoso
"Se der sorte, ninguém nota"

Mas todos viraram fãs
Quando a menina deu fé
Cristina foi aplaudida
Por todo mundo de pé
E na platéia avistou
Alguém com quem já brincou
Quando era de Coité

E saiu pro camarim
Perseguindo a atriz
Mas nem pôde olhar pra ela
A perdeu, que infeliz!
É que ela corre e some!
E era Raul o seu nome,
Da Fazenda São Luis

Como sumiu pelo mundo
Ele não viu outro jeito
"Parecia minha amiga
Mas se está feito, está feito
Já que a persegui em vão
Aproveito a ocasião
Vou conversar com o prefeito"

Cristina estava espantada
Mal conseguia respirar
Trancada no camarim
Começou a escutar
Uma voz que lhe chamava
Uma voz bem afinada
E se pôs a conversar

"Cristina, você foi 10
E não tem pra mais ninguém
Você aprendeu direito
Viu como eu ensinei bem?"
E ela resolveu dizer
"Mas eu nunca pude ver
Meu anjo que é do além"

Ele a chamou para o espelho
Ela olhava e ele dizia
"Eu sempre estive aqui
Te observo todo dia"
O espelho então girou
E ligeiro ele a levou
Para onde ele se escondia

No esconderijo ele mostra
Um violão bem antigo
Toca chorinho e bossa
No arranjo mais bonito
Ela olha bem ligeiro
Era quase um mundo inteiro
Sabiamente escondido

Cristina vendo o seu rosto
Com uma máscara branca
Num momento indefeso
Com uma mão ela arranca
Pra ver o que tinha atrás
Mas ao ver diz: "Satanás!"
Pois ligeiro ela se espanta!

E ele diz: "Você é louca?
Não repita isso, está bem?
Eu te trato com carinho
E é assim que você vem!?
Pois então vou te prender
Só deixo ir se prometer
Não gostar de mais ninguém!"

Ela concorda e se vai
Com o coração pulando
Mas lá fora ainda nervosa
Por tudo o que está passando
Ela encontra um aliado
Que a abraça emocionado
Era o Raul esperando

E eles conversam por horas
Sobre os tempos de criança
Logo ela se apaixona
Por seu amigo de infância
E conversam todo o dia
E Cristina, quem diria
Nele encontra uma esperança

Então Cristina e Raul
Falam e fica combinado
Vão fugir e se casar
No lugar mais afastado
Vão fugir depois da peça
É essa mesma a promessa
Do casal apaixonado

E começa a encenação
Na história divertida
Ela, o mulher do padeiro
No Auto da Compadecida
Mas quando vem o major
Acontece o pior
É uma figura escondida

Que fala: "minha querida
Até agora peguei leve
Mas você é uma safada
Tanto o padeiro me deve
Que se não pode pagar
É você quem vou levar
Se não paga, você serve!"

A plateia se animava
Ria até não poder mais
Da mudança inusitada
Na peça que lá se faz
Nisso o fantasma fugia
Mas a real Raul via
E foi perseguindo atrás

Debaixo desse teatro
Sem ninguém desconfiar
O mascarado fugia
Com a Cristina a gritar
Pelo caminho secreto
Mas Raul soube o trajeto
Só de parar e escutar

Perto de uma fogueira
O fantasma gargalhava
Quando Raul lá chegou
Com sua cara mais brava
Mas logo notou que a trilha
Levava pra uma armadilha
Logo preso ele estava

Raul preso numa corda
E o fantasma bem feliz
Com a Cristina do lado
Olha para ela e diz:
"A vida desse bundão
Agora está na sua mão
Ele veio porque quis"

"Ou você casa comigo
E vai morar na Alemanha
Ou eu enforco esse cabra
Para ele deixar de manha
Decida como vai ser
E não vá se arrepender
Vida ou morte ele ganha?"

Cristina pensou bastante
E disse "ó mascarado
Já gostei tanto de ti
E hoje veja esse estado
Hoje és um monstro rude
Mas por causa da atitude
Não pelo rosto estragado"

"Você é um infeliz
Seu coração só tem gelo
Viver casado contigo
Seria um pesadelo
Mas Raul tem que viver
Mesmo triste, que fazer?
Se é preciso, vou fazê-lo"

O fantasma então gargalha
"Pois você tá libertado!"
Enquanto Raul se solta
Rola um fato inusitado
O fantasma escorrega
Que peça o destino prega!
Cai na fogueira o danado

Cai já cortando a cabeça
Cristina grita de horror
Raul corre até ela
"Parece que ele dançou
Olha o sangue pelo chão
Foi fazer tal confusão
Que prêmio que ele ganhou?"

Voltando para o teatro
Eles ouvem gargalhadas
Olham pro lado assustados
Só que não enxergam nada
Não foi o primeiro dia
Depois disso quem diria
A casa estava assombrada

Foi assim que nunca mais
O teatro funcionou
Dizem que o fantasma vive
Em fantasma se tornou
Pra assombrar qualquer vivente
Que ande inconsequente
Na terra que ele pisou

Quando o fantasma sumir
Nem tudo pra sempre dura
Talvez o teatro reabra
Tem gente que diz e jura
Que isso é lenda, isso só!
Pois um fantasma pior
É não querer ter cultura

-- Cárlisson Galdino

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