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Alegria em Lata

Dança, menina, que a vida é curta
Dança, menina, que a Noite furta
Teus sonhos, alegrias, teu futuro
Transformando o que é claro em escuro

Sorri, menina, que a vida ilude
Sorri, menina, que a juventude
Virará velhice, oh mundo ingrato!
Tua beleza estará só no retrato

Canta, menina, que a dor já vem
Canta, menina, e curte bem
Essa alegria em lata, iludida
Enquanto sabes tão pouco da vida

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Engenho: 

À Luz da Loucura

Já não lembro mais como começou
Nas voltas do mundo, que o mundo girou
Você é minha diva, meu anjo alado
Você é meu vício, desejo e pecado

Não sei se te amo ou tudo é ruína
Não sei se me entrego, não sei se combina
Pensar em você, como sempre penso
Você é meu Dharma, é o meu tormento

Não sei se é segredo, nem sei se é verdade
Nem sei qual ao certo a cor da saudade
De ti, não sei se é sensato ou se dura
Num tempo confuso, à luz da loucura

Tão Longe, Tão Perto

Já não posso mais viver de tanta falta de você
Por quê que você não volta pra bem pertinho de mim?
Minha vida é incompleta, nada agora faz sentido
Ah, meu amor, volte logo senão vou eu te buscar! :-)

Esse tempo que não passa e você aqui em casa...
Quando é que vai embora? Se quiser, te deixo lá
Minha filha, dá um tempo, já cansei da sua cara
Já matei foi mais saudade do que tinha pra matar

Minha linda, há tanto tempo quero tanto ver você...
Penso em você toda hora desde que você partiu
Volta logo pros meus braços, sem você tudo é vazio
Não fique aí pelo mundo, seu lugar é bem aqui

Olha só, te quero muito, mas já faz uma semana!
Não agüento mais suas crises, sua voz e seus xiliques
Nós não nascemos colados! Vai embora, pois senão
Ou te mato ou a mim mesmo pra poder viver em paz!

No Meio do Caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Alguns passavam e gostava dessa pedra
Mas ela não saía daquele lugar

Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
Causando surpresas, dores e alegrias
No meio do caminho

E todo aquele de que ela gostava
Tentava quebrá-la em mil pedacinhos
Para ser mais fácil transportá-la
Mas ia embora ao tirar uns pedaços

No meio do caminho tinha uma pedra
E nessa pedra eu quero acampar
Por toda a vida no mesmo lugar
Se não puder carregá-la comigo

No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Podemos ter um futuro tão lindo
E uma casa cheia de pedrinhas

Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra
E eu me apaixonei por ela

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Sem Lua

Já tanto tempo faz, eu era o Sol
Por meses tanta coisa aconteceu
As asas que eu trazia desmancharam
Já tive os céus, hoje só o chão é meu

E hoje tento refazer meu brilho
Como quem junta latas pela rua
Na solidão de um Sol que escureceu
Na escuridão de uma noite sem Lua

Engenho: 
Special: 

Quando acabar a anestesia

Oh, meu amigo, o que irás fazer
Quando o Futuro te virar as costas?
Não há mais farras
Não há mais planos

Oh, meu amigo, o que irás fazer
Quando não houver mais programação
Nada no rádio
Ou televisão

Oh, meu amigo, o que irás fazer
Sem futebol, encontros, videogames
Sem Internet
Livros de história

Quando não houver mais anestesia
O mundo de que foges se abrirá
Com as frustrações
O que fará?

Luz do Sol

O Sol do céu despeja os seus raios sobre nós
Uma nascente-estrela que em teus olhos faz a foz
Mas como pode ser desses teus olhos serem sós
Se essa correnteza é forte e leva sempre a vós?

E arrogantemente, à noite, a Lua brilha falha
Mas ninguém, se estás perto, nota nem se ela trabalha
Pois os teus olhos brilham mais que seu fogo de palha
O Sol te deu a luz, a Lua só catou migalha

E quão cruel destino a esse infeliz os deuses dão!
De só sonhar contigo sem nem te tocar a mão!
Não posso competir co'Apolo por teu coração
Tento com poesia enquanto ele não faz canção

Além da sua Janela

Um emblemático pé de gnomo
E um dragão verde
Dois cometas se cruzam lá no céu
O que é real?

Dizem que o dragão verde vem do espaço
Mas e o gnomo?
Por entre as plantas sempre tem quem viu
E ainda vêem

Há quem não acredite nessas coisas
Prefiram outras
Mas caixas pretas só são úteis quando
Há um acidente

O certo é que há um mundo gigantesco
Ao nosso alcance
Além da sua janela na varanda
É só sair

E há dragões, gnomes, índios, lobos?
Bem podem ter
Há quem diz conviver com esses e outros
Quer não tentar?

Além de todo esse estranho alvoroço
Só sei que estou
Em meu castelo na torre espiral
Vivendo em paz

E além de tudo isso que é ficção
Eu vejo um panda
Eu vos garanto que pandas existem
Bem, por enquanto...

Coração de Leão

Uma euforia toma conta da arena
É o grande Xebazum quem entra em cena
O Sol ofusca co'asas estendidas
Porém menos que exaltadas torcidas

O famoso herói pra seus fãs acena
Ergue os braços, mostra a espada pequena
Retumbantes vivas vêm da cidade
Menores que o estrondo da aberta grade

Da jaula surge tão bizarra fera
Mas nada que amedronte o herói, que espera
Parte o inseto gigante em investida
Calmo está Xebazum de espada erguida

Os golpes sacodem o coliseu
A luta é feroz como prometeu
Mas um segundo cala a multidão
É o gládio de Xebazum lá no chão

É o corpo, do ar ao chão vem conduzido
É o sangue no chão, do herói tão querido
É o povo que estava vibrante outrora
Que agora triste só lamenta e chora

O maior herói que a arena pisou
Grande ídolo de todo gladiador
O sangue corre do corte em seu peito
Quem pensou que morresse desse jeito?

A arena toma um silêncio completo
De costas, se afastava o grande inseto
No começo passou despercebida
Mão deslizando rumo a arma caída

Num golpe voraz, uma cabeça ao chão
Nosso adorado "Coração de Leão"
Co'a mão no peito - que o título valha
Mesmo morrendo vence sua batalha

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