heterométricos

Ansiedade

Há algo erradoBala de Fuzil
Numa viagem comum
Não foi nada natural
O tempo ficou parado

Há algo errado
Tudo que nunca se via
A paisagem verde e anil
Era uma fotografia

Há algo errado
É sua ansiedade
Por deixar o seu passado

Por rixa ou necessidade
Mesmo sentindo algo errado
Ele alcança a cidade

-- Cárlisson Galdino

Special: 

Tristeza na Festa

O povo agora berraBala de Fuzil
Ao grande vencedor
Que matou sem temor
Seu parceiro de guerra

Seu único aliado
Morto por suas mãos
Eram como irmãos
Hoje está acabado

Torcedores radicais
Comemoram pelas ruas
A morte de alguém por trás

Só restam tristezas suas
E sua arma não quer mais
E o rio agora tem duas

-- Cárlisson Galdino

Special: 

Cárcere da Arte

Você pelas margens do meu caderno
Não te quero
Em juras e loucuras sem sentido
Como uma musa d'além desse mar

Você Deusa de um mundo de poesias
Não te quero
Recriada por mim para o planeta
Não te quero Garota de Ipanema

Você espalhada à toa em minha agenda
Não te quero
Salta logo do Cárcere da Arte!
Teu lugar é aqui perto de mim

Quando acabar a anestesia

Oh, meu amigo, o que irás fazer
Quando o Futuro te virar as costas?
Não há mais farras
Não há mais planos

Oh, meu amigo, o que irás fazer
Quando não houver mais programação
Nada no rádio
Ou televisão

Oh, meu amigo, o que irás fazer
Sem futebol, encontros, videogames
Sem Internet
Livros de história

Quando não houver mais anestesia
O mundo de que foges se abrirá
Com as frustrações
O que fará?

Além da sua Janela

Um emblemático pé de gnomo
E um dragão verde
Dois cometas se cruzam lá no céu
O que é real?

Dizem que o dragão verde vem do espaço
Mas e o gnomo?
Por entre as plantas sempre tem quem viu
E ainda vêem

Há quem não acredite nessas coisas
Prefiram outras
Mas caixas pretas só são úteis quando
Há um acidente

O certo é que há um mundo gigantesco
Ao nosso alcance
Além da sua janela na varanda
É só sair

E há dragões, gnomes, índios, lobos?
Bem podem ter
Há quem diz conviver com esses e outros
Quer não tentar?

Além de todo esse estranho alvoroço
Só sei que estou
Em meu castelo na torre espiral
Vivendo em paz

E além de tudo isso que é ficção
Eu vejo um panda
Eu vos garanto que pandas existem
Bem, por enquanto...

Isopor

Sua voz me persegue pela noite
Se é noite isso que você deixou
A tristeza é tanta
Efeito isopor

Que luz tão forte quase ofuscante
A sua pele sempre me irradia
Em curvas perfeitas
E assim me traz dia

Você me deixou assim tão leve
Sem nada no mundo
Sem seu esplendor

E desde então tudo se repete
As horas em vão
A alma vazia

Inspiração

Às vezes a inspiração não basta
Talvez pelo vocabulário gasto
E as frases novas, sempre comparadas
Parecem velhas perante o passado

E faltam forças pra buscar reforços
Reforços esses quase que vitais
E o orgulho e a ambição que são nossos
Ainda assim de nós exigem mais

O mar é o mesmo mar aos olhos confinados
O céu, o mesmo céu, até nuvens, iguais
Os olhos vêem quadros já ultrapassados

Quando numa jornada temos que encontrar
Algo que nos liberte de todos os rastros
Se o passado é prisão, o futuro é preciso

A Ilha de Java

Ela abandona o bar e logo some
Por entre ruas sem cor e sem nome
Como em outros dias
Às vezes fazia

A noite a esmaga, peso contra o chão
O vento frio lhe aperta o coração
Fria cada esquina
Não mais que sua sina

O templo a chama quase suplicante
A névoa cinza visível, distante
Dividida à face

Quase zumbi, chega ao templo lunar
Quase reclama não se libertar
Se ao menos tentasse...

O Centro do Furacão

Os ventos se revoltaram
Contando as pedras que sobem
Com tanta raiva disparam
Contra nós que somos jovens

Os ventos fazem ataques
C'um sentimento ridículo
Nos destruindo aos baques
Atacam correndo em círculo

Vendavais como nunca vistos antes
No centro alguns encontram bom escudo
A legião esperta (ou covarde)

E aumenta já a revolta dos gigantes
Será que não é causa disso tudo
Quem achou o centro da tempestade?

Special: 

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