O Elixir

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Um pingo de luz desliza
Por seu corpo indescritível
Ao som de divina banda
Tocando um metal-canção

Sabes que em meu coração
Teu olhar manda e desmanda
Com comandos de alto nível
Nem mesmo falar precisa

Desse Sol nos vem a brisa
Faz seu corpo transparente
Mas no toque sei te ver

Deixa o tempo transcorrer
Se entregue a mim totalmente
Que o Amor imortaliza

-- Cárlisson Galdino

Regime Temeroso #01

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Semana passada o Brasil iniciou uma nova era, a Era da Temeridade, segundo Bemvindo Siqueira em seu canal do YouTube (vale a pena ver). Também criei uma nova categoria aqui no site: Golpe de 16. Nela, você encontrará tudo o que escrevi e publiquei (por enquanto, muito pouco) por aqui sobre o golpe ocorrido este ano.

Pois bem, o Regime Temeroso é uma nova série de Cordéis.com. Desta vez, uma série em cordel! Não tem periodicidade certa (por enquanto), mas confira aí! Espero que goste!


No dia 12 de maio
Em 2016
De repente, como um raio
A madrugada se fez
E não se sabe dizer
Quando é que o Sol vai nascer
Para haver dia outra vez

Foi uma conspiração
De elite, banco e revista
Rancor da oposição
Um congresso oportunista
Ambição, ódio e dinheiro
Daqui e do estrangeiro
Um sentimento fascista

Pra não ter corrupção
Pois era esse seu lema
Surgiu uma multidão
Sem entender o sistema
Gritando e fazendo pose
Sob efeito de hipnose
Pra "resolver o problema"

Terminaram conseguindo
O que essa corja queria
Após cada estágio findo
Se aproximava esse dia
"Combater corrupção
Dando o poder a ladrão"?
Piada, golpe, enfim, fria

Foi pela força da imprensa
Manipulando inocente
Que veio a triste sentença
Botando assim, de repente
Na Câmara e no Senado
O vice autovazado
Traidor pra presidente

-- Cárlisson Galdino

Para o Bem da nossa Educação

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Era uma vez, numa terra distante, de maus governantes, preconceito e opressão, um conjunto de deputados que elaborou e votou uma lei para impor “tradição”. Desde aquele dia, professores não poderiam mais falar sobre temas polêmicos em sala de aula. Nada que desagrade certos grupos políticos, certos preconceituosos e certas religiões. E assim era aula a partir de então...

Na aula de hoje
De Biologia
Veremos que um dia
Muito tempo atrás

Homens naturais
Nenhum existia
Na terra se via
Só seus ancestrais

Quaisquer animais
(Pois nada igual fica
Genética explica)
Sofrem evolução

- Não pode não! Isso é doutrinação!
- Cale o professor pro bem da nação!
- Os deputados já disseram: não!
- Tudo pro bem da nossa educação!

O aluno Odair
Não gostou do tema
Mas não tem problema
Vamos pra outra agora

Na aula de História
Vamos ver de fato
Em 64
Como foi o enredo

O mundo com medo
Do tal Comunismo
Assim num abismo
Saltou o Brasil

O exército, vil
Resolveu bater
Tomando o poder
Num golpe de estado

- Não pode não! Isso é doutrinação!
- Cale o professor pro bem da nação!
- Os deputados já disseram: não!
- Tudo pro bem da nossa educação!

Desculpa, Sofia
Que besteira, gente
Seu pai é tenente
Esqueça isso, então

Vai ter revisão
Pra não ter intriga
Lá pra Grécia antiga
Da Filosofia

Cês sabem que havia
Em Atenas o ensino
Com mestre e menino
Sendo o aprendiz

Mas o que se diz
Do ensino informal
É que era normal
A pederastia

E mesmo se havia
Devemos aos gregos
Cultura e segredos
Escola e ciência

- Não pode não! Isso é doutrinação!
- Cale o professor pro bem da nação!
- Os deputados já disseram: não!
- Tudo pro bem da nossa educação!

Kássia, sua família
É do culto e prega
Que a vida gay leva
Sempre à perdição?

Desculpe-me então
Avanço a História
E vamos pra hora
Das grandes cruzadas

A Igreja em jornadas
Pelo exterior
Depois foi pior
Com a Inquisição

Com morte, opressão
Parece loucura
Ter tanta tortura
Em nome de Deus

- Não pode não! Isso é doutrinação!
- Cale o professor pro bem da nação!
- Os deputados já disseram: não!
- Tudo pro bem da nossa educação!

Wando, isso é mentira?
Tortura não teve?
E paga quem deve?
Morreu quem devia?

Vou pra Geografia
História mais não
Abram na sessão
Sobre a Inglaterra

Um tanto de terra
No mar recolhido
Forma o Reino Unido...
Oi, Riko? Pois não!

Bacana a questão!
Ainda hoje em dia
Há a Monarquia
Que hoje tem lá

E é parlamentar
Vejam na tabela
Pois mostra bem nela
O gasto e progresso

Cada país, peço
Pra comparar bem
Dizendo se tem
República ou rei

Trabalho que eu dei
Deem opinião
Qual melhor gestão
Pra nos governar

- Não pode não! Isso é doutrinação!
- Cale o professor pro bem da nação!
- Os deputados já disseram: não!
- Tudo pro bem da nossa educação!

Esqueça o trabalho
De Geografia
Pra Biologia
Volto com certeza

Pois na Natureza
Existe harmonia
Em tudo… Sofia?
Cê quer perguntar?

Se entre bichos há
Gays como os humanos?
Pois então, vejamos
Você e os demais

Entre os animais
Tem poucos, mas tem
Entre eles também
Sei que é natural

- Não pode não! Isso é doutrinação!
- Cale o professor pro bem da nação!
- Os deputados já disseram: não!
- Tudo pro bem da nossa educação!

Ô Kássia, de novo
Eu falei “besteira”
Por favor não queira
Ter raiva hoje não

Mudando de mão
Vamos pra cultura
Pra Literatura
Que mal eu não fico

Olha só! O Chico!
Vamos ler então
O “Chama Ladrão”
E interpretar

- Não pode não! Isso é doutrinação!
- Cale o professor pro bem da nação!
- Os deputados já disseram: não!
- Tudo pro bem da nossa educação!

Sofia, está bem
Foi só dessa vez
Vou pro Português
Não falo mais disso

Hoje o compromisso
Para este momento
É de tratamento
Que gênero usar

Uriel, quer falar?
Se é masculino
Ou se é feminino
Que se deve usar

Quando precisar
Falar com José
Que virou mulher
Como proceder?

O que sei dizer
Questão de respeito
É chamar do jeito
Que o outro quiser!

- Não pode não! Isso é doutrinação!
- Cale o professor pro bem da nação!
- Os deputados já disseram: não!
- Tudo pro bem da nossa educação!

Turma, me perdoe
Não dá pra ensinar
Eu vou me mandar
Vou ser camelô

A lei que chegou
Não dá mais espaço
Não sei o que faço
Pra ensinar direito

Já vou, não tem jeito
Desejo boa sorte
A quem se comporte
Qual fosse um robô

Sei que assim não sou
Mas no nosso estado
Quer um deputado
Uma escola plena

Que é grande e pequena
Um sonho divino
De terem ensino
Sem ter professor

-- Cárlisson Galdino

Gênero: 

Do Golpe de 16 ao Autoritarismo

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O golpe se concretizou. Utilizando argumentos forçados (ouça o Lexcast e a fala mais recente do desembargador Tutmés Airan no Agreste à Esquerda – spinoff do Politicast – se ainda tiver dúvidas quanto a isso), defesas que fugiam do assunto tanto na Câmara (pela família, por Deus e pelos criminosos do outro golpe) quanto no Senado (contra o desemprego, pela mudança…), o golpe aconteceu.

A princípio não me parecia um golpe tão semelhante ao militar de 64, mesmo porque militares não foram utilizados. Era um golpe branco, como anunciava/denunciava ainda em 2014 o neto de João Goulart. Quase dois anos depois, terminou acontecendo. Alguns sinais de intenção autoritária já começam a preocupar.

Primeiro, a opressão de revoltosos. Ainda não aconteceu, mas será inevitável. As medidas ultraneoliberais do presidente interino e seus amigos vão levar vários setores da sociedade às ruas, é inevitável. Acontece que quem for às ruas encontrará a Lei Anti-terrorismo (aprovada pela Dilma) e o Ministério da Justiça nas mãos de Alexandre de Moraes. Para quem não lembra, era até poucos dias atrás o Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Aquele que botou a polícia para bater nos estudantes, que protestavam contra o fechamento de suas escolas (e ainda bota). O mesmo que bota a polícia para bater em manifestantes e jornalistas que cobrem uma manifestação. O mesmo que, depois da ação truculenta da polícia sob seu comando, não se constrangeu com as críticas e disse que a população apoiava seus atos. Pois é, junte esse Alexandre com a referida lei e bingo! Você reinventou a pólvora!

E o outro aspecto marcante de autoritarismos: a censura sobre a informação. Os maiores veículos de comunicação do país, como é sabido, pertencem a poucas famílias, que são também algumas das mais ricas. Como também é sabido, esse golpe branco já nasceu com amplo apoio desses grupos midiáticos. Eram poucos os que contrariavam a narrativa deles, baseada em um só lado da história, calando o debate e cultivando o ódio. Na TV comercial, não soube de alguém que quebrasse esse discurso. Quem são as emissoras comerciais afinal? Aquelas pertencentes às tais famílias mais ricas, com programação diversificada, e aquelas várias que vendem sua programação quase inteira para publicidade e programas religiosos. Quem sobra para fazer contraponto? A TV pública! Temos dois grandes veículos neste sentido: a TV Cultura e a TV Brasil. A primeira está totalmente sob controle do Governo de São Paulo, chegando a ter até mesmo programa conduzido pela Folha, sem contar que o famoso Roda Viva hoje está nas mãos de um colunista da Veja. Resta só uma. Somente a TV Brasil (e a rede a ela afiliada) têm coberto protestos dos dois lados, tem discutido com analistas políticos todo o processo de impeachment, inclusive com falas esclarecedoras, abrindo espaço para petistas, medebistas e tucanos. Nos últimos lances, inclusive, denunciando claramente os sinais de golpe (sem discurso único, com convidados discordando deste ponto de vista, outros concordando).

A TV Brasil, para quem não sabe, é mantida pela Empresa Brasil de Comunicação, que se pretende independente de interesses comerciais, político-partidários… (a favor da Sociedade, enfim, uma TV pública) tem um presidente de mandato fixo e um conselho curador com representantes da sociedade participando ativamente das decisões. Pois bem, começaram a veicular na imprensa suposições sobre um novo nome para a presidência da EBC. Pasmem! Mal se concretizou o golpe, querem tornar a TV pública em TV governamental! E assim, acabar com esta ameaça à narrativa global sobre o impeachment. O tema foi tratado ontem à noite no programa Ver TV (será reprisado de quarta para quinta).

Dias sombrios virão. Precisamos de muita força e posicionamentos claros, muita luta, para que esse golpe não se consolide ao cabo dos 180 dias.

Imagem do post: Wikipédia.

Feliz 1º de maio!

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Special: 

Oposição sindical

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Este ano fui convidado a participar de uma chapa a participar da disputa pela Direção do Sindicato do Técnicos-Administrativos da UFAL. Ficarei com a Coordenação Regional, uma coordenação que não existia até o congresso de 2015, tendo como principal missão aproximar os campi, pólos, unidades acadêmicas, enfim, tudo o que é UFAL e não está na capital.

Nossa chapa, de nome "Reconstruindo o Sintufal: A Luta é pela Base" terá o número 4 e se coloca, desde o início, como única chapa de oposição, considerando que é a única onde nenhum membro participou da gestão atual.

Bem, é isso. Teremos aproximadamente um mês de campanha. Temos muitas ideias e planos para melhorar ação do nosso sindicato, com mais transparência (a diretoria atual completou 3 anos sem prestação de contas de nenhum ano, que deveriam ser submetidas e aprovadas anualmente), divulgação e formação sindical, com mais democracia (o indispensável conselho político, hoje, só existe no estatuto).

É isso! Vamos à luta! Quem quiser acompanhar nossas ações e posições, temos o blog e a página de facebook da chapa.

Special: 

50 tons de liberdade de software

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Há exatamente um mês, 14 de novembro, Arapiraca teve um evento de tecnologia, o CATIC (Congresso Arapiraquense de Tecnologia da Informação e Comunicação). É a primeira edição da iniciativa, que trouxe um grupo muito bom de palestrantes. Na ocasião, apresentei a palestra "50 tons de liberdade de software", cujos slides publico hoje aqui.

"Existem muitas classificações possíveis entre o Software Livre e o Software Privativo. Há o software totalmente livre, o software livre que depende de software proprietário, software livre que estimula serviços não-livres... A ideia desta palestra é tentar traçar o espectro do software livre e mostrar que o mundo não é apenas o preto e o branco."

Espero que o evento prossiga com sucesso em novas edições, ao passo que parabenizo Glevson e Jadson (que já conheço há um bom tempo), além dos seus parceiros de empreitada Adilson e Lucas.

Veja os slides no anexo do post.

Special: 

Patentes de Marca, Mozilla e Debian

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Allan Viega estava questionando, através do GNU Social, sobre patentes, marcas, Firefox e Iceweasel. Como a minha resposta ficaria muito grande para um microblog, resolvir responder por aqui.

A Mozilla não permite usar a marca em versões modificadas dos seus produtos como forma de proteção. Inclusive antigamente os grupos voluntários que traduziam os produtos para seu idioma eram o responsáveis por gerar os instaladores da versão localizada. Até que surgiu uma versão dessas trazendo um malware que coletava dados. Foi quando a Mozilla resolveu tratar com mais seriedade sua política referente a marcas

Primeiro, que o Debian precisa modificar o código dos produtos Mozilla. A razão é simples: a Mozilla abandona versões antigas. Se o Firefox novo é o 42.0 e aparece uma vulnerabilidade que afete desde o 35, digamos, a Mozilla corrige só a versão mais nova, criando um 42.1. O Debian, por outro lado, tem uma política de não fazer atualizações de "número grande de versão" em suas distribuições marcadas como estáveis. Ou seja, se algum Debian estável ainda mantido estiver com um Firefox 35.5, é preciso que a falha de segurança seja corrigida sem forçar a atualização para a versão 42. A solução: criar um patch que altere a 35, gerando um 35.6.

A Mozilla até abriu uma exceção para o Debian poder usar o kit-marca Mozilla, mas esbarrou no código social do Debian, que diz que se o Debian tiver algum direito legal (marca, copyright...) concedido exclusivamente, que não possa ser repassado para os seus usuários, esse direito tem que ser desconsiderado.

Special: 

Vossa Excelência

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Por mais que esteja o mundo tão moderno
Com essa vasta tecnologia
E que a vida urbana tenha mudado
Os poderes permanecem iguais

O povo é massacrado mais e mais
Pela justiça, mídia, pelo Estado
Desenganado co'a democracia
E todos os poderosos de terno

São ricos que só pensam em ter aumento
Políticos disputando o poder
Corruptos que matam por cobiça

Juízes que não sabem o que é justiça
Seguindo assim, nós vamos por fim ver
"Vossa excelência" virar xingamento

-- Cárlisson Galdino

Special: 

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