Patetadas de Arapiraca

Quem anda por Alagoas
Pequena nesse Nordeste
E se afastando das praias
Vai em direção ao Oeste
Achará uma cidade
Que fica bem na metade
Do Estado, lá no Agreste

Seu nome é Arapiraca
O tema da nossa história
É uma cidade até grande
Se for ver estado afora
É a segunda maior
Só perde pra Maceió
Se ver quanta gente mora

Seu nome vem de uma planta
Que, dizem, significa
De alguma língua de índios
Ramo que a arara visita
No censo que se seguiu
Passam de duzentos mil
De gente que nela habita

Dizem que essa arapiraca
Tava no meio, ora veja
Do povoado que havia
Não duvido que assim seja
Mas deixa de ser importante
Quando fizeram adiante
Uma grande de uma igreja

A igreja Concatedral
Pra te falar a verdade
Até hoje é a imagem
Que nos dá identidade
A construção principal
Ela é o cartão postal
Da nossa bela cidade

Já foi muito conhecida
Por sua antiga feira
No campo da agricultura
Por cultura fumageira
Por seu time, o ASA, não
Ganhar uma competição
A mudança foi ligeira

A feira mudou de canto
Quase desapareceu
O fumo não é mais forte
O ASA ganhou, perdeu
Tem um pouco de respeito
E a cidade desse jeito
Mudou enquanto cresceu

Mas quero falar agora
De um assunto esquisito
Das patetadas da História
Que nos livros não é dito
O que direi é verdade
Se duvidar, à vontade
Vá perguntar ao Zezito

Hoje com universidades
Com praça pra todo lado
Com bosque, lago, museu
Um shopping movimentado
Falta ao arapiraquense
Que estude um pouco e repense
Um pouco sobre o passado

Trouxe duas patetadas
Pra você ver que doideira
E sem demorar no papo
vou dizer logo a primeira
Logo quando começou
O povo daqui trocou
O nome da padroeira

No ano de 64
No século dezenove
Fundador Manoel André
De repente resolve
Fazer uma tal viagem
Para trazer a imagem
De uma santa que comove

No Estado de Pernambuco
Em Bom Conselho existia
Um competente santeiro
Que essa imagem faria
Manoel trouxe de cavalo
Causando um grande abalo
Nossa Senhora da Guia

Veja bem: era da Guia
A imagem do santeiro
Mas na confusão do dia
Tudo se mudou ligeiro
Num telefone sem fio
A santa que persistiu
Foi sendo do Bom Conselho

Mas a santa não mudou
A imagem da padroeira
É ainda a da Guia
Mudaram só a “carteira”
Bom Conselho no final
É o nome atual
Fala sério, que zoeira!

Talvez essa confusão
Que na cidade ocorreu
Nem seja tão grave assim
Seja pra cristão ou ateu
Rei Roberto disse outrora
Que toda Nossa Senhora
É a mesma mãe de Deus

A segunda patetada
Tem mais sérios resultados
É também pouco mais nova
Vem do século passado
Devido a uma confusão
O dia da emancipação
Da cidade está errado

Quando ocorre independência
Ou uma data parecida
Ninguém tem tempo pra festa
Na hora em que é conseguida
É preciso, muitas vezes
Passarem semanas, meses
Pra ter festança e bebida

Foi isso que aconteceu
Na nossa emancipação
Que foi no final de maio
Mas mudava a gestão
Do Governo do Estado
E tudo ficou parado
Durante essa transição

Quem pegou esses papéis
Foi José Fernandes Lima
No dia 30 de maio
O governador assina
Mas só no novo governo
Do Pedro da Costa Rego
Que pra festa o povo anima

Como já disse, é normal
Atraso à primeira festa
Mas na segunda se ajeita
E em todas depois desta
Aqui, segunda, terceira
Basearam na primeira
Até hoje a real é esta

Quando vai aparecer
Algum prefeito ou prefeita
Que corrija essa lambança
Goste da coisa direita
E leve à população
Toda essa discussão
De data nunca antes feita?

Tenho pra mim que a tristeza
Nessa infeliz trajetória
Se deve à nossa cultura
De evitar livros de História
O que pois, se esperaria
Em garra e soberania
De um povo que é sem memória?

Quem não sabe de onde veio
Nem onde sonha chegar
Se depender de si mesmo
Nem vai sair do lugar
Mas sempre tem um sabido
Poderosos e bandidos
Pois só tende a piorar!

Precisamos de memória
Precisamos de leitura
Menos jogo e novela
Mais arte e literatura
Buscar a todo momento
Juntar mais conhecimento
Criar uma nova cultura

Precisamos dar valor
À nossa própria cidade
Arapiraca é bem mais
Que fumo, igreja e padre
Que time de futebol
Que político sem dó
Cadê nossa identidade?

Vamos amar nossa terra
Corrigir a coisa errada
Estudar nossa História
Ajudá-la a ser traçada
Cada um tem seu papel
Até um outro cordel
(Espero, sem patetada)

-- Cárlisson Galdino

Special: 

DWD12 - Primeiro kit concluído!

Diceware D12 é uma técnica para criação de senhas seguras, mas lembráveis. Baseada no Diceware, entre suas diferenças está o uso de dados de 12 lados ao invés dos de 6.

Diferente do Diceware tradicional, o DWD12 utiliza tomos (ou volumes) com as palavras a serem sorteadas. Diceware tradicional utiliza uma lista única.

Pois bem, o kit inicial de tomos foi concluído (já faz até um tempo). Estão publicados 12 tomos de palavras comuns e 3 tomos de palavras especiais. Se quiser utilizar 12 tomos, você pode escolhê-los lá no wiki.

Também iniciei a criação do novo kit de DWD12, o kit Fast. Este novo kit tem 2 diferenças principais:

  1. Os tomos iniciais deste kit estão sendo criados em Inglês (o Initial é inicialmente em Português)
  2. O arquivo principal para download é em ePub (o Initial é PDF pensando em impressão de livretos A6)

O kit Fast já tem 3 tomos prontos e outros, aos poucos, vão chegando.

Se quiser ver mais sobre DWD12, clique na tag DWD12 neste artigo. Ou vá logo no wiki (e pegue os tomos que desejar).

P. S.: Imagem do post

Special: 

Armadilha do Consumo

Já não temos tanto tempo
Na correria e loucura
Temos falta de momentos
Por isso a gente procura
Comprar um novo produto
E isso nunca nos cura

É por não conseguir ler
O tanto que se queria
Que nos enchemos de livros
Na visita à livraria
Prateleiras ficam cheias
E a leitura vazia

Crianças podem brincar
Só com imaginação
Mas sem tempo e companhia
Toda essa frustração
Atinge só os brinquedos
Que veem na televisão

Foi o truque do sistema
Pra aumentar o capital
Nos ensina que o vazio
Que nos faz sentir tão mal
Sempre é melhor preenchido
Por algo material

Só nos quer muito doentes
O mundo de hoje em dia
É preciso de silêncio
Paz em meio à correria
E nos conhecer melhor
Pra fugir dessa agonia

Essa é a única esperança
Que nos dará liberdade
Fugindo das ilusões
Sonho vivermos sem grades
Desejo-lhe ser feliz
Da real felilcidade

-- Cárlisson Galdino

Novidades da Biblioteca do Bardo

Não sei se você está sabendo, mas ano passado configurei uma biblioteca de livros digitais em livros.cordeis.com. O mais bacana é que ela oferece um catálogo OPDS, que pode ser inserido em leitores de livros digitais para você ter acesso automático ao conteúdo de lá. O endereço do OPDS é http://livros.cordeis.com/feed.php.

Quando anunciei aqui, só tinha 2 livros. Hoje já tem 18, sendo que 5 não são exatamente livros e 3 livros são de outra autoria, de Domínio Público. Os livros estão disponíveis em PDF e EPUB.

Estou, aos poucos, publicando esse conteúdo nesta biblioteca, no Wattpad, no Issuu e no Archive. Futuramente retirarei este conteúdo do blog, deixando-o só nesses lugares.

GTD no Zim

Este artigo foi traduzido do artigo Getting Things Done, publicado no Manual do Zim. Se você não conhece o Zim, trata-se de um excelente wiki pessoal para desktop. Recomendo conhecer!

GTD no Zim

A metodologia GTD basicamente trata de manter listas de tudo tipo de afazer com que você precisa se preocupar. A ideia é que quando tudo o que precisa ser feito é registrado em uma lista, você fica em paz porque não tem que manter essas coisas na mente o tempo inteiro. Entretanto, é essencial que você possa acessar as listas e manuseá-las para saber sempre o que tem pra fazer em seguida, a qualquer momento, estando disponíveis o tempo e as ferramentas necessárias.

Se não estiver familiarizado com o livro sobre GTD, você pode procurar por aí pela internet a respeito: há inúmeros sites tratando do tema. Para resumir, veja o diagrama de fluxo de como seria tratada uma tarefa em GTD:

A metodologia GTD deixa espaço para o usuário escolher como implementá-la e que ferramenta utilizar. Você pode fazer isso usando algum software gerenciador de tarefas, mas também pode simplesmente usar papel e caneta. Há muitos softwares projetados especificamente para GTD, mas zim não é um deles. Entretanto, a vantagem de utilizar um editor mais genérico como o zim é que fica mais fácil adaptá-lo ao modo como você quer que esse gerenciamento seja feito. O ponto negativo é que você precisará de um pouco mais de disciplina, comparado com o uso de uma ferramenta específica para GTD. Porém, aqui apresento como eu faço.

Como eu implemento GTD no Zim

Organização do Caderno

Primeiro crie um novo caderno para ser utilizado especificamente como um gerenciador de tarefas. Crie páginas para várias categorias. Eu uso “Projetos”, “Gaveta” e “Arquivo”, respectivamente para os projetos em execução, engavetados e descartados. Há duas páginas especiais, uma chamada “ENTRADA”, que é o local genérico para qualquer novidade que chegue no gerenciamento de tarefas, e outra chamada “Tarefas” (que é uma subpágina de “Projetos”), com uma lista genérica de tarefas que não estão ligadas a nenhum projeto em particular.

 

ENTRADA
+ Projetos
  |-- Tarefas
  |-- Projeto em atividade 1
  `-- Projeto em atividade 2
+ Gaveta
  |-- Ideia 1
  `-- Ideia 2
+ Arquivo
  |-- Projeto antigo 1
  `-- Projeto antigo 2

Eu tenho muitas páginas no nível de topo do caderno, com várias listas. Elas não contém tarefas, exemplos são uma lista com livros emprestados ou uma lista com ideias para presente de aniversário. Se você tem muitas dessas listas, considere colocar uma seção em separado “Listas”. É importante que essas listas não contenham tarefas.

Adicionalmente, acho útil manter uma seção com anotações também. São poucas informações que eu encontro que podem ser úteis para múltiplos projetos. Você também pode escolher usar um caderno inteiro à parte para fazer isso e manter separadas do gerenciamento de tarefas as suas anotações.

Definindo Tarefas

Como eu mencionei antes, tarefas singulares e pequenas vão para a lista “Projetos:Tarefas”. Mas tarefas que são mais complexas ou tenham múltiplas subtarefas se tornam projetos e esses recebem suas próprias páginas como subpágina da seção “Projetos”. Essas páginas de projeto podem ter páginas-filhas, por exemplo, com informações relacionadas.

Uma das vantagens da edição livre é que você não precisa saber o que está acontecendo com a tarefa desde o início. Alguns projetos eu comecei como um projeto com objetivo bem definido, outros eu comecei como tarefas avulsas, até que eles ocupassem muito espaço e fossem movidos para suas próprias páginas.

Para definir tarefas individuais, eu uso caixas de seleção. Isso força a descrição principal a caber em uma linha, o que é bom para garantir que cada tarefa se refira claramente a uma ação física. De fato, junto da caixa de seleção pode vir um parágrafo inteiro ou muitas subpáginas com os detalhes todos. Se a descrição soar mais como um tópico do que com uma ação, provavelmente ela precisa ser dividida em itens menores, que sejam ações de fato. Você só deve definir tarefas dentro da seção “Projetos”, mas pode colocá-los em qualquer lugar da página. Por exemplo, se você usa uma página filha da página do projeto para preparar a ata da reunião e você pegou algum item, simplesmente coloque uma caixa de seleção do lado – não é necessário navegar até a lista principal de tarefas.

Agora para pegar uma visão geral de todas as tarefas, ative o plugin “Lista de Tarefas” e marque a opção “Considerar todas as caixas de seleção como tarefas”. Isso mostrará uma lista plana das tarefas definidas por todo o caderno e ordenadas por prioridade. Adicionalmente, tarefas podem ter etiquetas para que possam ser filtradas. Etiquetas parecem com “@trabalho” ou “@casa” e aparecem na mesma linha que a caixa de seleção, na descrição da tarefa. Você pode usar a etiqueta “@espera” para tarefas que você precisa marcar mas estão agora esperando algo ou a ação de alguém.

Tarefas-itens também podem ter um prazo de vencimento, que será mostrado na lista de tarefas. Mas eu não uso isso – esses prazos sempre vão mudando de qualquer forma. Prioridade pode ser associada com “!”, mas não use isso demais, lembre-se que quando tudo é prioridade, na verdade nada é prioridade. Prioridade é para colocar uma tarefa como mais importante que as outras para depois podermos adotar o ritmo habitual.

Pra finalizar, eu gosto de adicionar uma estimativa de prazo à descrição da tarefa. Isso força você a pensar se a tarefa é realmente uma tarefa física associada a um conjunto de esforço ou não. Também pode funcionar para motivá-lo a resolver uma tarefa quando falta apenas meia hora para você ir pra casa.

Gaveta e Arquivo

Projetos que estão sendo encubados são definidos como subpáginas na seção “Gaveta”. São projetos para os quais eu ainda estou coletando ideias, mas que não requerem nenhuma ação ainda. Não contém qualquer tarefa – lembre-se que só seções de “Projetos” deveriam conter tarefas. Assim que eles passem a envolver tarefas, eles são simplesmente movidos da “Gaveta” para a seção “Projetos”.

Projetos que estão finalizados, abandonados ou travados devem ir para a seção “Arquivo”. Não devem conter mais nenhuma tarefa aberta. Quando restam tarefas em um projeto que pretendo arquivar, eu as marco com um [x] para deixar claro que não serão feitas.

De fato, você é perfeitamente livre para mover os projetos de volta do “Arquivo” para “Projetos” quando um projeto é abandonado, dependendo de surgirem novos interesses.

O ponto principal em separar projetos ativos em “Projetos” dos não-ativos emm outras duas seções é que a qualquer mommento você sabe exatamente em que coisas você está trabalhando, apenas dando uma olhada na pasta “Projetos”. Isso também ajuda com as revisões regulares recomendadas no GTD.

Extensões

Eu também uso o plugin Diário para ter uma página de diário para cada dia com anotações das reuniões, etc. Itens das reuniões podem permanecer aqui, mas esse uso é um pouco estranho quando temos uma seção ENTRADA. Pelo menos eu posso me referir às notas de discussão de uma certa data a partir da página de um projeto, etc.

Resumo

  • Cada ação pertence a um projeto ativo. “Tarefas” é uma coleção de pequenas tarefas avulsas

  • Projetos ativos vão para a seção “Projetos”

  • Projetos ativos devem ter objetivos claramente definidos que possam ser avaliados quando concluídos, e marcados com “finalizado” em certo momento

  • Projetos não ativos vão para a “Gaveta” ou o “Arquivo”

  • Cada ação deve ter uma caixa de seleção – possíveis consequências de ações podem ter marcadores comuns caso não tenham ação associada

  • Etiquetas em ações são usadas para gerar listas

  • Algumas listas que não envolvam tarefas podem ter suas próprias páginas, como “Empréstimos”

A Turma do Ângelo

As férias do meio do ano acabaram de terminar. Lá vinha Diogo, triste, da escola. E não estava triste por ter dever de casa, nem por ter que estudar de novo depois das férias. Ele estava triste porque, junto com as aulas, iam começar as perseguições. Ângelo, o valentão da sua turma, não o deixava em paz.

Todos os dias, antes das férias, ele vinha com as mesmas piadinhas sem graça. Diogo não aguentava mais aquelas histórias insistentes: que ele era tão fraco que tomava leite na tigela, que não conseguia levantar a xícara… Que um dia foram bater uma foto dele e saiu “assim”, mostrando rabisco de um homem-palito.

Estranho que hoje o Ângelo não tinha feito nada. Pelo menos nada direto com Diogo, mas Diogo bem viu que a turminha do Ângelo ficava rindo e apontando para ele de vez em quando.

Talvez estivessem só se aquecendo, para começar a zoação. Por isso Diogo voltava triste, pensando em como seria o dia de amanhã.

Infelizmente a turma do Ângelo não queria esperar tanto. Diogo nem percebeu que Beto estava parado em um orelhão. E foi só Diogo passar que Beto chutou a mochila de carrinho para longe.

Diogo abriu a boca de susto, enquanto uma gargalhada vinha da outra calçada. Era Ângelo, com os outros dois bagunceiros, que já chegaram empurrando Diogo.

- Ha! Ha! Ha! Olha que fracote! Parece um frango gripado!

- Ha| Ha! Só se for um mini chicken!

Assustado, Diogo procura a mochila, que estava logo ali, perto do muro. Mas quando caminha para pegá-la e ir embora, Ângelo aparece bem na frente, fechando o caminho.

- O que foi? Quer brincar mais não?

- Ei, Ângelo, será que o mini chicken consegue chegar em casa com a mochila nas costas?

- Será? Eu acho que não, ele é um fracote!

- Bora quebrar o carrinho pra ver?

- Boa ideia!

As lágrimas corriam no rosto de Diogo, que só queria que eles parassem.

- Parem com isso!

A voz não era do Diogo, mas de um adulto, e vinha de cima.

Espantados, todos veem aquela armadura vermelha e cinza pousar na calçada.

- Míssil Fanático!?

Ângelo e os outros abrem um sorriso, mas o sorriso não ia durar muito.

- O que pensam que estão fazendo?

- É que ele é fraco e…

- Quem é mais fraco precisa de mais proteção. Quem bate nos fracos é covarde!

- Mas… Desculpa, eu…

- Não embora daqui agora! E não quero mais saber de vocês brigando com quem quer que seja na escola!

Ângelo e seu grupo concordam e saem correndo, virando a esquina.

Com o queixo pendurado de espanto, Diogo caminha devagarinho pra pegar a mochila.

- Qual o seu nome?

- Diogo, doutor.

- Diogo… Acho que eles não vão mais te incomodar.

- Muito obrigado!

- Não tem de quê.

Míssil se vira e olha para o céu, prestes a ir embora, quando Diogo pergunta.

- Como o senhor pôde se incomodar comigo? Tipo, o senhor é um super-herói! Deve ter um monte de coisas mais importantes pra fazer.

- É verdade, pequeno Diogo… Mas quem não arruma tempo para as pequenas boas ações, como pode mudar o mundo?

-- Cárlisson Galdino

U. E. B. B.

Desde quando o mundo é mundo
Que tem gente sem noção
Que acredita em cada coisa
Sem a menor condição
E hoje nessa poesia
Vou falar de uma teoria
Claro, da conspiração

Tem muita teoria assim
Se buscar, se acha quem diz
Que o homem não foi à Lua
Que bem no nosso nariz
Por dentro, a Terra é oca
Mas hoje a teoria louca
Fala do nosso país

Não vou falar de ET
Nem de Jesus vou falar
Nem de não ter holocausto
Nem de guerra nuclear
Nossa história simplesmente
Começa com o presidente
Que assumia, o João Goulart

Comunismo se espalhando
Cada vez mais pelo mundo
E batia à nossa porta
Chegando a qualquer segundo
Por isso o povo vivia
Só esperando esse dia
Sempre num terror profundo

Quando o dito presidente
Viajava de avião
Por países comunistas
Já numa preparação
Para aqui fazer um golpe
Foi que os soldados, com sorte
Salvaram nossa nação

Os planos dos comunistas
Não teriam mais lugar
Graças à intervenção
Do governo militar
Mas os planos não ruíram
Tudo que eles conseguiram
Foi tão somente adiar

O Partido Comunista
Mesmo assim pôde crescer
Até que se transformou
No conhecido PT
Não só o dos trabalhadores
Criou vários bem menores
Só pra confundir você

Vários partidos pequenos
Tem um em cada buraco
PCB, PCdoB
Rede, tucano e macaco
Nesse meio não me iludo
Com certeza é isso tudo
Farinha do mesmo saco

Foi assim que os comunistas
Prosseguiram nessa trilha
Crescendo e ficando fortes
Como uma grande quadrilha
Na mão um plano cretino
De controlar nordestino
Usando a Bolsa Família

E pra prosseguir no plano
Bolaram a invasão
Trazendo muitos cubanos
Com desculpa de que são
Doutores por caridade
Quando o plano na verdade
Era ganhar eleição

O congresso, que era honesto
Desd’Era da brilhantina
Foi comprado por petistas
Corrompido por propina
Se afastaram, bem sabidos
Lá dos Estados Unidos
Pra se aproximar da China

Pra atacar nossos costumes
Bolaram uma confusão
Para a nossa juventude
Falando de orientação
Era seu plano maldito
Pois num golpe desse tipo
Mais fácil sem religião

Negro, gay, pobre, traveco
Sabiam do seu lugar
Mulher tinha seu papel
De recato e ser do lar
O PT, sem ser cristão
Promoveu a confusão
Vê só como tudo está!

Mas o povo não é besta
Percebendo essa intenção
Não aceitariam isso
Bateram o pé no chão
E esse grupo no poder
Tentando se defender
Encontrou a solução

Já que Dilma não dá mais
Pra resolver o problema
Vamos simular um golpe
E botar lá Michel Tema
O povo se acalma e some
Sem saber que o novo nome
Faz parte do mesmo esquema

Pra não levantar suspeita
Michel atacou seus parça
Índios e trabalhadores
Mas veja que ele disfarça
Sempre que fez dessa coisa
Parte era pra ganhar força
Ou cortina de fumaça

Sei que o plano vai dar certo
Agora dá pra fazer
Com Michel, Renan e Collor
Com Lula e todo o PT
Vai ter a revolução
A nossa nova nação
Será a U. E. B. B.

Como a U. R. S. S.
Que um dia existiu
Esse nome foi pensado
E assim se definiu
A União dos Estados
Bolivarianos, claro
Do meu querido Brasil

Nesse país renovado
Não vai existir cidade
Cada estado tem um rei
Ninguém tem propriedade
Com o PT no comando
Todo mundo trabalhando
Em perfeita igualdade

Quer dizer, quem é político
Tem trabalho diferente
O Partido terá luxo
Clube, praia e aguardente
Mas minha casa, minha vida
Será sempre garantida
Para qualquer outra gente

A bandeira do país
Falo com certa emoção
Será muito parecida
Co’a bandeira do Japão
Uma homenagem bem-vista
Pois também é comunista
Todos sabem que eles são!

O verde vira amarelo
Amarelo vira branco
A bola que era azul
Vermelha vai se tornando
Sem faixa, tudo mais belo
Com uma foice e um martelo
E uma estrela só, brilhando

Nossas empresas amigas
Ganharão o monopólio
Pois sempre nos apoiaram
É legítimo e notório
Claro, Friboi, Havaianas
Santander, Americanas
Globo e Carteldos Cartórios

Outras nações com certeza
Darão apoio formal
Cuba, China, Rússia, Chile
Venezuela, Senegal
E a U. E. B. B. Gigante
Terá papel importante
Com força internacional

Por agora, vou parar
Esse cordel-brincadeira
Espero cê ter gostado
Dele de alguma maneira
Só o que me deixa triste
É saber que sempre existe
Quem crê nessa baboseira!

Se você jura que é fato
Qualquer verso daqui dentro
Se acalme, pois tem remédio
Pra aplacar o seu tormento
Não acredite demais
Nessas redes sociais
Nelas, ninguém é isento
Pra mudar a trajetória
Busque um bom livro de História
Procure conhecimento!

– Cárlisson Galdino

Special: 

Para o Bem de Todos Nós

Eles diziam que a guerra
Era por paz, necessária
Tudo seria provisório
Que era pro bem da nação

Nos prometiam futuro
Onde teríamos mais tempo
Mudando velhos costumes
Em uma nova nação

| Mas velhos generais
| Não mudam só assim

Pregavam tecnologia
Para os trabalhos braçais
Sem falar no desemprego
Só ganhos da evolução

Cobrando cada vez mais
Das especializações
Fizeram jaulas de ensino
Do todo, foi-se a visão


| Porém velhos feudais
| Não mudam só assim

Onde está o tempo livre que nos prometeram?
Onde está o lucro dessa tal evolução?
Está tudo tão errado, mas ninguém percebe
Onde está o que nos deram e onde está o chão?

-- Cárlisson Galdino

Gênero: 

É Guerra!

Ao fim da Escravidão
Quase da noite pro dia
Se criou pelo Brasil
Imensa periferia
Pois apesar de correta,
Foi uma lei incompleta
Que garantiu alforria

Negros podiam gritar
"Sou livre", bater no peito
Mas quase que era só isso
Nenhum reparo foi feito
Foram pro "mundo real"
Numa miséria total
E encarando preconceito

Assim, só morros e grotas
Foi o que deu pra arranjar
Pros filhos dos estrangeiros
Que à força vieram pra cá
Seu lar: favelas somente
E até hoje os descendentes
Não conseguem sair de lá

Todo o tempo que passou
Ainda não curou as dores
Daqueles que foram escravos
E hoje são trabalhadores
De trampos de exploração
Na mão de chefes que são
Netos daqueles "Senhores"

Ao não querer contratar
Trabalhador por ser preto
Fazer piada no bar
Ou sorrir quando um suspeito
É morto por policiais
É que mais claro se faz
Esse imenso preconceito

Que vem desde a cor da pele
Na sua forma mais dura
Mas passa pelo cabelo
Lábio, nariz e cintura
Religião, capoeira
Deixando claro que a ira
É contra etnia, cultura

Ao tempo em que os negros lotam
Os complexos penais,
Os piores dos empregos,
Favelas das capitais
Herdeiros de escravagistas
Mandam em jornais, revistas,
Poderes municipais

São donos de vasta terra
Pra plantio ou criação
Donos de bancos e ações
Tem cada corporação
Estão desde a monarquia
Nos poderes e autarquias
No mei da corrupção

Tivemos 'ma presidenta
Quando ela levou um baque
Não era ela e o partido
Quem sofria desse ataque
Mas toda essa multidão
Que essa elite de plantão
Quer que a atual crise pague

Uma boa forma de ver
O que o burguês quer ou não
É ver as altas e baixas
Que têm na bolsa de ação
Que cai quando ele não gosta
Se gosta, aumenta a aposta
Eis a manipulação

O burguês é contra o povo
O lucro é o alvo primário
Não quer ver pobre crescer
Quer ver trabalho precário
Ah, se esse povo aprender
O que "a Bolsa" quer dizer
Só vai torcer ao contrário!

Se você ver quem dizia
Ser contra a corrupção
Hoje está contra direitos,
Sociais e de expressão
Quer reduzir o Estado
Sabe o significado?
"Dane-se a população!"

Nos botaram numa guerra
Não soube? Fique sabendo!
Essa burguesia está
Por trás desse golpe horrendo
Enquanto tu não acordar
Ver ao redor e lutar
Vai continuar perdendo

Veja do golpe pra cá
Vê quanta corrupção!
PEC do teto dos gastos
A volta da escravidão
Pilhar direitos é norma
Temer não fez uma reforma
Só teve demolição

Acorda, vamos pra rua!
Sei que você pode e eu posso
Vamos lutar essa guerra
Unindo nossos esforços
Como nunca antes se viu
Recuperar o Brasil
Que não é deles, é nosso!

– Cárlisson Galdino

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