heterométricos

O Brasil tá pra Alugar

Da eleição de presidente pra cá
Toda a maldade dos donos do Brasil
Bateu nos pobres para a crise parar
Não acabou, ela só evoluiu
Eles nem deixaram Dilma governar
E a tiraram pra botar no lugar
Um vampiro sem coração e senil

A turma envenenada
Pelo ódio a um partido
Foi pra rua praguejando
Em protesto sem sentido
"É contra a corrupção"
Era o que era ouvido

Mas a razão era outra
E eles nem percebiam
A mudança de governo
Que sem perceber pediam
Era pela salvação
Dos que bem menos sofriam

Eu falo mesmo da Elite
Daqueles que tem mandato
Há duzentas gerações
Mais os banqueiros, de fato,
Dos grandes industriais
E criadores de pato

Já foi bagunçando tudo
Que o vampiro chegou
Diminuiu ministérios
O da Cultura fechou
E só quis criar de novo
Porque o povo protestou

Desde a primeira semana
Fez o povo de otário
Para cada ministério
Colocou um empresário
Que destrua o que é de todos
Pra ter ganho milionário

Pois ele aparelhou tudo
Com capanga e aliado
Sabotando o que podia
Mutreta pra todo lado
Mas nem acabou a crise
Como era o desejado

Notável no seu governo
Era a luta desmedida
Pra proteger os ladrões
E salgar a nossa vida
E o povo nem viu que era
Só o início da descida

Esse vampiro, pensando em congelar
O que se gasta por aqui decidiu
Jogar emenda Constitucional
Por vinte anos, tempo que ele previu
Parando a ajuda que era pro Estado dar
E muita gente parece nem notar
Como essa emenda nos mata a sangue frio

A PEC foi aprovada
Congela sem restrição
O que gasta com Saúde
Assistência, Educação
Segurança, enfim, serviços
Feitos pra população

Vinte ano é muito tempo!
O que ele pretendia?
Que o SUS desapareça
E que logo chegue o dia
Que todo pobre assinava
Um plano ou então morria

Que acabe como é hoje
Uma universidade
Acaba isso de bolsa
Cobrando mensalidade
Se der pra privatizar
É o que ele quer de verdade

Assistência se acaba
Pro sofrer do cidadão
Mesmo que por toda vida
Pague a contribuição
Ninguém mais tenha direito
Pra aposentar ou pensão

Mesmo com gente na rua
Gritando com o desgraçado
Esse projeto absurdo
Terminou sendo aprovado
Corra atrás de conhecer
Quem votou, que deputado

Senadores e ministros
Deram dedo pra nação
E aprovaram a PEC
Da cruel limitação
Mas não limitam o jabá
Que vem da corrupção

O pior é que o limite
Não limita por inteiro
Do contrário, ele garante
Que o principal dinheiro
Que o governo junta sirva
Pra pagar para os banqueiros

Raulzito já chegou a publicar
Numa canção bem antes do ano 2000
A solução era botar pra alugar
Nosso país, a nossa elite curtiu
Esse vampiro resolveu ofertar
A Amazônia para os gringos usar
E o dólar vai para quem rouba o Brasil

Amazônia ameaçada
O vampiro nessa hora
Resolveu fazer leilão
Pra mão de mineradora
Quase 50 quilômetro
Da floresta jogar fora

É um tanto assim de chão
Que cê nem calcula quanto
Com índios e natureza
Vê se não é pra ter pranto
Essa área é do tamanho
Do estado Espírito Santo

Depois de muito protesto
De órgãos internacionais
E muita gente famosa
Pelas redes sociais
Ele ficou com medinho
Desistiu, voltou atrás

Até a Escravidão está pra voltar
É nostalgia do período servil
Não se investiga trabalho irregular
E o que é trabalho escravo se definiu:
Pra ser escravo só quando se encontrar
Corrente no pé, chicote na lombar
Exploração demais não importa mais, fio!

Se você vive jornada
De trabalho sem ver fim
Sem poder sequer dormir
Muitos dias nesse ruim
Pelo conceito de hoje
Isso é escravidão sim

Se não recebe salário
Ou não pode se afastar
Se mora lá no trabalho
Mas na hora do jantar
Come comida estragada
E nem pode se banhar

Isso tudo é escravidão
Mas querem mudar ligeiro
O conceito de escravo
Pra agradar os fazendeiros
Só será escravo quando
Se viver em cativeiro

Todos concordam que é preciso educar
Educação é o futuro do Brasil
Mas cadê quando é a hora de gastar?
"Tem que cortar", repete o governo vil
Sem gastar na infraestrutura escolar
E em professores, quando o tempo passar
Qual o futuro se ninguém investiu?

É escola privatizada
Todo mundo pagar tudo
Pagarmos pela saúde
Por segurança e estudo
É o sonho das elites
Mesmo que seja absurdo

Não ter universidade
Gratuita pra mais ninguém
Se puder vender pros gringos
Os campus que hoje tem
Pra esse governo é melhor
Pois roubam bem mais vintém

A reforma do ensino
Criou áreas diferentes
Mas todas as opções
Só vão estar realmente
Na escola de gente rica
Não de outro tipo de gente

Quem é pobre já de agora
Graças a esse governante
Não aprende mais História
Nada que o faça pensante
Restará pro fí de pobre
Só o profissionalizante

Sobre aposentadoria
O presidente falando
"Brasileiro vai viver
Por 140 anos"
Só ele, por ser vampiro,
Nós outros somos humanos!

A Ciência foi cortada
Não tem dinheiro mais não
Sem a tecnologia
Qual o futuro da nação?
Brasil volta a ser colônia
De burrice e escravidão

Tudo isso não é gasto
Educação e ciência
É dinheiro que garante
A nossa independência
Investir nesse futuro
É sinal de inteligência

Como pode um governo impopular
Se aproveitar dessa crise que surgiu
Pra adotar essa solução de alugar
Diferente do que Raul sugeriu
Os estrangeiros, claro que vão gostar
Com o país, eles também vão ganhar
A vida de nós, que estamos no Brasil

Patos não vão pagar nada!
É tudo free!
Pra elite e bancos, free
Para os ricos explorar e aproveitar
A conta nós que vamos pagar

– Cárlisson Galdino

Special: 
Engenho: 

Prescrição

Com décadas no escuro
Alguém bota um lampião
É só uma luz bem fraca
Mas já abala a escuridão
O povo se espanta
Verme, ratos pelo chão

Quem não sabe a História
É quem estava iludido
Há diversos relatos
Dos contatos, dos ruídos
Dos bichos já sabia
Só faltava serem vistos

Entrando em desespero
A Sociedade está doente
Quer saída no ódio
Ou um herói que se apresente
Ou em cega loucura
Ditadura, novamente

Não há saída fácil
Que cure esse sofrimento
Vai levar muito tempo
E buscar conhecimento
Se envolver e aprender
É o único tratamento

Depois que a presidenta
Foi expulsa sem perdão
Presidente acusado
Compra a absolvição
Justiça acobertando
Toda essa corrupção
E toda lei que surge
É contra a população
Pra preservar os ricos
Sem mexer num só tostão
Já tão propondo até
A volta da escravidão

Assim não dá!
Pra superar essa noite tão fria
Só conhecimento e bem mais Democracia

-- Cárlisson Galdino

O Duelo da Estrela

A espada pesa, o ombro
Não é o aço
Mais um passo, um tombo
E outra reza

Vem de assalto um medo
Desanima
Em cima do rochedo
Grita alto

Pesa a espada, o peso
De um sertão
O coração aceso
É a enxada

Vem com banal bravura
Traz a lança
Distância não dura
É o rival

A espada: peso morto
Em sua mão
O medo não é do outro
É da mancada

-- Cárlisson Galdino

Despertar

Sabe aqueles dias
Que você acorda
O que era não é
Nem deve satisfação

O céu que sua mão
Tocou não é azul
E sob o seu pé
E por onde é que anda o chão?

Verdade e mentira
Não são absolutas
Nesse dia sem razão

Afinal viver
Um sonho qualquer
Vale a pena ou é em vão?

-- Cárlisson Galdino

Alma em Chamas

Círculos de chamas
Árvores em luto
Noite sufocante
Lágrimas, tormento

Vento desordeiro
Frio, dor e medo
Sons desconhecidos
Gritos quase mudos

Gira o fogo, queima a vida
E à fumaça, verde impera
Arde denso, fere o ar

Dor, mas voa destemida
E transpassa, desespera
E procura o outro olhar?

-- Cárlisson Galdino

O Primeiro Confronto

Vamos perseguir esses insetos invasoresLágrima Lunar
Vamos com fuzis, aprendises e seguidores
Vamos enfrentar criaturas inimagináveis
Vamos encontrar extraterrestres detestáveis

Calma, que o reforço já vem
Já chamaram forças do além
São os mocinhos dessa galáxia
Vêm de algum lugar da Via Láctia

Os monstros vêm de outro planeta
De olhos que parecem de insetos
E os heróis já vêm ajudar

Mas nós ainda vamos lutar
E os heróis ainda estão no Sol
E isso tardará a acabar

-- Cárlisson Galdino

Special: 

Afrodite

Ir ao espaço pra passar o tempoLágrima Lunar
Apenas por não ter o que fazer
O que se vê além
Daquilo que se vê?

Passo ao passado pra ver que não lembro
As cenas: eu só olhava você
Será assim também
Mas não precisa ser

Oh, Afrodite, não és africana
Greco-romana, sueca ou chinesa
És tudo isso e mais

Não é por nada que por aí vago
Um dia encontro a ti n'alguma órbita
Aqui no Brasil

-- Cárlisson Galdino

Special: 

Amor Cósmico

Sigo os teus passosLágrima Lunar
Todos os dias, ao te ver sair
Sigo os teus passos
Todos os passos que posso sentir

E te abraço
Todas as horas em que você vem
E te abraço
Todas as vezes, te beijo também

E tudo faço
Para te ter por um pouco mais
Mais e mais e mais

Mas o espaço
Termina por levá-la de mim
Pros braços astrais

-- Cárlisson Galdino

Special: 

Sozinho na Lua

Da Lua vejo a TerraLágrima Lunar
Sozinho, no vazio
Ao dia o calor fere
À noite fere o frio

Um vazio que aterra
Estado que entedia
Resisto pela inércia
A cada novo dia

Na Lua entregue à solidão
Não há ninguém com quem falar
Nem mesmo São Jorge ou dragão

Único habitante lunar,
Espero um dia a salvação
Quem poderá me resgatar?

-- Cárlisson Galdino

Special: 

Páginas