redondilhas maiores

Patetadas de Arapiraca

Quem anda por Alagoas
Pequena nesse Nordeste
E se afastando das praias
Vai em direção ao Oeste
Achará uma cidade
Que fica bem na metade
Do Estado, lá no Agreste

Seu nome é Arapiraca
O tema da nossa história
É uma cidade até grande
Se for ver estado afora
É a segunda maior
Só perde pra Maceió
Se ver quanta gente mora

Seu nome vem de uma planta
Que, dizem, significa
De alguma língua de índios
Ramo que a arara visita
No censo que se seguiu
Passam de duzentos mil
De gente que nela habita

Dizem que essa arapiraca
Tava no meio, ora veja
Do povoado que havia
Não duvido que assim seja
Mas deixa de ser importante
Quando fizeram adiante
Uma grande de uma igreja

A igreja Concatedral
Pra te falar a verdade
Até hoje é a imagem
Que nos dá identidade
A construção principal
Ela é o cartão postal
Da nossa bela cidade

Já foi muito conhecida
Por sua antiga feira
No campo da agricultura
Por cultura fumageira
Por seu time, o ASA, não
Ganhar uma competição
A mudança foi ligeira

A feira mudou de canto
Quase desapareceu
O fumo não é mais forte
O ASA ganhou, perdeu
Tem um pouco de respeito
E a cidade desse jeito
Mudou enquanto cresceu

Mas quero falar agora
De um assunto esquisito
Das patetadas da História
Que nos livros não é dito
O que direi é verdade
Se duvidar, à vontade
Vá perguntar ao Zezito

Hoje com universidades
Com praça pra todo lado
Com bosque, lago, museu
Um shopping movimentado
Falta ao arapiraquense
Que estude um pouco e repense
Um pouco sobre o passado

Trouxe duas patetadas
Pra você ver que doideira
E sem demorar no papo
vou dizer logo a primeira
Logo quando começou
O povo daqui trocou
O nome da padroeira

No ano de 64
No século dezenove
Fundador Manoel André
De repente resolve
Fazer uma tal viagem
Para trazer a imagem
De uma santa que comove

No Estado de Pernambuco
Em Bom Conselho existia
Um competente santeiro
Que essa imagem faria
Manoel trouxe de cavalo
Causando um grande abalo
Nossa Senhora da Guia

Veja bem: era da Guia
A imagem do santeiro
Mas na confusão do dia
Tudo se mudou ligeiro
Num telefone sem fio
A santa que persistiu
Foi sendo do Bom Conselho

Mas a santa não mudou
A imagem da padroeira
É ainda a da Guia
Mudaram só a “carteira”
Bom Conselho no final
É o nome atual
Fala sério, que zoeira!

Talvez essa confusão
Que na cidade ocorreu
Nem seja tão grave assim
Seja pra cristão ou ateu
Rei Roberto disse outrora
Que toda Nossa Senhora
É a mesma mãe de Deus

A segunda patetada
Tem mais sérios resultados
É também pouco mais nova
Vem do século passado
Devido a uma confusão
O dia da emancipação
Da cidade está errado

Quando ocorre independência
Ou uma data parecida
Ninguém tem tempo pra festa
Na hora em que é conseguida
É preciso, muitas vezes
Passarem semanas, meses
Pra ter festança e bebida

Foi isso que aconteceu
Na nossa emancipação
Que foi no final de maio
Mas mudava a gestão
Do Governo do Estado
E tudo ficou parado
Durante essa transição

Quem pegou esses papéis
Foi José Fernandes Lima
No dia 30 de maio
O governador assina
Mas só no novo governo
Do Pedro da Costa Rego
Que pra festa o povo anima

Como já disse, é normal
Atraso à primeira festa
Mas na segunda se ajeita
E em todas depois desta
Aqui, segunda, terceira
Basearam na primeira
Até hoje a real é esta

Quando vai aparecer
Algum prefeito ou prefeita
Que corrija essa lambança
Goste da coisa direita
E leve à população
Toda essa discussão
De data nunca antes feita?

Tenho pra mim que a tristeza
Nessa infeliz trajetória
Se deve à nossa cultura
De evitar livros de História
O que pois, se esperaria
Em garra e soberania
De um povo que é sem memória?

Quem não sabe de onde veio
Nem onde sonha chegar
Se depender de si mesmo
Nem vai sair do lugar
Mas sempre tem um sabido
Poderosos e bandidos
Pois só tende a piorar!

Precisamos de memória
Precisamos de leitura
Menos jogo e novela
Mais arte e literatura
Buscar a todo momento
Juntar mais conhecimento
Criar uma nova cultura

Precisamos dar valor
À nossa própria cidade
Arapiraca é bem mais
Que fumo, igreja e padre
Que time de futebol
Que político sem dó
Cadê nossa identidade?

Vamos amar nossa terra
Corrigir a coisa errada
Estudar nossa História
Ajudá-la a ser traçada
Cada um tem seu papel
Até um outro cordel
(Espero, sem patetada)

-- Cárlisson Galdino

Special: 

Armadilha do Consumo

Já não temos tanto tempo
Na correria e loucura
Temos falta de momentos
Por isso a gente procura
Comprar um novo produto
E isso nunca nos cura

É por não conseguir ler
O tanto que se queria
Que nos enchemos de livros
Na visita à livraria
Prateleiras ficam cheias
E a leitura vazia

Crianças podem brincar
Só com imaginação
Mas sem tempo e companhia
Toda essa frustração
Atinge só os brinquedos
Que veem na televisão

Foi o truque do sistema
Pra aumentar o capital
Nos ensina que o vazio
Que nos faz sentir tão mal
Sempre é melhor preenchido
Por algo material

Só nos quer muito doentes
O mundo de hoje em dia
É preciso de silêncio
Paz em meio à correria
E nos conhecer melhor
Pra fugir dessa agonia

Essa é a única esperança
Que nos dará liberdade
Fugindo das ilusões
Sonho vivermos sem grades
Desejo-lhe ser feliz
Da real felilcidade

-- Cárlisson Galdino

U. E. B. B.

Desde quando o mundo é mundo
Que tem gente sem noção
Que acredita em cada coisa
Sem a menor condição
E hoje nessa poesia
Vou falar de uma teoria
Claro, da conspiração

Tem muita teoria assim
Se buscar, se acha quem diz
Que o homem não foi à Lua
Que bem no nosso nariz
Por dentro, a Terra é oca
Mas hoje a teoria louca
Fala do nosso país

Não vou falar de ET
Nem de Jesus vou falar
Nem de não ter holocausto
Nem de guerra nuclear
Nossa história simplesmente
Começa com o presidente
Que assumia, o João Goulart

Comunismo se espalhando
Cada vez mais pelo mundo
E batia à nossa porta
Chegando a qualquer segundo
Por isso o povo vivia
Só esperando esse dia
Sempre num terror profundo

Quando o dito presidente
Viajava de avião
Por países comunistas
Já numa preparação
Para aqui fazer um golpe
Foi que os soldados, com sorte
Salvaram nossa nação

Os planos dos comunistas
Não teriam mais lugar
Graças à intervenção
Do governo militar
Mas os planos não ruíram
Tudo que eles conseguiram
Foi tão somente adiar

O Partido Comunista
Mesmo assim pôde crescer
Até que se transformou
No conhecido PT
Não só o dos trabalhadores
Criou vários bem menores
Só pra confundir você

Vários partidos pequenos
Tem um em cada buraco
PCB, PCdoB
Rede, tucano e macaco
Nesse meio não me iludo
Com certeza é isso tudo
Farinha do mesmo saco

Foi assim que os comunistas
Prosseguiram nessa trilha
Crescendo e ficando fortes
Como uma grande quadrilha
Na mão um plano cretino
De controlar nordestino
Usando a Bolsa Família

E pra prosseguir no plano
Bolaram a invasão
Trazendo muitos cubanos
Com desculpa de que são
Doutores por caridade
Quando o plano na verdade
Era ganhar eleição

O congresso, que era honesto
Desd’Era da brilhantina
Foi comprado por petistas
Corrompido por propina
Se afastaram, bem sabidos
Lá dos Estados Unidos
Pra se aproximar da China

Pra atacar nossos costumes
Bolaram uma confusão
Para a nossa juventude
Falando de orientação
Era seu plano maldito
Pois num golpe desse tipo
Mais fácil sem religião

Negro, gay, pobre, traveco
Sabiam do seu lugar
Mulher tinha seu papel
De recato e ser do lar
O PT, sem ser cristão
Promoveu a confusão
Vê só como tudo está!

Mas o povo não é besta
Percebendo essa intenção
Não aceitariam isso
Bateram o pé no chão
E esse grupo no poder
Tentando se defender
Encontrou a solução

Já que Dilma não dá mais
Pra resolver o problema
Vamos simular um golpe
E botar lá Michel Tema
O povo se acalma e some
Sem saber que o novo nome
Faz parte do mesmo esquema

Pra não levantar suspeita
Michel atacou seus parça
Índios e trabalhadores
Mas veja que ele disfarça
Sempre que fez dessa coisa
Parte era pra ganhar força
Ou cortina de fumaça

Sei que o plano vai dar certo
Agora dá pra fazer
Com Michel, Renan e Collor
Com Lula e todo o PT
Vai ter a revolução
A nossa nova nação
Será a U. E. B. B.

Como a U. R. S. S.
Que um dia existiu
Esse nome foi pensado
E assim se definiu
A União dos Estados
Bolivarianos, claro
Do meu querido Brasil

Nesse país renovado
Não vai existir cidade
Cada estado tem um rei
Ninguém tem propriedade
Com o PT no comando
Todo mundo trabalhando
Em perfeita igualdade

Quer dizer, quem é político
Tem trabalho diferente
O Partido terá luxo
Clube, praia e aguardente
Mas minha casa, minha vida
Será sempre garantida
Para qualquer outra gente

A bandeira do país
Falo com certa emoção
Será muito parecida
Co’a bandeira do Japão
Uma homenagem bem-vista
Pois também é comunista
Todos sabem que eles são!

O verde vira amarelo
Amarelo vira branco
A bola que era azul
Vermelha vai se tornando
Sem faixa, tudo mais belo
Com uma foice e um martelo
E uma estrela só, brilhando

Nossas empresas amigas
Ganharão o monopólio
Pois sempre nos apoiaram
É legítimo e notório
Claro, Friboi, Havaianas
Santander, Americanas
Globo e Carteldos Cartórios

Outras nações com certeza
Darão apoio formal
Cuba, China, Rússia, Chile
Venezuela, Senegal
E a U. E. B. B. Gigante
Terá papel importante
Com força internacional

Por agora, vou parar
Esse cordel-brincadeira
Espero cê ter gostado
Dele de alguma maneira
Só o que me deixa triste
É saber que sempre existe
Quem crê nessa baboseira!

Se você jura que é fato
Qualquer verso daqui dentro
Se acalme, pois tem remédio
Pra aplacar o seu tormento
Não acredite demais
Nessas redes sociais
Nelas, ninguém é isento
Pra mudar a trajetória
Busque um bom livro de História
Procure conhecimento!

– Cárlisson Galdino

Special: 

É Guerra!

Ao fim da Escravidão
Quase da noite pro dia
Se criou pelo Brasil
Imensa periferia
Pois apesar de correta,
Foi uma lei incompleta
Que garantiu alforria

Negros podiam gritar
"Sou livre", bater no peito
Mas quase que era só isso
Nenhum reparo foi feito
Foram pro "mundo real"
Numa miséria total
E encarando preconceito

Assim, só morros e grotas
Foi o que deu pra arranjar
Pros filhos dos estrangeiros
Que à força vieram pra cá
Seu lar: favelas somente
E até hoje os descendentes
Não conseguem sair de lá

Todo o tempo que passou
Ainda não curou as dores
Daqueles que foram escravos
E hoje são trabalhadores
De trampos de exploração
Na mão de chefes que são
Netos daqueles "Senhores"

Ao não querer contratar
Trabalhador por ser preto
Fazer piada no bar
Ou sorrir quando um suspeito
É morto por policiais
É que mais claro se faz
Esse imenso preconceito

Que vem desde a cor da pele
Na sua forma mais dura
Mas passa pelo cabelo
Lábio, nariz e cintura
Religião, capoeira
Deixando claro que a ira
É contra etnia, cultura

Ao tempo em que os negros lotam
Os complexos penais,
Os piores dos empregos,
Favelas das capitais
Herdeiros de escravagistas
Mandam em jornais, revistas,
Poderes municipais

São donos de vasta terra
Pra plantio ou criação
Donos de bancos e ações
Tem cada corporação
Estão desde a monarquia
Nos poderes e autarquias
No mei da corrupção

Tivemos 'ma presidenta
Quando ela levou um baque
Não era ela e o partido
Quem sofria desse ataque
Mas toda essa multidão
Que essa elite de plantão
Quer que a atual crise pague

Uma boa forma de ver
O que o burguês quer ou não
É ver as altas e baixas
Que têm na bolsa de ação
Que cai quando ele não gosta
Se gosta, aumenta a aposta
Eis a manipulação

O burguês é contra o povo
O lucro é o alvo primário
Não quer ver pobre crescer
Quer ver trabalho precário
Ah, se esse povo aprender
O que "a Bolsa" quer dizer
Só vai torcer ao contrário!

Se você ver quem dizia
Ser contra a corrupção
Hoje está contra direitos,
Sociais e de expressão
Quer reduzir o Estado
Sabe o significado?
"Dane-se a população!"

Nos botaram numa guerra
Não soube? Fique sabendo!
Essa burguesia está
Por trás desse golpe horrendo
Enquanto tu não acordar
Ver ao redor e lutar
Vai continuar perdendo

Veja do golpe pra cá
Vê quanta corrupção!
PEC do teto dos gastos
A volta da escravidão
Pilhar direitos é norma
Temer não fez uma reforma
Só teve demolição

Acorda, vamos pra rua!
Sei que você pode e eu posso
Vamos lutar essa guerra
Unindo nossos esforços
Como nunca antes se viu
Recuperar o Brasil
Que não é deles, é nosso!

– Cárlisson Galdino

Cadê o Super-Homem?

Se você olhar pra História
A Revolta era agressiva
Quem sofria a injustiça
Tomava iniciativa
E partia pro confronto
Numa luta coletiva

Em resposta, os poderosos
Enfrentava o desacato
E desciam os soldados
Com prisão e assassinato
Pra conter os revoltados
Nunca deixavam barato

Mesmo assim havia luta
Pra quem tinha algum estudo
Qualquer um que leia sabe
Que só se fazer de mudo
Não resolve o problema
No fim só piora tudo

A mudança mais recente
De quem tem todo o poder
De julgar e de oprimir
De comprar e de vender
Transformou o nosso mundo
Nesse que hoje a gente vê

No mundo da compra e venda
Tudo agora tem valor
Terra, planta e animal
O que a indústria fabrica
A criação cultural
Tempo do trabalhador

E para se alimentar
Todo mundo é obrigado
A vender tempo e trabalho
Ficando de resultado
Menos tempo para estudo
Se tornando alienado

Foi assim que aconteceu
Sem ninguém nem perceber
O controle preventivo
De lutar pelo Poder
Foi com reeducação
Aos poucos pela TV

Por quadrinhos, por desenhos
Pode parecer loucura
Entraram no nosso meio
Alterando a estrutura
Das crenças, sonhos e mitos
Redesenhando a Cultura

Nos fizeram acreditar
Que é normal ser sofredor
Que é uma lei natural
Ter escravo e ter senhor
Que isso nunca vai mudar
Só com um herói salvador

Que herói dessas histórias
Puxe um pouco da sua mente
Tem poderes por escolha
Por ser firme e inteligente?
Porque os que lembro agora
Todos foi por acidente

A mensagem é bem clara
Ser herói é profissão
De quem tem um privilégio
Sem haver preparação,
Representatividade,
Vocação ou eleição

Isso nunca funcionou
Nem mesmo na ficção
Só tem estadunidense
Seguindo essa profissão
Homem branco, hétero, cis
E muito pouca exceção

Assim foi acontecendo
Que o povo reprogramado
É como vassalo, escravo
Que morre pelo reinado
Por seus nobre e é pior
Do que ter "Vida de Gado"

A verdade é que faz tempo
Que a luta espera você
Chega de esperar um herói
Que tenha superpoder
Acorda pra vida agora
Ninguém vai aparecer

Ou vamos juntos na causa
Ou não tem o que fazer
Quem não tem disposição
Só terá escravidão
Prêmio de consolação
De quem não quer nem saber

– Cárlisson Galdino

Taverna 8 Bits - Outras Cores

No Reino do Cogumelo
Num bar, sem ter mais ninguém
Dois caras bebem, conversam
Sobre o passado também
Luigi, o encanador
E um galego lutador
De Street Fighter, o Ken

Luigi vira um copo
E reclama para o amigo
“É triste: tanto eu me esforço
Eu pulo, eu corro, eu brigo
Pra no fim Mario, meu irmão
Ser exaltado, e eu não
Você entende o que eu digo?”

“Sei que você também sofre
Nossa história é parecida
Também se mata em disputa
E sua luta é esquecida
Pode ser bom no kung-fu
Mas tu é sombra do Ryu
Como é triste a nossa vida”

O Ken balança a cabeça
Bebe e começa a falar
“Você não sabe de nada
Só sabe é reclamar
Sombra, aqui, só você
E o que eu luto é karatê
Mas vamos continuar”

“Você é uma criancinha
Chorando sem ter razão
Pode ser sombra do Mario
Mas ganhou jogo, eu não
Seja homem, pra que chorar?
Pois saiba que ouvi falar
Da sua imensa mansão”

Luigi diz: “É verdade
Tive jogos afinal
Mas o que mais me dói hoje
É que nasci tão banal
Lá no primeiro que teve
Eu era só o “Mario verde”
Isso me deixa tão mal”

Ken sorri e coça o queixo
E diz “Pior que é verdade
Era um tempo bem estranho
Na nossa realidade
Muitos jogos foram assim
Poucos recursos, no fim
A cor era a Identidade”

“E você lembra o Diablo?
Aquilo era bem pior!
Você enfrentava esqueletos
Brancos, sem qualquer valor
E ao descer mais, os perigos
Vinham novos inimigos
Iguais, só mudando a cor”

Luigi sorri e alisa
O se redondo bigode
E diz “Já vi esse jogo
Quem jogou muito foi o Toad
Lembro que as cores mudavam
Tinha até uns que brilhavam
Lá no escuro, vê se pode!”

“Essas mudanças de cores
Eu fui vítima, que eu sei
Por isso há muito tempo
Que isso também pesquisei
Chamam 'troca de palheta'
Mudavam fundo e planeta
Poupar memória era a lei”

“Mas o pior que já vi
A que era mais descarada
Não foi em jogo de luta
Foi Futebol, que jogada!
O boneco é repetido
Muda só o colorido
E os times vêm em enxurrada”

O Ken bebe outra dose
Depois gargalhando à beça
Diz: “O pior é que é mesmo!
O povo pregava peça
Com você foi bem igual
Ainda bem que, no final,
Por pouco eu escapei dessa!”

Luigi decepcionado
Responde: “Olha pra tu!
Só porque é americano
Galeguinho do óio azul
Acha que é diferente
Mas você é simplesmente
Uma cópia do Ryu”

“Pra ser cópia não precisa
Mudar só a cor, garanto!
Você tem os mesmos golpes
Que o tal de kimono branco
Você é muito parecido
Personagem repetido!
Desça já desse tamanco”

O Ken não gosta daquilo
Daquela provocação
E se levanta da mesa
Já fechando a sua mão
E diz: “Se tiver coragem
Eu te mostro minha mensagem
Numa surra, uma lição”

O Luigi diz que não
Com a cabeça a balançar
Se levanta e vai pra porta
E diz: “Não nesse lugar
Não acabou entre nós
Te vejo no Smash Bros
Se tem peito de ir pra lá.”

– Cárlisson Galdino

Special: 

Florestiotas

Pela floresta se ouviu
“Vamos todos para o lago!”
Era o grito da Arara
Voando por todo lado
Chamando pra reunião
“Vamos todos! Vamos logo!”

Os bichos foram chegando
Buscando acento no chão
Quando a Arara pousou
“Foi feita a convocação
A todos nossos amigos
Que comece a reunião”

O jabuti começou
Falando meio arrastado
“Muitos de nós hoje andam
Com razão, bem preocupados
Com a presença dos homens
No nosso chão adorado”

“Os índios vivem há tempos
Caçando nossos colegas
Mas tem outros que estão vindo
Estranhos, com fúria cega
Destruindo quase tudo
A própria vida nos nega”

O Tatu-bola pediu
Para comentar também
E disse: “Pra mim nenhum
Homem é bicho de bem
Não aceito índio aqui
Nem lenhador, nem ninguém!”

Houve um barulho de apoio
O mico ergueu a mão
E disse: “eu vou além!
Eu vi o que os homens são!
Tem parques muito bonitos
E um monte de construção”

“Se eles derrubam as plantas
É pra botar no lugar
Cidades bem divertidas
Boas de humano morar
Fazem um tal zoológico
Pra gente ficar por lá!”

“Se tem humano ruim
É esse povo atrasado
Que além de matar o bichos
Nada faz pra nós de agrado
Eu gosto do bicho homem
Quando ele é civilizado”

A Jiboia se espantou
E disse: “para com isso!
Nunca ouvi tanta besteira!
Lançaram em tu um feitiço?
Trocar a nossa floresta
Por canto assim, tá difícil!”

O Pato falou também
“O mico está muito certo!
Não é atacar floresta
Mas sim ser bem mais esperto
Melhorando nosso mundo
Antes que vire um deserto”

O Tatu falou de novo
“É pensando bem que eu digo
Quem não concorda com o Mico
É da floresta inimigo
Por isso digo: vocês?
São contra ou estão comigo?”

Bicaram muito a Jiboia
E o Jabuti com maldade
Foram pra aldeia dos índios
Mataram sem piedade
Só por amor à Floresta
Sonhavam em ser cidade

-- Cárlisson Galdino

Cordel Pokémon

Cordel Pokemon

No mundo dos videogames
Mimimi é bem normal
Pessoas com preconceitos
Sem conhecer a real
Pegam um jogo qualquer
Sem jogar uma vez sequer
Se apressam em falar mal

Há quem fale mal de esporte
Quem não curta RPG
Ou dos jogos “infantis”
Ou de jogos pra PC
Pois esse campo é de jeito
Que um besta preconceito
É fácil de aparecer

Hoje vou falar de um jogo
Na verdade, uma franquia
Segunda maior do mundo
Desde sempre, quem diria
Só o Mario está na frente
Mas nem é tão diferente
É a Nintendo quem cria!

Nossa história então começa
No ano de 96
O Gameboy ia mal
Ia afundar de vez
A Nintendo a ter chilique
Veio uma tal Game Freak
E uma solução se fez

Ninguém conhecia o jogo
Mas a empresa tinha o dom
Vendeu pouco no início
Quem comprou viu que era bom
E rápido divulgou
Pouco a pouco se espalhou
Era a febre Pokémon

No universo desse jogo
Há um mundo sossegado
Como um Japão bem antigo
Só com vila e povoado
Pouca gente ali vivia
Mas com tecnologia
Não era tão atrasado

Nele existem criaturas
Como um reino animal
Mas é difícil dizer
O que eles são afinal
Há quem pareça inseto
Planta, gente, objeto
Nesse mundo é natural

São chamados pokémon
São os monstrinhos de bolso
Eles são parte do mundo
Sei que é estranho, seu moço
Mas nesse mundo especial
São a peça principal
Causam maior alvoroço

Não se pode andar sozinho
Longe de cada cidade
Sem proteção de um bichinho
Com quem se tenha amizade
Pois sempre, a qualquer momento
Surge um pokémon sedento
Por briga só por maldade

Os pokémon fazem mal
Mas porque são animais
Não sabem certo ou errado
E os humanos vão atrás
De um deles capturar
Se proteger e ensinar
É o que um treinador faz

Treinadores são pessoas
Com pokémon mundo afora
E pra levá-los pros cantos
Não ia prestar sacola
Criaram então certo dia
Sagaz tecnologia
A famosa pokébola

Como uma bola pequena
Capaz de um bicho conter
A pokébola é incrível
Só mesmo vendo pra crer
O pokémon fica preso
Seja veloz ou de peso,
Tamanho ou muito poder

Assim segue pelo mundo
Cada jovem treinador
Os pokémon vão caçando
Co'ar de colecionador
Mas só podem levar seis
Os outros vão de uma vez
Parar num computador

Além de treinar os monstros
Para melhor proteção
Treinadores colecionam
De pouco em pouco, um montão
Como se eles fossem selos
Andando com os mais maneiros
Para cumprir sua missão

Que é enfrentar mais treinadores
Em uma competição
E nos ginásios encontram
Os melhores da nação
Tem que vencer as batalhas
Juntar todas as medalhas
Pra se tornar campeão

Nos jogos de Pokémon
Existem tantos monstrinhos
Que não se acabam mais
Se quiser contar todinhos
E nos jogos só aumenta!
Já eram cento e cinquenta
Já no primeiro, sozinho

Quem acompanha a franquia
Precisa ficar atento
Se quiser conhecer todos
Ô trabalho desgracento
Pois já aumentou a quantia
Eles já são hoje em dia
Passando de setecentos!

Cada um com seu estilo
Seu tipo e comportamento
Seus golpes por aprender
E o seu próprio som fazendo
Quem cria essas criaturas
Acho que beira a loucura
Sempre em certo momento!

Mas de todos esses bichos
Diminuem a seleção
Se lembrarmos que alguns
Deles um mesmo é que são
Pois tem formas diferentes
De uma a três geralmente
Mudando na evolução

Larva vira um casulo
E depois uma borboleta
Assim é com pokémon
Que habitam nesse planeta
Mudam a forma na jornada
E nem sempre a avançada
É de todos predileta

Chegando devagarinho
Sem nenhuma pretensão
Os pokémon se tornaram
Uma grande sensação
Se espalhando bem ligeiro
Do nosso mundão inteiro
Chamaram a atenção

Muita coisa apareceu
Além do jogo falado
Apareceram brinquedos
Boneco pra todo lado
Baralhos, jogos diversos
Além do grande sucesso
Que era o desenho animado

O desenho era infantil
Com um traço oriental
A história era bem simples
Luta, humor e coisa e tal
Mas carisma não faltava
Na turma que aventurava
O sucesso foi total

Assim ficou popular
Virando celebridade
Aquele rato amarelo
Que tem eletricidade
Pikachu, que se revolta
Sem querer a pokébola
Segue Ash pela cidade

Até aqui no Brasil
Ele veio aprontar
O desenho animado
Se tornou tão popular
O sucesso foi tão bom
Que se via pokemón
Vindo até no Guaraná

Os jogos para portáteis
- A primeira criação -
Da Nintendo sempre foram
Importantes e ainda são
Mas a turma tem empenho
Há muito mais que desenho
Pra ver na televisão

Há revistas em quadrinhos
Conhecidas por mangá
Tem jogo só de batalha,
De masmorras a explorar
Adesivos, tatuagens
E cartas colecionáveis
Para a Nintendo enricar

E foi que recentemente
Veio um novo produto
Feito para celulares
Em um projeto astuto
Assim qual quem não quer nada
Com realidade aumentada
Chegou dominando tudo

Essa grande novidade
É o tal Pokemon Go
Pra jogar no celular
E virar um treinador
Mas toda essa maravilha
Esconde uma armadilha
Que pouca gente notou

Pra jogar Pokemon Go
E cumprir suas missões
Você dá todo o acesso
A suas configurações
Permitindo espionagem
(Olha só que sacanagem!)
Completa, sem restrições

A câmera tira fotos
Quando você está jogando
GPS dá o lugar
E tudo vai se juntando
Pra juntar informação
Dessa grande multidão
Alheia ao que está passando

Mas não foi a Game Freak
Que teve essa obra feita
Nem foi a própria Nintendo
Mas uma empresa suspeita
Niantic, de ex-funcionário
Do Google, império lendário
Agora você diz: “Eita!?”

O Google já mapeou
Ruas de nações, estados
Quem joga Pokémon Go
É espião infiltrado
Sem querer e sem notar
Ajudando a mapear
Dentro de prédios privados

Pokémon é muito bom!
Tem carisma, tem história
Mas o jogo que chegou
É um perigo, não rola
Cuidado pra não virar
Um zumbi de celular
Cabeça de poké-bola

-- Cárlisson Galdino

P. S.: publicado em audio no Politicast /Arte/

Gênero: 

O Elixir

Um pingo de luz desliza
Por seu corpo indescritível
Ao som de divina banda
Tocando um metal-canção

Sabes que em meu coração
Teu olhar manda e desmanda
Com comandos de alto nível
Nem mesmo falar precisa

Desse Sol nos vem a brisa
Faz seu corpo transparente
Mas no toque sei te ver

Deixa o tempo transcorrer
Se entregue a mim totalmente
Que o Amor imortaliza

-- Cárlisson Galdino

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